<rss version="2.0" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><channel><title>vatican.va</title><link>http://www.vatican.va</link><description>vatican.va</description><language>pt</language><item><title><![CDATA[Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2020]]></title><pubDate>Sun, 31 May 2020 13:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/missions/documents/papa-francesco_20200531_giornata-missionaria2020.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/missions/documents/papa-francesco_20200531_giornata-missionaria2020.html</guid><description><![CDATA[<!-- Sun, 31 May 2020 12:33:36 +0200 --> <p align="center"> <font color="#663300"><b><i><font size="4">MENSAGEM DE SUA SANTIDADE<br /> O PAPA FRANCISCO<br /> PARA O DIA MUNDIAL DAS MISS&Otilde;ES DE 20</font></i></b></font><font size="4" color="#663300"><b><i>20</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300">[18 de outubro de 2020]</font></p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><font color="#663300" size="4"><b>&laquo;Eis-me aqui, envia-me&raquo; (<i>Is</i> 6, 8)</b></font></p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Desejo manifestar a minha gratid&atilde;o a Deus pelo empenho com que, em outubro passado, foi vivido o M&ecirc;s Mission&aacute;rio Extraordin&aacute;rio em toda a Igreja. Estou convencido de que isso contribuiu para estimular a convers&atilde;o mission&aacute;ria em muitas comunidades pela senda indicada no tema &laquo;Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em miss&atilde;o no mundo&raquo;.</p> 
<p>Neste ano, marcado pelas tribula&ccedil;&otilde;es e desafios causados pela pandemia do covid-19, este caminho mission&aacute;rio de toda a Igreja continua &agrave; luz da palavra que encontramos na narra&ccedil;&atilde;o da voca&ccedil;&atilde;o do profeta Isa&iacute;as: &laquo;<i>Eis-me aqui, envia-me</i>&raquo; (<i>Is</i> 6, 8). &Eacute; a resposta, sempre nova, &agrave; pergunta do Senhor: &laquo;Quem enviarei?&raquo; (<i>Ibid.</i>). Esta chamada prov&eacute;m do cora&ccedil;&atilde;o de Deus, da sua miseric&oacute;rdia, que interpela quer a Igreja quer a humanidade na crise mundial atual. &laquo;&Agrave; semelhan&ccedil;a dos disc&iacute;pulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos fr&aacute;geis e desorientados mas, ao mesmo tempo, importantes e necess&aacute;rios: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de m&uacute;tuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os disc&iacute;pulos que, falando a uma s&oacute; voz, dizem angustiados “vamos perecer” (cf. <i>Mc</i> 4, 38), assim tamb&eacute;m n&oacute;s nos apercebemos de que n&atilde;o podemos continuar estrada cada qual por conta pr&oacute;pria, mas s&oacute; o conseguiremos juntos&raquo; (Francisco, <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2020/documents/papa-francesco_20200327_omelia-epidemia.html">Medita&ccedil;&atilde;o na Pra&ccedil;a de S&atilde;o Pedro</a></i>, 27/III/2020). Estamos verdadeiramente assustados, desorientados e temerosos. O sofrimento e a morte fazem-nos experimentar a nossa fragilidade humana; mas, ao mesmo tempo, todos nos reconhecemos participantes dum forte desejo de vida e de liberta&ccedil;&atilde;o do mal. Neste contexto, a chamada &agrave; miss&atilde;o, o convite a sair de si mesmo por amor de Deus e do pr&oacute;ximo aparece como oportunidade de partilha, servi&ccedil;o, intercess&atilde;o. A miss&atilde;o que Deus confia a cada um faz passar do &laquo;eu&raquo; medroso e fechado ao &laquo;eu&raquo; resoluto e renovado pelo dom de si.</p> 
<p>No sacrif&iacute;cio da cruz, onde se realiza a miss&atilde;o de Jesus (cf. <i>Jo</i> 19, 28-30), Deus revela que o seu amor &eacute; por todos e cada um (cf. <i>Jo</i> 19, 26-27). E pede-nos a nossa disponibilidade pessoal para ser enviados, porque Ele &eacute; Amor em perene movimento de miss&atilde;o, sempre em sa&iacute;da de Si mesmo para dar vida. Por amor dos homens, Deus Pai enviou o Filho Jesus (cf. <i>Jo</i> 3, 16). Jesus &eacute; o Mission&aacute;rio do Pai: a sua Pessoa e a sua obra s&atilde;o, inteiramente, obedi&ecirc;ncia &agrave; vontade do Pai (cf. <i>Jo</i> 4, 34; 6, 38; 8, 12-30; <i>Heb</i> 10, 5-10). Por sua vez, Jesus – crucificado e ressuscitado por n&oacute;s –, no seu movimento de amor atrai-nos com o seu pr&oacute;prio Esp&iacute;rito, que anima a Igreja, torna-nos disc&iacute;pulos de Cristo e envia-nos em miss&atilde;o ao mundo e &agrave;s na&ccedil;&otilde;es.</p> 
<p>&laquo;A miss&atilde;o, a “Igreja em sa&iacute;da” n&atilde;o &eacute; um programa, um intuito concretiz&aacute;vel por um esfor&ccedil;o de vontade. &Eacute; Cristo que faz sair a Igreja de si mesma. Na miss&atilde;o de anunciar o Evangelho, moves-te porque o Esp&iacute;rito te impele e conduz (Francisco, <i>Sem Ele nada podemos fazer</i>, 2019, 16-17). Deus &eacute; sempre o primeiro a amar-nos e, com este amor, vem ao nosso encontro e chama-nos. A nossa voca&ccedil;&atilde;o pessoal prov&eacute;m do facto de sermos filhos e filhas de Deus na Igreja, sua fam&iacute;lia, irm&atilde;os e irm&atilde;s naquela caridade que Jesus nos testemunhou. Mas, todos t&ecirc;m uma dignidade humana fundada na voca&ccedil;&atilde;o divina a ser filhos de Deus, a tornar-se, no sacramento do Batismo e na liberdade da f&eacute;, aquilo que s&atilde;o desde sempre no cora&ccedil;&atilde;o de Deus.</p> 
<p>J&aacute; o facto de ter recebido gratuitamente a vida constitui um convite impl&iacute;cito para entrar na din&acirc;mica do dom de si mesmo: uma semente que, nos batizados, ganhar&aacute; forma madura como resposta de amor no matrim&oacute;nio e na virgindade pelo Reino de Deus. A vida humana nasce do amor de Deus, cresce no amor e tende para o amor. Ningu&eacute;m est&aacute; exclu&iacute;do do amor de Deus e, no santo sacrif&iacute;cio de seu Filho Jesus na cruz, Deus venceu o pecado e a morte (cf. <i>Rom</i> 8, 31-39). Para Deus, o mal – incluindo o pr&oacute;prio pecado – torna-se um desafio para amar, e amar cada vez mais (cf. <i>Mt</i> 5, 38-48; <i>Lc</i> 23, 33-34). Por isso, no Mist&eacute;rio Pascal, a miseric&oacute;rdia divina cura a ferida primordial da humanidade e derrama-se sobre o universo inteiro. A Igreja, sacramento universal do amor de Deus pelo mundo, prolonga na hist&oacute;ria a miss&atilde;o de Jesus e envia-nos por toda a parte para que, atrav&eacute;s do nosso testemunho da f&eacute; e do an&uacute;ncio do Evangelho, Deus continue a manifestar o seu amor e possa tocar e transformar cora&ccedil;&otilde;es, mentes, corpos, sociedades e culturas em todo o tempo e lugar.</p> 
<p>A miss&atilde;o &eacute; resposta, livre e consciente, &agrave; chamada de Deus. Mas esta chamada s&oacute; a podemos sentir, quando vivemos numa rela&ccedil;&atilde;o pessoal de amor com Jesus vivo na sua Igreja. Perguntemo-nos: estamos prontos a acolher a presen&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo na nossa vida, a ouvir a chamada &agrave; miss&atilde;o quer no caminho do matrim&oacute;nio, quer no da virgindade consagrada ou do sacerd&oacute;cio ordenado e, em todo o caso, na vida comum de todos os dias? Estamos dispostos a ser enviados para qualquer lugar a fim de testemunhar a nossa f&eacute; em Deus Pai misericordioso, proclamar o Evangelho da salva&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo, partilhar a vida divina do Esp&iacute;rito Santo edificando a Igreja? Como Maria, a M&atilde;e de Jesus, estamos prontos a permanecer sem reservas ao servi&ccedil;o da vontade de Deus (cf. <i>Lc</i> 1, 38)? Esta disponibilidade interior &eacute; muito importante para se conseguir responder a Deus: Eis-me aqui, Senhor, envia-me (cf. <i>Is</i> 6, 8). E isto respondido n&atilde;o em abstrato, mas no hoje da Igreja e da hist&oacute;ria.</p> 
<p>A compreens&atilde;o daquilo que Deus nos est&aacute; a dizer nestes tempos de pandemia torna-se um desafio tamb&eacute;m para a miss&atilde;o da Igreja. Desafia-nos a doen&ccedil;a, a tribula&ccedil;&atilde;o, o medo, o isolamento. Interpela-nos a pobreza de quem morre sozinho, de quem est&aacute; abandonado a si mesmo, de quem perde o emprego e o sal&aacute;rio, de quem n&atilde;o tem abrigo e comida. Obrigados &agrave; dist&acirc;ncia f&iacute;sica e a permanecer em casa, somos convidados a redescobrir que precisamos das rela&ccedil;&otilde;es sociais e tamb&eacute;m da rela&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria com Deus. Longe de aumentar a desconfian&ccedil;a e a indiferen&ccedil;a, esta condi&ccedil;&atilde;o deveria tornar-nos mais atentos &agrave; nossa maneira de nos relacionarmos com os outros. E a ora&ccedil;&atilde;o, na qual Deus toca e move o nosso cora&ccedil;&atilde;o, abre-nos &agrave;s car&ecirc;ncias de amor, dignidade e liberdade dos nossos irm&atilde;os, bem como ao cuidado por toda a cria&ccedil;&atilde;o. A impossibilidade de nos reunirmos como Igreja para celebrar a Eucaristia fez-nos partilhar a condi&ccedil;&atilde;o de muitas comunidades crist&atilde;s que n&atilde;o podem celebrar a Missa todos os domingos. Neste contexto, &eacute;-nos dirigida novamente a pergunta de Deus – &laquo;quem enviarei?&raquo; – e aguarda, de n&oacute;s, uma resposta generosa e convicta: &laquo;Eis-me aqui, envia-me&raquo; (<i>Is</i> 6, 8). Deus continua a procurar pessoas para enviar ao mundo e &agrave;s na&ccedil;&otilde;es, a fim de testemunhar o seu amor, a sua salva&ccedil;&atilde;o do pecado e da morte, a sua liberta&ccedil;&atilde;o do mal (cf. <i>Mt</i> 9, 35-38; <i>Lc</i> 10, 1-11).</p> 
<p>Celebrar o Dia Mundial das Miss&otilde;es significa tamb&eacute;m reiterar que a ora&ccedil;&atilde;o, a reflex&atilde;o e a ajuda material das vossas ofertas s&atilde;o oportunidades para participar ativamente na miss&atilde;o de Jesus na sua Igreja. A caridade manifestada nas coletas das celebra&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas do terceiro domingo de outubro tem por objetivo sustentar o trabalho mission&aacute;rio, realizado em meu nome pelas Obras Mission&aacute;rias Pontif&iacute;cias, que acodem &agrave;s necessidades espirituais e materiais dos povos e das Igrejas de todo o mundo para a salva&ccedil;&atilde;o de todos.</p> 
<p>A Sant&iacute;ssima Virgem Maria, Estrela da Evangeliza&ccedil;&atilde;o e Consoladora dos Aflitos, disc&iacute;pula mission&aacute;ria do seu Filho Jesus, continue a amparar-nos e a interceder por n&oacute;s.</p> 
<p class="MsoNormal"><i>Roma, em S&atilde;o Jo&atilde;o de Latr&atilde;o, na Solenidade de Pentecostes, 31 de maio de 2020.</i></p> 
<p align="center"><b>Francisco</b></p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Regina Caeli, 31 de maio de 2020]]></title><pubDate>Sun, 31 May 2020 12:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2020/documents/papa-francesco_regina-coeli_20200531.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2020/documents/papa-francesco_regina-coeli_20200531.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 01 Jun 2020 10:26:52 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">PAPA FRANCISCO</font></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>REGINA CAELI</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Pra&ccedil;a S&atilde;o Pedro<br /> Domingo, 31 de maio de 2020</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/31/regina-coeli.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>Agora que a pra&ccedil;a est&aacute; aberta, podemos voltar. &Eacute; um prazer!</p> 
<p>Hoje celebramos a grande festa de Pentecostes, em mem&oacute;ria da efus&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo sobre a primeira comunidade crist&atilde;. O Evangelho hodierno (cf. <i>Jo</i> 20, 19-23) reconduz-nos &agrave; noite de P&aacute;scoa e mostra-nos Jesus ressuscitado que aparece no Cen&aacute;culo, onde os disc&iacute;pulos se refugiaram. Eles tinham medo.<b> </b>&laquo;P&ocirc;s-se no meio deles e disse-lhes: “A paz seja convosco!”&raquo; (v. 19). Estas primeiras palavras pronunciadas pelo Ressuscitado:&nbsp;&laquo;A paz seja convosco&raquo; devem ser consideradas mais do que uma sauda&ccedil;&atilde;o: exprimem o perd&atilde;o, o perd&atilde;o concedido aos disc&iacute;pulos que, para dizer a verdade, o tinham abandonado. S&atilde;o&nbsp;palavras de reconcilia&ccedil;&atilde;o e de perd&atilde;o. E tamb&eacute;m n&oacute;s, quando desejamos a paz aos outros, estamos a perdoar e a pedir perd&atilde;o. Jesus oferece a sua paz precisamente a estes disc&iacute;pulos que t&ecirc;m medo, que sentem dificuldade em acreditar no que viram, ou seja, no t&uacute;mulo vazio, e que subestimam o testemunho de Maria de Magdala e das outras mulheres. Jesus perdoa, perdoa sempre, e oferece a paz aos seus amigos. N&atilde;o vos esque&ccedil;ais: Jesus nunca se cansa de perdoar. Somos n&oacute;s que nos cansamos de pedir perd&atilde;o.</p> 
<p>Ao perdoar e reunir os disc&iacute;pulos &agrave; sua volta, Jesus faz deles<b> </b>uma Igreja, a<i> sua</i> Igreja: que &eacute; uma comunidade reconciliada e pronta para a miss&atilde;o. Reconciliada e pronta para a miss&atilde;o. Quando uma comunidade n&atilde;o est&aacute; reconciliada, n&atilde;o est&aacute; pronta para a miss&atilde;o: est&aacute; pronta para discutir consigo mesma, est&aacute; pronta para [discuss&otilde;es] internas.<b> </b>O encontro com o Senhor ressuscitado inverte a&nbsp;exist&ecirc;ncia dos Ap&oacute;stolos e transforma-os em testemunhas corajosas. Na verdade, imediatamente a seguir diz: &laquo;Assim como o Pai me enviou, tamb&eacute;m eu vos envio a v&oacute;s&raquo; (v. 21). Estas palavras deixam claro que os Ap&oacute;stolos s&atilde;o enviados para prolongar a mesma miss&atilde;o que o Pai confiou a Jesus. &laquo;Eu envio-te&raquo;: n&atilde;o &eacute; tempo de ficar preso, nem de se lamentar: de lamentar os “bons tempos”, aqueles tempos passados com o Mestre. A alegria da Ressurrei&ccedil;&atilde;o &eacute; grande, mas &eacute; uma alegria expansiva, que n&atilde;o deve ser guardada para si mesmo, mas deve ser doada. Nos domingos do Tempo pascal, ouvimos primeiro este mesmo epis&oacute;dio, em seguida o encontro com os disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s, depois o Bom Pastor, os discursos de despedida e a promessa do Esp&iacute;rito Santo: tudo isto com o objetivo de fortalecer a f&eacute; dos disc&iacute;pulos - e tamb&eacute;m a nossa - tendo em vista a miss&atilde;o.</p> 
<p>E precisamente para animar a miss&atilde;o, Jesus d&aacute; aos Ap&oacute;stolos o seu Esp&iacute;rito. O Evangelho diz: &laquo;soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Esp&iacute;rito Santo”&raquo; (v. 22). O Esp&iacute;rito Santo &eacute; fogo que queima os pecados e cria novos homens e mulheres; &eacute; fogo de amor com o qual os disc&iacute;pulos poder&atilde;o “incendiar o mundo”, esse amor de ternura que prefere os pequeninos, os pobres, os exclu&iacute;dos...&nbsp;Nos sacramentos do Batismo e da Confirma&ccedil;&atilde;o recebemos o Esp&iacute;rito Santo com os seus dons: sabedoria, intelecto, conselho, for&ccedil;a, conhecimento, piedade, temor a Deus. Este &uacute;ltimo dom - o temor a Deus - &eacute; precisamente o oposto do temor que antes paralisava os disc&iacute;pulos: &eacute; o amor ao Senhor, &eacute; a certeza da sua miseric&oacute;rdia e bondade, &eacute; a confian&ccedil;a de que podemos avan&ccedil;ar no rumo por Ele indicado, sem nunca perder a sua presen&ccedil;a e apoio. </p> 
<p>A festa de Pentecostes renova a consci&ecirc;ncia de que a presen&ccedil;a vivificante do Esp&iacute;rito Santo habita em n&oacute;s. Tamb&eacute;m nos d&aacute; a coragem de sair das paredes protetoras dos nossos “cen&aacute;culos”, pequenos grupos, sem nos acomodarmos numa vida tranquila nem nos fecharmos em h&aacute;bitos est&eacute;reis. Elevemos agora o nosso pensamento a Maria. Ela estava l&aacute;, com os Ap&oacute;stolos, quando o Esp&iacute;rito Santo veio, foi protagonista da primeira Comunidade da admir&aacute;vel experi&ecirc;ncia do Pentecostes, e oremos a Ela para que obtenha para a Igreja um esp&iacute;rito mission&aacute;rio fervoroso.</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="75%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Depois do Regina Caeli</b></p> 
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>H&aacute; sete meses terminou o S&iacute;nodo Amaz&oacute;nico; hoje, festa de Pentecostes, invoquemos o Esp&iacute;rito Santo para que d&ecirc; luz e for&ccedil;a &agrave; Igreja e &agrave; sociedade amaz&oacute;nica, que foi duramente atingida pela pandemia. S&atilde;o muitos os infetados e os mortos, tamb&eacute;m entre os povos ind&iacute;genas, particularmente vulner&aacute;veis. Por intercess&atilde;o de Maria, M&atilde;e da Amaz&oacute;nia, rezo pelos mais pobres e indefesos daquela querida Regi&atilde;o, mas tamb&eacute;m pelos mais pobres e indefesos de todo o mundo, e apelo a que n&atilde;o faltem cuidados de sa&uacute;de a ningu&eacute;m. Cuidar das pessoas, n&atilde;o poupar para a economia. Cuidar das pessoas, que s&atilde;o mais importantes do que a economia. Somos n&oacute;s, as pessoas, o templo do Esp&iacute;rito Santo, n&atilde;o a economia.</p> 
<p>Hoje, em It&aacute;lia, celebra-se o Dia Nacional de Socorro, para promover a solidariedade para com os doentes. Renovo o meu apre&ccedil;o a todos aqueles que, especialmente neste per&iacute;odo, ofereceram e dedicam o seu testemunho de cuidados para com os outros. Recordo com gratid&atilde;o e admira&ccedil;&atilde;o todos aqueles que, ao apoiarem os doentes nesta pandemia, perderam a sua vida. Rezemos silenciosamente pelos m&eacute;dicos, volunt&aacute;rios, enfermeiros, todos os profissionais de sa&uacute;de e muitos que sacrificaram a sua vida durante este per&iacute;odo.</p> 
<p>Desejo-vos a todos um feliz Domingo de Pentecostes. Precisamos tanto da luz e do poder do Esp&iacute;rito Santo! A Igreja precisa dela, para poder caminhar unida e corajosamente, dando testemunho do Evangelho. E toda a fam&iacute;lia humana precisa dela, para sair desta crise mais unida e j&aacute; n&atilde;o dividida. Sabeis que de uma crise como esta n&atilde;o se sai da mesma maneira, como antes: ou se sai melhor ou pior. Que tenhamos a coragem de mudar, de ser melhores, de ser melhores do que antes e de ser capazes de construir positivamente a p&oacute;s-crise da pandemia.</p> 
<p>Por favor, n&atilde;o vos esque&ccedil;ais de rezar por mim. Bom almo&ccedil;o e at&eacute; &agrave; vista, na pra&ccedil;a!</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Santa Missa na Solenidade de Pentecostes (31 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Sun, 31 May 2020 10:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2020/documents/papa-francesco_20200531_omelia-pentecoste.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2020/documents/papa-francesco_20200531_omelia-pentecoste.html</guid><description><![CDATA[<!-- Sun, 31 May 2020 12:29:33 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300"> <a href="http://www.vatican.va/news_services/liturgy/libretti/2020/20200531-libretto-pentecoste.pdf">SANTA MISSA NA SOLENIDADE DE PENTECOSTES</a></font></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Bas&iacute;lica de S&atilde;o Pedro<br />Domingo, 31 de maio de 2020</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/31/pentecoste.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p>&laquo;H&aacute; diversidade de dons espirituais, mas o Esp&iacute;rito &eacute; o mesmo&raquo;: assim escreve Paulo aos Cor&iacute;ntios. E continua: &laquo;H&aacute; diversidade de servi&ccedil;os, mas o Senhor &eacute; o mesmo; e h&aacute; diversos modos de agir, mas &eacute; o mesmo Deus que realiza tudo em todos&raquo; (<i>1 Cor</i> 12, 4-6). <i>Diversidade</i> e<i> o mesmo, diversos</i> e<i> um s&oacute;</i>: o Ap&oacute;stolo insiste em juntar duas palavras que parecem opostas. Quer-nos dizer que este <i>um s&oacute;</i> que junta os <i>diversos</i> &eacute; o Esp&iacute;rito Santo. E a Igreja nasceu assim: diversos, unidos pelo Esp&iacute;rito Santo.</p> 
<p>Recuemos at&eacute; aos in&iacute;cios da Igreja, no dia de Pentecostes, e fixemos os Ap&oacute;stolos: entre eles, temos pessoas simples, habituadas a viver do trabalho das suas m&atilde;os, como os pescadores, e est&aacute; Mateus, certamente dotado de instru&ccedil;&atilde;o pois fora cobrador de impostos. Existem origens e contextos sociais diversos, nomes hebraicos e nomes gregos, temperamentos pacatos e outros ardorosos, ideias e sensibilidades diferentes. Eram todos diferentes. Jesus n&atilde;o os mudara, nem os uniformizara, tornando-os modelos em s&eacute;rie. N&atilde;o. Deixara as suas diversidades; e agora une-os, ungindo-os com o Esp&iacute;rito Santo. A <i>uni&atilde;o</i> – a uni&atilde;o deles que eram diversos – vem com a <i>un&ccedil;&atilde;o</i>. No Pentecostes, os Ap&oacute;stolos compreendem a for&ccedil;a unificadora do Esp&iacute;rito. Veem-na com os pr&oacute;prios olhos, ao constatar que todos, apesar de falar l&iacute;nguas diversas, formam um s&oacute; povo: o povo de Deus, plasmado pelo Esp&iacute;rito, que tece a unidade com as nossas diferen&ccedil;as, que d&aacute; harmonia porque, no Esp&iacute;rito, h&aacute; harmonia. Ele <i>&eacute;</i> a harmonia.</p> 
<p>Mas voltemos &agrave; Igreja de hoje. Podemos interrogar-nos: &laquo;O que &eacute; que nos une, em que se baseia a nossa unidade?&raquo; Tamb&eacute;m entre n&oacute;s existem diversidades, por exemplo de opini&atilde;o, prefer&ecirc;ncia, sensibilidade. A tenta&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, &eacute; defender sempre de espada desembainhada as nossas ideias, considerando-as boas para todos e pactuando apenas com quem pensa como n&oacute;s. E esta &eacute; uma tenta&ccedil;&atilde;o ruim, que divide. Mas, esta &eacute; uma f&eacute; &agrave; nossa imagem, n&atilde;o &eacute; aquilo que deseja o Esp&iacute;rito. Nesse caso, poder-se-ia pensar que aquilo que nos une fossem as pr&oacute;prias coisas em que acreditamos e os pr&oacute;prios comportamentos que adotamos. Mas n&atilde;o! H&aacute; muito mais: o nosso princ&iacute;pio de unidade &eacute; o Esp&iacute;rito Santo. E a primeira coisa que Ele nos lembra &eacute; que somos <i>filhos amados de Deus</i>; nisto, todos iguais e, todavia, somos todos diferentes. O Esp&iacute;rito vem a n&oacute;s, com todas as nossas diversidades e mis&eacute;rias, para nos dizer que temos um s&oacute; e mesmo Senhor, Jesus, um s&oacute; e mesmo Pai; por isso, somos irm&atilde;os e irm&atilde;s. Partamos daqui! Olhemos a Igreja como faz o Esp&iacute;rito, n&atilde;o como faz o mundo. O mundo v&ecirc;-nos de direita e de esquerda, com esta ideologia, com aquela; o Esp&iacute;rito v&ecirc;-nos do Pai e de Jesus. O mundo v&ecirc; conservadores e progressistas; o Esp&iacute;rito v&ecirc; filhos de Deus. O olhar do mundo v&ecirc; estruturas, que se devem tornar mais eficientes; o olhar espiritual v&ecirc; irm&atilde;os e irm&atilde;s implorando miseric&oacute;rdia. O Esp&iacute;rito ama-nos e conhece o lugar de cada um no todo: para Ele n&atilde;o somos papelinhos coloridos levados pelo vento, mas ladrilhos insubstitu&iacute;veis do seu mosaico.</p> 
<p>Tornamos ao dia de Pentecostes e descobrimos a primeira obra da Igreja: <i>o an&uacute;ncio</i>. Vemos, por&eacute;m, que os Ap&oacute;stolos n&atilde;o preparam uma estrat&eacute;gia; quando estavam fechados l&aacute;, no Cen&aacute;culo, n&atilde;o montavam a estrat&eacute;gia, n&atilde;o; n&atilde;o preparavam um plano pastoral. Teriam podido dividir as pessoas por grupos segundo os v&aacute;rios povos, falar primeiro aos de perto e depois aos que eram de longe, tudo bem ordenado... Teriam podido tamb&eacute;m temporizar um pouco no an&uacute;ncio e, entretanto, aprofundar os ensinamentos de Jesus, para evitar riscos... Mas n&atilde;o! O Esp&iacute;rito n&atilde;o quer que a recorda&ccedil;&atilde;o do Mestre seja cultivada em grupos fechados, em cen&aacute;culos onde tendemos a &laquo;fazer o ninho&raquo;. E esta &eacute; uma doen&ccedil;a m&aacute; que pode vir &agrave; Igreja: uma Igreja n&atilde;o comunidade, nem fam&iacute;lia, nem m&atilde;e, mas ninho. O Esp&iacute;rito abre, relan&ccedil;a, impele para al&eacute;m do que j&aacute; foi dito e feito, Ele impele para al&eacute;m dos recintos duma f&eacute; t&iacute;mida e cautelosa. No mundo, sem uma estrutura compacta e uma estrat&eacute;gia calculada &eacute; um fracasso. Na Igreja, ao contr&aacute;rio, o Esp&iacute;rito assegura ao arauto a unidade. E os Ap&oacute;stolos partem: sem prepara&ccedil;&atilde;o, lan&ccedil;am-se, saem. Anima-os um &uacute;nico desejo: <i>dar o que receberam</i>. Como &eacute; belo aquele princ&iacute;pio da Primeira Carta de Jo&atilde;o: aquilo que n&oacute;s recebemos e vimos, damo-lo a v&oacute;s (cf. 1, 3)! </p> 
<p>Finalmente chegamos a compreender qual &eacute; o segredo da unidade, o segredo do Esp&iacute;rito. O segredo da unidade da Igreja, o segredo do Esp&iacute;rito &eacute; <i>o dom</i>. Porque Ele &eacute; dom, vive doando-Se e, assim, nos mant&eacute;m unidos, fazendo-nos participantes do mesmo dom. &Eacute; importante acreditar que Deus &eacute; dom, que n&atilde;o se comporta tomando, mas dando. E por que &eacute; importante? Porque o nosso modo de ser crentes depende de como entendermos Deus. Se tivermos em mente um Deus que toma, que Se imp&otilde;e, desejaremos tamb&eacute;m n&oacute;s tomar e impor-nos: ocupar espa&ccedil;os, reivindicar import&acirc;ncia, procurar poder. Mas, se tivermos no cora&ccedil;&atilde;o que Deus &eacute; dom, muda tudo. Se nos dermos conta de que aquilo que somos &eacute; dom d’Ele, dom gratuito e imerecido, ent&atilde;o tamb&eacute;m n&oacute;s quereremos fazer da pr&oacute;pria vida um dom. E amando humildemente, servindo gratuitamente e com alegria, ofereceremos ao mundo a verdadeira imagem de Deus. O Esp&iacute;rito, <i>mem&oacute;ria viva da Igreja</i>, lembra-nos que nascemos de um dom e crescemos doando-nos; n&atilde;o poupando-nos, mas dando-nos.</p> 
<p>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, olhemos no &iacute;ntimo de n&oacute;s mesmos e perguntemo-nos o que &eacute; que impede de nos darmos. H&aacute; – por assim dizer – tr&ecirc;s inimigos do dom; os principais s&atilde;o tr&ecirc;s, sempre deitados &agrave; porta do cora&ccedil;&atilde;o: o narcisismo, a vitimiza&ccedil;&atilde;o e o pessimismo. O <i>narcisismo</i> leva a idolatrar-me a mim mesmo, a comprazer-me apenas com o lucro pr&oacute;prio. O narcisista pensa: &laquo;A vida &eacute; boa, se eu ganho com ela&raquo;. E assim chega a dizer: &laquo;<i>Por que deveria eu doar-me aos outros?</i>&raquo; Nesta pandemia, faz um mal imenso o narcisismo, o debru&ccedil;ar-se apenas sobre as pr&oacute;prias car&ecirc;ncias, insens&iacute;vel &agrave;s dos outros, o n&atilde;o admitir as pr&oacute;prias fragilidades e erros. Mas o segundo inimigo, a <i>vitimiza&ccedil;&atilde;o</i>, tamb&eacute;m &eacute; perigoso. A v&iacute;tima lamenta-se todos os dias do seu pr&oacute;ximo: &laquo;Ningu&eacute;m me compreende, ningu&eacute;m me ajuda, ningu&eacute;m me quer bem, est&atilde;o todos contra mim!&raquo; Quantas vezes ouvimos estas lamenta&ccedil;&otilde;es! E o seu cora&ccedil;&atilde;o fecha-se, enquanto se interroga: &laquo;<i>Por que n&atilde;o se doam a mim os outros?</i>&raquo; No drama que vivemos, como &eacute; m&aacute; a vitimiza&ccedil;&atilde;o! Como &eacute; mau pensar que ningu&eacute;m nos compreende e sente aquilo que sentimos n&oacute;s! Isto &eacute; o fazer a v&iacute;tima. Por fim, temos <i>o pessimismo</i>. Neste caso, a ladainha di&aacute;ria &eacute;: &laquo;Nada vai bem, a sociedade, a pol&iacute;tica, a Igreja...&raquo; O pessimista insurge-se contra o mundo, mas fica inerte e pensa: &laquo;<i>Assim para que serve doar-se? &Eacute; in&uacute;til</i>&raquo;. Agora, no grande esfor&ccedil;o de recome&ccedil;ar, como &eacute; prejudicial o pessimismo, ver tudo negro, repetir que nada voltar&aacute; a ser como antes! Pensando assim, aquilo que seguramente n&atilde;o volta &eacute; a esperan&ccedil;a. Nestes tr&ecirc;s – o &iacute;dolo narcisista do espelho, o deus-espelho; o deus-lamenta&ccedil;&atilde;o: &laquo;sinto-me algu&eacute;m nas lamenta&ccedil;&otilde;es&raquo;; e o deus-negatividade: &laquo;&eacute; tudo negro, &eacute; tudo escuro&raquo; – encontramo-nos na <i>carestia da esperan&ccedil;a</i> e precisamos de apreciar o dom da vida, o dom que &eacute; cada um de n&oacute;s. Por isso, necessitamos do Esp&iacute;rito Santo, dom de Deus que nos cura do narcisismo, da vitimiza&ccedil;&atilde;o e do pessimismo; cura do espelho, das lamenta&ccedil;&otilde;es e da escurid&atilde;o.</p> 
<p>Irm&atilde;os e irm&atilde;s, pe&ccedil;amo-lo: Esp&iacute;rito Santo, mem&oacute;ria de Deus, reavivai em n&oacute;s a lembran&ccedil;a do dom recebido. Libertai-nos das paralisias do ego&iacute;smo e acendei em n&oacute;s o desejo de servir, de fazer bem. Porque pior do que esta crise, s&oacute; o drama de a desperdi&ccedil;ar fechando-nos em n&oacute;s mesmos. Vinde, Esp&iacute;rito Santo! V&oacute;s que sois harmonia, tornai-nos construtores de unidade; V&oacute;s que sempre Vos doais, dai-nos a coragem de sair de n&oacute;s mesmos, de nos amar e ajudar, para nos tornarmos uma &uacute;nica fam&iacute;lia. Amen.</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Mensagem do Santo Padre no cinquentenário da promulgação do Rito da Consagração das Virgens (31 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Sun, 31 May 2020 08:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2020/documents/papa-francesco_20200531_messaggio-50-ritoconsacrazione-vergini.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2020/documents/papa-francesco_20200531_messaggio-50-ritoconsacrazione-vergini.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 01 Jun 2020 14:37:49 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300"><font size="4"><b><i>MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO<br /> NO CINQUENTEN&Aacute;RIO DA PROMULGA&Ccedil;&Atilde;O&nbsp;<br /> DO RITO DA CONSAGRA&Ccedil;&Atilde;O DAS VIRGENS</i></b></font> </font></p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Queridas irm&atilde;s!</i></p> 
<p>1. H&aacute; cinquenta anos, a Sacra Congrega&ccedil;&atilde;o para o Culto Divino, por mandato de S&atilde;o Paulo VI, promulgava o novo <i>Rito da Consagra&ccedil;&atilde;o das Virgens</i>. A pandemia em curso obrigou a adiar o encontro internacional convocado pela Congrega&ccedil;&atilde;o para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apost&oacute;lica para celebrar este relevante anivers&aacute;rio. Contudo desejo de igual modo unir-me ao vosso agradecimento por esta &laquo;d&uacute;plice d&aacute;diva do Senhor &agrave; sua Igreja&raquo;, como vos disse S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II por ocasi&atilde;o do vig&eacute;simo quinto anivers&aacute;rio: o <i>Rito</i> renovado e uma <i>Ordo fidelium </i>&laquo;restitu&iacute;da &agrave; Comunidade Eclesial&raquo; (<i>Discurso &agrave;s participantes no Encontro Internacional da &laquo;</i>Ordo virginum<i>&raquo;</i>, 2/VI/1995).</p> 
<p>A vossa forma de vida encontra a sua primeira fonte no <i>Rito</i>, tem a sua configura&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica no c&acirc;n. 604 do <i>C&oacute;digo de Direito Can&oacute;nico</i> e, desde 2018, na Instru&ccedil;&atilde;o <i>Ecclesiae Sponsae imago</i>. A vossa voca&ccedil;&atilde;o evidencia a riqueza inexaur&iacute;vel e multiforme dos dons do Esp&iacute;rito do Ressuscitado, que renova todas as coisas (cf. <i>Ap</i> 21, 5). Ao mesmo tempo, &eacute; um sinal de esperan&ccedil;a: a fidelidade do Pai continua ainda hoje a colocar no cora&ccedil;&atilde;o de algumas mulheres o desejo de serem consagradas ao Senhor na virgindade, vivida no seu ambiente social e cultural comum, radicadas numa Igreja particular, numa forma de vida antiga e simultaneamente nova e moderna.</p> 
<p>Acompanhadas pelos Bispos, aprofundastes a especificidade da vossa forma de vida consagrada, experimentando que a consagra&ccedil;&atilde;o vos constitui na Igreja numa <i> Ordo fidelium</i> particular. Continuai por este caminho, colaborando com os Bispos, para que existam percursos s&eacute;rios de discernimento vocacional e de forma&ccedil;&atilde;o inicial e permanente. Com efeito, o dom da vossa voca&ccedil;&atilde;o manifesta-se na sinfonia da Igreja, que se constr&oacute;i quando pode reconhecer, em v&oacute;s, mulheres capazes de viver o dom da &laquo;sororidade&raquo;.</p> 
<p>2. Cinquenta anos depois do <i>Rito</i> renovado, gostaria de vos dizer: n&atilde;o extingais a profecia da vossa voca&ccedil;&atilde;o! N&atilde;o &eacute; por m&eacute;rito vosso, mas pela miseric&oacute;rdia de Deus que sois chamadas a fazer resplandecer na vossa vida o rosto da Igreja, Esposa de Cristo, que &eacute; virgem porque ela, apesar de composta por pecadores, guarda &iacute;ntegra a f&eacute;, concebe e faz crescer uma humanidade nova.</p> 
<p>Unidas ao Esp&iacute;rito, &agrave; Igreja inteira e a quantos ouvem esta Palavra, sois convidadas a entregar-vos a Cristo e a dizer-Lhe: &laquo;Vem!&raquo; (<i>Ap</i> 22, 17), para habitar na for&ccedil;a dada pela sua resposta: &laquo;Sim. Virei brevemente&raquo; (<i>Ap</i> 22, 20). Esta visita do Esposo &eacute; o horizonte do vosso caminho eclesial, a vossa meta, a promessa que se deve guardar cada dia. Assim, &laquo;podereis ser estrelas que orientam o caminho do mundo&raquo; (Bento&nbsp;XVI, <a href="https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2008/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20080515_ordo-virginum.html"> <i>Discurso &agrave;s participantes no Congresso da &laquo;</i>Ordo virginum<i>&raquo;</i></a>, 15/V/2008).</p> 
<p>Convido-vos a reler e meditar os textos do <i>Rito</i>, onde ressoa o sentido da vossa voca&ccedil;&atilde;o: sois chamadas a experimentar e testemunhar que Deus, em seu Filho, nos amou primeiro, que o seu amor se estende a todos e tem a for&ccedil;a de transformar os pecadores em santos. De facto, &laquo;Cristo amou a Igreja e entregou-Se por ela, para a santificar, purificando-a, no banho da &aacute;gua, pela palavra&raquo; (<i>Ef</i> 5, 25-26). A vossa vida far&aacute; transparecer a tens&atilde;o escatol&oacute;gica que anima a cria&ccedil;&atilde;o inteira, que impele toda a hist&oacute;ria e nasce do convite do Ressuscitado: &laquo;Levanta-te, &oacute; minha bela amada, e vem!&raquo; (cf. <i>Ct</i> 2, 10; Or&iacute;genes, <i>Homilias sobre o C&acirc;ntico dos C&acirc;nticos</i> II, 12).</p> 
<p>3. A Homilia proposta pelo <i>Rito de Consagra&ccedil;&atilde;o</i> exorta-vos: &laquo;Amai a todos, mas objeto das vossas prefer&ecirc;ncias sejam os pobres&raquo; (n. 29). A consagra&ccedil;&atilde;o reserva-vos para Deus, sem vos alienar do ambiente onde viveis e sois chamadas a dar o vosso testemunho com o estilo da proximidade evang&eacute;lica (cf. <i>Ecclesiae Sponsae imago</i>, 37-38). Com esta espec&iacute;fica proximidade aos homens e mulheres de hoje, a vossa consagra&ccedil;&atilde;o virginal ajude a Igreja a amar os pobres, a identificar as pobrezas materiais e espirituais, a socorrer os mais fr&aacute;geis e indefesos, todos os que padecem doen&ccedil;as f&iacute;sicas e ps&iacute;quicas, os pequeninos e os idosos, quantos correm o risco de ser postos de lado e descartados.</p> 
<p>Sede <i>mulheres da miseric&oacute;rdia</i>, peritas em humanidade. Mulheres que acreditam &laquo;na for&ccedil;a revolucion&aacute;ria da ternura e do afeto&raquo; (Francisco,&nbsp;Exort. ap. <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#A_Estrela_da_nova_evangeliza&ccedil;&atilde;o">Evangelii gaudium</a></i>, 288). A pandemia ensina-nos que &laquo;&eacute; tempo de remover as desigualdades, sanar a injusti&ccedil;a que mina pela raiz a sa&uacute;de da humanidade inteira&raquo; (Francisco, <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2020/documents/papa-francesco_20200419_omelia-divinamisericordia.html">Homilia na Santa Missa da Divina Miseric&oacute;rdia</a></i>, 19/IV/2020). Aquilo que se passa no mundo incita-vos: n&atilde;o fecheis os olhos, nem fujais; cruzai com delicadeza a tribula&ccedil;&atilde;o e o sofrimento; perseverai na proclama&ccedil;&atilde;o do Evangelho da vida em plenitude para todos.</p> 
<p>A Ora&ccedil;&atilde;o de Consagra&ccedil;&atilde;o, ao invocar sobre v&oacute;s os multiformes dons do Esp&iacute;rito, pede que possais viver numa <i>casta libertas</i> (<i>Rito da Consagra&ccedil;&atilde;o das Virgens</i>, 38). Seja este o vosso estilo de relacionamento, para ser sinal do amor esponsal que une Cristo &agrave; Igreja, virgem m&atilde;e, irm&atilde; e amiga da humanidade. Com a vossa bondade (cf. <i>Flp</i> 4, 5), tecei tramas feitas de rela&ccedil;&otilde;es aut&ecirc;nticas, que resgatem da solid&atilde;o e do anonimato os bairros das nossas cidades. Sede capazes de desassombro, mas afastai a tenta&ccedil;&atilde;o da murmura&ccedil;&atilde;o e da maledic&ecirc;ncia. Tende a sabedoria, a desenvoltura e a credibilidade da caridade, para vos opordes &agrave; arrog&acirc;ncia e evitar os abusos de poder.</p> 
<p>4. Na Solenidade de Pentecostes, desejo aben&ccedil;oar cada uma de v&oacute;s, bem como as mulheres que est&atilde;o a preparar-se para receber esta consagra&ccedil;&atilde;o e todas aquelas que a v&atilde;o receber no futuro. &laquo;O Esp&iacute;rito Par&aacute;clito &eacute; dado &agrave; Igreja como princ&iacute;pio inexaur&iacute;vel da sua alegria de esposa de Cristo glorificado&raquo; (S. Paulo VI, Exort. ap. <i> Gaudete in Domino</i>, 41). Como sinal da Igreja Esposa, possais v&oacute;s ser sempre mulheres da alegria, a exemplo de Maria de Nazar&eacute;, mulher do <i> Magnificat</i>, m&atilde;e do Evangelho vivente.</p> 
<p><i>Roma, em S&atilde;o Jo&atilde;o de Latr&atilde;o, na Solenidade de Pentecostes, 31 de maio de 2020.</i></p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><b>Francisco</b></p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Audiência Geral de 27 de maio de 2020]]></title><pubDate>Wed, 27 May 2020 09:30:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2020/documents/papa-francesco_20200527_udienza-generale.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2020/documents/papa-francesco_20200527_udienza-generale.html</guid><description><![CDATA[<!-- Wed, 27 May 2020 10:28:11 +0200 --> <font color="#663300"><p align="center">PAPA FRANCISCO</p> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>AUDI&Ecirc;NCIA GERAL</i></b></font></p> </font>
<p align="center"><font color="#663300"><i>Biblioteca do Pal&aacute;cio Apost&oacute;lico<br /> Quarta-feira, 27 de maio de 2020</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/27/udienzagenerale.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Locutor</i>:</p> 
<p>A ora&ccedil;&atilde;o dos justos &eacute; o dique contra o mal. Desde as primeiras p&aacute;ginas da Sagrada Escritura, vemos a presen&ccedil;a crescente do mal no cora&ccedil;&atilde;o do ser humano: Ad&atilde;o e Eva desobedecem a Deus e comem da &aacute;rvore proibida; Caim, o filho primog&eacute;nito deles, mata seu irm&atilde;o Abel; um tetraneto de Caim, Lamec, vangloria-se de ter morto um homem que o feriu e um jovem que o pisou, porque – diz ele –, &laquo;se Caim foi vingado sete vezes, Lamec s&ecirc;-lo-&aacute; setenta vezes sete&raquo;. E assim se vai ampliando o mal at&eacute; ao ponto de Deus Se desgostar de ter criado o ser humano, porque &laquo;todos os seus pensamentos e desejos tendiam sempre e unicamente para o mal&raquo;. Parece um caso perdido! Mas, nas mesmas p&aacute;ginas, temos outra hist&oacute;ria, menos saliente, mais humilde e devota, que constitui o resgate da esperan&ccedil;a: &eacute; feita por pessoas capazes de rezar a Deus com sinceridade e de quem Deus Se agrada como no sacrif&iacute;cio de Abel, como Henoc que &laquo;andou na presen&ccedil;a de Deus e foi arrebatado ao C&eacute;u sem ver a morte&raquo;. E temos No&eacute; que &laquo;andava sempre com Deus&raquo;: pensar nele levou Deus, n&atilde;o a destruir, mas a salvar a humanidade atrav&eacute;s do dil&uacute;vio. Contra a mar&eacute; do mal que cresce no mundo, levanta-se como um dique a ora&ccedil;&atilde;o dos justos. Atrav&eacute;s deles, Deus realiza os seus des&iacute;gnios na hist&oacute;ria: o mundo vive e cresce gra&ccedil;as &agrave; for&ccedil;a de Deus que estes seus servos atraem com a sua ora&ccedil;&atilde;o. Esta faz florir jardins em lugares onde o &oacute;dio do homem apenas foi capaz de ampliar o deserto. Deus passa atrav&eacute;s deste &laquo;resto&raquo; da humanidade que n&atilde;o se rendeu &agrave; lei do mais forte, mas colocou a sua esperan&ccedil;a em Deus, que pode transformar o nosso cora&ccedil;&atilde;o de pedra num cora&ccedil;&atilde;o de carne.</p> 
<p><b><i>Santo Padre</i></b><i>:</i></p> 
<p>Saluto gli ascoltatori di lingua portoghese e vi ricordo che la preghiera apre la porta della nostra vita a Dio. E Dio ci insegna a uscire da noi stessi per andare incontro agli altri immersi nella prova, offrendo loro consolazione, speranza e sostegno. Di cuore vi benedico nel nome del Signore.</p> 
<p><i>Locutor</i>:</p> 
<p>Sa&uacute;do os ouvintes de l&iacute;ngua portuguesa, recordando-vos que a ora&ccedil;&atilde;o abre a porta da nossa vida a Deus. E Deus ensina-nos a sair de n&oacute;s mesmos para ir ao encontro dos outros mergulhados na prova, dando-lhes consola&ccedil;&atilde;o, esperan&ccedil;a e apoio. De cora&ccedil;&atilde;o, vos aben&ccedil;oo em nome do Senhor.</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Regina Caeli, 24 de maio de 2020]]></title><pubDate>Sun, 24 May 2020 12:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2020/documents/papa-francesco_regina-coeli_20200524.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2020/documents/papa-francesco_regina-coeli_20200524.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 25 May 2020 10:06:26 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">PAPA FRANCISCO</font></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>REGINA CAELI</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Biblioteca do Pal&aacute;cio Apost&oacute;lico<br /> Domingo, 24 de maio de 2020</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/24/regina-coeli.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>Hoje, em It&aacute;lia e noutros pa&iacute;ses, celebra-se a solenidade da Ascens&atilde;o do Senhor. O trecho evang&eacute;lico (cf. <i>Mt</i> 28, 16-20) mostra-nos os Ap&oacute;stolos reunidos na Galileia, &laquo;no monte que Jesus lhes tinha indicado&raquo; (v. 16). Aqui tem lugar o &uacute;ltimo encontro do Senhor Ressuscitado com os seus na montanha. A “montanha” tem uma forte carga simb&oacute;lica. Numa montanha, Jesus proclamou as Bem-aventuran&ccedil;as (cf. <i>Mt </i>5, 1-12); nas montanhas, retirou-se para rezar (cf. <i>Mt </i>14, 23); ali acolheu as multid&otilde;es e curou os doentes (cf. <i>Mt</i>&nbsp;15, 29). Mas desta vez, na montanha, j&aacute; n&atilde;o &eacute; o Mestre que age e ensina, cura, mas o Ressuscitado<b> </b>que pede aos disc&iacute;pulos para agir e proclamar, confiando-lhes o mandato de continuar a sua obra.</p> 
<p>Investe-os da miss&atilde;o junto de todos os povos. Ele diz: &laquo;Ide, pois, e fazei disc&iacute;pulos de todas as na&ccedil;&otilde;es, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Esp&iacute;rito Santo, ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado&raquo; (vv. 19-20). Os conte&uacute;dos da miss&atilde;o confiada aos Ap&oacute;stolos s&atilde;o estes: proclamar, batizar, ensinar e percorrer o caminho tra&ccedil;ado pelo Mestre, ou seja, o Evangelho<b> </b>vivo. Esta mensagem de salva&ccedil;&atilde;o implica antes de mais o dever do testemunho - sem testemunho n&atilde;o se pode anunciar - ao qual tamb&eacute;m n&oacute;s, disc&iacute;pulos de hoje, somos chamados, para dizer a raz&atilde;o da nossa f&eacute;. Face a uma tarefa t&atilde;o exigente, e pensando nas nossas fraquezas, sentimo-nos inadequados, como certamente se sentiram os pr&oacute;prios Ap&oacute;stolos. Mas n&atilde;o devemos desanimar, recordando as palavras que Jesus lhes dirigiu antes de subir ao C&eacute;u: &laquo;E Eu estarei convosco todos os dias, at&eacute; ao fim do mundo&raquo; (v. 20). </p> 
<p>Esta promessa assegura a presen&ccedil;a constante e consoladora de Jesus entre n&oacute;s. Mas como&nbsp; se realiza esta presen&ccedil;a? Atrav&eacute;s do seu Esp&iacute;rito, que leva a Igreja a caminhar na hist&oacute;ria como companheira de viagem de cada homem. Este Esp&iacute;rito, enviado por Cristo e pelo Pai, opera a remiss&atilde;o dos pecados e santifica todos aqueles que, arrependidos, se abrem com confian&ccedil;a ao seu dom. Com a promessa de permanecer connosco at&eacute; ao fim dos tempos, Jesus inaugura o estilo da sua presen&ccedil;a no mundo como&nbsp; Ressuscitado. Jesus est&aacute; presente no mundo mas com outro estilo, o estilo do Ressuscitado, ou seja, uma presen&ccedil;a que se revela na Palavra, nos Sacramentos, na a&ccedil;&atilde;o constante e interior do Esp&iacute;rito Santo. A festa da Ascens&atilde;o diz-nos que Jesus, embora tenha subido ao C&eacute;u para habitar gloriosamente &agrave; direita do Pai, est&aacute; ainda e sempre entre n&oacute;s: disto deriva a nossa for&ccedil;a, a nossa perseveran&ccedil;a e a nossa alegria, precisamente da presen&ccedil;a de Jesus entre n&oacute;s com o poder do Esp&iacute;rito Santo. </p> Que a Virgem Maria acompanhe a nossa viagem com a sua prote&ccedil;&atilde;o materna: dela aprendemos a do&ccedil;ura e a coragem de sermos,&nbsp; no mundo, testemunhas do Senhor Ressuscitado.
<p>&nbsp;</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="75%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Depois do Regina Caeli</b></p> 
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Unamo-nos espiritualmente aos fi&eacute;is cat&oacute;licos na China, que hoje celebram, com particular devo&ccedil;&atilde;o, a festa da Sant&iacute;ssima Virgem Maria, Aux&iacute;lio dos Crist&atilde;os e Padroeira da China, venerada no santu&aacute;rio de Sheshan, em Xangai. Confiemos &agrave; guia e prote&ccedil;&atilde;o da nossa M&atilde;e Celeste os Pastores e fi&eacute;is da Igreja Cat&oacute;lica naquele grande pa&iacute;s, para que sejam fortes na f&eacute; e firmes na uni&atilde;o fraterna, testemunhas alegres e promotores da caridade e da esperan&ccedil;a fraterna e bons cidad&atilde;os.</p> 
<p>Caros irm&atilde;os e irm&atilde;s cat&oacute;licos na China, quero assegurar-vos que a Igreja universal, da qual sois parte integrante, partilha as vossas esperan&ccedil;as e vos apoia nas prova&ccedil;&otilde;es da vida. Ela acompanha-vos com a ora&ccedil;&atilde;o por uma nova efus&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, para que em v&oacute;s brilhe a luz e a beleza do Evangelho, o poder de Deus para a salva&ccedil;&atilde;o de quantos creem. Ao expressar a todos v&oacute;s, uma vez mais, o meu grande e sincero afeto, concedo-vos uma especial B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica. Que Nossa Senhora vos proteja sempre!</p> 
<p>Por fim, confiemos &agrave; intercess&atilde;o de Maria Auxiliadora todos os disc&iacute;pulos do Senhor e pessoas de boa vontade que, nestes tempos dif&iacute;ceis, em todas as partes do mundo, trabalham com paix&atilde;o e empenho pela paz, pelo di&aacute;logo entre as na&ccedil;&otilde;es, pelo servi&ccedil;o aos pobres, pelo cuidado da cria&ccedil;&atilde;o e pela vit&oacute;ria da humanidade sobre todas as doen&ccedil;as do corpo, do cora&ccedil;&atilde;o e da alma.</p> 
<p>Hoje celebra-se o Dia Mundial das Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais, <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html">dedicado este ano ao tema da narra&ccedil;&atilde;o</a>. Que este evento nos incentive a contar e partilhar hist&oacute;rias construtivas que nos ajudem a compreender que todos fazemos parte de uma hist&oacute;ria maior do que n&oacute;s e podemos olhar para o futuro com esperan&ccedil;a, se realmente cuidarmos uns dos outros como irm&atilde;os.</p> 
<p>Hoje, no dia de Maria Auxiliadora, dirijo aos Salesianos e Salesianas uma afetuosa e cordial sauda&ccedil;&atilde;o. Recordo com gratid&atilde;o a forma&ccedil;&atilde;o espiritual que recebi dos filhos de Dom Bosco.</p> 
<p>Hoje deveria ter ido a Acerra, para sustentar a f&eacute; dessa popula&ccedil;&atilde;o e o empenho daqueles que trabalham para combater a trag&eacute;dia da polui&ccedil;&atilde;o na chamada “Terra dos Fogos”. A minha visita foi adiada; no entanto, envio as minhas sauda&ccedil;&otilde;es, a minha b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o e o meu encorajamento ao Bispo, aos sacerdotes, &agrave;s fam&iacute;lias e a toda a comunidade diocesana, na expectativa de nos encontrarmos quando for poss&iacute;vel. Irei, com certeza!</p> 
<p>E hoje &eacute; tamb&eacute;m o quinto anivers&aacute;rio da Enc&iacute;clica <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html">Laudato si'</a></i>, com a qual se chama a aten&ccedil;&atilde;o para o grito da Terra e dos pobres. Gra&ccedil;as &agrave; iniciativa do Dicast&eacute;rio para o Servi&ccedil;o do Desenvolvimento Humano Integral, a “Semana da Laudato <i>Si'”</i>, que acabamos de celebrar, florescer&aacute; num Ano especial do anivers&aacute;rio da <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html">Laudato si'</a></i>, um ano especial para refletir sobre a Enc&iacute;clica, de 24 de maio deste ano at&eacute; 24 de maio do pr&oacute;ximo. Convido todas as pessoas de boa vontade a unirem-se a n&oacute;s, a cuidarem da nossa casa comum e dos nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s mais fr&aacute;geis. A ora&ccedil;&atilde;o dedicada a este Ano ser&aacute; publicada no site. Ser&aacute; bom recit&aacute;-la.</p> 
<p>Desejo-vos a todos bom domingo. Por favor, n&atilde;o vos esque&ccedil;ais de rezar por mim. Bom almo&ccedil;o e at&eacute; &agrave; vista.</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Mensagem do Santo Padre às Pontifícias Obras Missionárias (21 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Thu, 21 May 2020 08:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2020/documents/papa-francesco_20200521_messaggio-pom.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2020/documents/papa-francesco_20200521_messaggio-pom.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 21 May 2020 11:37:33 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300"><b><font size="4"><i> MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO<br /> &Agrave;S PONTIFICIAS OBRAS MISSION&Aacute;RIAS</i></font></b></font></p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>&laquo;Estavam todos reunidos, quando Lhe perguntaram: “Senhor, &eacute; agora que vais restaurar o Reino de Israel?” Respondeu-lhes: “N&atilde;o vos compete saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou com a sua autoridade. Mas ides receber uma for&ccedil;a, a do Esp&iacute;rito Santo, que descer&aacute; sobre v&oacute;s, e sereis minhas testemunhas em Jerusal&eacute;m, por toda a Judeia e Samaria e at&eacute; aos confins do mundo”. Dito isto, elevou-Se &agrave; vista deles e uma nuvem subtraiu-O a seus olhos&raquo;</i>&nbsp;(<i>At</i> 1, 6-9).</p> 
<p><i>&laquo;O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao C&eacute;u e sentou-Se &agrave; direita de Deus. Eles, partindo, foram pregar por toda a parte; o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra com os sinais que a acompanhavam&raquo;</i>&nbsp;(<i>Mc</i> 16, 19-20).</p> 
<p><i>&laquo;Depois, levou-os at&eacute; junto de Bet&acirc;nia e, erguendo as m&atilde;os, aben&ccedil;oou-os. Enquanto os aben&ccedil;oava, separou-Se deles e elevava-Se ao C&eacute;u. E eles, depois de se terem prostrado diante d’Ele, voltaram para Jerusal&eacute;m com grande alegria. E estavam continuamente no templo a bendizer a Deus&raquo;</i>&nbsp;(<i>Lc</i> 24, 50-53).</p> 
<hr width="45%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p>Neste ano, havia decidido participar na vossa Assembleia Geral anual, prevista para 21 de maio, uma quinta-feira e festa da Ascens&atilde;o do Senhor. Mas, depois, a Assembleia foi cancelada por causa da pandemia que nos afeta a todos. Quero, por&eacute;m, enviar a todos v&oacute;s esta Mensagem para de algum modo dar a conhecer as coisas que tinha no cora&ccedil;&atilde;o para vos dizer. Esta festa crist&atilde;, em tempos inimagin&aacute;veis como os que estamos a viver, parece-me ainda mais fecunda em sugest&otilde;es para o caminho e a miss&atilde;o de cada um de n&oacute;s e de toda a Igreja.</p> 
<p>Celebramos a Ascens&atilde;o como uma festa e, todavia, comemora a despedida de Jesus dos seus disc&iacute;pulos e deste mundo. O Senhor eleva-Se at&eacute; ao C&eacute;u (a Liturgia oriental descreve a maravilha dos anjos ao verem um homem que sobe, com a sua carne, para a direita do Pai). Quanto aos disc&iacute;pulos, apesar de O terem visto ressuscitado, parecem n&atilde;o ter ainda entendido o que aconteceu, mesmo agora que Cristo est&aacute; prestes a subir ao C&eacute;u; est&aacute; para dar in&iacute;cio &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do seu Reino, e eles ainda se perdem atr&aacute;s das suas conjeturas. Perguntam-Lhe se &eacute; agora que vai restaurar o Reino de Israel (cf. <i>At</i> 1, 6). Contudo, quando Cristo os deixa, em vez de ficar tristes, voltam para Jerusal&eacute;m – como escreve Lucas (cf. 24, 52) – &laquo;com grande alegria&raquo;. Isto seria estranho, se algo n&atilde;o tivesse acontecido pelo meio. Efetivamente, Jesus j&aacute; lhes prometeu a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo, que descer&aacute; sobre eles no Pentecostes. Este &eacute; o milagre que muda a situa&ccedil;&atilde;o. E tornam-se mais seguros, quando confiam tudo ao Senhor. Est&atilde;o cheios de alegria. E a alegria neles &eacute; a plenitude da consola&ccedil;&atilde;o, a plenitude da presen&ccedil;a do Senhor.</p> 
<p>Tendo presente aquilo que Paulo escreve aos G&aacute;latas, sabemos que a plenitude da alegria dos Ap&oacute;stolos n&atilde;o &eacute; efeito de emo&ccedil;&otilde;es que deleitam e os fazem rejubilar; mas trata-se duma alegria transbordante que s&oacute; se pode experimentar como fruto e dom do Esp&iacute;rito (cf. <i>Gal</i> 5, 22). Receber a alegria do Esp&iacute;rito &eacute; uma gra&ccedil;a; e &eacute; a &uacute;nica for&ccedil;a que podemos ter para pregar o Evangelho, confessar a f&eacute; no Senhor. F&eacute; &eacute; testemunhar a alegria que nos d&aacute; o Senhor. Alegria assim, uma pessoa n&atilde;o a pode conseguir s&oacute; por si mesma.</p> 
<p>Antes de partir, Jesus disse aos seus disc&iacute;pulos que havia de lhes mandar o Esp&iacute;rito, o Consolador. E de igual modo deixou entregue ao Esp&iacute;rito tamb&eacute;m a obra apost&oacute;lica da Igreja ao longo da hist&oacute;ria at&eacute; ao seu retorno. O mist&eacute;rio da Ascens&atilde;o, juntamente com a efus&atilde;o do Esp&iacute;rito no Pentecostes, imprime e transmite para sempre &agrave; miss&atilde;o da Igreja o seu delineamento mais &iacute;ntimo: o de ser obra do Esp&iacute;rito Santo, e n&atilde;o consequ&ecirc;ncia das nossas reflex&otilde;es e inten&ccedil;&otilde;es. Este &eacute; o tra&ccedil;o que pode tornar fecunda a miss&atilde;o e preserv&aacute;-la de qualquer suposta autossufici&ecirc;ncia, da tenta&ccedil;&atilde;o de tomar como ref&eacute;m a carne de Cristo – elevado ao C&eacute;u – para os seus projetos clericais de poder.</p> 
<p>Quando n&atilde;o se v&ecirc; nem reconhece a obra atual e eficaz do Esp&iacute;rito Santo na miss&atilde;o da Igreja, isso quer dizer que as pr&oacute;prias palavras da miss&atilde;o – incluindo as mais exatas, as mais pensadas – se tornaram como que &laquo;discursos de sabedoria humana&raquo;, usadas para dar gl&oacute;ria a si mesmo ou encobrir e mascarar os pr&oacute;prios desertos interiores.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><b>A alegria do Evangelho</b></p> 
<p>A salva&ccedil;&atilde;o &eacute; o encontro com Jesus, que nos ama e perdoa, enviando-nos o Esp&iacute;rito que nos consola e defende. A salva&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; consequ&ecirc;ncia das nossas iniciativas mission&aacute;rias, nem dos nossos discursos sobre a encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo. A salva&ccedil;&atilde;o s&oacute; pode vir para cada um mediante o olhar do encontro com Ele, que nos chama. Por isso, o mist&eacute;rio da predile&ccedil;&atilde;o tem in&iacute;cio e s&oacute; pode come&ccedil;ar num &iacute;mpeto de gratid&atilde;o, de alegria: a alegria do Evangelho, a &laquo;grande alegria&raquo; daquelas pobres mulheres que, ao amanhecer do domingo de P&aacute;scoa, tinham ido ao sepulcro de Cristo e acharam-no vazio, mas depois foram as primeiras a encontrar Jesus ressuscitado e correram a diz&ecirc;-lo aos outros (cf. <i>Mt</i> 28, 8-10). S&oacute; assim, apesar de escolhidos e prediletos, poderemos testemunhar ao mundo inteiro, com as nossas vidas, a gl&oacute;ria de Cristo ressuscitado.</p> 
<p>Em qualquer situa&ccedil;&atilde;o humana, as testemunhas atestam o que foi feito por outra pessoa. S&oacute; neste sentido &eacute; que podemos ser testemunhas de Cristo e do seu Esp&iacute;rito. Depois da Ascens&atilde;o, como aparece narrado na conclus&atilde;o do Evangelho de Marcos, os ap&oacute;stolos e os disc&iacute;pulos &laquo;foram pregar por toda a parte; e o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra com os sinais que a acompanhavam&raquo; (16, 20). Cristo, com o seu Esp&iacute;rito, d&aacute; testemunho de Si pr&oacute;prio atrav&eacute;s das obras que realiza em n&oacute;s e connosco. J&aacute; explicava Santo Agostinho que a Igreja n&atilde;o suplicaria ao Senhor que a f&eacute; fosse concedida &agrave;queles que n&atilde;o conhecem a Cristo, se n&atilde;o acreditasse que &eacute; o pr&oacute;prio Deus a revirar e atrair para Si mesmo a vontade dos homens. A Igreja n&atilde;o levaria os seus filhos a rezarem ao Senhor para perseverar na f&eacute; em Cristo, se n&atilde;o acreditasse que &eacute; precisamente o Senhor que det&eacute;m na sua m&atilde;o os nossos cora&ccedil;&otilde;es. De facto, se a Igreja mandasse pedir a Cristo estas coisas, mas pensando que ela mesma as poderia dar, isso significava que todas as suas ora&ccedil;&otilde;es n&atilde;o eram aut&ecirc;nticas, mas f&oacute;rmulas vazias, &laquo;modos de falar&raquo;, conveni&ecirc;ncias ditadas pelo conformismo eclesi&aacute;stico (cf. <i>O dom da perseveran&ccedil;a. A Pr&oacute;spero e Hil&aacute;rio</i>, 23, 63).</p> 
<p>Se n&atilde;o se reconhece que a f&eacute; &eacute; um dom de Deus, as pr&oacute;prias ora&ccedil;&otilde;es que a Igreja Lhe dirige n&atilde;o teriam sentido. Atrav&eacute;s delas, n&atilde;o se manifestaria qualquer paix&atilde;o sincera pela felicidade e a salva&ccedil;&atilde;o dos outros, daqueles que n&atilde;o reconhecem Cristo ressuscitado, mesmo que transcorra o tempo a organizar a convers&atilde;o do mundo ao cristianismo.</p> 
<p>&Eacute; o Esp&iacute;rito Santo que acende e guarda a f&eacute; nos cora&ccedil;&otilde;es: o reconhecimento deste dado muda tudo. Efetivamente, &eacute; o Esp&iacute;rito que inflama e anima a miss&atilde;o, imprimindo-lhe fei&ccedil;&otilde;es &laquo;gen&eacute;ticas&raquo;, acentua&ccedil;&otilde;es e andamentos singulares que tornam o an&uacute;ncio do Evangelho e a confiss&atilde;o da f&eacute; crist&atilde; uma coisa diferente de qualquer proselitismo pol&iacute;tico ou cultural, psicol&oacute;gico ou religioso.</p> 
<p>Recordei muitos destes tra&ccedil;os distintivos da miss&atilde;o, na Exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica <i> <a href="http://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html">Evangelii gaudium</a></i>. Retomo alguns.</p> 
<p><i>Atra&ccedil;&atilde;o</i>. O mist&eacute;rio da Reden&ccedil;&atilde;o entrou e continua a operar no mundo atrav&eacute;s duma atra&ccedil;&atilde;o, que pode conquistar o cora&ccedil;&atilde;o dos homens e mulheres, porque &eacute;, e se manifesta, mais atraente do que as sedu&ccedil;&otilde;es que fazem apelo ao ego&iacute;smo, consequ&ecirc;ncia do pecado. &laquo;Ningu&eacute;m pode vir a Mim se o Pai que Me enviou o n&atilde;o atrair&raquo;, diz Jesus no Evangelho de Jo&atilde;o (6, 44). A Igreja sempre reafirmou que segue-se Jesus e anuncia-se o seu Evangelho pela for&ccedil;a da atra&ccedil;&atilde;o exercida pelo pr&oacute;prio Cristo e pelo seu Esp&iacute;rito. O Papa Bento XVI afirmou que a Igreja cresce no mundo, n&atilde;o por proselitismo, mas por atra&ccedil;&atilde;o (cf. <i> <a href="http://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/homilies/2007/documents/hf_ben-xvi_hom_20070513_conference-brazil.html">Homilia na Missa de abertura da V Confer&ecirc;ncia Geral do Episcopado da Am&eacute;rica Latina e do Caribe</a></i>, Aparecida, 13/V/2007). Santo Agostinho dizia que Cristo revela-Se a n&oacute;s atraindo-nos. E, para dar uma imagem desta atra&ccedil;&atilde;o, citava o poeta Virg&iacute;lio segundo o qual cada um &eacute; atra&iacute;do por aquilo que lhe agrada. Jesus n&atilde;o s&oacute; convence a nossa vontade, mas atrai o nosso prazer (<i>Coment&aacute;rio sobre o Evangelho de Jo&atilde;o</i>, 26, 4). Quando uma pessoa segue feliz Jesus, porque se sente atra&iacute;da por Ele, os outros d&atilde;o-se conta disso; e podem maravilhar-se. A alegria que transparece nas pessoas que s&atilde;o atra&iacute;das por Cristo e pelo seu Esp&iacute;rito &eacute; o que pode tornar fecunda qualquer iniciativa mission&aacute;ria. </p> 
<p><i>Gratid&atilde;o e gratuidade</i>. A alegria de anunciar o Evangelho sempre brilha no horizonte duma mem&oacute;ria agradecida. Os dois primeiros disc&iacute;pulos nunca esqueceram o momento em que Jesus lhes tocou o cora&ccedil;&atilde;o: &laquo;Eram as quatro da tarde&raquo; (<i>Jo</i> 1, 39). A hist&oacute;ria da Igreja resplandece, quando nela se manifesta a gratid&atilde;o pela iniciativa gratuita de Deus, porque &laquo;foi Ele mesmo que nos amou&raquo; primeiro (<i>1 Jo</i> 4, 10), porque &laquo;s&oacute; Deus [&eacute;] que faz crescer&raquo; (<i>1 Cor</i> 3, 7). A predile&ccedil;&atilde;o amorosa do Senhor surpreende-nos e gera maravilha; esta, por sua natureza, n&atilde;o pode ser possu&iacute;da nem imposta por n&oacute;s. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel &laquo;maravilhar-se &agrave; for&ccedil;a&raquo;. S&oacute; assim pode florir o milagre da gratuidade, do dom gratuito de si mesmo. O pr&oacute;prio ardor mission&aacute;rio nunca se pode obter em consequ&ecirc;ncia dum racioc&iacute;nio ou dum c&aacute;lculo. Colocar-se &laquo;em estado de miss&atilde;o&raquo; &eacute; um reflexo da gratid&atilde;o. Trata-se da resposta duma pessoa que, por gratid&atilde;o, se torna d&oacute;cil ao Esp&iacute;rito e, consequentemente, &eacute; livre. Se n&atilde;o nos apercebermos da predile&ccedil;&atilde;o do Senhor, que nos torna agradecidos, at&eacute; o conhecimento da verdade e o pr&oacute;prio conhecimento de Deus, ostentados como uma possess&atilde;o alcan&ccedil;&aacute;vel com as pr&oacute;prias for&ccedil;as, se tornariam de facto &laquo;letra [que] mata&raquo; (<i>2 Cor</i> 3, 6), como demonstraram primeiramente S&atilde;o Paulo e Santo Agostinho. S&oacute; na liberdade da gratid&atilde;o &eacute; que se conhece verdadeiramente o Senhor. Por isso, n&atilde;o vale nada e sobretudo n&atilde;o &eacute; apropriado insistir na apresenta&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o e do an&uacute;ncio do Evangelho como se fossem um dever vinculante, uma esp&eacute;cie de &laquo;obriga&ccedil;&atilde;o contratual&raquo; dos batizados.</p> 
<p><i>Humildade</i>. Se a verdade e a f&eacute;, se a felicidade e a salva&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o nossa possess&atilde;o nem uma meta alcan&ccedil;ada pelos nossos m&eacute;ritos, o Evangelho de Cristo s&oacute; pode ser anunciado com humildade. Jamais se pode pensar em servir a miss&atilde;o da Igreja cultivando a arrog&acirc;ncia, seja como indiv&iacute;duos seja atrav&eacute;s dos organismos, com a altivez de quem distorce at&eacute; o dom dos Sacramentos e as palavras mais aut&ecirc;nticas da f&eacute; crist&atilde; como se fossem um esp&oacute;lio que ganhamos. N&atilde;o se pode ser humilde por boa educa&ccedil;&atilde;o, nem por desejar aparecer cativante; uma pessoa &eacute; humilde, se seguir Cristo, que disse aos seus: &laquo;Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de cora&ccedil;&atilde;o&raquo; (<i>Mt</i> 11, 29). Santo Agostinho interroga-se por que motivo Jesus, depois da Ressurrei&ccedil;&atilde;o, Se fez ver apenas aos seus disc&iacute;pulos, e n&atilde;o &agrave;queles que O crucificaram; responde ele que Jesus n&atilde;o queria dar a impress&atilde;o de &laquo;desafiar de alguma maneira os seus assassinos. Efetivamente, para Ele, era mais importante ensinar a humildade aos amigos do que lan&ccedil;ar a verdade &agrave; cara dos inimigos&raquo; (<i>Discurso</i> 284, 6).</p> 
<p><i>Facilitar, n&atilde;o complicar</i>. Outra carater&iacute;stica do trabalho mission&aacute;rio aut&ecirc;ntico &eacute; a que alude &agrave; paci&ecirc;ncia de Jesus, que, nas pr&oacute;prias narra&ccedil;&otilde;es do Evangelho, acompanhava sempre com miseric&oacute;rdia os passos de crescimento das pessoas. Um pequeno passo, no meio de grandes limita&ccedil;&otilde;es humanas, pode fazer o cora&ccedil;&atilde;o de Deus mais feliz do que os largos passos de quem avan&ccedil;a na vida sem grandes dificuldades. Um cora&ccedil;&atilde;o mission&aacute;rio reconhece a condi&ccedil;&atilde;o real em que se encontram as pessoas reais, com as suas limita&ccedil;&otilde;es, pecados, fragilidades, e faz-se &laquo;fraco com os fracos&raquo; (<i>1 Cor</i> 9, 22). &laquo;Sair&raquo; em miss&atilde;o para alcan&ccedil;ar as periferias humanas n&atilde;o significa vagar sem dire&ccedil;&atilde;o nem sentido, como vendedores impacientes que se lamentam porque a gente &eacute; demasiado rude e primitiva para se interessar pela sua mercadoria. Umas vezes, trata-se de abrandar o passo, para acompanhar quem ficou na beira da estrada; outras vezes, &eacute; preciso imitar o pai da par&aacute;bola do filho pr&oacute;digo, que deixa as portas abertas e perscruta, diariamente, o horizonte enquanto espera o regresso do filho (cf. <i>Lc</i> 15, 20). A Igreja n&atilde;o &eacute; uma alf&acirc;ndega e quem participa de algum modo na miss&atilde;o da Igreja &eacute; chamado a n&atilde;o acrescentar pesos in&uacute;teis &agrave;s vidas j&aacute; afadigadas das pessoas, a n&atilde;o impor percursos sofisticados e trabalhosos de forma&ccedil;&atilde;o para usufruir daquilo que o Senhor concede com facilidade. N&atilde;o se coloquem obst&aacute;culos ao desejo de Jesus, que reza por cada um de n&oacute;s e quer curar a todos, salvar a todos.</p> 
<p><i>Aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; vida real</i>. Jesus encontrou os seus primeiros disc&iacute;pulos nas margens do lago da Galileia, quando estavam ocupados no seu trabalho. N&atilde;o os encontrou num congresso, num semin&aacute;rio de prepara&ccedil;&atilde;o nem no Templo. O an&uacute;ncio de salva&ccedil;&atilde;o de Jesus alcan&ccedil;a as pessoas sempre onde est&atilde;o e como est&atilde;o, nas suas vidas reais. A normalidade da vida comum, tomando parte nas necessidades, esperan&ccedil;as e problemas de todos, &eacute; o lugar e a condi&ccedil;&atilde;o onde quem reconheceu o amor de Cristo e recebeu o dom do Esp&iacute;rito Santo pode dar raz&atilde;o da sua f&eacute;, esperan&ccedil;a e caridade &agrave;queles que lha pedirem; caminhando juntamente com os outros, ao lado de todos. Sobretudo neste tempo em que vivemos, n&atilde;o se trata de inventar percursos de prepara&ccedil;&atilde;o &laquo;reservados&raquo;, criar mundos paralelos, criar bolhas medi&aacute;ticas onde fazer ressoar os pr&oacute;prios slogans, as pr&oacute;prias declara&ccedil;&otilde;es de intentos, reduzidas a pacatos &laquo;nominalismos declarat&oacute;rios&raquo;. A t&iacute;tulo de exemplo, como j&aacute; tenho recordado outras vezes, na Igreja continua a haver quem apregoe o slogan &laquo;&eacute; a hora dos leigos&raquo;, mas o rel&oacute;gio parece ter parado...</p> 
<p><i>O &laquo;sensus fidei&raquo; do povo de Deus</i>. No mundo, h&aacute; um povo que possui uma esp&eacute;cie de &laquo;olfato&raquo; que pressente o Esp&iacute;rito Santo e a sua a&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o povo de Deus, chamado e querido a Jesus, o qual, por sua vez, continua a procur&aacute;-Lo e sempre recorre a Ele nas afli&ccedil;&otilde;es da vida. O povo de Deus suplica o dom do seu Esp&iacute;rito: confia a espera por Este &agrave;s palavras simples das ora&ccedil;&otilde;es, e nunca se acomoda na presun&ccedil;&atilde;o da sua autossufici&ecirc;ncia. O santo povo de Deus &eacute; reunido e ungido pelo Senhor; e, em virtude desta un&ccedil;&atilde;o, torna-se <i>infal&iacute;vel &laquo;in credendo&raquo;</i>, como ensina a Tradi&ccedil;&atilde;o da Igreja. A a&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo dota o povo fiel com um <i> &laquo;instinto&raquo; da f&eacute;</i> – o <i>sensus fidei</i> –, que o ajuda a n&atilde;o se enganar nas coisas de Deus que cr&ecirc;, embora n&atilde;o conhe&ccedil;a racioc&iacute;nios e f&oacute;rmulas teol&oacute;gicas para definir os dons que experimenta. O mist&eacute;rio do povo peregrino, que, na sua espiritualidade popular, caminha rumo aos santu&aacute;rios e se consagra a Jesus, a Maria e aos Santos, bebe e adere de forma conatural &agrave; iniciativa livre e gratuita de Deus, sem precisar de seguir planos de mobiliza&ccedil;&atilde;o pastoral.</p> 
<p><i>Predile&ccedil;&atilde;o pelos humildes e os pobres</i>. Todo o ardor mission&aacute;rio, se for guiado pelo Esp&iacute;rito Santo, mostra uma predile&ccedil;&atilde;o pelos pobres e os humildes como sinal e reflexo da prefer&ecirc;ncia que o Senhor tem por eles. As pessoas diretamente envolvidas em iniciativas e estruturas mission&aacute;rias da Igreja nunca deveriam justificar a sua falta de aten&ccedil;&atilde;o aos pobres com a desculpa – muito usada em certos c&iacute;rculos eclesi&aacute;sticos – de ter que concentrar as suas energias em tarefas priorit&aacute;rias para a miss&atilde;o. A prefer&ecirc;ncia pelos pobres n&atilde;o &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o facultativa para a Igreja.</p> 
<p>As din&acirc;micas e abordagens anteriormente descritas fazem parte da miss&atilde;o da Igreja, animada pelo Esp&iacute;rito Santo. Habitualmente &eacute; reconhecida e afirmada, nas declara&ccedil;&otilde;es e discursos eclesi&aacute;sticos, a necessidade do Esp&iacute;rito Santo como fonte da miss&atilde;o da Igreja. Mas sucede tamb&eacute;m que tal reconhecimento se reduza a uma esp&eacute;cie de &laquo;homenagem formal&raquo; &agrave; Sant&iacute;ssima Trindade, uma f&oacute;rmula introdut&oacute;ria convencional para interven&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas e planos pastorais. Na Igreja, h&aacute; muitas situa&ccedil;&otilde;es em que o primado da gra&ccedil;a permanece apenas como um postulado te&oacute;rico, uma f&oacute;rmula abstrata. Acontece que muitas iniciativas e organismos ligados &agrave; Igreja, em vez de deixar transparecer a atividade do Esp&iacute;rito Santo, acabam por dar testemunho apenas da sua autorreferencialidade. Muitos sistemas eclesi&aacute;sticos, em todos os n&iacute;veis, parecem absorvidos pela obsess&atilde;o de se promover a si mesmos e &agrave;s suas iniciativas; como se isto fosse o objetivo e o horizonte da sua miss&atilde;o.</p> 
<p>At&eacute; aqui limitei-me a tomar e repropor crit&eacute;rios e ideias sobre a miss&atilde;o da Igreja, que expusera de forma mais desenvolvida na Exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica <i> <a href="http://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html"> Evangelii gaudium</a></i>. Fi-lo por acreditar que seria &uacute;til e fecundo – e inadi&aacute;vel – tamb&eacute;m para as Pontif&iacute;cias Obras Mission&aacute;rias (<i>POM</i>) confrontar-se com tais crit&eacute;rios e sugest&otilde;es, neste trecho do seu caminho.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><b>As <i>POM</i> e o tempo presente.<br /> Talentos a desenvolver, tenta&ccedil;&otilde;es e doen&ccedil;as a evitar</b></p> 
<p>Que perspetivas se abrem para o presente e o futuro das <i>POM</i>? Que lastro se arrisca a sobrecarregar-lhes o caminho?</p> 
<p>Na fisionomia, eu diria na identidade, das Pontif&iacute;cias Obras Mission&aacute;rias, aparecem certos tra&ccedil;os distintivos – alguns, por assim dizer, gen&eacute;ticos, outros adquiridos ao longo do seu percurso hist&oacute;rico – que muitas vezes s&atilde;o transcurados ou vistos como um dado adquirido. Ora, s&atilde;o precisamente tais tra&ccedil;os que podem salvaguardar e tornar preciosa, sobretudo no tempo presente, a contribui&ccedil;&atilde;o desta &laquo;rede&raquo; para a miss&atilde;o universal a que &eacute; chamada toda a Igreja. </p> 
<p>– <i>As Obras Mission&aacute;rias nasceram, espontaneamente</i>, do ardor mission&aacute;rio manifestado pela f&eacute; dos batizados. H&aacute; e permanece uma conson&acirc;ncia &iacute;ntima, uma familiaridade entre as Obras Mission&aacute;rias e o <i>sensus fidei</i> infal&iacute;vel <i> in credendo</i> do povo fiel de Deus.</p> 
<p>– <i>As Obras Mission&aacute;rias, desde o in&iacute;cio, avan&ccedil;aram </i>sobre dois &laquo;trilhos&raquo;, ou melhor, ao longo de duas margens que seguem sempre paralelas e, no seu car&aacute;ter elementar, sempre se apresentaram familiares ao cora&ccedil;&atilde;o do povo de Deus: a <i>ora&ccedil;&atilde;o</i> e a <i>caridade</i>, sob a forma da esmola, que &laquo;livra da morte e limpa de todo o pecado&raquo; (<i>Tob</i> 12, 9), a &laquo;caridade intensa&raquo; que &laquo;cobre a multid&atilde;o dos pecados&raquo; (<i>1 Ped</i> 4, 8). Os fundadores das Obras Mission&aacute;rias, a come&ccedil;ar por Pauline Jaricot, n&atilde;o inventaram as ora&ccedil;&otilde;es nem as obras &agrave;s quais confiaram os seus anseios a prop&oacute;sito do an&uacute;ncio do Evangelho, mas limitaram-se a extra&iacute;-las do tesouro inexaur&iacute;vel dos gestos mais familiares e habituais que tem o povo de Deus no seu caminho ao longo da hist&oacute;ria.</p> 
<p>– <i>As Obras Mission&aacute;rias, surgidas de maneira gratuita na trama vital do povo de Deus</i>, pela sua configura&ccedil;&atilde;o simples e concreta foram reconhecidas e t&atilde;o estimadas pela Igreja de Roma e seus Bispos, que estes, no s&eacute;culo passado, pediram para poder adot&aacute;-las como instrumento peculiar do servi&ccedil;o por eles prestado &agrave; Igreja universal. Este caminho levou a atribuir a tais Obras a designa&ccedil;&atilde;o de &laquo;Pontif&iacute;cias&raquo;. Desde ent&atilde;o sobressai, na fisionomia das <i>POM</i>, a sua carater&iacute;stica de instrumentos de servi&ccedil;o &agrave;s Igrejas particulares apoiando-as na obra de an&uacute;ncio do Evangelho. Seguindo o mesmo caminho, as Pontif&iacute;cias Obras Mission&aacute;rias ofereceram-se docilmente como instrumentos de servi&ccedil;o &agrave; Igreja, no seio do minist&eacute;rio universal realizado pelo Papa e pela Igreja de Roma, que &laquo;preside na caridade&raquo;. Assim, pelo seu pr&oacute;prio percurso e sem entrar em complexas disputas teol&oacute;gicas, as <i>POM</i> refutaram os argumentos de quem, mesmo em ambientes eclesi&aacute;sticos, contrap&otilde;e de maneira impr&oacute;pria carisma e institui&ccedil;&atilde;o, lendo sempre as rela&ccedil;&otilde;es entre as duas realidades atrav&eacute;s duma equivocada &laquo;dial&eacute;tica dos princ&iacute;pios&raquo;. Efetivamente, na Igreja, os pr&oacute;prios elementos estruturais permanentes – tais como os Sacramentos, o sacerd&oacute;cio e a sucess&atilde;o apost&oacute;lica – n&atilde;o est&atilde;o &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da Igreja como um objeto de posse adquirida, mas devem ser continuamente recriados pelo Esp&iacute;rito Santo (cf. Card. J. Ratzinger, <i>Os movimentos eclesiais e a sua coloca&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica</i>. Interven&ccedil;&atilde;o no Congresso mundial dos movimentos eclesiais, Roma, 27-29/V/1998).</p> 
<p>– <i>As Obras Mission&aacute;rias, desde a sua difus&atilde;o inicial, estruturaram-se como uma rede capilar</i> espalhada no seio do povo de Deus, plenamente ancorada e efetivamente &laquo;imanente&raquo; &agrave; rede das institui&ccedil;&otilde;es e realidades da vida eclesial pr&eacute;-existentes, como as dioceses, as par&oacute;quias, as comunidades religiosas. A voca&ccedil;&atilde;o peculiar das pessoas envolvidas nas Obras Mission&aacute;rias nunca foi vivida e sentida como um caminho alternativo, uma perten&ccedil;a &laquo;externa&raquo; relativamente &agrave;s formas comuns da vida das Igrejas particulares. A solicita&ccedil;&atilde;o no sentido de rezar e angariar recursos para a miss&atilde;o sempre foi feita como um servi&ccedil;o &agrave; comunh&atilde;o eclesial.</p> 
<p>– <i>As Obras Mission&aacute;rias, tornando-se com o decorrer do tempo uma rede espalhada por todos os Continentes</i>, refletem pela sua pr&oacute;pria configura&ccedil;&atilde;o a variedade de acentos, condi&ccedil;&otilde;es, problemas e dons que conotam a vida da Igreja nos diferentes lugares do mundo. Uma pluralidade que pode proteger contra assimila&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas e unilateralismos culturais. Nesta linha &eacute; poss&iacute;vel experimentar, tamb&eacute;m atrav&eacute;s das <i>POM</i>, o mist&eacute;rio da universalidade da Igreja: enquanto a obra incessante do Esp&iacute;rito Santo cria a harmonia entre as diferentes vozes, o Bispo de Roma, com o seu servi&ccedil;o de caridade exercido inclusivamente atrav&eacute;s das Pontif&iacute;cias Obras Mission&aacute;rias, salvaguarda a unidade na f&eacute;.</p> 
<p>Todas as carater&iacute;sticas descritas at&eacute; agora podem ajudar as Pontif&iacute;cias Obras Mission&aacute;rias a subtra&iacute;rem-se &agrave;s armadilhas e patologias que pairam sobre o caminho delas e de tantas outras institui&ccedil;&otilde;es eclesiais. Assinalo algumas delas.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><b>Armadilhas a evitar</b></p> 
<p><i>Autorreferencialidade</i>. Sem pretender negar as boas inten&ccedil;&otilde;es dos indiv&iacute;duos, organiza&ccedil;&otilde;es e entidades eclesiais, &agrave;s vezes acabam fechadas em si mesmas, dedicando energias e aten&ccedil;&atilde;o sobretudo &agrave; sua autopromo&ccedil;&atilde;o e &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o em chave publicit&aacute;ria das suas iniciativas. Outras parecem dominadas pela obsess&atilde;o de redefinir continuamente a sua relev&acirc;ncia e os seus espa&ccedil;os dentro da Igreja, com a justifica&ccedil;&atilde;o de quererem relan&ccedil;ar o melhor poss&iacute;vel a sua miss&atilde;o. Desta maneira, como disse uma vez o ent&atilde;o Cardeal Joseph Ratzinger, alimenta-se a ideia enganadora de que uma pessoa seria tanto mais crist&atilde; quanto mais estivesse empenhada em estruturas intraeclesiais, quando na realidade quase todos os batizados vivem a f&eacute;, a esperan&ccedil;a e a caridade na sua vida normal, sem nunca aparecer em comiss&otilde;es eclesiais nem se ocupar dos &uacute;ltimos desenvolvimentos de pol&iacute;tica eclesi&aacute;stica (cf. <i>Uma companhia sempre em reforma</i>, Confer&ecirc;ncia no Encontro de Rimini, 01/IX/1990).</p> 
<p><i>&Acirc;nsia de comando</i>. Sucede &agrave;s vezes que institui&ccedil;&otilde;es e organismos surgidos para ajudar as comunidades eclesiais, pondo ao servi&ccedil;o destas os dons que neles suscitou o Esp&iacute;rito Santo, pretendam com o passar do tempo exercer supremacias e fun&ccedil;&otilde;es de controle sobre as comunidades que deveriam servir. Este comportamento &eacute; quase sempre acompanhado pela presun&ccedil;&atilde;o de exercer o papel de &laquo;deposit&aacute;rios&raquo;, distribuidores de licen&ccedil;as de legitimidade a respeito dos outros. Efetivamente, nestes casos, comportam-se como se a Igreja fosse um produto das nossas an&aacute;lises, dos nossos programas, acordos e decis&otilde;es.</p> 
<p><i>Elitismo</i>. V&aacute;rias vezes se apodera daqueles que fazem parte de organismos e realidades organizadas na Igreja um sentimento elitista, a ideia t&aacute;cita de pertencer a uma aristocracia. Uma classe superior de especialistas que procura ampliar os seus espa&ccedil;os em cumplicidade ou em concorr&ecirc;ncia com outras elites eclesi&aacute;sticas, e prepara os seus membros segundo os sistemas e as l&oacute;gicas mundanas da milit&acirc;ncia ou da compet&ecirc;ncia t&eacute;cnico-profissional, sempre com a inten&ccedil;&atilde;o principal de promover as suas prerrogativas olig&aacute;rquicas.</p> 
<p><i>Isolamento do povo</i>. Nalgumas realidades ligadas &agrave; Igreja, a tenta&ccedil;&atilde;o elitista &eacute; &agrave;s vezes acompanhada por um sentimento de superioridade e impaci&ecirc;ncia face &agrave; multid&atilde;o dos batizados, ao povo de Deus, que talvez frequente as par&oacute;quias e os santu&aacute;rios, mas n&atilde;o se comp&otilde;e de &laquo;ativistas&raquo; ocupados em organiza&ccedil;&otilde;es cat&oacute;licas. Nestes casos, o pr&oacute;prio povo de Deus &eacute; visto como uma massa inerte, que precisa incessantemente de ser reanimada e mobilizada atrav&eacute;s duma &laquo;tomada de consci&ecirc;ncia&raquo; que se deve estimular por meio de argumenta&ccedil;&otilde;es, apelos, ensinamentos. Comportam-se como se a certeza da f&eacute; fosse consequ&ecirc;ncia de um discurso persuasivo ou de m&eacute;todos de prepara&ccedil;&atilde;o. </p> 
<p><i>Abstra&ccedil;&atilde;o</i>. Organismos e realidades ligadas &agrave; Igreja, quando se tornam autorreferenciais, perdem o contacto com a realidade e adoecem de abstra&ccedil;&atilde;o. Multiplicam-se in&uacute;teis locais de elabora&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, para produzir projetos e diretrizes que servem apenas como instrumentos de autopromo&ccedil;&atilde;o de quem os inventa. Tomam-se os problemas e seccionam-se em laborat&oacute;rios intelectuais, onde tudo acaba domesticado e envernizado segundo as chaves ideol&oacute;gicas de prefer&ecirc;ncia; onde tudo, fora do contexto real, pode ser cristalizado num simulacro, incluindo as refer&ecirc;ncias &agrave; f&eacute; ou os apelos verbais a Jesus e ao Esp&iacute;rito Santo.</p> 
<p><i>Funcionalismo</i>. As organiza&ccedil;&otilde;es autorreferenciais e elitistas, mesmo na Igreja, acabam frequentemente por apostar tudo na imita&ccedil;&atilde;o dos modelos mundanos de efici&ecirc;ncia, como os impostos por uma competi&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e social exacerbada. A op&ccedil;&atilde;o do funcionalismo garante a ilus&atilde;o de &laquo;resolver os problemas&raquo; com equil&iacute;brio, ter as coisas sob controle, aumentar a sua relev&acirc;ncia, melhorar a administra&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria do que existe. Mas, como j&aacute; vos disse no encontro que tivemos em 2016, uma Igreja que tem medo de se abandonar &agrave; gra&ccedil;a de Cristo e aposta na efici&ecirc;ncia do sistema, j&aacute; est&aacute; morta, mesmo que as estruturas e programas a favor dos cl&eacute;rigos e leigos &laquo;auto-ocupados&raquo; possam ainda durar s&eacute;culos.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><b>Conselhos para o caminho</b></p> 
<p>Perscrutando o presente e o futuro e procurando tamb&eacute;m no percurso das <i>POM</i> os recursos para superar as armadilhas do caminho e continuar para diante, permito-me dar algumas sugest&otilde;es para ajudar o vosso discernimento. Tendo v&oacute;s empreendido um percurso de reavalia&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias <i>POM</i>, que quereis que seja inspirado nas indica&ccedil;&otilde;es do Papa, proponho &agrave; vossa aten&ccedil;&atilde;o crit&eacute;rios e ideias gerais, sem entrar em detalhes, at&eacute; porque os diferentes contextos poder&atilde;o exigir adapta&ccedil;&otilde;es e varia&ccedil;&otilde;es. </p> 
<p>1) Na medida das vossas possibilidades e sem vos perderdes em demasiadas conjeturas, <i>salvaguardai ou redescobri a inser&ccedil;&atilde;o das POM no seio do povo de Deus</i>, a sua iman&ecirc;ncia na trama da vida real em que nasceram. Ser&aacute; &uacute;til uma &laquo;imers&atilde;o&raquo; mais intensa na vida real das pessoas, tal como &eacute;. Quando se segue a Jesus, faz bem a todos sair do ambiente fechado das pr&oacute;prias problem&aacute;ticas internas. Conv&eacute;m mergulhar nas circunst&acirc;ncias e condi&ccedil;&otilde;es concretas, inclusive procurando ou tentando reintegrar a capilaridade da a&ccedil;&atilde;o e dos contactos das <i> POM</i> no seu entrela&ccedil;amento com a rede eclesial (dioceses, par&oacute;quias, comunidades, grupos). Se se privilegiar a pr&oacute;pria iman&ecirc;ncia no povo de Deus, com as suas luzes e dificuldades, consegue-se tamb&eacute;m fugir melhor da armadilha da abstra&ccedil;&atilde;o. Mais do que formular e multiplicar propostas, &eacute; preciso dar respostas a perguntas e exig&ecirc;ncias reais. Talvez seja a partir duma luta corpo a corpo com a vida em ato, e n&atilde;o dos cen&aacute;culos fechados ou das an&aacute;lises te&oacute;ricas sobre as pr&oacute;prias din&acirc;micas internas, que poder&atilde;o chegar as intui&ccedil;&otilde;es &uacute;teis para mudar e melhorar os procedimentos operacionais, adaptando-os aos variados contextos e &agrave;s diferentes circunst&acirc;ncias.</p> 
<p>2) Sugiro proceder de modo que o sistema essencial das <i>POM</i> permane&ccedil;a ligado &agrave;s <i>pr&aacute;ticas da ora&ccedil;&atilde;o e da coleta de recursos para a miss&atilde;o</i>, um sistema v&aacute;lido e estimado precisamente pela sua natureza elementar e concreta. Expressa a afinidade das <i>POM</i> com a f&eacute; do povo de Deus. Com toda a flexibilidade e as necess&aacute;rias adapta&ccedil;&otilde;es, conv&eacute;m que n&atilde;o seja esquecido nem distorcido este tra&ccedil;ado elementar das <i>POM</i>: ora&ccedil;&otilde;es ao Senhor, para que Ele abra os cora&ccedil;&otilde;es ao Evangelho, e s&uacute;plicas a todos, para que sustentem tamb&eacute;m de forma concreta a obra mission&aacute;ria. H&aacute; nisto uma simplicidade e um concretismo que todos podem apreciar no momento atual, pois, mesmo nas circunst&acirc;ncias ditadas pelo flagelo da pandemia, se sente por todo o lado o desejo de encontrar e permanecer pr&oacute;ximo de tudo o que &eacute; simplesmente Igreja. Procurai tamb&eacute;m novas estradas, novas formas para o vosso servi&ccedil;o, mas, para o conseguir, n&atilde;o adianta complicar o que &eacute; simples.</p> 
<p>3) As <i>POM</i> s&atilde;o e devem comportar-se como um <i>instrumento de servi&ccedil;o</i> &agrave; miss&atilde;o nas Igrejas particulares, tendo por horizonte a miss&atilde;o da Igreja que sempre abra&ccedil;a o mundo inteiro. Est&aacute; nisto a sua contribui&ccedil;&atilde;o, sempre valiosa, para o an&uacute;ncio do Evangelho. Todos somos chamados a guardar por amor e gratid&atilde;o, mesmo com as nossas obras, os germes de vida teologal que o Esp&iacute;rito de Cristo faz desabrochar e crescer onde Ele quer, mesmo nos desertos. Por favor, na ora&ccedil;&atilde;o, a primeira coisa a pedir ao Senhor &eacute; que nos torne a todos mais prontos a captar os sinais do seu agir para depois os indicar ao mundo inteiro. S&oacute; isto pode ser &uacute;til: pedir que em n&oacute;s, no &iacute;ntimo do nosso cora&ccedil;&atilde;o, a invoca&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo n&atilde;o se reduza a um postulado est&eacute;ril e redundante das nossas reuni&otilde;es e homilias; pelo contr&aacute;rio, n&atilde;o adianta fazer conjeturas e teorizar a prop&oacute;sito de super-estrategas ou &laquo;centrais dirigentes&raquo; da miss&atilde;o, a quem delegar, como a presumidos e enfatuados &laquo;guardi&otilde;es&raquo; da dimens&atilde;o mission&aacute;ria da Igreja, a tarefa de despertar o esp&iacute;rito mission&aacute;rio ou conceder licen&ccedil;as para missionar os outros. Se, nalgumas situa&ccedil;&otilde;es, definha o ardor pela miss&atilde;o, &eacute; sinal de que est&aacute; a desfalecer a f&eacute;. E, neste caso, a pretens&atilde;o de reanimar a chama que se apaga com estrat&eacute;gias e discursos, acaba por enfraquec&ecirc;-la ainda mais, fazendo apenas avan&ccedil;ar o deserto.</p> 
<p>4) Por sua natureza, o servi&ccedil;o prestado pelas <i>POM</i> coloca os seus executores em <i>contacto com in&uacute;meras realidades</i>, situa&ccedil;&otilde;es e eventos que fazem parte do grande fluxo da vida da Igreja, em todos os Continentes. Neste fluxo, pode-se embater n&atilde;o s&oacute; em muitos gravames e escleroses que acompanham a vida eclesial, mas tamb&eacute;m nos dons gratuitos de cura e consola&ccedil;&atilde;o que o Esp&iacute;rito Santo semeia na vida di&aacute;ria daquela que poderia chamar-se a &laquo;classe m&eacute;dia da santidade&raquo;. E podeis alegrar-vos e exultar, saboreando os encontros que vos acontecem, gra&ccedil;as ao trabalho das <i>POM</i>, e deixando-vos maravilhar por eles. Penso nas narra&ccedil;&otilde;es que ouvi de tantos milagres sucedidos com as crian&ccedil;as, que encontraram Jesus talvez atrav&eacute;s das iniciativas propostas pela Inf&acirc;ncia Mission&aacute;ria. Por isso, nunca deixeis que o vosso trabalho acabe &laquo;esterilizado&raquo; numa dimens&atilde;o exclusivamente burocr&aacute;tico-profissional. N&atilde;o pode haver burocratas nem funcion&aacute;rios da miss&atilde;o. E a vossa gratid&atilde;o pode tornar-se, por sua vez, um dom e um testemunho para todos. Para conforto de todos, podeis, com os meios de que dispondes e sem artificialismos, referir os casos de pessoas e comunidades que pudestes encontrar mais facilmente do que outras, por resplandecer gratuitamente nelas o milagre da f&eacute;, da esperan&ccedil;a e da caridade. </p> 
<p>5) A gratid&atilde;o &agrave; vista dos prod&iacute;gios operados pelo Senhor entre os seus prediletos – os pobres e os pequeninos a quem Ele revela as coisas ocultas aos s&aacute;bios (cf. <i>Mt</i> 11, 25-26) – pode tornar mais f&aacute;cil, tamb&eacute;m para v&oacute;s, <i> subtrair-vos &agrave;s armadilhas das retiradas autorreferenciais</i> e sair de v&oacute;s mesmos, seguindo a Jesus. A ideia duma atividade mission&aacute;ria autorreferencial, que passa o tempo a contemplar e autoincensar-se pelas suas iniciativas, seria em si mesma um absurdo. N&atilde;o gasteis demasiado tempo nem recursos a &laquo;olhar para v&oacute;s mesmos&raquo;, a elaborar planos autocentrados nos mecanismos internos, na funcionalidade e capacidades do seu organigrama. Olhai para fora, n&atilde;o vos olheis ao espelho. Quebrai todos os espelhos de casa. Os crit&eacute;rios a seguir, mesmo na realiza&ccedil;&atilde;o dos programas, tenham em vista aliviar, tornar mais flex&iacute;veis estruturas e procedimentos, em vez de sobrecarregar com outros elementos do sistema a rede das <i>POM</i>. Por exemplo, cada diretor nacional, durante o seu mandato, esforce-se por identificar as figuras de um poss&iacute;vel sucessor, tendo como &uacute;nico crit&eacute;rio n&atilde;o assinalar pessoas do seu c&iacute;rculo de amigos ou companheiros de &laquo;agrega&ccedil;&atilde;o&raquo; eclesi&aacute;stica, mas pessoas que lhe parecem ter mais ardor mission&aacute;rio do que ele pr&oacute;prio.</p> 
<p>6) Quanto &agrave; <i>angaria&ccedil;&atilde;o de recursos</i> para ajudar a miss&atilde;o, por ocasi&atilde;o dos nossos encontros anteriores, j&aacute; chamei a aten&ccedil;&atilde;o para o risco de transformar as <i>POM</i> numa ONG inteiramente dedicada &agrave; busca e atribui&ccedil;&atilde;o dos fundos. Isso depende mais do cora&ccedil;&atilde;o com que se fazem as coisas, do que das coisas que se fazem. Na recolha de fundos, certamente pode ser aconselh&aacute;vel e at&eacute; oportuno recorrer criativamente a metodologias atualizadas para se obter financiamentos da parte de potenciais e benem&eacute;ritos doadores. Mas quando, nalgumas &aacute;reas, a coleta de doa&ccedil;&otilde;es falha, devido tamb&eacute;m ao decl&iacute;nio da mem&oacute;ria crist&atilde;, ent&atilde;o pode vir a tenta&ccedil;&atilde;o de resolvermos n&oacute;s o problema &laquo;encobrindo&raquo; a realidade e apostando nalgum sistema de angaria&ccedil;&atilde;o mais eficaz, que vai &agrave; procura dos grandes doadores. Ao contr&aacute;rio, o sofrimento pela perda da f&eacute; e tamb&eacute;m pela diminui&ccedil;&atilde;o dos recursos n&atilde;o se deve descartar, mas colocar nas m&atilde;os do Senhor. Em todo o caso, &eacute; bom que o pedido de ofertas para as miss&otilde;es continue a ser feito prioritariamente a toda a multid&atilde;o dos batizados, inclusive apostando de maneira nova na coleta para as miss&otilde;es que se realiza nas igrejas de todos os pa&iacute;ses, em outubro, por ocasi&atilde;o do Dia Mundial das Miss&otilde;es. A Igreja sempre continuou a avan&ccedil;ar gra&ccedil;as tamb&eacute;m ao &oacute;bolo da vi&uacute;va, &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o daquela s&eacute;rie inumer&aacute;vel de pessoas que se sentem curadas e consoladas por Jesus e, consequentemente, pelo transbordar da sua gratid&atilde;o, d&atilde;o o que t&ecirc;m.</p> 
<p>7) Quanto ao <i>uso das doa&ccedil;&otilde;es recebidas</i>, avaliai sempre com apropriado <i> sensus Ecclesiae</i> a distribui&ccedil;&atilde;o dos fundos para apoio de estruturas e projetos que realizam de variados modos a miss&atilde;o apost&oacute;lica e o an&uacute;ncio do Evangelho nas diferentes partes do mundo. Tenha-se sempre em conta reais necessidades prim&aacute;rias das comunidades e, ao mesmo tempo, evitem-se formas de assistencialismo que, em vez de oferecer instrumentos ao ardor mission&aacute;rio, acabam por entibiar os cora&ccedil;&otilde;es e alimentar na pr&oacute;pria Igreja fen&oacute;menos de clientelismo parasit&aacute;rio. Com a vossa contribui&ccedil;&atilde;o, procurai dar respostas concretas a exig&ecirc;ncias objetivas, sem desperdi&ccedil;ar recursos em iniciativas caraterizadas pela abstra&ccedil;&atilde;o, autorrefer&ecirc;ncia ou produzidas pelo narcisismo clerical de algu&eacute;m. N&atilde;o cedais a complexos de inferioridade nem tenta&ccedil;&otilde;es de emula&ccedil;&atilde;o com organiza&ccedil;&otilde;es super-funcionais que arrecadam fundos para causas justas e depois uma boa percentagem dos mesmos &eacute; utilizada para financiar o sistema e fazer publicidade da pr&oacute;pria marca. Mesmo isso torna-se &agrave;s vezes uma estrada para cuidar primeiro dos pr&oacute;prios interesses, embora mostrando que se est&aacute; a trabalhar em benef&iacute;cio dos pobres e necessitados.</p> 
<p>8) A prop&oacute;sito dos <i>pobres</i>, tamb&eacute;m v&oacute;s <i>n&atilde;o vos esque&ccedil;ais deles</i>. Esta foi a recomenda&ccedil;&atilde;o que os ap&oacute;stolos Pedro, Jo&atilde;o e Tiago deram, no Conc&iacute;lio de Jerusal&eacute;m, a Paulo, Barnab&eacute; e Tito que l&aacute; se tinham deslocado para debater a sua miss&atilde;o entre os incircuncisos: &laquo;S&oacute; nos disseram que nos dev&iacute;amos lembrar dos pobres&raquo; (<i>Gal</i> 2, 10). Na sequ&ecirc;ncia de tal recomenda&ccedil;&atilde;o, Paulo organizou as coletas a favor dos irm&atilde;os da Igreja de Jerusal&eacute;m (cf. <i>1 Cor</i> 16, 1). Desde o in&iacute;cio, a predile&ccedil;&atilde;o pelos pobres e os pequeninos faz parte da miss&atilde;o de anunciar o Evangelho. As obras de caridade espiritual e corporal em seu favor manifestam uma &laquo;prefer&ecirc;ncia divina&raquo; que interpela a vida de f&eacute; de todos os crist&atilde;os, chamados a ter os mesmos sentimentos de Jesus (cf. <i>Flp</i> 2, 5).</p> 
<p>9) As <i>POM</i>, com a sua rede espalhada por todo o mundo, <i>refletem a rica variedade do &laquo;povo de mil rostos&raquo;</i> reunido pela gra&ccedil;a de Cristo, com o seu ardor mission&aacute;rio; um ardor, que n&atilde;o &eacute; sempre intenso e vigoroso da mesma maneira em toda parte. Entretanto, ao partilhar a mesma urg&ecirc;ncia de confessar Cristo morto e ressuscitado, expressa-se com acentua&ccedil;&otilde;es diferentes, adaptando-se aos v&aacute;rios contextos. A revela&ccedil;&atilde;o do Evangelho n&atilde;o se identifica com nenhuma cultura e, no encontro com novas culturas que ainda n&atilde;o receberam a prega&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, &eacute; preciso n&atilde;o impor uma determinada forma cultural juntamente com a proposta do Evangelho. Hoje, no pr&oacute;prio trabalho das <i>POM</i>, conv&eacute;m n&atilde;o levar bagagens pesadas; &eacute; melhor cingir aos tra&ccedil;os essenciais da f&eacute; o seu perfil diferenciado e o seu referimento comum. Tamb&eacute;m pode ofuscar a universalidade da f&eacute; crist&atilde; a pretens&atilde;o de estandardizar a forma do an&uacute;ncio, apostando tudo talvez sobre estere&oacute;tipos e slogans que est&atilde;o na moda em certos c&iacute;rculos de determinados pa&iacute;ses cultural ou politicamente dominantes. A prop&oacute;sito, a pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o especial que une as <i>POM</i> ao Papa e &agrave; Igreja de Roma constitui um recurso e um sustent&aacute;culo de liberdade, que a todos ajuda a subtrair-se de modas passageiras, da restri&ccedil;&atilde;o a escolas de pensamento unilaterais ou de homologa&ccedil;&otilde;es culturais de cunho neocolonialista: fen&oacute;menos que, infelizmente, se registam tamb&eacute;m em contextos eclesi&aacute;sticos.</p> 
<p>10) As <i>POM</i> <i>n&atilde;o s&atilde;o, na Igreja, uma entidade fechada em si mesma</i>, suspensa no vazio. Entre as suas especificidades, que sempre se devem cultivar e renovar, est&aacute; o v&iacute;nculo especial que as une ao Bispo da Igreja de Roma, que preside na caridade. &Eacute; belo e reconfortante reconhecer que este v&iacute;nculo se manifesta num trabalho realizado com alegria, sem procurar aplausos nem avan&ccedil;ar reivindica&ccedil;&otilde;es. Uma obra que, precisamente na sua gratuidade, se entrela&ccedil;a com o servi&ccedil;o do Papa, servo dos servos de Deus. Pe&ccedil;o-vos que o car&aacute;ter distintivo da vossa proximidade ao Bispo de Roma seja precisamente este: a partilha do amor &agrave; Igreja, reflexo do amor a Cristo, vivido e traduzido no sil&ecirc;ncio, sem enfatuar-se nem assinalar &laquo;os pr&oacute;prios territ&oacute;rios&raquo;; com um trabalho di&aacute;rio que beba na caridade e no seu mist&eacute;rio de gratuidade; com uma atividade que apoia in&uacute;meras pessoas, interiormente gratas mas que talvez n&atilde;o saibam sequer a quem agradecer, pois nem conhecem pelo nome as <i>POM</i>. O mist&eacute;rio da caridade na Igreja, realiza-se assim. Continuemos a caminhar juntos, felizes de avan&ccedil;ar por entre prova&ccedil;&otilde;es, gra&ccedil;as aos dons e consola&ccedil;&otilde;es do Senhor. Entretanto reconhe&ccedil;amos com alegria que somos todos – a come&ccedil;ar por mim – servos in&uacute;teis.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><b>Conclus&atilde;o</b></p> 
<p>Ide com entusiasmo: no caminho que vos espera, h&aacute; tanto a fazer. Se houver mudan&ccedil;as a experimentar nos procedimentos, &eacute; bom que as mesmas procurem aliviar, e n&atilde;o aumentar o peso; visem ganhar flexibilidade operacional, e n&atilde;o produzir sistemas r&iacute;gidos adicionais e sempre amea&ccedil;ados de introvers&atilde;o. Tende presente, por um lado, que uma centraliza&ccedil;&atilde;o excessiva, em vez de ajudar, pode complicar a din&acirc;mica mission&aacute;ria e, por outro, que uma articula&ccedil;&atilde;o puramente nacional das iniciativas p&otilde;e em risco a pr&oacute;pria fisionomia da rede das <i>POM</i>, bem como o interc&acirc;mbio de dons entre as Igrejas e comunidades locais, vivido como fruto e sinal tang&iacute;vel da caridade entre os irm&atilde;os, na comunh&atilde;o com o Bispo de Roma.</p> 
<p>Em todo o caso, rezai sempre para que toda a considera&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; estrutura operacional das <i>POM</i> seja iluminada pela &uacute;nica coisa necess&aacute;ria: um pouco de verdadeiro amor &agrave; Igreja, como reflexo do amor a Cristo. O vosso &eacute; um servi&ccedil;o prestado ao ardor apost&oacute;lico, isto &eacute;, a um &iacute;mpeto de vida teologal que s&oacute; o Esp&iacute;rito Santo pode operar no povo de Deus. Procurai fazer bem o vosso trabalho &laquo;como se tudo dependesse de v&oacute;s, sabendo que, na realidade, tudo depende de Deus&raquo; (Santo In&aacute;cio de Loyola). Como vos disse anteriormente, durante um dos nossos encontros, tende a prontid&atilde;o de Maria. Quando foi ter com Isabel, Maria n&atilde;o o fez por interesse pr&oacute;prio: foi como serva do Senhor Jesus, que levava no seio. De Si mesma, nada disse; apenas levou o Filho e louvou a Deus. N&atilde;o era Ela a protagonista. Fora como a serva d’Aquele que &eacute; tamb&eacute;m o &uacute;nico protagonista da miss&atilde;o. Mas n&atilde;o perdeu tempo, foi apressadamente trabalhar para ajudar a sua parenta. Ela ensina-nos esta prontid&atilde;o, a pressa da fidelidade e da adora&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>Nossa Senhora guarde a v&oacute;s e &agrave;s Pontif&iacute;cias Obras Mission&aacute;rias e vos aben&ccedil;oe o seu Filho, o Senhor nosso Jesus Cristo. Ele, antes de subir ao C&eacute;u, prometeu estar sempre connosco... at&eacute; ao fim dos tempos.</p> 
<p><i>Dado em Roma, em S&atilde;o Jo&atilde;o de Latr&atilde;o, na Solenidade da Ascens&atilde;o do Senhor, 21 de maio de 2020.</i></p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><b>Francisco</b></p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Audiência Geral de 20 de maio de 2020]]></title><pubDate>Wed, 20 May 2020 09:30:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2020/documents/papa-francesco_20200520_udienza-generale.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2020/documents/papa-francesco_20200520_udienza-generale.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 26 May 2020 15:24:39 +0200 --> <font color="#663300"><p align="center">PAPA FRANCISCO</p> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>AUDI&Ecirc;NCIA GERAL</i></b></font></p> </font>
<p align="center"><font color="#663300"><i>Biblioteca do Pal&aacute;cio Apost&oacute;lico<br /> Quarta-feira, 20 de maio de 2020</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/20/udienzagenerale.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Estimados irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>Continuemos a catequese sobre a ora&ccedil;&atilde;o, meditando acerca do <i> mist&eacute;rio da Cria&ccedil;&atilde;o</i>. A vida, o simples facto de existirmos, abre o cora&ccedil;&atilde;o do homem &agrave; ora&ccedil;&atilde;o. </p> 
<p>A primeira p&aacute;gina da B&iacute;blia assemelha-se a um grandioso hino de a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as. A narra&ccedil;&atilde;o da Cria&ccedil;&atilde;o &eacute; cadenciada por refr&otilde;es, nos quais s&atilde;o constantemente reiteradas a bondade e a beleza de tudo o que existe. Com a sua palavra, Deus chama &agrave; vida, e todas as coisas passam a existir. Com a palavra, separa a luz das trevas, alterna o dia e a noite, intercala as esta&ccedil;&otilde;es, abre uma paleta de cores com a variedade das plantas e dos animais. Nesta floresta transbordante que rapidamente derrota o caos, o homem aparece em &uacute;ltimo lugar. E esta apari&ccedil;&atilde;o provoca um excesso de exulta&ccedil;&atilde;o, que amplifica a satisfa&ccedil;&atilde;o e a alegria: &laquo;Deus contemplou a sua obra, e viu que tudo era muito bom&raquo; (<i>Gn</i> 1, 31). Bom, mas tamb&eacute;m belo: v&ecirc;-se a beleza de toda a Cria&ccedil;&atilde;o!</p> 
<p>A beleza e o mist&eacute;rio da Cria&ccedil;&atilde;o geram no cora&ccedil;&atilde;o do homem o primeiro movimento que suscita a ora&ccedil;&atilde;o (cf.<i> <a href="http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html"> Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica</a></i>, n. 2.566). Assim reza o oitavo Salmo, que ouvimos no in&iacute;cio: &laquo;Quando contemplo o firmamento, obra dos vossos dedos, a lua e as estrelas que l&aacute; fixastes: “Que &eacute; o homem, para pensardes nele, que s&atilde;o os filhos de Ad&atilde;o, para que vos preocupeis com eles?”&raquo; (vv. 4-5). Quem reza contempla o mist&eacute;rio da exist&ecirc;ncia ao seu redor, v&ecirc; o c&eacute;u estrelado acima dele — e que a astrof&iacute;sica nos mostra hoje em toda a sua imensid&atilde;o — e interroga-se acerca de qual des&iacute;gnio de amor deve existir por detr&aacute;s de uma obra t&atilde;o poderosa!... E que &eacute; o homem, nesta vastid&atilde;o sem confins? &laquo;Quase nada&raquo;, diz outro Salmo (cf. 89, 48): um ser que nasce, um ser que morre, uma criatura extremamente fr&aacute;gil. E no entanto, em todo o universo, o ser humano &eacute; a &uacute;nica criatura consciente de tal profus&atilde;o de beleza. Um pequeno ser que nasce, morre, hoje existe e amanh&atilde; n&atilde;o, &eacute; o &uacute;nico consciente desta beleza. N&oacute;s estamos cientes desta beleza!</p> 
<p>A ora&ccedil;&atilde;o do homem est&aacute; intimamente ligada ao sentimento de<i> admira&ccedil;&atilde;o</i>. A grandeza do homem &eacute; infinitesimal, se for comparada com as dimens&otilde;es do universo. As suas maiores conquistas parecem ser muito pouco... Mas o homem n&atilde;o &eacute; nada. Na ora&ccedil;&atilde;o afirma-se vigorosamente um sentimento de miseric&oacute;rdia. Nada existe por acaso: o segredo do universo consiste no olhar ben&eacute;volo de algu&eacute;m que se cruza com o nosso. O Salmo afirma que somos feitos pouco menos que um Deus, que somos coroados de gl&oacute;ria e honra (cf. 8, 6). A rela&ccedil;&atilde;o com Deus &eacute; a grandeza do homem: a sua entroniza&ccedil;&atilde;o. Por natureza n&atilde;o somos quase nada, somos pequenos; mas por voca&ccedil;&atilde;o, por chamada somos os filhos do grande Rei!</p> 
<p>&Eacute; uma experi&ecirc;ncia que muitos de n&oacute;s j&aacute; fizemos. Se a vicissitude da vida, com todas as suas amarguras, &agrave;s vezes corre o risco de sufocar em n&oacute;s o dom da ora&ccedil;&atilde;o, &eacute; suficiente a contempla&ccedil;&atilde;o de um c&eacute;u estrelado, de um p&ocirc;r do sol, de uma flor..., para reacender a centelha da gratid&atilde;o. Talvez esta experi&ecirc;ncia esteja na base da primeira p&aacute;gina da B&iacute;blia. </p> 
<p>Quando foi redigida a grandiosa narra&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica da Cria&ccedil;&atilde;o, o povo de Israel n&atilde;o vivia dias felizes. Uma pot&ecirc;ncia inimiga tinha ocupado a terra; muitos foram deportados e agora viviam como escravos na Mesopot&acirc;mia. J&aacute; n&atilde;o havia p&aacute;tria, nem templo, nem sequer vida social e religiosa, nada!</p> 
<p>E no entanto, partindo precisamente da grande narra&ccedil;&atilde;o da Cria&ccedil;&atilde;o, algu&eacute;m come&ccedil;a a encontrar motivos de a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as, a louvar a Deus pela exist&ecirc;ncia. A ora&ccedil;&atilde;o &eacute; a primeira for&ccedil;a da esperan&ccedil;a. Reza-se e a esperan&ccedil;a cresce, aumenta. Diria que a ora&ccedil;&atilde;o abre a porta &agrave; esperan&ccedil;a. H&aacute; esperan&ccedil;a, mas com a minha prece abro a porta. Porque os homens de ora&ccedil;&atilde;o preservam as verdades b&aacute;sicas; s&atilde;o eles que repetem, antes de tudo a si mesmos e depois aos demais, que esta vida, n&atilde;o obstante todas as suas fadigas e prova&ccedil;&otilde;es, apesar dos seus dias dif&iacute;ceis, est&aacute; cheia de uma gra&ccedil;a da qual se admirar. E, como tal, deve ser sempre defendida e salvaguardada. </p> 
<p>Os homens e as mulheres que oram sabem que a esperan&ccedil;a &eacute; mais forte do que o des&acirc;nimo. Acreditam que o amor &eacute; mais poderoso do que a morte, e que certamente um dia h&aacute; de triunfar, nem que seja em tempos e modalidades que n&atilde;o conhecemos. Os homens e as mulheres de ora&ccedil;&atilde;o trazem clar&otilde;es de luz refletidos no rosto, pois at&eacute; nos dias mais escuros o sol n&atilde;o deixa de os iluminar. A ora&ccedil;&atilde;o ilumina-te: ilumina a tua alma, ilumina o teu cora&ccedil;&atilde;o e ilumina o teu rosto. At&eacute; nos momentos mais sombrios, mesmo nos momentos de maior dor.</p> 
<p>Todos n&oacute;s somos portadores de alegria. J&aacute; pensastes nisto? Que &eacute;s um portador de alegria? Ou preferes levar m&aacute;s not&iacute;cias, que entristecem? Todos n&oacute;s somos capazes de transmitir alegria. Esta vida &eacute; o dom que Deus nos concedeu: e &eacute; demasiado breve para ser vivida na tristeza, na amargura. Louvemos a Deus, felizes simplesmente por existir. Olhemos para o universo, contemplemos as belezas e tamb&eacute;m as nossas cruzes, e digamos: “Mas tu existes e fizeste-nos assim, para ti”. &Eacute; necess&aacute;rio sentir esta inquieta&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o, que leva a dar gra&ccedil;as e a louvar a Deus. Somos os filhos do grande Rei, do Criador, capazes de ler a sua assinatura em toda a Cria&ccedil;&atilde;o; a Cria&ccedil;&atilde;o que hoje n&atilde;o preservamos, mas na Cria&ccedil;&atilde;o est&aacute; a assinatura de Deus, que a fez por amor. Que o Senhor nos fa&ccedil;a compreender isto cada vez mais profundamente, levando-nos a dizer “obrigado”, e este “obrigado” &eacute; uma bonita ora&ccedil;&atilde;o!</p> 
<hr width="75%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Sauda&ccedil;&otilde;es</b></p> 
<p>Queridos fi&eacute;is de l&iacute;ngua portuguesa, de cora&ccedil;&atilde;o sa&uacute;do a todos, com votos de que brilhe sempre nos vossos cora&ccedil;&otilde;es a luz de Jesus ressuscitado. Neste &laquo;M&ecirc;s de Maria&raquo;, procuremos rezar o ter&ccedil;o todos os dias, aprendendo de Nossa Senhora a ter um olhar contemplativo diante de todos os acontecimentos da nossa vida. Que Deus vos aben&ccedil;oe! </p> 
<p>Dirijo um pensamento especial aos idosos, aos doentes e aos rec&eacute;m-casados. Subindo ao c&eacute;u, Jesus Cristo deixa uma mensagem e um programa para toda a Igreja: &laquo;Ide, pois, e ensinai a todas as na&ccedil;&otilde;es... ensinando-as a observar tudo o que vos tenho prescrito&raquo; (<i>Mt</i> 28, 19-20). Que o vosso ideal e o vosso compromisso consistam em dar a conhecer a palavra de salva&ccedil;&atilde;o de Cristo, testemunhando-a na vida de todos os dias. Concedo a todos v&oacute;s a minha B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Carta Apostólica em forma de "Motu Proprio" sobre a transparência, controle e concorrência nos procedimentos de adjudicação dos contratos públicos da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano (19 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Tue, 19 May 2020 12:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/motu_proprio/documents/papa-francesco-motu-proprio-20200519_procedure-aggiudicazione-contrattipubblici.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/motu_proprio/documents/papa-francesco-motu-proprio-20200519_procedure-aggiudicazione-contrattipubblici.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 01 Jun 2020 12:42:21 +0200 --> <p>.</p>
]]></description></item><item><title><![CDATA[Mensagem em vídeo do Santo Padre aos jovens da Arquidiocese de Cracóvia no centenário do nascimento de São João Paulo II (18 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Mon, 18 May 2020 20:15:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2020/documents/papa-francesco_20200518_videomessaggio-centenario-gpii.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2020/documents/papa-francesco_20200518_videomessaggio-centenario-gpii.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 19 May 2020 16:21:14 +0200 --> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>MENSAGEM EM V&Iacute;DEO DO PAPA FRANCISCO<br /> AOS JOVENS DE CRAC&Oacute;VIA <br /> NO CENTEN&Aacute;RIO DO NASCIMENTO DE S&Atilde;O JO&Atilde;O PAULO II</i></b> </font> </p>
<p align="center"><b><font color="#663300">[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/18/videomessaggio-100gp2.html">Multim&iacute;dia</a>]</font></b></p> 
<font color="#663300"> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Amados jovens!</i></p> 
<p>Este ano celebramos o centen&aacute;rio do nascimento de <a href="http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt.html">S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II</a>. &Eacute; uma boa ocasi&atilde;o para me dirigir a v&oacute;s, jovens de Crac&oacute;via, pensando em como ele amava os jovens, e recordando <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/travels/2016/outside/documents/papa-francesco-polonia-2016.html">a visita que vos fez para a JMJ de 2016</a>. </p> 
<p>S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II foi um dom extraordin&aacute;rio de Deus para a Igreja e para a Pol&oacute;nia, vossa p&aacute;tria. A sua peregrina&ccedil;&atilde;o terrena, que come&ccedil;ou a 18 de maio de 1920 em Wadowice e terminou h&aacute; 15 anos em Roma, foi marcada por uma paix&atilde;o pela vida e um fasc&iacute;nio pelo mist&eacute;rio de Deus, do mundo e do homem. </p> 
<p>Recordo-o como um gigante da miseric&oacute;rdia: penso na Enc&iacute;clica <i> <a href="http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_30111980_dives-in-misericordia.html">Dives in Misericordia</a></i>, na canoniza&ccedil;&atilde;o de Santa Faustina e na institui&ccedil;&atilde;o do Domingo da Divina Miseric&oacute;rdia. &Agrave; luz do amor misericordioso de Deus, ele compreendeu a especificidade e a beleza da voca&ccedil;&atilde;o das mulheres e dos homens, compreendeu as necessidades das crian&ccedil;as, dos jovens e dos adultos, considerando tamb&eacute;m os condicionamentos culturais e sociais. Todos puderam experiment&aacute;-lo. Hoje tamb&eacute;m v&oacute;s podeis experiment&aacute;-lo, conhecendo a sua vida e os seus ensinamentos, dispon&iacute;veis a todos inclusive gra&ccedil;as &agrave; internet. </p> 
<p>Todos e cada um de v&oacute;s, queridos rapazes e mo&ccedil;as, tendes a marca da vossa fam&iacute;lia, com as suas alegrias e tristezas. O amor e o cuidado pela fam&iacute;lia &eacute; um tra&ccedil;o carater&iacute;stico de Jo&atilde;o Paulo ii. O seu ensinamento representa um ponto de refer&ecirc;ncia seguro a fim de encontrar solu&ccedil;&otilde;es concretas para as dificuldades e desafios que as fam&iacute;lias enfrentam nos nossos dias (cf. <i>Mensagem ao Congresso “Jo&atilde;o Paulo </i>II<i>, o Papa da Fam&iacute;lia”</i>, Roma, 30 de outubro de 2019). </p> 
<p>Mas os problemas pessoais e familiares n&atilde;o constituem um obst&aacute;culo no caminho da santidade e da felicidade. Nem o foram para o jovem Karol Wojty&#x142;a, que desde a inf&acirc;ncia sofreu a perda da m&atilde;e, do irm&atilde;o e do pai. Como estudante, experimentou as atrocidades do nazismo, que o privou de tantos amigos. Ap&oacute;s a guerra, como sacerdote e bispo, teve de enfrentar o comunismo ateu.</p> 
<p>As dificuldades, tamb&eacute;m as duras, constituem uma prova de maturidade e de f&eacute;; uma prova que s&oacute; pode ser vencida confiando no poder de Cristo morto e ressuscitado. Jo&atilde;o Paulo II recordou-o &agrave; Igreja inteira desde a sua primeira Enc&iacute;clica,<i> <a href="http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_04031979_redemptor-hominis.html">Redemptor hominis</a>,</i> na qual diz: &laquo;O homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente... deve, com a sua inquietude, incerteza e tamb&eacute;m fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e a sua morte, aproximar-se de Cristo. Deve, por assim dizer, entrar n’Ele com tudo o que &eacute; em si mesmo&raquo; (n. 10). </p> 
<p>Caros jovens, &eacute; o que desejo para cada um de v&oacute;s: entrar em Cristo com toda a vossa vida. E espero que as celebra&ccedil;&otilde;es do centen&aacute;rio do nascimento de S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II inspirem em v&oacute;s o desejo de caminhar corajosamente com Jesus, que &eacute; &laquo;o Senhor do risco, o Senhor do sempre “mais al&eacute;m” [...] O Senhor, como no Pentecostes, quer realizar um dos maiores milagres que podemos experimentar: fazer com que as tuas m&atilde;os, as minhas m&atilde;os, as nossas m&atilde;os se transformem em sinais de reconcilia&ccedil;&atilde;o, de comunh&atilde;o, de cria&ccedil;&atilde;o. Ele quer as tuas m&atilde;os — rapaz, mo&ccedil;a, Ele quer as <i>tuas </i>m&atilde;os — para continuar a construir o mundo de hoje&raquo; (<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/es/speeches/2016/july/documents/papa-francesco_20160730_polonia-veglia-giovani.html"><i>Discurso na Vig&iacute;lia da </i>JMJ</a>, Crac&oacute;via, 30 de julho de 2016). </p> 
<p dir="ltr">Confio todos v&oacute;s &agrave; intercess&atilde;o de S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II e aben&ccedil;oo-vos de cora&ccedil;&atilde;o. E v&oacute;s, por favor, n&atilde;o vos esque&ccedil;ais de rezar por mim. Obrigado!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Carta do Santo Padre ao Reitor da Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino por ocasião da inauguração, junto da Universidade, do Instituto de Cultura "São João Paulo II" (18 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Mon, 18 May 2020 12:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/letters/2020/documents/papa-francesco_20200518_istituto-cultura-gp2-angelicum.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/letters/2020/documents/papa-francesco_20200518_istituto-cultura-gp2-angelicum.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 19 May 2020 16:22:13 +0200 --> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>CARTA</i></b></font><i><b><font size="4" color="#663300"> DO PAPA FRANCISCO<br /> AO REITOR DA PONTIFICIA UNIVERSIDADE S&Atilde;O TOM&Aacute;S DE AQUINO </font></b></i></p>
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Ao amado irm&atilde;o <br /> Micha&#x142; Paluch, O.P. <br /> Reitor da Pontif&iacute;cia Universidade de S. Tom&aacute;s de Aquino</i></p> 
<p>No dia em que se celebra o centen&aacute;rio do nascimento de <a href="http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt.html">S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II</a>, o aluno mais ilustre desta Universidade, inaugura-se no<i> Angelicum</i>, na Faculdade de Filosofia, o Instituto de Cultura a ele intitulado. Desejo manifestar o meu apre&ccedil;o por esta iniciativa e dirigir uma cordial sauda&ccedil;&atilde;o a toda a comunidade acad&eacute;mica e a quantos se reuniram para o evento, em particular aos representantes das duas Funda&ccedil;&otilde;es polacas, <i>Futura Iuventa</i> e <i>Saint Nicholas</i>, que apoiam o novo Instituto. </p> 
<p>Ele tem como finalidade principal a reflex&atilde;o sobre a cultura contempor&acirc;nea. Com este objetivo, os promotores tencionam valer-se da colabora&ccedil;&atilde;o dos mais eminentes fil&oacute;sofos, te&oacute;logos, homens e mulheres de cultura, na sua mais ampla express&atilde;o. E desta obra S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II &eacute; muito inspirador como primeiro e mais importante art&iacute;fice, com a heran&ccedil;a rica e multiforme que deixou e, antes ainda, com o exemplo do seu esp&iacute;rito aberto e contemplativo, apaixonado por Deus e pelo homem, pela cria&ccedil;&atilde;o, pela hist&oacute;ria e pela arte. </p> 
<p>As suas v&aacute;rias experi&ecirc;ncias de vida, entre as quais nomeadamente os dramas epocais e os sofrimentos pessoais, interpretados &agrave; luz do Esp&iacute;rito, levaram-no a desenvolver com singular profundidade a reflex&atilde;o sobre o homem e as suas ra&iacute;zes culturais, como refer&ecirc;ncia imprescind&iacute;vel para todo o an&uacute;ncio do Evangelho. Com efeito, na sua primeira Enc&iacute;clica escreveu: &laquo;Aproximamo-nos tamb&eacute;m de todas as culturas, de todos os conceitos ideol&oacute;gicos e de todos os homens de boa vontade. E aproximamo-nos com aquela estima, respeito e discernimento que, desde os tempos apost&oacute;licos, distinguiam a atitude mission&aacute;ria e do mission&aacute;rio<i>. </i>Basta-nos recordar S&atilde;o Paulo e, por exemplo, o seu discurso no Are&oacute;pago de Atenas. A atitude mission&aacute;ria come&ccedil;a sempre por um sentimento de profunda estima para com aquilo “que h&aacute; em cada homem”, por aquilo que ele, no &iacute;ntimo do seu esp&iacute;rito, elaborou quanto aos problemas mais profundos e importantes; trata-se do respeito para com aquilo que nele operou o Esp&iacute;rito, que “sopra onde quer”&raquo; (<i><a href="http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_04031979_redemptor-hominis.html">Redemptor hominis</a></i>, 12; cf. <i> <a href="http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/speeches/1980/june/documents/hf_jp-ii_spe_19800602_unesco.html"> Discurso &agrave; Unesco</a></i>, 2 de junho de 1980). </p> 
<p>Temos necessidade de manter viva esta atitude, se quisermos ser Igreja em sa&iacute;da, Igreja que n&atilde;o se contenta com preservar e administrar o que j&aacute; existe, mas quer ser fiel &agrave; sua miss&atilde;o. </p> 
<p>Estou muito feliz por esta iniciativa se realizar na Universidade de S. Tom&aacute;s de Aquino. Com efeito, o<i> Angelicum</i> hospeda uma comunidade acad&eacute;mica constitu&iacute;da por professores e estudantes do mundo inteiro e &eacute; um lugar adequado onde interpretar os importantes desafios das culturas de hoje. A tradi&ccedil;&atilde;o da Ordem Dominicana, com o seu importante papel que desempenha na reflex&atilde;o racional sobre a f&eacute; e o seu conte&uacute;do, articulada de forma magistral pelo Doutor Ang&eacute;lico, n&atilde;o pode deixar de favorecer este projeto, a fim de que se distinga pela coragem da verdade, pela liberdade de esp&iacute;rito e pela honestidade intelectual (cf. S&atilde;o Paulo VI, Carta Apost&oacute;lica <i> <a href="http://www.vatican.va/content/paul-vi/la/apost_letters/documents/hf_p-vi_apl_19741205_lumen-ecclesiae.html"> Lumen Ecclesiae</a></i>, 20 de novembro de 1974, n. 8; S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II, Enc&iacute;clia <i> <a href="http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_14091998_fides-et-ratio.html"> Fides et ratio</a>,</i> 43).</p> 
<p>Com estes votos, estimado Irm&atilde;o, renovo-lhe o meu encorajamento e gratid&atilde;o, assim como &agrave;queles que deram vida ao novo Instituto. Aos professores, alunos e funcion&aacute;rios, desejo bom trabalho e concedo-lhes de cora&ccedil;&atilde;o a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica.</p> 
<i>Roma, S&atilde;o Jo&atilde;o de Latr&atilde;o, 18 de maio de 2020</i>.
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><b>Francisco</b></p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Santa Missa no centenário do nascimento de João Paulo II (18 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Mon, 18 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2020/documents/papa-francesco_20200518_omelia-100anni-gpii.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2020/documents/papa-francesco_20200518_omelia-100anni-gpii.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 19 May 2020 17:03:16 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">SANTA MISSA NO CENTEN&Aacute;RIO DO NASCIMENTO DE S&Atilde;O JO&Atilde;O PAULO II</font></p> 
<p align="center"><i><font size="4" color="#663300"><b>HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</b></font></i></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Bas&iacute;lica Vaticana<br /> Seconda-feira, 18 de maio de 2020</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/18/100anni-gpii.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p>Cantamos &laquo;o Senhor ama o seu povo&raquo; (<i>Sl </i>149, 4), era o refr&atilde;o do c&acirc;ntico interlecional e tamb&eacute;m uma verdade que o povo de Israel repetia, gostava de repetir: &laquo;O Senhor ama o seu povo&raquo;, e nos maus momentos, “o Senhor ama” sempre; devemos esperar como este amor se h&aacute; de manifestar. Quando, por este amor, o Senhor enviava um profeta, um homem de Deus, a rea&ccedil;&atilde;o do povo era: &laquo;O Senhor visitou o seu povo&raquo; (cf. <i>&Ecirc;x </i>4, 31), porque o ama, <i>“visitou-o”. </i>E o mesmo dizia a multid&atilde;o, que seguia Jesus vendo o que Jesus fazia: “O Senhor visitou o seu povo” (cf. <i>Lc </i>7, 16). </p> 
<p>E hoje aqui podemos dizer: h&aacute; cem anos o Senhor <i>visitou</i> o seu povo. Enviou um homem, preparou-o para ser bispo e guiar a Igreja. Celebrando a mem&oacute;ria de<a href="http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt.html"> S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II</a>, retomemos isto: “O Senhor ama o seu povo”, o Senhor visitou o seu povo, enviou um pastor. E quais s&atilde;o, digamos assim, “os sinais” do bom pastor que podemos encontrar em S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II? Muitos! Mas mencionemos apenas tr&ecirc;s. Dado que se afirma que os jesu&iacute;tas dizem sempre as coisas de tr&ecirc;s em tr&ecirc;s... citemos tr&ecirc;s: a ora&ccedil;&atilde;o, a proximidade ao povo e o amor &agrave; justi&ccedil;a. S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II era um homem de Deus porque <i>rezava,</i> e rezava muito. Mas como &eacute; que um homem que tem tanto para fazer, tanto trabalho para guiar a Igreja... tem tanto tempo para rezar? Ele sabia bem que a primeira tarefa do bispo &eacute; rezar. E isto n&atilde;o o disse o Vaticano ii, disse-o S&atilde;o Pedro; quando fizeram os di&aacute;conos, disseram: &laquo;E a n&oacute;s, bispos, a ora&ccedil;&atilde;o e a proclama&ccedil;&atilde;o da Palavra&raquo; (cf.<i> At</i> 6, 4). A primeira tarefa do bispo &eacute; rezar, e ele sabia isto, e fazia assim. Modelo de bispo que reza, &eacute; a primeira tarefa. E ensinou-nos que quando o bispo faz o exame de consci&ecirc;ncia &agrave; noite, se deve perguntar: quantas horas rezei hoje? Homem de ora&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>Segundo sinal, homem de <i>proximidade</i>. N&atilde;o era um homem desapegado do povo, pelo contr&aacute;rio, foi visitar o povo e deu a volta ao mundo inteiro, encontrando o seu povo, procurando o seu povo, aproximando-se. E a proximidade &eacute; um dos tra&ccedil;os de Deus com o seu povo. Recordemos que ao povo de Israel o Senhor diz: &laquo;que povo h&aacute; t&atilde;o grande que tenha deuses como o Senhor, sempre pronto a atender-nos?&raquo; (cf.<i> Dt</i> 4, 7). Uma proximidade de Deus com o povo, que depois se torna &iacute;ntima em Jesus, se torna forte em Jesus. O pastor est&aacute; pr&oacute;ximo do povo, pelo contr&aacute;rio, se n&atilde;o estiver, n&atilde;o &eacute; pastor, &eacute; um hierarca, um administrador, talvez bom, mas n&atilde;o &eacute; pastor. Proximidade ao povo. E S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II deu-nos o exemplo desta proximidade: pr&oacute;ximo dos grandes e dos pequeninos, dos vizinhos e dos distantes, sempre perto, aproximava-se.</p> 
<p>Terceiro sinal, o amor &agrave; <i>justi&ccedil;a</i>. Mas &agrave; justi&ccedil;a plena! Um homem que queria a justi&ccedil;a, a justi&ccedil;a social, a justi&ccedil;a dos povos, a justi&ccedil;a que afasta as guerras. Mas justi&ccedil;a plena! Por isso, S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II era o homem da miseric&oacute;rdia, porque justi&ccedil;a e miseric&oacute;rdia caminham juntas, n&atilde;o se podem distinguir [no sentido de separar], est&atilde;o unidas: justi&ccedil;a &eacute; justi&ccedil;a, miseric&oacute;rdia &eacute; miseric&oacute;rdia, mas uma n&atilde;o se encontra sem a outra. E falando do homem de justi&ccedil;a e miseric&oacute;rdia, pensemos no que S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II fez para que as pessoas compreendessem a miseric&oacute;rdia de Deus. Pensemos no modo como ele promoveu a devo&ccedil;&atilde;o a Santa Faustina [Kowalska] <a href="http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20200518_decreto-celebrazione-santafaustina_po.html">cuja mem&oacute;ria lit&uacute;rgica<i>, a partir de hoje, </i>ser&aacute; para toda a Igreja</a>. Ele sentiu que a justi&ccedil;a de Deus tinha este aspeto de miseric&oacute;rdia, esta atitude de miseric&oacute;rdia. E este &eacute; um dom que ele nos deixou:<i> justi&ccedil;a-miseric&oacute;rdia</i> e a <i>miseric&oacute;rdia justa</i>. Pe&ccedil;amos-lhe hoje, que conceda a todos n&oacute;s, especialmente aos pastores da Igreja, mas a todos, a gra&ccedil;a da ora&ccedil;&atilde;o, a gra&ccedil;a da proximidade e a gra&ccedil;a da justi&ccedil;a-miseric&oacute;rdia, da miseric&oacute;rdia-justi&ccedil;a.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Regina Caeli, 17 de maio de 2020]]></title><pubDate>Sun, 17 May 2020 12:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2020/documents/papa-francesco_regina-coeli_20200517.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2020/documents/papa-francesco_regina-coeli_20200517.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 18 May 2020 18:34:28 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">PAPA FRANCISCO</font></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>REGINA CAELI</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Biblioteca do Pal&aacute;cio Apost&oacute;lico<br /> Domingo, 17 de maio de 2020</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/17/regina-coeli.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>O Evangelho deste domingo (cf. <i>Jo</i> 14,15-21) apresenta duas mensagens: a observ&acirc;ncia dos mandamentos e a promessa do Esp&iacute;rito Santo. </p> 
<p>Jesus une o amor a Ele &agrave;<i> observ&acirc;ncia dos mandamentos</i>, e sobre isto insiste no seu discurso de despedida: &laquo;Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos&raquo; (v. 15); &laquo;Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse &eacute; que Me ama&raquo; (v. 21). Jesus pede-nos para O amar, mas Ele explica: este amor n&atilde;o termina num desejo d'Ele, ou num sentimento, n&atilde;o, requer a vontade de seguir o Seu caminho, ou seja, a vontade do Pai. E isto resume-se no mandamento do amor rec&iacute;proco - o primeiro amor [na concretiza&ccedil;&atilde;o] - dado pelo pr&oacute;prio Jesus: &laquo;Assim como eu vos amei, v&oacute;s tamb&eacute;m vos deveis amar uns aos outros&raquo; (<i>Jo</i> 13, 34).<b> </b>Ele n&atilde;o disse: &laquo;Amai-me como eu vos amei&raquo;, mas &laquo;amai-vos uns aos outros como eu vos amei&raquo;. Ele ama-nos sem nos pedir nada em troca. O amor de Jesus &eacute; gratuito, ele nunca nos pede recompensa. E ele quer que este seu amor gratuito se torne a forma concreta de vida entre n&oacute;s: esta &eacute; a sua vontade.</p> 
<p>Para ajudar os disc&iacute;pulos a percorrer este caminho, Jesus promete que vai rezar ao Pai para&nbsp;enviar &laquo;outro Par&aacute;clito&raquo; (v. 16), ou seja, um Consolador, um Defensor que tomar&aacute; o Seu lugar e lhes dar&aacute; a intelig&ecirc;ncia para ouvir e a coragem para observar as Suas palavras. Este &eacute; o<i> Esp&iacute;rito Santo</i>, que &eacute; o dom do amor de Deus que desce ao cora&ccedil;&atilde;o do crist&atilde;o. Depois que Jesus morreu e ressuscitou, o Seu amor &eacute; dado &agrave;queles que creem n'Ele e s&atilde;o batizados em nome do Pai e do Filho e do Esp&iacute;rito Santo. O pr&oacute;prio Esp&iacute;rito os guia, os ilumina, os fortalece, para que cada um possa caminhar na vida, mesmo atrav&eacute;s da adversidade e da dificuldade, nas alegrias e nas tristezas, permanecendo no caminho de Jesus. Isto &eacute; poss&iacute;vel unicamente se nos mantivermos d&oacute;ceis ao Esp&iacute;rito Santo, para que, atrav&eacute;s da sua presen&ccedil;a ativa, possa n&atilde;o s&oacute; consolar mas tamb&eacute;m transformar os cora&ccedil;&otilde;es, abrindo-os &agrave; verdade e ao amor.</p> 
<p>Perante a experi&ecirc;ncia do erro e do pecado - que todos n&oacute;s cometemos - o Esp&iacute;rito Santo ajuda-nos a n&atilde;o sucumbir e faz-nos compreender e viver plenamente o sentido das palavras de Jesus: &laquo;Se me amardes, guardareis os meus mandamentos&raquo; (v. 15). Os mandamentos n&atilde;o nos s&atilde;o dados como uma esp&eacute;cie de espelho no qual ver refletidas as nossas mis&eacute;rias, as nossas, e&nbsp; incoer&ecirc;ncias. N&atilde;o, n&atilde;o &eacute; assim. A Palavra de Deus &eacute;-nos dada como a Palavra de vida, que transforma<b> </b>o cora&ccedil;&atilde;o, a vida, que se renova, que n&atilde;o julga para condenar, mas cura e tem como fim o perd&atilde;o. A miseric&oacute;rdia de Deus &eacute; assim.<b> </b>&nbsp;Uma palavra que &eacute; luz para os nossos passos. E tudo isto &eacute; obra do Esp&iacute;rito Santo! Ele &eacute; o Dom de Deus, ele mesmo &eacute; Deus, que nos ajuda a sermos pessoas livres, pessoas que querem e sabem amar, pessoas que compreenderam que a vida &eacute; uma miss&atilde;o para proclamar as maravilhas que o Senhor realiza naqueles que confiam Nele. </p> 
<p>Que a Virgem Maria, modelo da Igreja que sabe escutar a Palavra de Deus e acolher o dom do Esp&iacute;rito Santo, nos ajude a viver com alegria o Evangelho, sabendo que somos sustentados pelo Esp&iacute;rito, fogo divino que aquece os nossos cora&ccedil;&otilde;es e ilumina os nossos passos. </p> 
<p>&nbsp;</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="75%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Depois do Regina Caeli</b></p> 
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Amanh&atilde; celebra-se o centen&aacute;rio do nascimento de <a href="http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt.html">S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II</a>, em Wadowice, na Pol&oacute;nia. Recordamo-lo com muito carinho e gratid&atilde;o. Amanh&atilde;, pelas 7 horas, <a href="http://www.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/18/messa-anniversarionascita-gpii.html">celebrarei a Santa Missa</a>, que ser&aacute; transmitida em todo o mundo, no altar onde repousam os seus despojos mortais. Do C&eacute;u ele continuar&aacute; a interceder pelo Povo de Deus e pela paz no mundo.</p> 
<p>Em alguns pa&iacute;ses retomaram-se as celebra&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas com os fi&eacute;is; noutros est&aacute; a ser avaliada a possibilidade; em It&aacute;lia, a partir de amanh&atilde; ser&aacute; poss&iacute;vel celebrar a Santa Missa com o povo; mas, por favor, continuemos a respeitar as normas, as prescri&ccedil;&otilde;es que nos d&atilde;o, de modo a salvaguardar a sa&uacute;de de cada um e do povo.</p> 
<p>No m&ecirc;s de maio, &eacute; tradicional em muitas par&oacute;quias celebrar as Missas da Primeira Comunh&atilde;o. &Eacute; evidente que, devido &agrave; pandemia, este belo momento de f&eacute; e de celebra&ccedil;&atilde;o foi adiado. Por conseguinte, desejo enviar um pensamento afetuoso aos meninos e meninas que deveriam ter recebido a Eucaristia pela primeira vez. Caros amigos, convido-vos a viver este tempo de espera como uma oportunidade para vos preparardes melhor: rezar, ler o livro<b> </b>do Catecismo para aprofundar o conhecimento de Jesus, para&nbsp; crescer na bondade e no servi&ccedil;o aos outros. Desejo-vos bom caminho!</p> 
<p>Hoje come&ccedil;a a Semana <i>da Laudato si'</i>, que terminar&aacute; no pr&oacute;ximo domingo, comemorando o quinto anivers&aacute;rio da publica&ccedil;&atilde;o da <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html">Enc&iacute;clica</a>. Nestes tempos de pandemia, em que estamos mais conscientes da import&acirc;ncia de cuidar da nossa casa comum, espero que toda a nossa reflex&atilde;o e empenho comuns ajudem a criar e refor&ccedil;ar atitudes construtivas para o cuidado da cria&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>E desejo-vos a todos bom domingo. Por favor, n&atilde;o vos esque&ccedil;ais de rezar por mim. Bom almo&ccedil;o e at&eacute; &agrave; vista.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[O Espírito Santo recorda-nos o acesso ao Pai (17 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Sun, 17 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200517_spiritosanto-accesso-al-padre.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200517_spiritosanto-accesso-al-padre.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 18 May 2020 11:08:20 +0200 --> <font color="#663300"><p align="center">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</p> </font>
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i></font></p>
<p align="center"><b> <font size="4" color="#663300">“O Esp&iacute;rito Santo recorda-nos o acesso ao Pai”</font></b></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Domingo, 17 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/17/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Hoje a nossa ora&ccedil;&atilde;o &eacute; pelas numerosas pessoas que limpam os hospitais, as ruas, que esvaziam os caixotes de lixo, que v&atilde;o &agrave;s casas para tirar o lixo: um trabalho que ningu&eacute;m v&ecirc;, mas necess&aacute;rio para sobreviver. Que o Senhor os aben&ccedil;oe e os ajude! </p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>Na despedida dos disc&iacute;pulos (cf.<i> Jo</i> 14, 15-21), Jesus d&aacute;-lhes tranquilidade e paz, com uma promessa: &laquo;N&atilde;o vos deixarei &oacute;rf&atilde;os&raquo; (v. 18). Defende-os daquela dor, daquele sentimento doloroso, da orfandade. Hoje, no mundo, h&aacute; um grande <i>sentimento de orfandade: </i>tantos t&ecirc;m muitas coisas, mas falta o Pai. E isto repete-se na hist&oacute;ria da humanidade: quando falta o Pai, falta algo e h&aacute; sempre o desejo de encontrar, de voltar a encontrar o Pai, at&eacute; nos mitos antigos. Pensemos nos mitos de &Eacute;dipo, de Tel&eacute;maco e em muitos outros: procurar sempre o Pai que falta. Hoje podemos dizer que vivemos numa sociedade onde falta o Pai, um sentido de orfandade que diz respeito &agrave; perten&ccedil;a e &agrave; fraternidade. </p> 
<p>&Eacute; por isso que Jesus promete: &laquo;Rogarei ao Pai e Ele dar-vos-&aacute; outro Par&aacute;clito&raquo; (v. 16). “Vou-me embora” - diz Jesus - “mas vir&aacute; outro que vos ensinar&aacute; o<i> acesso ao Pai</i>. Recordar-vos-&aacute; o acesso ao Pai”. O Esp&iacute;rito Santo n&atilde;o vem para “ter os seus clientes”; vem para indicar o acesso ao Pai, para recordar o acesso ao Pai, aquele que Jesus abriu, aquele que Jesus mostrou. N&atilde;o existe uma espiritualidade s&oacute; do Filho, s&oacute; do Esp&iacute;rito Santo: o centro &eacute; o Pai. O Filho &eacute; o enviado do Pai e volta para o Pai. O Esp&iacute;rito Santo &eacute; enviado pelo Pai para recordar e ensinar o acesso ao Pai.</p> 
<p>Somente com esta consci&ecirc;ncia de filhos que <i>n&atilde;o s&atilde;o &oacute;rf&atilde;os</i> podemos viver em paz entre n&oacute;s. As guerras, tanto as pequenas como as grandes, t&ecirc;m sempre uma dimens&atilde;o de orfandade: falta o Pai para fazer a paz. Por isso, quando &agrave; primeira comunidade Pedro diz que respondam ao povo por que s&atilde;o crist&atilde;os (cf.<i> 1 Pd</i> 3, 15-18), diz: &laquo;Fazei-o com docilidade e respeito. Tende uma consci&ecirc;ncia reta&raquo; (v. 16), ou seja, a mansid&atilde;o que o Esp&iacute;rito Santo d&aacute;. O Esp&iacute;rito Santo ensina-nos esta mansid&atilde;o, esta docilidade dos filhos do Pai. O Esp&iacute;rito Santo n&atilde;o nos ensina a <i>insultar</i>. E uma das consequ&ecirc;ncias do sentido de orfandade &eacute; o insulto, as guerras, pois se n&atilde;o h&aacute; o Pai, n&atilde;o h&aacute; os irm&atilde;os, perde-se a fraternidade. S&atilde;o - esta docilidade, respeito e mansid&atilde;o - atitudes de perten&ccedil;a, de perten&ccedil;a a uma fam&iacute;lia que est&aacute; certa de ter um Pai.</p> 
<p>&laquo;Rogarei ao Pai e Ele dar-vos-&aacute; outro Par&aacute;clito&raquo; (<i>Jo </i>14, 16), que vos recordar&aacute; o acesso ao Pai, lembrando-vos que temos um Pai que &eacute; o centro de tudo, a origem de tudo, a unidade de todos, a salva&ccedil;&atilde;o de todos, porque enviou o seu Filho para salvar todos n&oacute;s. E agora envia o Esp&iacute;rito Santo para nos recordar o acesso a Ele, ao Pai e, a partir desta paternidade, a atitude fraterna de mansid&atilde;o, de docilidade e de paz.</p> 
<p>Pe&ccedil;amos ao Esp&iacute;rito Santo que nos recorde sempre, sempre, este acesso ao Pai, que nos recorde que <i>temos um Pai</i>.<b> </b>E a esta civiliza&ccedil;&atilde;o, que tem um grande sentido de orfandade, conceda a gra&ccedil;a de voltar a encontrar o Pai, o Pai que d&aacute; sentido a toda a vida e faz com que os homens sejam uma fam&iacute;lia.</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>Meu Jesus, creio que estais presente no Sant&iacute;ssimo Sacramento. Amo-vos acima de tudo e a minha alma suspira por V&oacute;s. Mas dado que agora n&atilde;o posso receber-vos no Sant&iacute;ssimo Sacramento, vinde, pelo menos espiritualmente, ao meu cora&ccedil;&atilde;o. Abra&ccedil;o-vos como se j&aacute; estiv&eacute;sseis comigo: uno-me inteiramente a V&oacute;s. Ah! N&atilde;o permitais que eu volte a separar-me de V&oacute;s!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Cristo morto e ressuscitado por nós: o único remédio contra o espírito da mundanidade (16 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Sat, 16 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200516_cristo-medicina-contro-mondanita.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200516_cristo-medicina-contro-mondanita.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 18 May 2020 11:05:40 +0200 --> <font color="#663300"> <p align="center">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</p> </font>
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i></font></p>
<p align="center"> <font color="#663300" size="4"><b>“Cristo morto e ressuscitado por n&oacute;s: <br /> o &uacute;nico rem&eacute;dio contra o esp&iacute;rito da mundanidade”</b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>S&aacute;bado, 16 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/16/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Rezemos hoje pelas pessoas que se ocupam do sepultamento dos mortos nesta pandemia. Enterrar os mortos &eacute; uma das obras de miseric&oacute;rdia e naturalmente n&atilde;o &eacute; algo agrad&aacute;vel. Rezemos por elas, que arriscam a vida e correm o perigo de ser contagiadas.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>Jesus fala v&aacute;rias vezes do mundo, e especialmente na sua despedida com os ap&oacute;stolos (cf. <i>Jo </i>15, 18-21). E aqui diz: &laquo;Se o mundo vos odeia, sabei que odiou a mim antes que a v&oacute;s&raquo; (v. 18). Fala claramente do &oacute;dio que o mundo teve e ter&aacute; por Jesus e por n&oacute;s. E, na ora&ccedil;&atilde;o que faz &agrave; mesa com os disc&iacute;pulos durante a Ceia, pede ao Pai que n&atilde;o os tire do mundo, mas que os defenda do esp&iacute;rito do mundo (cf. <i>Jo </i>17, 15).</p> 
<p>Acho que nos podemos interrogar: <i>qual &eacute; o esp&iacute;rito do mundo?</i> O que &eacute; esta mundanidade, capaz de odiar, de destruir Jesus e os seus disc&iacute;pulos, de os desnaturar, de corromper a Igreja? O que &eacute; o esp&iacute;rito do mundo, no que consiste? Far-nos-&aacute; bem pensar nisto. A mundanidade &eacute; uma <i>proposta de vida</i>. Mas algumas pessoas pensam que a mundanidade &eacute; festejar, viver em festas... N&atilde;o, n&atilde;o! A mundanidade pode ser tamb&eacute;m isto, mas n&atilde;o &eacute; basicamente isto.</p> 
<p>A mundanidade &eacute; uma cultura; uma cultura do ef&eacute;mero, uma cultura da apar&ecirc;ncia, da <i>maquilhagem</i>, uma cultura do “hoje sim, amanh&atilde; n&atilde;o; amanh&atilde; sim, hoje n&atilde;o”. Tem valores superficiais. Uma cultura que n&atilde;o conhece a fidelidade, porque muda de acordo com as circunst&acirc;ncias, negocia tudo. Esta &eacute; a cultura do mundo, a cultura da mundanidade. E Jesus insiste em defender-nos disto e reza para que o Pai nos defenda desta cultura da mundanidade. &Eacute; uma cultura <i>do descart&aacute;vel, </i>de acordo com o que for conveniente. &Eacute; uma cultura sem fidelidade, n&atilde;o tem ra&iacute;zes. Mas &eacute; um modo de vida, um estilo de vida tamb&eacute;m de muitos que se autodenominam crist&atilde;os. Eles s&atilde;o crist&atilde;os, mas s&atilde;o mundanos.</p> 
<p>Na par&aacute;bola da semente que cai na terra, Jesus diz que as preocupa&ccedil;&otilde;es do mundo - ou seja, da mundanidade - sufocam a Palavra de Deus, n&atilde;o a deixam crescer (cf. <i>Lc </i>8, 7). E Paulo diz aos G&aacute;latas: &laquo;Est&aacute;vamos reduzidos &agrave; servid&atilde;o debaixo dos primeiros rudimentos do mundo&raquo; (cf. <i>Gl </i>4, 3). Impressiona-me sempre quando leio as &uacute;ltimas p&aacute;ginas do livro do padre de Lubac: “Medita&ccedil;&otilde;es sobre a Igreja” (cf. Henri de Lubac, <i>Meditazioni sulla Chiesa</i>, Mil&atilde;o 1955), as tr&ecirc;s &uacute;ltimas p&aacute;ginas, onde fala precisamente da mundanidade espiritual. Ele diz que &eacute; o pior dos males que pode acontecer &agrave; Igreja; e n&atilde;o exagera, enumerando depois alguns males terr&iacute;veis, dos quais este &eacute; o pior: a mundanidade espiritual, porque &eacute; uma <i>hermen&ecirc;utica de vida</i>, uma forma de viver; tamb&eacute;m um modo de viver o cristianismo. E para sobreviver face &agrave; prega&ccedil;&atilde;o do Evangelho, odeia, mata.</p> 
<p>Quando se fala dos m&aacute;rtires que morreram por &oacute;dio &agrave; f&eacute;, sim, na verdade para alguns o &oacute;dio era devido a um problema teol&oacute;gico; mas n&atilde;o na maioria. Na maioria [dos casos] &eacute; a mundanidade que odeia a f&eacute; e que os mata, como aconteceu com Jesus.</p> 
<p>&Eacute; curioso: a mundanidade, algu&eacute;m pode dizer-me: “Mas padre, isto &eacute; uma superficialidade de vida...”. N&atilde;o nos iludamos! A mundanidade n&atilde;o &eacute; absolutamente superficial! Tem ra&iacute;zes profundas, ra&iacute;zes profundas. &Eacute; <i> camale&oacute;nica, </i>muda, vai e vem de acordo com as circunst&acirc;ncias, mas a subst&acirc;ncia &eacute; a mesma: uma proposta de vida que entra em todo o lado, at&eacute; na Igreja. Mundanidade, hermen&ecirc;utica mundana, <i>maquilhagem</i>, tudo se pinta para ser assim.</p> 
<p>O ap&oacute;stolo Paulo foi a Atenas e ficou impressionado quando, no are&oacute;pago, viu muitos monumentos aos deuses. E pensou em falar disto: “Pois bem, passando e vendo os vossos santu&aacute;rios, achei tamb&eacute;m um altar em que estava escrito: Ao Deus Desconhecido. Esse, pois, que v&oacute;s honrais, sem o conhecer, &eacute; o que vos anuncio”. E come&ccedil;ou a pregar o Evangelho. Mas quando chegou &agrave; cruz e &agrave; ressurrei&ccedil;&atilde;o, [os atenienses] foram embora escandalizados (cf. <i>At </i>17, 22-33). H&aacute; algo que a mundanidade n&atilde;o tolera: <i>o esc&acirc;ndalo da Cruz</i>. N&atilde;o o tolera! Mas o &uacute;nico rem&eacute;dio contra o esp&iacute;rito da mundanidade &eacute; Cristo, morto e ressuscitado por n&oacute;s, esc&acirc;ndalo e loucura (cf. <i>1 Cor </i>1, 23).</p> 
<p>&Eacute; por isso que quando o ap&oacute;stolo Jo&atilde;o, na sua primeira Carta, aborda o tema do mundo, diz: &laquo;Esta &eacute; a vit&oacute;ria que vence o mundo, a nossa f&eacute;&raquo; (<i>1 Jo </i>5, 4). A &uacute;nica: a f&eacute; em Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou. E isto n&atilde;o significa ser fan&aacute;tico. Isto n&atilde;o significa omitir o di&aacute;logo com todas as pessoas, n&atilde;o, mas com a convic&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, a come&ccedil;ar pelo esc&acirc;ndalo da Cruz, pela loucura de Cristo e tamb&eacute;m pela vit&oacute;ria de Cristo. “Esta &eacute; a nossa vit&oacute;ria”, diz Jo&atilde;o, “a nossa f&eacute;”.</p> 
<p>Pe&ccedil;amos ao Esp&iacute;rito Santo nestes &uacute;ltimos dias, tamb&eacute;m na novena do Esp&iacute;rito Santo, nos &uacute;ltimos dias do tempo pascal, a gra&ccedil;a de discernir o que &eacute; <i> mundanidade </i>e o que &eacute; <i>Evangelho</i>, e n&atilde;o nos enganemos, porque o mundo nos odeia, o mundo odeia Jesus e Jesus orou para que o Pai nos defendesse do esp&iacute;rito do mundo (cf. <i>Jo </i>17, 15).</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>Meu Jesus, creio que estais presente no Sant&iacute;ssimo Sacramento. Amo-vos acima de tudo e a minha alma suspira por V&oacute;s. Mas dado que agora n&atilde;o posso receber-vos no Sant&iacute;ssimo Sacramento, vinde, pelo menos espiritualmente, ao meu cora&ccedil;&atilde;o. Abra&ccedil;o-vos como se j&aacute; estiv&eacute;sseis comigo: uno-me inteiramente a V&oacute;s. Ah! N&atilde;o permitais que eu volte a separar-me de V&oacute;s!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[O relacionamento com Deus é gratuito, é uma relação de amizade (15 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Fri, 15 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200515_laredenzione-undono-gratuito.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200515_laredenzione-undono-gratuito.html</guid><description><![CDATA[<!-- Fri, 15 May 2020 13:16:46 +0200 --> <font color="#663300"> <p align="center">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</p> </font>
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i></font></p>
<p align="center"><b> <font color="#663300" size="4">“O relacionamento com Deus &eacute; gratuito, &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o de amizade”</font></b></p>
<p align="center"> <font color="#663300"><i>Sexta-feira, 15 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/15/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Hoje &eacute; o Dia mundial da fam&iacute;lia. Oremos pelas fam&iacute;lias, para que o Esp&iacute;rito do Senhor, o esp&iacute;rito de amor, respeito e liberdade, possa crescer nas fam&iacute;lias.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>No Livro dos Atos dos Ap&oacute;stolos vemos que na Igreja, no in&iacute;cio, houve tempos de paz, como o diz tantas vezes: a Igreja crescia em paz e o Esp&iacute;rito do Senhor difundia-se (cf. <i>At </i>9, 31); tempos de paz! Houve tamb&eacute;m tempos de persegui&ccedil;&atilde;o, come&ccedil;ando com a persegui&ccedil;&atilde;o de Est&ecirc;v&atilde;o (cf. capp. 6-7); depois Paulo, perseguidor, convertido e em seguida tamb&eacute;m perseguido... Tempos de paz, tempos de persegui&ccedil;&atilde;o, e houve tamb&eacute;m tempos de <i>perturba&ccedil;&atilde;o</i>. Este &eacute; o tema da primeira Leitura de hoje: um per&iacute;odo de perturba&ccedil;&atilde;o (cf. <i>At </i>15, 22-31). &laquo;Porquanto ouvimos que alguns que sa&iacute;ram dentre n&oacute;s - os ap&oacute;stolos escrevem aos crist&atilde;os que vieram do paganismo - ouvimos que alguns de n&oacute;s, a quem n&atilde;o t&iacute;nhamos dado incumb&ecirc;ncia alguma, viemos para vos perturbar - <i>para vos perturbar </i>- com discursos que transtornaram as vossas almas&raquo; (v. 24).</p> 
<p>O que tinha acontecido? Aqueles crist&atilde;os que vieram dos pag&atilde;os acreditaram em Jesus Cristo, receberam o batismo e estavam felizes: receberam o Esp&iacute;rito Santo. Do paganismo para o cristianismo, sem qualquer etapa interm&eacute;dia. Ao contr&aacute;rio, aqueles que eram chamados “judaizantes” alegavam que n&atilde;o se podia fazer assim. Se algu&eacute;m era pag&atilde;o, primeiro tinha que se tornar judeu, um bom judeu, e depois tornar-se crist&atilde;o, para estar na linha da elei&ccedil;&atilde;o do povo de Deus. E aqueles crist&atilde;os n&atilde;o compreendiam isto: “Mas como, n&oacute;s somos crist&atilde;os de segunda classe? N&atilde;o se pode passar diretamente do paganismo para o cristianismo? A ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo n&atilde;o dissolveu a lei antiga, levando-a a uma plenitude ainda maior?”. Estavam perturbados e havia muitas discuss&otilde;es entre eles. E aqueles que o queriam eram pessoas que, com argumentos pastorais, teol&oacute;gicos e alguns at&eacute; morais, afirmavam que n&atilde;o: que deviam dar aquele passo! E isto questionava a liberdade do Esp&iacute;rito Santo, at&eacute; a gratuidade da ressurrei&ccedil;&atilde;o e da gra&ccedil;a de Cristo. Eram met&oacute;dicos. E tamb&eacute;m r&iacute;gidos. </p> 
<p>Deles, dos seus mestres, dos doutores da Lei, Jesus dizia: &laquo;Ai de v&oacute;s, escribas e fariseus, hip&oacute;critas, pois percorreis mares e terras para fazer um s&oacute; pros&eacute;lito; e, quando o conseguis, fazeis dele um filho do inferno duas vezes pior do que v&oacute;s mesmos&raquo;. Jesus diz mais ou menos isto no cap&iacute;tulo 23 de Mateus (cf. v. 15). Essas pessoas, que eram “ideol&oacute;gicas” mais do que “dogm&aacute;ticas”, “ideol&oacute;gicas”, reduziam a Lei, o dogma, a uma ideologia: “Deve-se fazer isto, isso e aquilo”... Uma religi&atilde;o de prescri&ccedil;&otilde;es, e com isto tiravam a liberdade do Esp&iacute;rito. E as pessoas que os seguiam eram r&iacute;gidas, pessoas que n&atilde;o se sentiam &agrave;-vontade, que n&atilde;o conheciam a alegria do Evangelho. A perfei&ccedil;&atilde;o do caminho para seguir Jesus era a <i>rigidez: “</i>H&aacute; que fazer isto, isso, aquilo...”. Essas pessoas, esses doutores “manipulavam” as consci&ecirc;ncias dos fi&eacute;is, e ou tornavam-se r&iacute;gidos... ou iam embora.</p> 
<p>Por esta raz&atilde;o, repito muitas vezes, a rigidez n&atilde;o &eacute; do Esp&iacute;rito bom, porque questiona a <i>gratuidade </i>da reden&ccedil;&atilde;o, a gratuidade da ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo. E isto &eacute; algo antigo: isto repete-se durante a hist&oacute;ria da Igreja. Pensemos nos pelagianos, nestes... nesses r&iacute;gidos famosos. E tamb&eacute;m no nosso tempo vimos algumas organiza&ccedil;&otilde;es apost&oacute;licas que pareciam realmente bem constitu&iacute;das, que funcionavam bem... mas todas r&iacute;gidas, todas iguais umas &agrave;s outras, e depois ficamos a saber da corrup&ccedil;&atilde;o que havia dentro, at&eacute; nos fundadores.</p> 
<p>Onde h&aacute; rigidez, n&atilde;o h&aacute; Esp&iacute;rito de Deus, porque o Esp&iacute;rito de Deus &eacute; <i> liberdade</i>. E essas pessoas queriam dar passos, tirando a liberdade do Esp&iacute;rito de Deus e a <i>gratuidade </i>da reden&ccedil;&atilde;o: “Para seres justificado, deves fazer isto, isso e aquilo...”. A justifica&ccedil;&atilde;o &eacute; gratuita. A morte e a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo s&atilde;o gratuitas. N&atilde;o se pagam, n&atilde;o se compram: s&atilde;o um dom! E eles n&atilde;o queriam fazer isto.</p> 
<p>O caminho [o modo de proceder] &eacute; bom: os ap&oacute;stolos re&uacute;nem-se em conc&iacute;lio e no final escrevem uma carta que come&ccedil;a assim: &laquo;Na verdade, pareceu bem ao Esp&iacute;rito Santo e a n&oacute;s, n&atilde;o vos impor mais incumb&ecirc;ncia alguma&raquo; (<i>At </i>15, 28), e conferem estas obriga&ccedil;&otilde;es mais morais, de bom senso: n&atilde;o confundir o cristianismo com o paganismo, com a absten&ccedil;&atilde;o da carne oferecida aos &iacute;dolos, etc. E no final, os crist&atilde;os que estavam perturbados, reunidos em assembleia, receberam a carta e &laquo;quando a leram, alegraram-se pela exorta&ccedil;&atilde;o que ela infundia&raquo; (v. 31) . Da <i>perturba&ccedil;&atilde;o &agrave; alegria</i>. O esp&iacute;rito de rigidez leva-nos sempre &agrave; perturba&ccedil;&atilde;o: “Mas ser&aacute; que fiz bem isto? N&atilde;o o fiz bem?”. O escr&uacute;pulo. O esp&iacute;rito de liberdade evang&eacute;lica leva-vos &agrave; alegria, porque foi precisamente isto que Jesus fez com a sua ressurrei&ccedil;&atilde;o: Ele trouxe alegria! O relacionamento com Deus, a rela&ccedil;&atilde;o com Jesus n&atilde;o &eacute; assim, de “fazer coisas”: “Eu fa&ccedil;o isto e tu d&aacute;s-me aquilo”. Uma rela&ccedil;&atilde;o, digo eu - perdoai-me Senhor - <i> comercial:</i> n&atilde;o! &Eacute; gratuito, tal como &eacute; gratuita a rela&ccedil;&atilde;o de Jesus com os disc&iacute;pulos. &laquo;Sois meus amigos&raquo; (<i>Jo </i>15, 14). &laquo;N&atilde;o vos chamo servos, chamo-vos amigos&raquo; (cf. v. 15). &laquo;N&atilde;o fostes v&oacute;s que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi&raquo; (v. 16). Tal &eacute; a gratuidade!</p> 
<p>Pe&ccedil;amos ao Senhor que nos ajude a discernir entre os frutos da <i>gratuidade </i> evang&eacute;lica e os frutos da <i>rigidez </i>n&atilde;o evang&eacute;lica, e que nos liberte de toda a perturba&ccedil;&atilde;o daqueles que colocam a f&eacute;, a vida de f&eacute; sob as prescri&ccedil;&otilde;es da casu&iacute;stica, as prescri&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o t&ecirc;m sentido. Refiro-me &agrave;s prescri&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o t&ecirc;m sentido, n&atilde;o aos Mandamentos. Que nos liberte deste esp&iacute;rito de rigidez, o qual nos tira a liberdade.</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>As pessoas que n&atilde;o podem receber a Eucaristia, agora fazem a Comunh&atilde;o espiritual</p> 
<p>&Oacute; meu Jesus, prostro-me aos vossos p&eacute;s e ofere&ccedil;o-vos o arrependimento do meu cora&ccedil;&atilde;o contrito que mergulha no vosso cora&ccedil;&atilde;o e na vossa santa presen&ccedil;a. Adoro-vos no Sacramento do vosso amor, a inef&aacute;vel Eucaristia. Desejo receber-vos na pobre morada que o meu cora&ccedil;&atilde;o vos oferece. &Agrave; espera da felicidade da Comunh&atilde;o sacramental, quero possuir-vos em esp&iacute;rito. Vinde a mim, &oacute; meu Jesus, e que eu venha a V&oacute;s. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, na vida e na morte. Creio em V&oacute;s, espero em V&oacute;s, amo-vos. Assim seja!</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Dia de fraternidade, penitência e oração (14 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Thu, 14 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200514_giornodi-fratellanza-penitenza-preghiera.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200514_giornodi-fratellanza-penitenza-preghiera.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 14 May 2020 13:12:52 +0200 --> <font color="#663300"> <p align="center">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</p> </font>
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i></font></p>
<p align="center"><b> <font size="4" color="#663300">“Dia de fraternidade, penit&ecirc;ncia e ora&ccedil;&atilde;o”</font></b></p>
<p align="center"> <font color="#663300"><i>Quinta-feira, 14 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/14/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>O <i>Alto Comit&eacute; para a Fraternidade Humana </i>convocou hoje um Dia de ora&ccedil;&atilde;o e jejum para pedir a Deus miseric&oacute;rdia e piedade neste tr&aacute;gico momento da pandemia. Somos todos irm&atilde;os! S&atilde;o Francisco de Assis dizia: “Todos irm&atilde;os”. E por esta raz&atilde;o, homens e mulheres de todas as confiss&otilde;es religiosas, unamo-nos hoje em ora&ccedil;&atilde;o e penit&ecirc;ncia, para pedir a gra&ccedil;a da cura desta pandemia.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>Na primeira leitura, ouvimos a hist&oacute;ria de Jonas, no estilo da &eacute;poca (cf. <i>Jn </i>3, 1-10). Dado que houve “alguma pandemia”, n&atilde;o sabemos, na cidade de N&iacute;nive, uma “pandemia moral”, talvez [a cidade] estivesse prestes a ser destru&iacute;da (cf. v. 4). E Deus envia Jonas para pregar: ora&ccedil;&atilde;o e penit&ecirc;ncia, ora&ccedil;&atilde;o e jejum (cf. vv. 7-8). Face a essa pandemia [primeiro], Jonas assustou-se e fugiu (cf. 1, 3). Depois, o Senhor chamou-o pela&nbsp; segunda vez e ele aceitou partir para pregar (cf. 3, 1-3). E hoje todos n&oacute;s, irm&atilde;os e irm&atilde;s de todas as tradi&ccedil;&otilde;es religiosas, rezemos: um dia de ora&ccedil;&atilde;o, jejum e penit&ecirc;ncia, convocado pelo Alto Comit&eacute; para a Fraternidade Humana. Cada um de n&oacute;s reza, as comunidades oram, as confiss&otilde;es religiosas rezam, oram a Deus: todos <i>irm&atilde;os</i>, unidos na fraternidade que nos irmana neste momento de dor e trag&eacute;dia.</p> 
<p>N&atilde;o esper&aacute;vamos esta pandemia, ela veio sem que n&oacute;s a esper&aacute;ssemos, mas agora est&aacute; aqui. E muitas pessoas morrem. Tantas pessoas morrem sozinhas e muitas morrem sem poder fazer nada. Muitas vezes pode vir o pensamento: “N&atilde;o me atingiu, gra&ccedil;as a Deus estou salvo”. Mas pensa nos outros! Pensa na trag&eacute;dia e tamb&eacute;m nas consequ&ecirc;ncias econ&oacute;micas, nas consequ&ecirc;ncias para a educa&ccedil;&atilde;o, nas consequ&ecirc;ncias... o que acontecer&aacute; a seguir. E por isso todos, irm&atilde;os e irm&atilde;s de todas as denomina&ccedil;&otilde;es religiosas, oremos hoje a Deus. Talvez haja algu&eacute;m que diga: “Isto &eacute; relativismo religioso e n&atilde;o se pode fazer assim”. Mas como n&atilde;o se pode fazer assim, rezar ao Pai de todos? Cada um reza como sabe, como pode, como recebeu da sua pr&oacute;pria cultura. N&atilde;o rezamos uns contra os outros, esta tradi&ccedil;&atilde;o religiosa contra aquela, n&atilde;o! Estamos todos unidos como seres humanos, como <i> irm&atilde;os, </i>orando a Deus, segundo a pr&oacute;pria cultura, a pr&oacute;pria tradi&ccedil;&atilde;o, as pr&oacute;prias cren&ccedil;as, mas irm&atilde;os e orando a Deus, isto &eacute; importante! Irm&atilde;os, jejuando, pedindo perd&atilde;o a Deus pelos nossos pecados, para que o Senhor tenha miseric&oacute;rdia de n&oacute;s, a fim de que o Senhor nos perdoe, para que o Senhor ponha fim a esta pandemia. Hoje &eacute; um dia de fraternidade, olhando para o &uacute;nico Pai: irm&atilde;os e paternidade. Dia de ora&ccedil;&atilde;o!</p> 
<p>No ano passado, em novembro do ano passado, n&atilde;o sab&iacute;amos o que era uma pandemia: veio como um dil&uacute;vio, chegou de repente. Agora acordamos um pouco. Mas h&aacute; muitas outras pandemias que fazem as pessoas morrer e n&atilde;o nos apercebemos, olhamos para o outro lado. Estamos um pouco inconscientes perante as trag&eacute;dias que acontecem no mundo neste momento. S&oacute; gostaria de vos citar uma estat&iacute;stica oficial dos primeiros quatro meses deste ano, que n&atilde;o fala da pandemia do coronav&iacute;rus, mas de outra. Nos primeiros quatro meses deste ano 3,7 milh&otilde;es de pessoas morreram de fome. A <i>pandemia da fome</i>. Em quatro meses, quase 4 milh&otilde;es de pessoas! A ora&ccedil;&atilde;o de hoje, para pedir ao Senhor que ponha fim a esta pandemia, deve fazer-nos refletir sobre as outras pandemias no mundo. S&atilde;o muitas! A pandemia das guerras, da fome e muitas outras. Mas o importante &eacute; que hoje - juntos e gra&ccedil;as &agrave; <i>coragem </i>que este Alto Comit&eacute; para a Fraternidade Humana teve - fomos convidados a rezar juntos de acordo com a nossa tradi&ccedil;&atilde;o e a fazer um dia <i>de penit&ecirc;ncia, de jejum e tamb&eacute;m de caridade</i>, de ajuda aos outros. Isto &eacute; importante! No livro de Jonas, ouvimos que quando o Senhor viu a rea&ccedil;&atilde;o do povo - que se tinha convertido - o Senhor arrependeu-se, e n&atilde;o fez o que queria fazer. </p> 
<p>Deus ponha termo a esta trag&eacute;dia, que Ele acabe com esta pandemia. Deus tenha piedade de n&oacute;s e ponha fim tamb&eacute;m &agrave;s outras terr&iacute;veis pandemias: da fome, da guerra, das crian&ccedil;as sem escola. &Eacute; isto que pedimos como <i>irm&atilde;os</i>, todos juntos. Deus nos aben&ccedil;oe a todos e tenha piedade de n&oacute;s!</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>Meu Jesus, creio que estais presente no Sant&iacute;ssimo Sacramento. Amo-vos acima de tudo e a minha alma suspira por V&oacute;s. Mas dado que agora n&atilde;o posso receber-vos no Sant&iacute;ssimo Sacramento, vinde, pelo menos espiritualmente, ao meu cora&ccedil;&atilde;o. Abra&ccedil;o-vos come se j&aacute; estiv&eacute;sseis comigo: uno-me inteiramente a V&oacute;s. Ah! N&atilde;o permitais que eu volte a separar-me de V&oacute;s!</p> 
<p><b>No final da missa</b></p> 
<p>Gostaria de agradecer ao senhor Tommaso, o t&eacute;cnico de som que hoje trabalha aqui para a transmiss&atilde;o. Acompanhou-nos nestas emiss&otilde;es, trabalha no Dicast&eacute;rio para a Comunica&ccedil;&atilde;o e est&aacute; prestes a aposentar-se, hoje &eacute; o &uacute;ltimo dia de trabalho. Que o Senhor o aben&ccedil;oe e o acompanhe na nova etapa da vida. </p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Audiência Geral de 13 de maio de 2020]]></title><pubDate>Wed, 13 May 2020 09:30:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2020/documents/papa-francesco_20200513_udienza-generale.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2020/documents/papa-francesco_20200513_udienza-generale.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 19 May 2020 15:57:48 +0200 --> <font color="#663300"><p align="center">PAPA FRANCISCO</p> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>AUDI&Ecirc;NCIA GERAL</i></b></font></p> </font>
<p align="center"><font color="#663300"><i>Biblioteca do Pal&aacute;cio Apost&oacute;lico<br /> Quarta-feira, 13 de maio de 2020</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/13/udienzagenerale.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Bom dia, prezados irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Hoje damos o segundo passo no caminho de catequeses sobre a ora&ccedil;&atilde;o, <a href="http://www.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2020/documents/papa-francesco_20200506_udienza-generale.html">iniciado na semana passada</a>.</p> 
<p>A ora&ccedil;&atilde;o pertence a todos: aos homens de todas as religi&otilde;es, e provavelmente tamb&eacute;m &agrave;queles que n&atilde;o professam religi&atilde;o alguma. A ora&ccedil;&atilde;o nasce no segredo de n&oacute;s mesmos, naquele lugar interior a que muitas vezes os autores espirituais chamam “cora&ccedil;&atilde;o” (cf.<i> <a href="http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4-intr_2558-2565_po.html">Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica</a></i>, nn. 2.562-2.563). Portanto, o que reza em n&oacute;s n&atilde;o &eacute; algo perif&eacute;rico, nem uma nossa faculdade secund&aacute;ria e marginal, mas &eacute; o mist&eacute;rio mais &iacute;ntimo de n&oacute;s mesmos. &Eacute; este mist&eacute;rio que reza. As emo&ccedil;&otilde;es rezam, mas n&atilde;o se pode dizer que a ora&ccedil;&atilde;o &eacute; unicamente emo&ccedil;&atilde;o. A intelig&ecirc;ncia reza, mas rezar n&atilde;o &eacute; apenas um ato intelectual. O corpo reza, mas pode-se falar com Deus at&eacute; na invalidez mais grave. Por conseguinte, &eacute; o homem todo que ora, se o seu “cora&ccedil;&atilde;o” reza.</p> 
<p>A ora&ccedil;&atilde;o &eacute; um impulso, uma invoca&ccedil;&atilde;o que vai al&eacute;m de n&oacute;s pr&oacute;prios: algo que nasce no &iacute;ntimo da nossa pessoa e que se estende, pois sente a nostalgia de um encontro. Aquela nostalgia que &eacute; mais do que uma car&ecirc;ncia, mais do que uma necessidade: &eacute; um caminho. A ora&ccedil;&atilde;o &eacute; a voz de um “eu” que trope&ccedil;a, que procede &agrave;s cegas, em busca de um “Tu”. O encontro entre o “eu” e o “Tu” n&atilde;o pode ser calculado: &eacute; um encontro humano e, muitas vezes, procede-se &agrave;s cegas para encontrar o “Tu” que o meu “eu” procura.</p> 
<p>Ao contr&aacute;rio, a ora&ccedil;&atilde;o do crist&atilde;o nasce de uma revela&ccedil;&atilde;o: o “Tu” n&atilde;o permaneceu envolvido no mist&eacute;rio, mas entrou em rela&ccedil;&atilde;o connosco. O cristianismo &eacute; a religi&atilde;o que celebra continuamente a “manifesta&ccedil;&atilde;o” de Deus, ou seja, a sua epifania. As primeiras festas do ano lit&uacute;rgico s&atilde;o a celebra&ccedil;&atilde;o deste Deus que n&atilde;o permanece escondido, mas que oferece a sua amizade aos homens. Deus revela a sua gl&oacute;ria na pobreza de Bel&eacute;m, na contempla&ccedil;&atilde;o dos Magos, no batismo no Jord&atilde;o, no prod&iacute;gio das bodas de Can&aacute;. O Evangelho de Jo&atilde;o conclui o grande hino do Pr&oacute;logo com esta afirma&ccedil;&atilde;o sint&eacute;tica: &laquo;Ningu&eacute;m jamais viu a Deus: o Filho &uacute;nico, que est&aacute; no seio do Pai, foi quem o revelou&raquo; (1, 18). Foi Jesus quem nos revelou Deus.</p> 
<p>A ora&ccedil;&atilde;o do crist&atilde;o entra em rela&ccedil;&atilde;o com o Deus de rosto profundamente terno, que n&atilde;o quer incutir medo algum aos homens. Esta &eacute; a primeira carater&iacute;stica da prece crist&atilde;. Se os homens desde sempre estavam habituados a aproximar-se de Deus com um pouco de timidez, um pouco apavorados diante deste mist&eacute;rio fascinante e terr&iacute;vel, se se tinham habituado a ador&aacute;-lo com uma atitude servil, semelhante &agrave; de um servo que n&atilde;o quer desrespeitar o seu senhor, ao contr&aacute;rio os crist&atilde;os dirigem-se a Ele ousando cham&aacute;-lo de modo confidente, com o nome de “Pai”. Na verdade, Jesus usa outra palavra: “paizinho”.</p> 
<p>O cristianismo eliminou do v&iacute;nculo com Deus todas as rela&ccedil;&otilde;es “feudais”. No patrim&oacute;nio da nossa f&eacute; n&atilde;o existem express&otilde;es como “subjuga&ccedil;&atilde;o”, “escravatura” ou “vassalagem”; mas sim palavras como “alian&ccedil;a”, “amizade”, “promessa”, “comunh&atilde;o”, “proximidade”. No seu longo discurso de despedida dos disc&iacute;pulos, Jesus diz assim: &laquo;J&aacute; n&atilde;o vos chamo servos, porque o servo n&atilde;o sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. N&atilde;o fostes v&oacute;s que me escolhestes, mas foi Eu que vos escolhi e vos constitu&iacute;, para irdes e dardes fruto, e para que o vosso fruto permane&ccedil;a; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo conceda&raquo; (<i>Jo</i> 15, 15-16). Mas trata-se de um cheque em branco: “Tudo o que pedirdes ao meu Pai em meu nome, Eu vo-lo concederei”! </p> 
<p>Deus &eacute; o amigo, o aliado, o esposo. Na ora&ccedil;&atilde;o pode-se estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a com Ele, a ponto que no “Pai-Nosso” Jesus nos ensinou a dirigir-lhe uma s&eacute;rie de pedidos. A Deus podemos pedir tudo, tudo; explicar tudo, contar tudo. N&atilde;o importa se no nosso relacionamento com Deus nos sentimos em falta: n&atilde;o somos bons amigos, n&atilde;o somos filhos agradecidos, n&atilde;o somos esposos fi&eacute;is. Ele continua a amar-nos. &Eacute; o que Jesus demonstra definitivamente na &Uacute;ltima Ceia, quando diz: &laquo;Este c&aacute;lice &eacute; a nova alian&ccedil;a no meu sangue, que &eacute; derramado por v&oacute;s&raquo; (<i>Lc</i> 22, 20). Naquele gesto, Jesus antecipa no Cen&aacute;culo o mist&eacute;rio da Cruz. Deus &eacute; um aliado fiel: at&eacute; quando os homens deixam de amar, Ele continua a amar, mesmo que o amor o leve ao Calv&aacute;rio. Deus est&aacute; sempre perto da porta do nosso cora&ccedil;&atilde;o e espera que lhe abramos. E &agrave;s vezes bate &agrave; porta do cora&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o &eacute; indiscreto: espera. A paci&ecirc;ncia de Deus connosco &eacute; a paci&ecirc;ncia de um pai, de algu&eacute;m que nos ama muito. Diria que &eacute; a paci&ecirc;ncia de um pai e ao mesmo tempo de uma m&atilde;e. Sempre perto do nosso cora&ccedil;&atilde;o, e quando bate &agrave; porta, f&aacute;-lo com ternura e com muito amor.</p> 
<p>Procuremos todos rezar assim, entrando no mist&eacute;rio da Alian&ccedil;a. Colocar-nos em ora&ccedil;&atilde;o nos bra&ccedil;os misericordiosos de Deus, sentir-nos envolvidos por esse mist&eacute;rio de felicidade que &eacute; a vida trinit&aacute;ria, sentir-nos como convidados que n&atilde;o mereciam tanta honra. E, no assombro da ora&ccedil;&atilde;o, repetir a Deus: &eacute; poss&iacute;vel que Tu s&oacute; conhe&ccedil;as amor? Ele n&atilde;o conhece o &oacute;dio. Ele &eacute; odiado, mas n&atilde;o conhece o &oacute;dio. S&oacute; conhece o amor. Tal &eacute; o Deus a quem rezamos. Eis o n&uacute;cleo incandescente de toda a ora&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. O Deus de amor, o nosso Pai que nos espera e nos acompanha.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<hr width="75%" size="1" /> 
<p><b>Sauda&ccedil;&otilde;es</b></p> 
<p>Sa&uacute;do os ouvintes de l&iacute;ngua portuguesa e, neste dia 13 de maio, a todos encorajo a conhecer e seguir o exemplo da Virgem Maria. Para isto procuremos viver este m&ecirc;s com uma ora&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria mais intensa e fiel, em particular rezando o ter&ccedil;o, como recomenda a Igreja, obedecendo a um desejo repetidamente expresso em F&aacute;tima por Nossa Senhora. Sob a sua prote&ccedil;&atilde;o, vereis que os sofrimentos e as afli&ccedil;&otilde;es da vida ser&atilde;o mais suport&aacute;veis. Hoje, gostaria de me abeirar, com o cora&ccedil;&atilde;o, &agrave; diocese de Leiria-F&aacute;tima, ao santu&aacute;rio de Nossa Senhora. Sa&uacute;do todos os peregrinos que l&aacute; est&atilde;o em ora&ccedil;&atilde;o; sa&uacute;do o Cardeal Bispo, sa&uacute;do a todos. Todos unidos a Nossa Senhora, para que nos acompanhe neste caminho de convers&atilde;o di&aacute;ria rumo a Jesus. Que Deus vos aben&ccedil;oe!</p> 
<p>Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos idosos, aos doentes e aos rec&eacute;m-casados. Recorrei constantemente &agrave; ajuda de Nossa Senhora; nela encontramos uma M&atilde;e carinhosa e terna, ref&uacute;gio seguro nas adversidades.</p> 
<p>Sa&uacute;do os fi&eacute;is de l&iacute;ngua italiana. No anivers&aacute;rio da primeira Apari&ccedil;&atilde;o aos pequenos videntes de F&aacute;tima, convido-vos a invocar a Virgem Maria a fim de que cada um persevere no amor a Deus e ao pr&oacute;ximo. Concedo a minha b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o a todos!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Mensagem para o 106º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2020]]></title><pubDate>Wed, 13 May 2020 08:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/migration/documents/papa-francesco_20200513_world-migrants-day-2020.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/migration/documents/papa-francesco_20200513_world-migrants-day-2020.html</guid><description><![CDATA[<!-- Fri, 15 May 2020 10:56:40 +0200 --> <p align="center"><b><i><font size="4" color="#663300">MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO <br /> PARA O DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO</font></i></b><font color="#663300"><b><br /> <br /> </b>[27 de septembro de 2020]</font></p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><i><b><font color="#663300">For&ccedil;ados, como Jesus Cristo, a fugir. <br /> Acolher, proteger, promover e integrar os deslocados internos</font></b></i></p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p>No discurso que dirigi, nos primeiros dias deste ano, <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2020/january/documents/papa-francesco_20200109_corpo-diplomatico.html">aos membros do Corpo Diplom&aacute;tico</a> acreditado junto da Santa S&eacute;, mencionei entre os desafios do mundo contempor&acirc;neo o drama dos deslocados dentro da pr&oacute;pria na&ccedil;&atilde;o: &laquo;Os conflitos e as emerg&ecirc;ncias humanit&aacute;rias, agravadas pelas convuls&otilde;es clim&aacute;ticas, aumentam o n&uacute;mero dos deslocados e repercutem-se sobre as pessoas que j&aacute; vivem em grave estado de pobreza. Muitos dos pa&iacute;ses atingidos por estas situa&ccedil;&otilde;es carecem de estruturas adequadas que permitam atender &agrave;s necessidades daqueles que foram deslocados&raquo; (9/I/2020).</p> 
<p>A Sec&ccedil;&atilde;o &laquo;<a href="https://migrants-refugees.va/pt/">Migrantes e Refugiados</a>&raquo; do <a href="http://www.humandevelopment.va/it.html">Dicast&eacute;rio para o Servi&ccedil;o do Desenvolvimento Humano Integral</a> publicou as <i>Orienta&ccedil;&otilde;es Pastorais sobre as Pessoas Deslocadas Internamente</i> (5/V/2020), um documento que visa inspirar e animar as a&ccedil;&otilde;es pastorais da Igreja nesta &aacute;rea em particular.</p> 
<p>Por tais raz&otilde;es, decidi dedicar esta Mensagem ao drama dos deslocados dentro da na&ccedil;&atilde;o, um drama – muitas vezes invis&iacute;vel – que a crise mundial causada pela pandemia do Covid-19 exacerbou.De facto, esta crise, devido &agrave; sua veem&ecirc;ncia, gravidade e extens&atilde;o geogr&aacute;fica, redimensionou tantas outras emerg&ecirc;ncias humanit&aacute;rias que afligem milh&otilde;es de pessoas, relegando para um plano secund&aacute;rio, nas Agendas pol&iacute;ticas nacionais, iniciativas e ajudas internacionais, essenciais e urgentes para salvar vidas. Mas, &laquo;este n&atilde;o &eacute; tempo para o esquecimento. A crise que estamos a enfrentar n&atilde;o nos fa&ccedil;a esquecer muitas outras emerg&ecirc;ncias que acarretam sofrimentos a tantas pessoas&raquo; (Francisco, <i>M<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/urbi/documents/papa-francesco_20200412_urbi-et-orbi-pasqua.html">ensagem Urbi et Orbi</a></i>, 12/IV/2020).</p> 
<p>&Agrave; luz dos acontecimentos dram&aacute;ticos que t&ecirc;m marcado o ano de 2020 quero, nesta Mensagem dedicada &agrave;s pessoas deslocadas internamente, englobar todos aqueles que atravessaram e ainda vivem experi&ecirc;ncias de precariedade, abandono, marginaliza&ccedil;&atilde;o e rejei&ccedil;&atilde;o por causa do v&iacute;rus Covid-19.</p> 
<p>E, como ponto de partida, gostaria de tomar o mesmo &iacute;cone que inspirou o Papa Pio XII ao redigir a constitui&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica <i> <a href="http://www.vatican.va/content/pius-xii/la/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19520801_exsul-familia.html">Exsul Familia</a></i> (1/VIII/1952): na sua fuga para o Egito, o menino Jesus experimenta, juntamente com seus pais, a dram&aacute;tica condi&ccedil;&atilde;o de deslocado e refugiado &laquo;marcada por medo, incerteza e dificuldades (cf. <i>Mt</i> 2, 13-15.19-23). Infelizmente, nos nossos dias, h&aacute; milh&otilde;es de fam&iacute;lias que se podem reconhecer nesta triste realidade. Quase todos os dias, a televis&atilde;o e os jornais d&atilde;o not&iacute;cias de refugiados que fogem da fome, da guerra e doutros perigos graves, em busca de seguran&ccedil;a e duma vida digna para si e para as suas fam&iacute;lias&raquo; (Francisco, <i> <a href="http://www.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2013/documents/papa-francesco_angelus_20131229.html">Angelus</a></i>, 29/XII/2013). Em cada um deles, est&aacute; presente Jesus, for&ccedil;ado – como no tempo de Herodes – a fugir para Se salvar. Nos seus rostos, somos chamados a reconhecer o rosto de Cristo faminto, sedento, nu, doente, forasteiro e encarcerado que nos interpela (cf. <i>Mt</i> 25, 31-46). Se O reconhecermos, seremos n&oacute;s a agradecer-Lhe por O termos podido encontrar, amar e servir.</p> 
<p>As pessoas deslocadas proporcionam-nos esta oportunidade de encontrar o Senhor, &laquo;mesmo que os nossos olhos sintam dificuldade em O reconhecer: com as vestes rasgadas, com os p&eacute;s sujos, com o rosto desfigurado, o corpo chagado, incapaz de falar a nossa l&iacute;ngua&raquo; (Francisco, <i> <a href="http://www.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2019/documents/papa-francesco_20190215_omelia-sacrofano.html">Homilia</a></i>, 15/II/2019). &Eacute; um desafio pastoral ao qual somos chamados a responder com os quatro verbos que indiquei na <a href="http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/migration/documents/papa-francesco_20170815_world-migrants-day-2018.html">Mensagem para este mesmo Dia de 2018</a>: acolher, proteger, promover e integrar. A eles, gostaria agora de acrescentar seis pares de verbos que traduzem a&ccedil;&otilde;es muito concretas, interligadas numa rela&ccedil;&atilde;o de causa-efeito.</p> 
<p>&Eacute; preciso <i>conhecer</i> para <i>compreender</i>. O conhecimento &eacute; um passo necess&aacute;rio para a compreens&atilde;o do outro. Assim no-lo ensina o pr&oacute;prio Jesus no epis&oacute;dio dos disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s:&laquo;Enquanto [estes] conversavam e discutiam, aproximou-Se deles o pr&oacute;prio Jesus e p&ocirc;s-Se com eles a caminho; os seus olhos, por&eacute;m, estavam impedidos de O reconhecer&raquo; (<i>Lc</i> 24, 15-16). Frequentemente, quando falamos de migrantes e deslocados, limitamo-nos &agrave; quest&atilde;o do seu n&uacute;mero. Mas n&atilde;o se trata de n&uacute;meros; trata-se de pessoas! Se as encontrarmos, chegaremos a conhec&ecirc;-las. E conhecendo as suas hist&oacute;rias, conseguiremos compreender. Poderemos compreender, por exemplo, que a precariedade, que estamos dolorosamente a experimentar por causa da pandemia, &eacute; um elemento constante na vida dos deslocados.</p> 
<p>&Eacute; necess&aacute;rio <i>aproximar-se</i> para <i>servir</i>. Parece &oacute;bvio, mas muitas vezes n&atilde;o o &eacute;. &laquo;Um samaritano, que ia de viagem, chegou ao p&eacute; dele [do homem espancado e deixado meio-morto] e, vendo-o, encheu-se de compaix&atilde;o. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua pr&oacute;pria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele&raquo; (<i>Lc</i> 10, 33-34). Os receios e os preconceitos – tantos preconceitos – mant&ecirc;m-nos afastados dos outros e, muitas vezes, impedem de &laquo;nos aproximarmos&raquo; deles para os servir com amor. Abeirar-se do pr&oacute;ximo frequentemente significa estar dispostos a correr riscos, como muitos m&eacute;dicos e enfermeiros nos ensinaram nos &uacute;ltimos meses. Aproximar-se para servir vai al&eacute;m do puro sentido do dever; o maior exemplo disto, deixou-no-lo Jesus, quando lavou os p&eacute;s dos seus disc&iacute;pulos: tirou o manto, ajoelhou-Se e p&ocirc;s m&atilde;os ao humilde servi&ccedil;o<i> </i>(cf. <i>Jo</i> 13, 1-15).</p> 
<p>Para <i>reconciliar-se</i> &eacute; preciso <i>escutar</i>. No-lo ensina o pr&oacute;prio Deus que quis escutar o gemido da humanidade com ouvidos humanos, enviando o seu Filho ao mundo: &laquo;Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unig&eacute;nito, (…) para que o mundo seja salvo por Ele&raquo; (<i>Jo</i> 3, 16.17). O amor, que reconcilia e salva, come&ccedil;a pela escuta. No mundo de hoje, multiplicam-se as mensagens, mas vai-se perdendo a atitude de escutar. &Eacute; somente atrav&eacute;s da escuta humilde e atenta que podemos chegar verdadeiramente a reconciliar-nos. Durante semanas neste ano de 2020, reinou o sil&ecirc;ncio nas nossas ruas; um sil&ecirc;ncio dram&aacute;tico e inquietante, mas que nos deu ocasi&atilde;o para ouvir o clamor dos mais vulner&aacute;veis, dos deslocados e do nosso planeta gravemente enfermo. E, escutando, temos a oportunidade de nos reconciliar com o pr&oacute;ximo, com tantas pessoas descartadas, connosco e com Deus, que nunca Se cansa de nos oferecer a sua miseric&oacute;rdia.</p> 
<p>Para <i>crescer</i> &eacute; necess&aacute;rio <i>partilhar</i>. A primeira comunidade crist&atilde; teve, na partilha, um dos seus elementos basilares: &laquo;A multid&atilde;o dos que haviam abra&ccedil;ado a f&eacute; tinha um s&oacute; cora&ccedil;&atilde;o e uma s&oacute; alma. Ningu&eacute;m chamava seu ao que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum&raquo; (<i>At</i> 4, 32). Deus n&atilde;o queria que os recursos do nosso planeta beneficiassem apenas alguns. N&atilde;o, o Senhor n&atilde;o queria isso! Devemos aprender a partilhar para crescermos juntos, sem deixar ningu&eacute;m de fora. A pandemia veio-nos recordar que estamos todos no mesmo barco. O facto de nos depararmos com preocupa&ccedil;&otilde;es e temores comuns demonstrou-nos mais uma vez que ningu&eacute;m se salva sozinho. Para crescer verdadeiramente, devemos crescer juntos, partilhando o que temos, como aquele rapazito que ofereceu a Jesus cinco p&atilde;es de cevada e dois peixes (cf. <i>Jo</i> 6, 1-15); e foram suficientes para cinco mil pessoas…</p> 
<p>&Eacute; preciso <i>coenvolver</i> para <i>promover</i>. Efetivamente, assim procedeu Jesus com a mulher samaritana (cf. <i>Jo</i> 4, 1-30). O Senhor aproxima-Se, escuta-a, fala-lhe ao cora&ccedil;&atilde;o, para ent&atilde;o a guiar at&eacute; &agrave; verdade e torn&aacute;-la anunciadora da boa nova: &laquo;Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz! N&atilde;o ser&aacute; Ele o Messias?&raquo; (4, 29). Por vezes, o &iacute;mpeto de servir os outros impede-nos de ver a sua riqueza &iacute;ntima. Se queremos verdadeiramente promover as pessoas a quem oferecemos ajuda, devemos coenvolv&ecirc;-las e torn&aacute;-las protagonistas da sua promo&ccedil;&atilde;o. A pandemia recordou-nos como &eacute; essencial a corresponsabilidade, pois s&oacute; foi poss&iacute;vel enfrentar a crise com a contribui&ccedil;&atilde;o de todos, mesmo de categorias frequentemente subestimadas. Devemos &laquo;encontrar a coragem de abrir espa&ccedil;os onde todos possam sentir-se chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade&raquo; (Francisco, <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/3/27/uniti-in-preghiera.html">Medita&ccedil;&atilde;o na Pra&ccedil;a de S&atilde;o Pedro</a></i>, 27/III/2020). </p> 
<p>&Eacute; necess&aacute;rio <i>colaborar</i> para <i>construir</i>. Isto mesmo recomenda o ap&oacute;stolo Paulo &agrave; comunidade de Corinto:&laquo;Pe&ccedil;o-vos, irm&atilde;os, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que estejais todos de acordo e que n&atilde;o haja divis&otilde;es entre v&oacute;s; permanecei unidos num mesmo esp&iacute;rito e num mesmo pensamento&raquo; (<i>1 Cor</i> 1, 10). A constru&ccedil;&atilde;o do Reino de Deus &eacute; um compromisso comum a todos os crist&atilde;os e, para isso, &eacute; necess&aacute;rio que aprendamos a colaborar, sem nos deixarmos tentar por invejas, disc&oacute;rdias e divis&otilde;es. No contexto atual, n&atilde;o posso deixar de reiterar que &laquo;este n&atilde;o &eacute; tempo para ego&iacute;smos, pois o desafio que enfrentamos nos une a todos e n&atilde;o faz distin&ccedil;&atilde;o de pessoas&raquo; (Francisco, <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/urbi/documents/papa-francesco_20200412_urbi-et-orbi-pasqua.html">Mensagem Urbi et Orbi</a></i>, 12/IV/2020). Para salvaguardar a Casa Comum e torn&aacute;-la cada vez mais parecida com o plano original de Deus, devemos empenhar-nos em garantir a coopera&ccedil;&atilde;o internacional, a solidariedade global e o compromisso local, sem deixar ningu&eacute;m de fora.</p> 
<p>Quero concluir com uma ora&ccedil;&atilde;o inspirada no exemplo de S&atilde;o Jos&eacute;, particularmente quando foi for&ccedil;ado a fugir para o Egito a fim de salvar o Menino:</p> 
<p><i>&laquo;Pai, confiastes a S&atilde;o Jos&eacute; o que t&iacute;nheis de mais precioso: o Menino Jesus e sua m&atilde;e, para os proteger de perigos e amea&ccedil;as dos malvados.</i></p> 
<p><i>Concedei-nos, tamb&eacute;m a n&oacute;s, a gra&ccedil;a de experimentar a sua prote&ccedil;&atilde;o e ajuda. Tendo ele provado o sofrimento de quem foge por causa do &oacute;dio dos poderosos, fazei que possa confortar e proteger todos os irm&atilde;os e irm&atilde;s que, for&ccedil;ados por guerras, pobreza e car&ecirc;ncias, deixam a sua casa e a sua terra a fim de se lan&ccedil;arem ao caminho como refugiados rumo a lugares mais seguros.</i></p> 
<p><i>Ajudai-os, pela sua intercess&atilde;o, a terem for&ccedil;a para prosseguir, conforto na tristeza, coragem na prova&ccedil;&atilde;o.</i></p> 
<p><i>Dai a quem os recebe um pouco da ternura deste pai justo e s&aacute;bio, que amou Jesus como um verdadeiro filho e amparou Maria ao longo do caminho.</i></p> 
<p><i>Ele, que ganhou o p&atilde;o com o trabalho das suas m&atilde;os, possa prover &agrave;queles a quem a vida tudo levou, dando-lhes a dignidade dum trabalho e a serenidade duma casa.</i></p> 
<p><i>N&oacute;s Vo-lo pedimos por Jesus Cristo, vosso Filho, que S&atilde;o Jos&eacute; salvou fugindo para o Egito, e por intercess&atilde;o da Virgem Maria, a quem ele amou como esposo fiel segundo a vossa vontade. Amen&raquo;.</i></p> 
<p>Roma, em S&atilde;o Jo&atilde;o de Latr&atilde;o, na Mem&oacute;ria de Nossa Senhora de F&aacute;tima, 13 de maio de 2020.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><b>Francisco</b></p>]]></description></item><item><title><![CDATA[O permanecer recíproco entre a videira e os ramos (13 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Wed, 13 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200513_come-itralci-e-lavite.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200513_come-itralci-e-lavite.html</guid><description><![CDATA[<!-- Wed, 13 May 2020 11:52:32 +0200 --> <font color="#663300"> <p align="center">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</p> </font>
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i></font></p>
<p align="center"> <b> <font color="#663300" size="4">&nbsp;“O <i>permanecer rec&iacute;proco</i> entre a videira e os ramos”</font></b></p>
<p align="center"> <font color="#663300"><i>Quarta-feira, 13 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/13/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Oremos hoje pelos estudantes, pelos jovens que estudam e pelos professores que devem encontrar novas modalidades para dar continuidade ao ensino: que o Senhor os ajude neste caminho, que lhes d&ecirc; coragem e tamb&eacute;m bom sucesso.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>O Senhor volta para “permanecer nele”, e diz-nos: “A vida crist&atilde; &eacute; permanecer em mim”. <i>Permanecer</i>. E aqui usa a imagem da videira, como os ramos permanecem na videira (cf. <i>Jo </i>15, 1-8). E este permanecer n&atilde;o &eacute; passivo, um adormecer no Senhor: seria talvez um “sono beat&iacute;fico”; mas n&atilde;o &eacute; assim. Este <i>permanecer</i> &eacute; ativo e tamb&eacute;m rec&iacute;proco. Porqu&ecirc;? Porque Ele diz: &laquo;Permanecei em mim e Eu em v&oacute;s&raquo; (v. 4). Ele tamb&eacute;m permanece em n&oacute;s, n&atilde;o s&oacute; n&oacute;s nele. Trata-se de um permanecer <i>rec&iacute;proco</i>. E noutro trecho diz: &laquo;Eu e o Pai viremos a ele e habitaremos nele&raquo; (<i>Jo </i>14, 23). &Eacute; um mist&eacute;rio, mas um mist&eacute;rio de vida, um mist&eacute;rio muito bonito. Este <i>permanecer rec&iacute;proco</i>. E tamb&eacute;m com o exemplo dos ramos: &eacute; verdade, sem a videira os ramos nada podem fazer, pois n&atilde;o recebem a seiva, e precisam da seiva para crescer e dar fruto. Mas tamb&eacute;m a &aacute;rvore, a videira, precisa dos ramos, porque os frutos n&atilde;o est&atilde;o ligados &agrave; &aacute;rvore, &agrave; videira. &Eacute; uma necessidade rec&iacute;proca, &eacute; um permanecer m&uacute;tuo para dar fruto.</p> 
<p>E esta &eacute; a vida crist&atilde;: &eacute; verdade, a vida crist&atilde; consiste em cumprir os mandamentos (cf. <i>&Ecirc;x </i>20, 1-11), &eacute; isto que se deve fazer. A vida crist&atilde; consiste em percorrer o caminho das bem-aventuran&ccedil;as (cf. <i>Mt </i>5, 1-13): &eacute; assim que se deve fazer. A vida crist&atilde; consiste em&nbsp; fazer obras de miseric&oacute;rdia, como o Senhor nos ensina no Evangelho (cf. <i>Mt </i>25, 35-36): &eacute; assim que se deve fazer. Mas ainda mais: &eacute; este <i>permanecer rec&iacute;proco</i>. Sem Jesus nada podemos fazer, como os ramos sem a videira. E Ele - que o Senhor me permita diz&ecirc;-lo - sem n&oacute;s parece que nada pode fazer, pois o fruto &eacute; dado pelo ramo, n&atilde;o pela &aacute;rvore, pela videira. Nesta comunidade, nesta intimidade de “permanecer” que &eacute; fecunda, o Pai e Jesus permanecem em mim e eu neles. </p> 
<p>E qual &eacute; – vem-me &agrave; mente - a “necessidade” que a videira tem dos ramos? &Eacute; dar frutos. Qual &eacute; a “necessidade” - digamos assim, com um pouco de aud&aacute;cia - qual &eacute; a “necessidade” que Jesus tem de n&oacute;s? <i>O testemunho</i>. Quando no Evangelho diz que somos luz, afirma: &laquo;Sede luz, para que os homens “vejam as vossas boas obras e deem gl&oacute;ria ao vosso Pai” (<i>Mt </i>5, 16)&raquo;, ou seja, o testemunho &eacute; a necessidade que Jesus tem de n&oacute;s. Dar testemunho do seu nome, pois a f&eacute;, o Evangelho, cresce pelo testemunho.</p> 
<p>Este &eacute; um modo misterioso: Jesus glorificado no c&eacute;u, depois de ter passado pela Paix&atilde;o, precisa do nosso testemunho para fazer crescer, para anunciar, para que a Igreja cres&ccedil;a. E este &eacute; o mist&eacute;rio rec&iacute;proco do “permanecer”. Ele, o Pai e o Esp&iacute;rito permanecem em n&oacute;s, e n&oacute;s permanecemos em Jesus.</p> 
<p>Far-nos-&aacute; bem pensar e refletir sobre isto: permanecer em Jesus; e Jesus permanece em n&oacute;s. Permanecer em Jesus para ter a seiva, a for&ccedil;a, a justifica&ccedil;&atilde;o, a gratuidade, a fecundidade. E Ele permanece em n&oacute;s para nos dar a for&ccedil;a de [dar] fruto (cf. <i>Jo </i>5, 15), para nos dar a for&ccedil;a do testemunho com o qual a Igreja cresce.</p> 
<p>E interrogo-me: qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre Jesus que permanece em mim e eu que permane&ccedil;o nele? &Eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o de intimidade, uma rela&ccedil;&atilde;o m&iacute;stica, uma rela&ccedil;&atilde;o sem palavras. “Mas padre, isto &eacute; para os m&iacute;sticos!”. N&atilde;o, isto &eacute; para todos n&oacute;s. Com pequenos pensamentos: “Senhor, sei que Tu est&aacute;s aqui [em mim]: d&aacute;-me for&ccedil;a e farei o que Tu me disseres!”. Este di&aacute;logo de intimidade com o Senhor. O Senhor est&aacute; <i>presente</i>, o Senhor est&aacute; presente em n&oacute;s, o Pai est&aacute; presente em n&oacute;s, o Esp&iacute;rito est&aacute; presente em n&oacute;s; permanecem em n&oacute;s. Mas devo permanecer neles...</p> 
<p>Que o Senhor nos ajude a compreender, a sentir esta m&iacute;stica do <i>permanecer</i>, sobre a qual Jesus insiste tanto, tanto, tanto! Muitas vezes n&oacute;s, quando falamos da videira e dos ramos, detemo-nos na figura, na profiss&atilde;o do agricultor, do Pai: que aquele [o ramo] que d&aacute; fruto &eacute; cortado, isto &eacute;, podado, e aquele que n&atilde;o o d&aacute; &eacute; cortado e lan&ccedil;ado&nbsp; fora (cf. <i>Jo </i>15, 1-2). &Eacute; verdade, faz isto, mas n&atilde;o &eacute; tudo, n&atilde;o. H&aacute; algo mais. Esta &eacute; a ajuda: as prova&ccedil;&otilde;es, as dificuldades da vida, at&eacute; as corre&ccedil;&otilde;es que o Senhor nos faz. Mas n&atilde;o paremos aqui. Entre a videira e os ramos existe este <i>permanecer</i> &iacute;ntimo. Os ramos, n&oacute;s, precisamos da seiva, a videira tem necessidade dos frutos, do testemunho.</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>As pessoas que n&atilde;o podem receber a Eucaristia, agora fazem a Comunh&atilde;o espiritual</p> 
<p>Meu Jesus, creio que estais presente no Sant&iacute;ssimo Sacramento. Amo-vos acima de tudo e a minha alma suspira por V&oacute;s. Mas dado que agora n&atilde;o posso receber-vos no Sant&iacute;ssimo Sacramento, vinde, pelo menos espiritualmente, ao meu cora&ccedil;&atilde;o. Abra&ccedil;o-vos come se j&aacute; estiv&eacute;sseis comigo: uno-me inteiramente a V&oacute;s. Ah! N&atilde;o permitais que eu volte a separar-me de V&oacute;s!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Mensagem do Santo Padre a Enfermeiros e Obstetras no Dia Internacional da Enfermeira (12 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Tue, 12 May 2020 12:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2020/documents/papa-francesco_20200512_messaggio-giornata-infermiere.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2020/documents/papa-francesco_20200512_messaggio-giornata-infermiere.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 12 May 2020 11:51:18 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300"><b><font size="4"><i>MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO<br /> A ENFERMEIROS E OBSTETRAS NO DIA INTERNACIONAL DA ENFERMEIRA</i></font></b></font></p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Celebramos hoje o Dia Internacional da Enfermeira, no contexto do Ano Internacional da Enfermeira e da Obstetra, proclamado pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de. Neste mesmo dia, recordamos tamb&eacute;m o bicenten&aacute;rio do nascimento de Florence Nightingale, que deu in&iacute;cio &agrave; enfermagem moderna.</p> 
<p>Neste momento hist&oacute;rico, marcado pela emerg&ecirc;ncia sanit&aacute;ria mundial provocada pela pandemia do v&iacute;rus Covid-19, redescobrimos o papel de import&acirc;ncia fundamental que desempenha a pessoa do enfermeiro, como tamb&eacute;m a da obstetra. Diariamente assistimos ao testemunho de coragem e sacrif&iacute;cio dos profissionais de sa&uacute;de, nomeadamente enfermeiras e enfermeiros, que, com profissionalismo, abnega&ccedil;&atilde;o, sentido de responsabilidade e amor ao pr&oacute;ximo, prestam assist&ecirc;ncia &agrave;s pessoas afetadas pelo v&iacute;rus, com risco da pr&oacute;pria sa&uacute;de. Prova disso mesmo &eacute; o alto n&uacute;mero de profissionais de sa&uacute;de que, infelizmente, morreram no fiel cumprimento do seu servi&ccedil;o. Rezo por eles – o Senhor conhece-os por nome um a um – e por todas as v&iacute;timas desta epidemia. O Senhor ressuscitado conceda a cada um a luz do Para&iacute;so e, &agrave;s suas fam&iacute;lias, o conforto da f&eacute;.</p> 
<p>Os enfermeiros sempre tiveram papel central na assist&ecirc;ncia sanit&aacute;ria. No contacto di&aacute;rio com os doentes, fazem experi&ecirc;ncia do trauma que o sofrimento provoca na vida duma pessoa. S&atilde;o homens e mulheres que optaram por dizer &laquo;sim&raquo; a uma voca&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica: ser bons samaritanos que se ocupam da vida e das feridas do pr&oacute;ximo. Guardi&otilde;es e servidores da vida, ao mesmo tempo que ministram as terapias necess&aacute;rias, infundem coragem, esperan&ccedil;a e confian&ccedil;a<a name="_ftnref1" title="" href="#_ftn1">[1]</a>.</p> 
<p>Queridas enfermeiras, queridos enfermeiros, a responsabilidade moral guie o vosso profissionalismo, que n&atilde;o se h&aacute; de limitar aos conhecimentos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos, mas aparecer constantemente iluminado pela rela&ccedil;&atilde;o humana e humanizadora com o doente. &laquo;Ocupando-vos de mulheres e homens, crian&ccedil;as e idosos, em cada fase da sua vida, do nascimento &agrave; morte, estais comprometidos numa escuta cont&iacute;nua, destinada a compreender as exig&ecirc;ncias daquele doente, na fase que est&aacute; a atravessar. Com efeito, diante da singularidade de cada situa&ccedil;&atilde;o, nunca &eacute; suficiente seguir um protocolo, mas &eacute; exigido um cont&iacute;nuo – e cansativo! – esfor&ccedil;o de discernimento e de aten&ccedil;&atilde;o a cada pessoa&raquo;<a name="_ftnref2" title="" href="#_ftn2">[2]</a>. </p> 
<p>V&oacute;s, assim como as obstetras, estais junto da pessoa nos momentos cruciais da sua exist&ecirc;ncia – o nascimento e a morte, a doen&ccedil;a e a cura –, para a ajudar a superar as situa&ccedil;&otilde;es mais traum&aacute;ticas. &Agrave;s vezes encontrais-vos ao lado dela quando est&aacute; a morrer, oferecendo-lhe conforto e al&iacute;vio nos &uacute;ltimos momentos. Por esta vossa dedica&ccedil;&atilde;o, estais entre &laquo;os santos de ao p&eacute; da porta&raquo;<a name="_ftnref3" title="" href="#_ftn3">[3]</a>. Sois imagem daquela Igreja &laquo;hospital de campanha&raquo; que d&aacute; continuidade &agrave; miss&atilde;o de Jesus Cristo: Ele aproximou-Se e curou pessoas que sofriam de todo o g&eacute;nero de males e ajoelhou-Se a lavar os p&eacute;s dos seus disc&iacute;pulos. Obrigado por este vosso servi&ccedil;o &agrave; humanidade!</p> 
<p>Em v&aacute;rios pa&iacute;ses, a pandemia fez vir &agrave; luz tamb&eacute;m muitas car&ecirc;ncias a n&iacute;vel da assist&ecirc;ncia sanit&aacute;ria. Por isso, apelo aos Respons&aacute;veis das na&ccedil;&otilde;es de todo o mundo para que invistam neste bem comum prim&aacute;rio que &eacute; a sa&uacute;de, refor&ccedil;ando as estruturas e empregando mais enfermeiros, para se garantir a todos um atendimento adequado, no respeito pela dignidade de cada pessoa. &Eacute; importante reconhecer, com factos, o papel essencial que desempenha esta profiss&atilde;o no cuidado dos pacientes, nas atividades territoriais de emerg&ecirc;ncia, na preven&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as, na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, na assist&ecirc;ncia aos setores familiar, comunit&aacute;rio e escolar.</p> 
<p>Os enfermeiros e as enfermeiras, bem como as obstetras, t&ecirc;m direito e merecem ser melhor valorizados e coenvolvidos nos processos que dizem respeito &agrave; sa&uacute;de das pessoas e da comunidade. Est&aacute; comprovado que investir neles melhora os resultados em termos de assist&ecirc;ncia e sa&uacute;de geral. Portanto, &eacute; necess&aacute;rio elevar o seu perfil profissional, fornecendo instrumentos adequados para a sua forma&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel cient&iacute;fico, humano, psicol&oacute;gico e espiritual, bem como melhorar as suas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e garantir os seus direitos, para que possam desempenhar com toda a dignidade o seu servi&ccedil;o.</p> 
<p>Neste sentido, cabe uma fun&ccedil;&atilde;o importante &agrave;s Associa&ccedil;&otilde;es dos profissionais de sa&uacute;de, que, al&eacute;m de oferecer uma forma&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica, acompanham individualmente os respetivos aderentes, fazendo-os sentir-se parte dum &uacute;nico corpo e n&atilde;o os deixando jamais perdidos e sozinhos perante os desafios &eacute;ticos, econ&oacute;micos e humanos que a profiss&atilde;o comporta.</p> 
<p>Agora dirigindo-me de forma particular &agrave;s obstetras, que prestam assist&ecirc;ncia &agrave;s mulheres gr&aacute;vidas e as ajudam a dar &agrave; luz os seus filhos, digo: o vosso trabalho conta-se entre os mais nobres que h&aacute;, consagrado como est&aacute; diretamente ao servi&ccedil;o da vida e da maternidade. Na B&iacute;blia, quase ao in&iacute;cio do livro do &Ecirc;xodo (cf. 1, 15-21), ficaram imortalizados os nomes de duas parteiras heroicas: Chifra e Pua. Tamb&eacute;m hoje vos olha com gratid&atilde;o o Pai celeste.</p> 
<p>Queridos enfermeiros, queridas enfermeiras e obstetras, que esta ocorr&ecirc;ncia coloque no centro a dignidade do vosso trabalho, em benef&iacute;cio da sa&uacute;de da sociedade inteira. Por v&oacute;s, pelas vossas fam&iacute;lias e por quantos assistis e cuidais, asseguro a minha ora&ccedil;&atilde;o e, de cora&ccedil;&atilde;o, concedo a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica.</p> 
<p><i>Roma, em S&atilde;o Jo&atilde;o de Latr&atilde;o, 12 de maio de 2020.</i></p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><b>Francisco</b></p> &nbsp;
<hr align="left" size="1" width="33%" /> 
<p><a name="_ftn1" title="" href="#_ftnref1">[1]</a> Cf. <i>Nova Carta dos Profissionais de Sa&uacute;de</i>, nn. 1-8.</p> 
<p><a name="_ftn2" title="" href="#_ftnref2">[2]</a> Francisco, <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2018/march/documents/papa-francesco_20180303_ipasvi.html">Discurso aos membros da Federa&ccedil;&atilde;o Italiana das Ordens das Profiss&otilde;es de Enfermagem</a></i>, 3/III/2018.</p> 
<p><a name="_ftn3" title="" href="#_ftnref3">[3]</a> Francisco, <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2020/documents/papa-francesco_20200409_omelia-coenadomini.html">Homilia na Missa da Ceia do Senhor</a></i>, 09/IV/2020.</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Como dá a paz o mundo e como  dá a paz o Senhor? (12 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Tue, 12 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200512_con-lapace-delcuore.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200512_con-lapace-delcuore.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 12 May 2020 11:44:27 +0200 --> <font color="#663300"> <p align="center">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</p> </font>
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i> </font> </p>
<p align="center"> <b><font size="4" color="#663300">“Como d&aacute; a paz o mundo e como d&aacute; a paz o Senhor?” </font></b> </p> 
<p align="center"><i><font color="#663300"> Ter&ccedil;a-feira,</font></i><font color="#663300"><i> 12 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/12/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Hoje &eacute; o dia dos enfermeiros. Enviei ontem uma mensagem. Rezemos hoje pelos enfermeiros e enfermeiras, homens, mulheres, rapazes e mo&ccedil;as que exercem esta profiss&atilde;o, que mais do que uma profiss&atilde;o, &eacute; uma voca&ccedil;&atilde;o, uma dedica&ccedil;&atilde;o. Que o Senhor os aben&ccedil;oe. Nesta &eacute;poca da pandemia, deram um exemplo de hero&iacute;smo e alguns perderam a vida. Rezemos pelos enfermeiros e enfermeiras.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>Antes de partir, o Senhor sa&uacute;da os seus e concede o dom da paz (cf. <i>Jo</i> 14, 27-31), a paz do Senhor: &laquo;Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; n&atilde;o vo-la dou como o mundo a d&aacute;&raquo; (v. 27). N&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de paz universal, essa paz sem guerra que todos queremos que haja sempre, mas paz de cora&ccedil;&atilde;o, paz de alma, paz que cada um de n&oacute;s tem dentro de si. E o Senhor concede-a, mas sublinha: &laquo;n&atilde;o como o mundo a d&aacute;&raquo; (v. 27). Como d&aacute; a paz o mundo e como a d&aacute; o Senhor? Ser&atilde;o pazes diferentes? Sim, s&atilde;o. </p> 
<p>O mundo d&aacute;-te “paz interior”, estamos a falar disto, da paz da tua vida, deste viver com “o cora&ccedil;&atilde;o em paz”. D&aacute;-te paz interior como uma tua posse, como algo que &eacute; teu e te isola dos outros, mant&eacute;m-te em ti mesmo, &eacute; uma aquisi&ccedil;&atilde;o tua: eu tenho paz. E sem perceber, fechas-te nesta paz, &eacute; uma paz para ti, para um, para cada um; &eacute; uma paz sozinha, &eacute; uma paz que te deixa calmo, at&eacute; feliz. E nesta tranquilidade, nesta felicidade, p&otilde;e-te a dormir um pouco, anestesia-te e faz-te ficar contigo mesmo numa certa tranquilidade. &Eacute; um pouco ego&iacute;sta: paz para mim, fechado dentro de mim. &Eacute; assim que o mundo a d&aacute; (cf. v. 27). &Eacute; uma paz dispendiosa porque temos de mudar constantemente os “instrumentos da paz”: quando uma coisa te entusiasma d&aacute;-te paz, depois acaba e tens de encontrar outra... &Eacute; dispendiosa porque &eacute; <i>provis&oacute;ria e est&eacute;ril</i>.</p> 
<p>Ao contr&aacute;rio, a paz que Jesus d&aacute; &eacute; algo mais. &Eacute; uma paz que vos p&otilde;e em <i> movimento</i>: n&atilde;o vos isola, p&otilde;e-vos em movimento, faz-vos ir ter com os outros, cria comunidade, cria comunica&ccedil;&atilde;o. A paz do mundo &eacute; dispendiosa, a paz de Jesus &eacute; gratuita, &eacute; gr&aacute;tis; &eacute; um <i>dom</i> do Senhor: a paz do Senhor. &Eacute; fecunda, leva-nos sempre em frente. </p> 
<p>Um exemplo do Evangelho que me faz pensar em que consiste a paz do mundo, &eacute; o daquele senhor que tinha celeiros cheios e a colheita daquele ano parecia ser muito abundante, ent&atilde;o pensou: “Mas terei de construir outros armaz&eacute;ns, outros celeiros para a conter e depois ficarei tranquilo... &eacute; a minha tranquilidade, com isto posso viver em paz”. “Insensato, diz Deus, esta noite morrer&aacute;s” (cf. <i>Lc</i> 12, 13-21). &Eacute; uma paz imanente, que n&atilde;o te abre a porta &agrave; vida ap&oacute;s a morte. Ao contr&aacute;rio, a paz do Senhor &eacute; aberta, para onde Ele foi, aberta para o C&eacute;u, aberta para o Para&iacute;so. &Eacute; uma paz fecunda que se abre e tamb&eacute;m leva outros contigo para o Para&iacute;so. </p> 
<p>Penso que nos ajudar&aacute; refletir um pouco: qual &eacute; a minha paz, onde encontro a paz? Nas coisas, no bem-estar, nas viagens - mas agora, hoje, n&atilde;o se pode viajar - nos bens, em muitas coisas, ou ser&aacute; que encontro a paz como um dom do Senhor? &Eacute; preciso <i> pagar</i> pela paz, ou recebo-a gratuitamente do Senhor? Como &eacute; a minha paz? Quando me falta alguma coisa, fico zangado? Esta n&atilde;o &eacute; a paz do Senhor. Esta &eacute; uma das provas. Estou tranquilo na minha paz, “adorme&ccedil;o”? N&atilde;o &eacute; do Senhor. Estou em paz e quero comunic&aacute;-la aos outros e levar algo em frente? Esta &eacute; a paz do Senhor! Mesmo em tempos negativos e dif&iacute;ceis, esta paz permanece em mim? &Eacute; do Senhor. E a paz do Senhor &eacute; <i>fecunda</i> tamb&eacute;m para mim, porque &eacute; cheia de esperan&ccedil;a, isto &eacute;, olha para o C&eacute;u. </p> 
<p>Ontem - perdoai-me se digo estas coisas mas fazem parte da vida, e fazem-me bem - ontem recebi uma carta de um sacerdote, um bom padre, e ele disse-me que eu falava pouco do C&eacute;u, que deveria falar mais. Ele tem raz&atilde;o, tem raz&atilde;o. &Eacute; por isso que hoje quis salientar que a paz, esta paz que Jesus nos d&aacute;, &eacute; uma paz para agora e para o futuro. &Eacute; come&ccedil;ar a viver o C&eacute;u, com a fecundidade do C&eacute;u. N&atilde;o se trata de anestesia. A outra, sim: anestesia-te com as coisas do mundo e quando a dose desta anestesia acaba, procuras outra paz, outra, e outra... Esta &eacute; uma paz <i>definitiva</i>, fecunda e at&eacute; contagiosa. N&atilde;o &eacute; narcisista, porque olha sempre para o Senhor. A outra faz com que olhes para ti,&nbsp; &eacute; um pouco narcisista.</p> 
<p>Que o Senhor nos conceda esta paz cheia de esperan&ccedil;a, que nos torna fecundos, que nos torna comunicativos com os outros, que cria comunidade e que olha sempre para a paz definitiva do Para&iacute;so.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[O Espírito ensina-nos tudo, introduz-nos no mistério, faz-nos recordar e discernir (11 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Mon, 11 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200511_lospirito-donodidio.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200511_lospirito-donodidio.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 12 May 2020 08:48:39 +0200 --> <font color="#663300"> <p align="center">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</p> <p align="center"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i></p><p align="center"><b> <font size="4" color="#663300"> “O Esp&iacute;rito ensina-nos tudo, introduz-nos no mist&eacute;rio, <br /> faz-nos recordar e discernir”</font></b> </p><p align="center"><i>Segunda-feira, 11 de maio de 2020</i></p> <p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/11/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Unamo-nos hoje aos fi&eacute;is de Termoli, na festa da Descoberta do corpo de S&atilde;o Tim&oacute;teo. Nestes dias, muitas pessoas perderam o trabalho; n&atilde;o foram readmitidas,&nbsp; trabalhavam sem contrato... Rezemos por estes nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s que sofrem por causa desta falta de trabalho.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>O trecho do Evangelho de hoje &eacute; [tirado da] despedida de Jesus durante a Ceia (cf. <i>Jo </i>14, 21-26). O Senhor conclui com estes vers&iacute;culos: &laquo;Eu disse-vos estas coisas, enquanto estou convosco. Mas o Consolador, o Esp&iacute;rito Santo, que o Pai enviar&aacute; em meu nome, ensinar-vos-&aacute; todas as coisas e recordar-vos-&aacute; tudo o que vos tenho dito&raquo; (vv. 25-26). &Eacute; a promessa do Esp&iacute;rito Santo; o Esp&iacute;rito Santo que habita connosco e que o Pai e o Filho enviam. &laquo;O Pai enviar&aacute; em meu nome&raquo;, disse Jesus, para nos acompanhar na vida. E chamam-lhe <i>Par&aacute;clito</i>. Esta &eacute; a tarefa do Esp&iacute;rito Santo. Em grego, &eacute; o Par&aacute;clito que nos sustenta, que nos ampara para n&atilde;o cairmos, que nos mant&eacute;m firmes, que est&aacute; perto de n&oacute;s para nos apoiar. E o Senhor prometeu-nos esta ajuda, que &eacute; Deus, como Ele: &eacute; o Esp&iacute;rito Santo. O que o Esp&iacute;rito Santo faz em n&oacute;s? O Senhor diz: &laquo;Ele ensinar-vos-&aacute; todas as coisas e recordar-vos-&aacute; tudo o que vos tenho dito&raquo; (cf. v. 26). <i>Ensinar e lembrar</i>. Esta &eacute; a tarefa do Esp&iacute;rito Santo. Ele <i> ensina-nos:</i> ensina-nos o mist&eacute;rio da f&eacute;, ensina-nos a entrar no mist&eacute;rio, a compreender um pouco mais o mist&eacute;rio. Ensina-nos a doutrina de Jesus e a desenvolver a nossa f&eacute; sem cometer erros, porque a doutrina cresce, mas sempre na mesma dire&ccedil;&atilde;o: cresce em compreens&atilde;o. E o Esp&iacute;rito ajuda-nos a crescer na compreens&atilde;o da f&eacute;, a entend&ecirc;-la mais, a compreender o que a f&eacute; diz. A f&eacute; n&atilde;o &eacute; algo est&aacute;tico; a doutrina n&atilde;o &eacute; est&aacute;tica: cresce. Cresce como as &aacute;rvores, sempre as mesmas, mas maiores, com frutos, mas sempre as mesmas, na mesma dire&ccedil;&atilde;o. E o Esp&iacute;rito Santo impede que a doutrina erre, impede que permane&ccedil;a sem crescer em n&oacute;s. Ele ensinar-nos-&aacute; tudo o Jesus nos ensinou, desenvolver&aacute; em n&oacute;s a compreens&atilde;o do que Jesus nos ensinou, far&aacute; com que a doutrina do Senhor cres&ccedil;a em n&oacute;s, at&eacute; &agrave; maturidade.</p> 
<p>Outra coisa que Jesus diz, e que o Esp&iacute;rito Santo faz, &eacute; <i>recordar: </i> &laquo;Recordar&aacute; tudo o que vos tenho dito&raquo; (cf. v. 26). O Esp&iacute;rito Santo &eacute; como a mem&oacute;ria, Ele desperta-nos: “Lembra-te disto, lembra-te daquilo”; mant&eacute;m-nos acordados, sempre atentos sobre as coisas do Senhor e faz-nos recordar tamb&eacute;m a nossa vida: “Pensa neste momento, pensa em quando encontraste o Senhor, pensa em quando deixaste o Senhor”.</p> 
<p>Certa vez ouvi uma pessoa rezar assim diante do Senhor: “Senhor, sou o mesmo que era na inf&acirc;ncia, na meninice, quando tinha estes sonhos. Depois, enveredei pelo caminho errado. Agora chamaste-me”. Sou o mesmo: esta &eacute; a mem&oacute;ria do Esp&iacute;rito Santo na vida da pessoa. Leva-te &agrave; mem&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o, &agrave; mem&oacute;ria do que Jesus te ensinou, mas tamb&eacute;m &agrave; mem&oacute;ria da tua vida. E fez-me pensar - foi isto que o Senhor disse - numa bonita forma de rezar, de olhar para o Senhor: “Sou o mesmo”. Andei muito, cometi tantos erros, mas sou o mesmo e Tu amas-me”. A mem&oacute;ria do caminho da vida.</p> 
<p>E, nesta mem&oacute;ria, o Esp&iacute;rito Santo guia-nos; guia-nos para <i>discernir, </i> para discernir o que devemos fazer agora, qual &eacute; o caminho certo e o errado, mesmo nas pequenas decis&otilde;es. Se pedirmos luz ao Esp&iacute;rito Santo, Ele ajudar-nos-&aacute; a discernir para tomarmos as verdadeiras decis&otilde;es, as pequenas decis&otilde;es de cada dia e as decis&otilde;es mais importantes. &Eacute; Ele que nos acompanha, que nos apoia no discernimento. Ou seja, &eacute; o Esp&iacute;rito que nos ensina tudo, em suma, &eacute; Ele que faz crescer a f&eacute;, que nos introduz no mist&eacute;rio, &eacute; o Esp&iacute;rito que nos recorda. Lembra-nos a f&eacute;, recorda-nos a nossa vida e, neste ensinamento, nesta mem&oacute;ria, &eacute; o Esp&iacute;rito que nos ensina a discernir as decis&otilde;es que devemos tomar. E aqui os Evangelhos d&atilde;o um nome ao Esp&iacute;rito Santo: sim, Par&aacute;clito, porque vos sustenta, mas tamb&eacute;m outro nome mais bonito: <i>&eacute; Dom de Deus. </i>O Esp&iacute;rito &eacute; Dom de Deus. O Esp&iacute;rito &eacute; precisamente o Dom. N&atilde;o vos deixarei sozinhos, enviar-vos-ei um Par&aacute;clito que vos apoiar&aacute; e vos ajudar&aacute; a continuar, a recordar, a discernir e a crescer. O Dom de Deus &eacute; o Esp&iacute;rito Santo.</p> 
<p>Que o Senhor nos ajude a preservar este Dom que Ele nos concedeu no Batismo e que todos n&oacute;s temos dentro! </p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>Meu Jesus, creio que estais presente no Sant&iacute;ssimo Sacramento. Amo-vos acima de tudo e a minha alma suspira por V&oacute;s. Mas dado que agora n&atilde;o posso receber-vos no Sant&iacute;ssimo Sacramento, vinde, pelo menos espiritualmente, ao meu cora&ccedil;&atilde;o. Abra&ccedil;o-vos come se j&aacute; estiv&eacute;sseis comigo: uno-me inteiramente a V&oacute;s. Ah! N&atilde;o permitais que eu volte a separar-me de V&oacute;s!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Regina Caeli, 10 de maio de 2020]]></title><pubDate>Sun, 10 May 2020 12:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2020/documents/papa-francesco_regina-coeli_20200510.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2020/documents/papa-francesco_regina-coeli_20200510.html</guid><description><![CDATA[<!-- Fri, 22 May 2020 12:13:49 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">PAPA FRANCISCO</font></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>REGINA CAELI</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Biblioteca do Pal&aacute;cio Apost&oacute;lico<br /> Domingo, 10 de maio de 2020</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/10/regina-coeli.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>No Evangelho de hoje (cf. <i>Jo</i> 14, 1-12), ouvimos o in&iacute;cio do chamado &laquo;Discurso de despedida&raquo; de Jesus. S&atilde;o as palavras que ele dirigiu aos disc&iacute;pulos no final da &Uacute;ltima Ceia, pouco antes de enfrentar a Paix&atilde;o. Num momento t&atilde;o dram&aacute;tico, Jesus come&ccedil;ou por dizer: &laquo;N&atilde;o se turve o vosso cora&ccedil;&atilde;o&raquo; (v. 1). Ele diz-nos isto tamb&eacute;m a n&oacute;s, nos dramas da vida. Mas como fazer para que o cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se turve? Porque o cora&ccedil;&atilde;o perturba-se.</p> 
<p>O Senhor aponta dois rem&eacute;dios para a perturba&ccedil;&atilde;o. O primeiro &eacute;: &laquo;Crede tamb&eacute;m em mim&raquo; (v. 1). Pareceria um conselho um pouco te&oacute;rico e abstrato. Em vez disso, Jesus quer dizer-nos algo exato. Ele sabe que, na vida, a pior ansiedade, a perturba&ccedil;&atilde;o, vem da sensa&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o estar &agrave; altura, de se sentir sozinho e sem pontos de refer&ecirc;ncia diante do que acontece. Esta ang&uacute;stia, em que a uma dificuldade se junta outra, n&atilde;o pode ser superada sozinha. Precisamos da ajuda de Jesus, e para isso Jesus nos pede para termos <i>f&eacute; n'Ele,</i> ou seja, para n&atilde;o nos apoiarmos em n&oacute;s mesmos, mas n'Ele. Pois a liberta&ccedil;&atilde;o da perturba&ccedil;&atilde;o passa pela confian&ccedil;a. Confiar-nos a Jesus, dar o “salto”. E esta &eacute; a liberta&ccedil;&atilde;o da perturba&ccedil;&atilde;o.<b> </b>E Jesus ressuscitou e vive precisamente para estar sempre ao nosso lado. Ent&atilde;o podemos dizer-lhe: “Jesus, eu creio que ressuscitaste e que est&aacute;s ao meu lado. Penso que me ouves. Apresento-te o que me perturba, os meus problemas: tenho f&eacute; em ti e entrego-me a ti”.</p> 
<p>Depois h&aacute; um segundo rem&eacute;dio para a perturba&ccedil;&atilde;o, que Jesus expressa com estas palavras: &laquo;Na casa do meu Pai h&aacute; muitas moradas. [...] Vou preparar-vos um lugar&raquo; (v. 2). Foi isto que Jesus fez por n&oacute;s: reservou-nos um lugar no C&eacute;u. Ele tomou sobre Si a nossa humanidade para a levar al&eacute;m da morte, para um novo lugar, o C&eacute;u, a fim de que, onde Ele estiver, estejamos n&oacute;s tamb&eacute;m. &Eacute; a certeza que nos consola: h&aacute; um lugar reservado para cada um. Tamb&eacute;m h&aacute; um lugar para mim. Cada um de n&oacute;s pode dizer: h&aacute; um lugar para mim. N&atilde;o vivemos sem meta nem destino. Somos esperados, somos preciosos. Deus est&aacute; apaixonado por n&oacute;s, n&oacute;s somos seus filhos. E para n&oacute;s preparou o lugar mais digno e belo: o Para&iacute;so. N&atilde;o esque&ccedil;amos: a morada que nos espera &eacute; o Para&iacute;so. Aqui estamos de passagem. Somos feitos para o c&eacute;u, para a vida eterna, para viver para sempre. Para sempre: &eacute; algo que agora nem sequer podemos imaginar. Mas &eacute; ainda mais belo pensar que tudo isto ser&aacute;<i> para sempre</i> em alegria, em plena comunh&atilde;o com Deus e com os outros, sem mais l&aacute;grimas, sem rancores, sem divis&otilde;es nem perturba&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>Mas como chegar ao Para&iacute;so? Qual &eacute; o caminho? Esta &eacute; a frase decisiva de Jesus. Hoje ele diz: &laquo;Eu sou o caminho&raquo; (v. 6). Para subir ao C&eacute;u o caminho &eacute; Jesus: &eacute; ter uma rela&ccedil;&atilde;o viva com Ele, imit&aacute;-lo no amor, seguir os seus passos. E eu, crist&atilde;o, tu, crist&atilde;o, cada um de n&oacute;s crist&atilde;os, podemos perguntar a n&oacute;s mesmos: “Que caminho sigo?”. H&aacute; caminhos que n&atilde;o levam ao C&eacute;u: os caminhos da mundanidade, os caminhos da auto-afirma&ccedil;&atilde;o, os caminhos do poder ego&iacute;sta. E h&aacute; o caminho de Jesus, o caminho do amor humilde, da ora&ccedil;&atilde;o, da mansid&atilde;o, da confian&ccedil;a, do servi&ccedil;o aos outros. N&atilde;o &eacute; o caminho do<i> meu protagonismo</i>, &eacute; o caminho de <i>Jesus, protagonista da minha vida</i>. &Eacute; ir em frente todos os dias perguntando-lhe: “Jesus, o que achas desta minha escolha? O que farias nesta situa&ccedil;&atilde;o, com estas pessoas?”. Far-nos-&aacute; bem perguntar a Jesus, que &eacute; o caminho, as indica&ccedil;&otilde;es para o C&eacute;u. Que Nossa Senhora, Rainha do C&eacute;u, nos ajude a seguir Jesus, que abriu o Para&iacute;so para n&oacute;s.</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="75%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Depois do Regina Caeli</b></p> 
<p><i>Estimados irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>O meu pensamento dirige-se hoje &agrave; Europa e &agrave; &Aacute;frica. &Agrave; Europa, por ocasi&atilde;o do 70&ordm; anivers&aacute;rio da Declara&ccedil;&atilde;o Schuman de 9 de maio de 1950. Inspirou o processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia, permitindo a reconcilia&ccedil;&atilde;o dos povos do continente, ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial, e o longo per&iacute;odo de estabilidade e paz de que hoje beneficiamos. O esp&iacute;rito da Declara&ccedil;&atilde;o Schuman n&atilde;o deixe de inspirar todos aqueles que t&ecirc;m responsabilidades na Uni&atilde;o Europeia, chamados a enfrentar as consequ&ecirc;ncias sociais e econ&oacute;micas da pandemia num esp&iacute;rito de harmonia e coopera&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>E o olhar dirige-se tamb&eacute;m &agrave; &Aacute;frica, porque a <a href="http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/1980/documents/hf_jp-ii_hom_19800510_ouagadougou-africa.html">10 de maio de 1980</a>, h&aacute; quarenta anos, S&atilde;o <a href="http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt.html">Jo&atilde;o Paulo II</a>, durante a<a href="http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/travels/1980/travels/documents/trav_africa.html"> sua primeira visita pastoral a esse continente</a>, deu voz ao grito das popula&ccedil;&otilde;es do Sahel, duramente provadas pela seca. Felicito hoje os jovens empenhados na iniciativa “Laudato Si' Alberi”. O objetivo &eacute; plantar pelo menos um milh&atilde;o de &aacute;rvores na regi&atilde;o do Sahel que far&atilde;o parte da “Grande Muralha verde da &Aacute;frica”. Espero que muitos sigam o exemplo de solidariedade destes jovens.</p> 
<p>E hoje, em muitos pa&iacute;ses, celebra-se o Dia das M&atilde;es. Quero recordar todas as m&atilde;es com gratid&atilde;o e afeto, confiando-as &agrave; prote&ccedil;&atilde;o de Maria, nossa M&atilde;e Celestial. O meu pensamentos dirige-se tamb&eacute;m &agrave;s m&atilde;es que passaram para a outra vida e nos acompanham do C&eacute;u. Fa&ccedil;amos um pouco de sil&ecirc;ncio para que&nbsp; cada um recorde a sua m&atilde;e. [pausa de sil&ecirc;ncio].</p> 
<p>Desejo-vos a todos bom domingo. Por favor, n&atilde;o vos esque&ccedil;ais de rezar por mim. Bom almo&ccedil;o e at&eacute; &agrave; vista.</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Orar é caminhar com Jesus para o Pai que nos dará tudo (10 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Sun, 10 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200510_pregare-lottando-con-dio.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200510_pregare-lottando-con-dio.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 11 May 2020 13:03:59 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i></font></p>
<p align="center"> <b> <font color="#663300" size="4">&nbsp;“Orar &eacute; caminhar com Jesus para o Pai que nos dar&aacute; tudo”</font></b></p>
<p align="center"><font color="#663300"><i>Domingo, 10 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/10/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Nestes &uacute;ltimos dois dias, houve duas comemora&ccedil;&otilde;es: o 70&ordm; anivers&aacute;rio da Declara&ccedil;&atilde;o de Robert Schuman, que deu in&iacute;cio &agrave; Uni&atilde;o Europeia, e tamb&eacute;m a comemora&ccedil;&atilde;o do fim da guerra. Hoje pe&ccedil;amos ao Senhor pela Europa, para que cres&ccedil;a unida, na unidade da fraternidade que faz com que todos os povos cres&ccedil;am em unidade na diversidade.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>Neste trecho do Evangelho (cf. <i>Jo </i>14, 1-14), discurso de despedida de Jesus, Ele diz que vai para o Pai. Diz que estar&aacute; com o Pai e que tamb&eacute;m quem acredita nele &laquo;far&aacute; tamb&eacute;m as obras que Eu fa&ccedil;o, e ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai. E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Qualquer coisa que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei&raquo; (vv. 12-14). Podemos dizer que este excerto do Evangelho de Jo&atilde;o &eacute; a declara&ccedil;&atilde;o de ascens&atilde;o ao Pai.</p> 
<p>O Pai esteve sempre presente na vida de Jesus, e Jesus falava sobre isto. Jesus anunciava o Pai. Falou muitas vezes do Pai que cuida de n&oacute;s, como cuida dos passarinhos, dos l&iacute;rios do campo... o Pai. E quando os disc&iacute;pulos queriam aprender a orar, Jesus ensinou-os a rezar ao Pai: <i>&laquo;Pai nosso&raquo;</i> (<i>Mt </i> 6, 9). Ele vai [dirige-se] sempre ao Pai. Mas neste trecho &eacute; muito forte; &eacute; como se abrisse as portas da <i>omnipot&ecirc;ncia da ora&ccedil;&atilde;o</i>. &laquo;Porque estou no Pai, e o Pai em mim: pedi e Eu farei tudo, mas porque o Pai o far&aacute; comigo&raquo; (cf. <i>Jo </i> 14, 11). Confian&ccedil;a no Pai: confian&ccedil;a no Pai, que &eacute; capaz de fazer tudo. Esta coragem de rezar, porque rezar exige coragem! &Eacute; preciso a mesma coragem, a mesma franqueza para pregar: a mesma. Pensemos no nosso pai Abra&atilde;o, quando ele - creio que se diz - “negociava” com Deus para salvar Sodoma (cf. <i>Gn </i>18, 20-33): “E se houvesse menos e menos e menos?...”. Realmente, ele sabia “negociar”. Mas sempre com coragem: “Perdoa-me, Senhor, mas d&aacute;-me um desconto: um pouco menos, um pouco menos...”. Sempre a coragem de lutar na ora&ccedil;&atilde;o, porque rezar &eacute; <i> lutar: </i>lutar com Deus. E ent&atilde;o, Mois&eacute;s: as duas vezes que o Senhor quis destruir o povo (cf. <i>&Ecirc;x </i>32, 1-35; cf. <i>Nm </i>11, 1-3) e faz&ecirc;-lo l&iacute;der de outro povo, Mois&eacute;s disse: “N&atilde;o!”. Disse n&atilde;o ao Pai! Com <i>coragem!</i> Mas se fores e rezares assim - [sussurra uma ora&ccedil;&atilde;o t&iacute;mida] - isto &eacute; falta de respeito! Orar &eacute; caminhar com Jesus para o Pai que te dar&aacute; tudo. Coragem na ora&ccedil;&atilde;o, franqueza na ora&ccedil;&atilde;o. A mesma que &eacute; necess&aacute;ria para a prega<i>&ccedil;</i>&atilde;o.</p> 
<p>E na primeira leitura ouvimos este conflito nos primeiros tempos da Igreja (cf. <i>At </i>6, 1-7), porque os crist&atilde;os de origem grega murmuravam - murmuravam, fazia-se isto j&aacute; naquela altura: pode-se ver que &eacute; um h&aacute;bito da Igreja... - murmuravam porque as suas vi&uacute;vas, os seus &oacute;rf&atilde;os n&atilde;o eram bem tratados; os ap&oacute;stolos n&atilde;o tinham tempo para fazer muitas coisas. E Pedro [com os ap&oacute;stolos], iluminado pelo Esp&iacute;rito Santo, “inventou”, por assim dizer, os di&aacute;conos. &laquo;Escolhei, pois, irm&atilde;os, dentre v&oacute;s, sete homens de boa reputa&ccedil;&atilde;o, cheios do Esp&iacute;rito Santo e de sabedoria, aos quais confiaremos este importante of&iacute;cio&raquo; (cf. <i>At </i>6, 2-4). O di&aacute;cono &eacute; o guardi&atilde;o do servi&ccedil;o na Igreja. &laquo;De modo que estas pessoas, que t&ecirc;m motivos para reclamar, sejam bem atendidas nas suas necessidades, e n&oacute;s - diz Pedro, n&oacute;s ouvimos -&nbsp; perseveraremos na ora&ccedil;&atilde;o e no minist&eacute;rio da palavra&raquo; (cf. v. 5). Esta &eacute; a tarefa do bispo: <i>rezar e pregar. </i>Com esta for&ccedil;a que ouvimos no Evangelho: o bispo &eacute; o primeiro que vai ao Pai, com a confian&ccedil;a que Jesus deu, com a coragem, com a parr&eacute;sia, para lutar pelo seu povo. A primeira tarefa de um bispo &eacute; rezar. Pedro disse: “Perseveraremos na ora&ccedil;&atilde;o e no minist&eacute;rio da palavra”.</p> 
<p>Conheci um sacerdote, um santo p&aacute;roco, um homem bondoso, que quando encontrava um bispo cumprimentava-o bem, de modo muito am&aacute;vel, e fazia sempre esta pergunta: “Excel&ecirc;ncia, quantas horas por dia reza o senhor?”, e acrescentava sempre: “Pois a primeira tarefa &eacute; rezar”. Porque &eacute; a ora&ccedil;&atilde;o do chefe da comunidade pela comunidade, a intercess&atilde;o ao Pai, para que ampare o povo.</p> 
<p>A ora&ccedil;&atilde;o do bispo, a primeira tarefa: <i>rezar. </i>E o povo, vendo que o bispo reza, aprende a orar. Porque o Esp&iacute;rito Santo nos ensina que &eacute; Deus quem “age”. N&oacute;s fazemos um pouco, mas &eacute; Ele que “age” na Igreja, e &eacute; a ora&ccedil;&atilde;o que leva a Igreja em frente. E por isso os l&iacute;deres da Igreja, digamos assim, os bispos, devem ir em frente com a ora&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>As palavras de Pedro s&atilde;o prof&eacute;ticas: “Que os di&aacute;conos fa&ccedil;am tudo isto, para que as pessoas sejam bem cuidadas e resolvam os seus problemas e tamb&eacute;m as suas necessidades. Mas a n&oacute;s, bispos, a ora&ccedil;&atilde;o e a proclama&ccedil;&atilde;o da Palavra”.</p> 
<p>&Eacute; triste ver bons bispos, pessoas bondosas, ocupados com muitas coisas, a economia, isto, isso e aquilo... A ora&ccedil;&atilde;o em primeiro lugar. Depois, as outras coisas. Mas quando as outras coisas tiram espa&ccedil;o &agrave; ora&ccedil;&atilde;o, algo n&atilde;o funciona. E a ora&ccedil;&atilde;o &eacute; forte pelo que ouvimos no Evangelho de Jesus: &laquo;Vou para junto do Pai. E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado&raquo; (<i>Jo </i>14, 12-13) &Eacute; assim que a Igreja vai em frente, com a ora&ccedil;&atilde;o, a coragem da ora&ccedil;&atilde;o, porque a Igreja sabe que n&atilde;o pode sobreviver sem esta ascens&atilde;o ao Pai.</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>As pessoas que n&atilde;o podem receber a Eucaristia, agora fazem a Comunh&atilde;o espiritual</p> 
<p>&Oacute; meu Jesus, prostro-me aos vossos p&eacute;s e ofere&ccedil;o-vos o arrependimento do meu cora&ccedil;&atilde;o contrito que mergulha no vosso cora&ccedil;&atilde;o e na vossa santa presen&ccedil;a. Adoro-vos no Sacramento do vosso amor, a inef&aacute;vel Eucaristia. Desejo receber-vos na pobre morada que o meu cora&ccedil;&atilde;o vos oferece. &Agrave; espera da felicidade da Comunh&atilde;o sacramental, quero possuir-vos em esp&iacute;rito. Vinde a mim, &oacute; meu Jesus, e que eu venha a V&oacute;s. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, na vida e na morte. Creio em V&oacute;s, espero em V&oacute;s, amo-vos.</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[O Espírito Santo faz a harmonia da Igreja, o espírito maligno destrói (9 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Sat, 09 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200509_tra-consolazioni-e-persecuzioni.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200509_tra-consolazioni-e-persecuzioni.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 11 May 2020 11:05:52 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i></font></p>
<p align="center"><b> <font size="4" color="#663300">“O Esp&iacute;rito Santo faz a harmonia da Igreja, o esp&iacute;rito maligno destr&oacute;i”</font></b></p>
<p align="center"> <font color="#663300"><i>S&aacute;bado, 9 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/9/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Hoje comemora-se Santa Lu&iacute;sa de Marillac [a mem&oacute;ria lit&uacute;rgica &eacute; celebrada no dia 15 de mar&ccedil;o mas, tendo aquele dia coincidido com o tempo de Quaresma, foi transferida para hoje]. Rezemos pelas irm&atilde;s vicentinas que dirigem este ambulat&oacute;rio, este “hospital”, h&aacute; quase 100 anos [trata-se do <i>Dispens&aacute;rio Pedi&aacute;trico Santa Marta, </i>gerido pelas religiosas da Congrega&ccedil;&atilde;o das Filhas da Caridade], e trabalham aqui, em Santa Marta, para este “hospital”. Que o Senhor aben&ccedil;oe as irm&atilde;s!</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>No Salmo recitamos: &laquo;Cantai ao Senhor um c&acirc;ntico novo, porque fez maravilhas; a sua m&atilde;o e o seu santo bra&ccedil;o alcan&ccedil;aram-lhe a vit&oacute;ria. O Senhor deu a conhecer a sua salva&ccedil;&atilde;o, manifestou a sua justi&ccedil;a perante os povos&raquo; (<i>Sl </i>97, 1-2). Isto &eacute; verdade. O Senhor fez maravilhas. Mas quanto esfor&ccedil;o! Quantos esfor&ccedil;os, para as comunidades crist&atilde;s, levar adiante estas maravilhas do Senhor!</p> 
<p>Na passagem dos Atos dos Ap&oacute;stolos (cf. 13, 44-52) sentimos alegria: toda a cidade de Antioquia est&aacute; reunida para ouvir a palavra do Senhor porque Paulo e os ap&oacute;stolos pregavam com vigor, e o Esp&iacute;rito ajudava-os. &laquo;Ent&atilde;o os judeus, vendo a multid&atilde;o, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo pregava&raquo; (v. 45). Por um lado, h&aacute; o Senhor, h&aacute; o Esp&iacute;rito Santo que faz a Igreja crescer, e cresce cada vez mais, isto &eacute; verdade. Mas, por outro, h&aacute; o esp&iacute;rito maligno que procura destruir a Igreja. Foi sempre assim, &eacute; sempre assim. Continua-se, mas depois vem o inimigo que tenta destruir. A longo prazo o balan&ccedil;o &eacute; sempre positivo, mas quanto esfor&ccedil;o, quanta dor, quanto mart&iacute;rio!</p> 
<p>Isto aconteceu em Antioquia, e acontece em toda a parte no Livro dos Atos dos Ap&oacute;stolos. Pensemos, por exemplo, em Listra, quando chegaram e curaram [um paral&iacute;tico] e todos acreditavam que eram deuses e queriam fazer sacrif&iacute;cios, e todo o povo estava com eles (cf. <i>At </i>14, 8-18). Depois vieram os outros e convenceram-nos de que n&atilde;o era assim. E como acabaram Paulo e o seu companheiro? Apedrejados (cf. <i>At </i>14, 19). Sempre uma luta. Pensemos no mago &Eacute;limas, e no modo como agiu para impedir que o Evangelho chegasse ao proc&ocirc;nsul (cf. <i>At </i>13, 6-12). Pensemos nos senhores daquela jovem vidente: exploravam-na, porque ela “lia as m&atilde;os” e recebia o dinheiro que depois ia parar nos bolsos dos senhores. E quando Paulo e os ap&oacute;stolos demonstraram que aquilo era mentira, que n&atilde;o era bom, revoltaram-se imediatamente contra eles (cf. <i>At </i>16, 16-24). Pensemos nos artes&atilde;os da deusa Artemis [em &Eacute;feso], que perderam o com&eacute;rcio porque n&atilde;o podiam vender as estatuetas, pois as pessoas j&aacute; n&atilde;o as compravam, porque se tinham convertido. E assim, um ap&oacute;s o outro. Por um lado, a Palavra de Deus que convoca, que faz crescer; por outro, a persegui&ccedil;&atilde;o, a grande persegui&ccedil;&atilde;o que acaba por os afastar, pois espancavam-nos...</p> 
<p>E qual &eacute; o instrumento do diabo para destruir a proclama&ccedil;&atilde;o do Evangelho? <i>A inveja</i>. O Livro da Sabedoria diz claramente: &laquo;Pela inveja do diabo o pecado entrou no mundo&raquo; (cf. 2, 24) - inveja, ci&uacute;me. Sempre este sentimento amargo, amargo. Estas pessoas viram como o Evangelho foi pregado e ficaram zangadas, isto ro&iacute;a-lhes o f&iacute;gado de raiva. E esta raiva impeliu-os: &eacute; a raiva do diabo, a raiva que destr&oacute;i, a raiva daquele <i>“crucifica, crucifica!”,</i> daquela tortura de Jesus. Ele quer destruir. Sempre, sempre!</p> 
<p>Vendo esta luta, aplica-se tamb&eacute;m a n&oacute;s o belo ditado: &laquo;A Igreja prossegue entre as consola&ccedil;&otilde;es de Deus e as persegui&ccedil;&otilde;es do mundo&raquo; (cf. Santo Agostinho, <i>De Civitate Dei, </i>XVIII, 51, 2). A uma Igreja que n&atilde;o enfrenta qualquer dificuldade falta algo. O diabo est&aacute; demasiado calmo. E se o diabo est&aacute; calmo, as coisas n&atilde;o correm bem. Sempre a dificuldade, a tenta&ccedil;&atilde;o, a luta... O ci&uacute;me que destr&oacute;i. O Esp&iacute;rito Santo faz a harmonia da Igreja, e o esp&iacute;rito maligno destr&oacute;i. At&eacute; hoje, at&eacute; hoje. Sempre esta luta. Um instrumento deste ci&uacute;me, desta inveja, s&atilde;o os poderes temporais. Aqui diz-se que &laquo;os judeus instigaram algumas mulheres religiosas e honestas&raquo; (<i>At </i>13, 50). Foram ter com aquelas mulheres e disseram: “Eles s&atilde;o revolucion&aacute;rios, expulsai-os!”. As mulheres falaram com as outras e expulsaram-nos: eram as “mulheres piedosas” da nobreza e tamb&eacute;m as not&aacute;veis da cidade (cf. v. 50). Recorreram ao poder temporal, pois o poder temporal pode ser bom: as pessoas podem ser boas, mas o poder enquanto tal &eacute; sempre perigoso. O poder do mundo contra o poder de Deus move tudo isto; e por tr&aacute;s, por detr&aacute;s do poder est&aacute; sempre o dinheiro.</p> 
<p>O que acontece na Igreja primitiva: o trabalho do Esp&iacute;rito para construir a Igreja, para harmonizar a Igreja, e o trabalho do esp&iacute;rito maligno para a destruir, e o uso de poderes temporais para impedir a Igreja, para destruir a Igreja, &eacute; apenas uma continua&ccedil;&atilde;o do que aconteceu na manh&atilde; da Ressurrei&ccedil;&atilde;o. Vendo aquele triunfo, os soldados foram ter com os sacerdotes, e os sacerdotes “compraram” a verdade que assim foi “silenciada” (cf. <i>Mt </i>28, 11-15). Desde a primeira manh&atilde; da Ressurrei&ccedil;&atilde;o, triunfo de Cristo, est&aacute; presente esta trai&ccedil;&atilde;o, este “silenciar” a palavra de Cristo, “silenciar” o triunfo da Ressurrei&ccedil;&atilde;o com o poder temporal: os chefes dos sacerdotes e o dinheiro.</p> 
<p>Tenhamos cuidado, tenhamos cuidado com a prega&ccedil;&atilde;o do Evangelho: nunca caiamos na confian&ccedil;a dos poderes temporais e do dinheiro. A confian&ccedil;a dos crist&atilde;os &eacute; Jesus Cristo e o Esp&iacute;rito Santo por Ele enviado! E o Esp&iacute;rito Santo &eacute; o fermento, a for&ccedil;a que faz crescer a Igreja! Sim, a Igreja vai em frente, em paz, com resigna&ccedil;&atilde;o, jubilosa: entre as consola&ccedil;&otilde;es de Deus e as persegui&ccedil;&otilde;es do mundo.</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>As pessoas que n&atilde;o podem receber a Eucaristia, agora fazem a Comunh&atilde;o espiritual</p> 
<p>Meu Jesus, creio que estais presente no Sant&iacute;ssimo Sacramento. Amo-vos acima de tudo e a minha alma suspira por V&oacute;s. Mas dado que agora n&atilde;o posso receber-vos no Sant&iacute;ssimo Sacramento, vinde, pelo menos espiritualmente, ao meu cora&ccedil;&atilde;o. Abra&ccedil;o-vos come se j&aacute; estiv&eacute;sseis comigo: uno-me inteiramente a V&oacute;s. Ah! N&atilde;o permitais que eu volte a separar-me de V&oacute;s!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[A sua consolação está próxima, é verdadeira e abre as portas da esperança (8 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Fri, 08 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200508_lavicinanza-lostile-didio.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200508_lavicinanza-lostile-didio.html</guid><description><![CDATA[<!-- Fri, 08 May 2020 12:13:32 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i> &nbsp; </font> </p>
<p align="center"><b class=""><font size="4" color="#663300">“A sua consola&ccedil;&atilde;o est&aacute; pr&oacute;xima, &eacute; verdadeira e abre as portas da esperan&ccedil;a”</font></b></p>
<p align="center"> <font color="#663300"><i>Sexta-feira, 8 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/8/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </p> 
<p>Hoje &eacute; o Dia Mundial da Cruz Vermelha e da Meia-Lua Vermelha. Rezemos pelas pessoas que trabalham nestas institui&ccedil;&otilde;es benem&eacute;ritas: que o Senhor aben&ccedil;oe o seu trabalho, feito de modo t&atilde;o bom.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>Este di&aacute;logo de Jesus com os disc&iacute;pulos tem lugar &agrave; mesa, na hora da ceia (cf. <i>Jo </i>14, 1-6). Jesus est&aacute; triste, todos est&atilde;o tristes: Jesus disse que seria tra&iacute;do por um deles (cf. <i>Jo </i>13, 21) e todos sentem que algo de mau aconteceria. Jesus come&ccedil;a a consolar os seus, pois uma das fun&ccedil;&otilde;es, das “atividades” do Senhor, &eacute; <i>consolar</i>. O Senhor consola os seus disc&iacute;pulos e aqui vemos qual &eacute; a sua maneira de consolar. H&aacute; muitas formas de consolar, desde as mais aut&ecirc;nticas, das mais pr&oacute;ximas, at&eacute; &agrave;s mais formais, como aqueles telegramas de condol&ecirc;ncias: “Profundamente triste por...”. N&atilde;o consola ningu&eacute;m, &eacute; uma farsa, &eacute; a consola&ccedil;&atilde;o da formalidade. Mas como consola o Senhor?&nbsp; &Eacute; importante saber isto, porque tamb&eacute;m n&oacute;s, quando na nossa vida temos de passar por momentos de tristeza, aprendemos a sentir qual &eacute; a verdadeira consola&ccedil;&atilde;o do Senhor.</p> 
<p>E neste trecho do Evangelho vemos que o Senhor consola sempre na <i>proximidade</i>, com a <i>verdade </i>e na <i>esperan&ccedil;a</i>. S&atilde;o as tr&ecirc;s carater&iacute;sticas da consola&ccedil;&atilde;o do Senhor. <i>Na proximidade, </i>nunca distante: estou aqui. Que bonita express&atilde;o: “Estou aqui”. “Estou aqui convosco”. E muitas vezes em <i> sil&ecirc;ncio</i>. Mas sabemos que Ele est&aacute; presente. Ele est&aacute; sempre presente. A proximidade, que &eacute; o estilo de Deus, tamb&eacute;m na Encarna&ccedil;&atilde;o, significa que est&aacute; pr&oacute;ximo de n&oacute;s. O Senhor consola na proximidade. E n&atilde;o usa palavras vazias, ali&aacute;s, prefere o sil&ecirc;ncio. A for&ccedil;a da proximidade, da presen&ccedil;a. Ele fala pouco. Mas est&aacute; pr&oacute;ximo.</p> 
<p>Uma segunda carater&iacute;stica da proximidade de Jesus, da sua maneira de consolar, &eacute; a <i>verdade: </i>Jesus &eacute; verdadeiro. N&atilde;o profere palavras formais, que s&atilde;o mentiras: “N&atilde;o, n&atilde;o te preocupes, tudo passar&aacute;, nada acontecer&aacute;, passar&aacute;, as coisas passam...”. N&atilde;o! Ele diz a verdade. N&atilde;o esconde a verdade. Porque neste trecho Ele mesmo diz: &laquo;Eu sou a verdade!&raquo; (cf. <i>Jo </i>14, 6). E a verdade &eacute;: “Vou-me embora”, ou seja: “Morrerei” (cf. <i>Jo </i>2-3). Estamos perante a morte. &Eacute; a verdade. E Ele diz isto de forma simples e tamb&eacute;m com mansid&atilde;o, sem ferir: estamos diante da morte. Ele n&atilde;o esconde a verdade.</p> 
<p>E eis a terceira carater&iacute;stica: Jesus consola na <i>esperan&ccedil;a</i>. Sim, &eacute; um momento dif&iacute;cil. Mas &laquo;n&atilde;o se perturbe o vosso cora&ccedil;&atilde;o; (...) crede tamb&eacute;m em mim&raquo; (v. 1). Assim diz Jesus: &laquo;Na casa de meu Pai h&aacute; muitas moradas; (...) Vou preparar-vos um lugar (v. 2). Ele ser&aacute; o primeiro a abrir as portas; as portas daquele lugar por onde todos n&oacute;s&nbsp; passaremos, assim espero: &laquo;Voltarei e levar-vos-ei comigo, para que onde Eu estiver estejais tamb&eacute;m v&oacute;s&raquo; (v. 3). O Senhor volta sempre que um de n&oacute;s est&aacute; a caminho para partir deste mundo. &laquo;Virei e levar-vos-ei&raquo;: a esperan&ccedil;a. Ele vir&aacute;, pegar-nos-&aacute; pela m&atilde;o e levar-nos-&aacute;. Ele n&atilde;o diz: “N&atilde;o, n&atilde;o sofrer&aacute;s, n&atilde;o &eacute; nada...”. N&atilde;o! Diz a verdade: “Estou pr&oacute;ximo de v&oacute;s, esta &eacute; a verdade: &eacute; um mau momento, de perigo, de morte. N&atilde;o se perturbe o vosso cora&ccedil;&atilde;o, permanecei na paz, naquela paz que &eacute; a base de toda a consola&ccedil;&atilde;o, pois virei e vos levarei pela m&atilde;o para onde Eu estiver”. </p> 
<p>N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil deixar-se <i>consolar </i>pelo Senhor. Muitas vezes, nos maus momentos, ficamos zangados com o Senhor e n&atilde;o permitimos que Ele nos fale assim, com esta do&ccedil;ura, com esta proximidade, com esta mansid&atilde;o, com esta verdade, com esta esperan&ccedil;a.</p> 
<p>Pe&ccedil;amos a gra&ccedil;a de aprender a deixar-nos consolar pelo Senhor. A consola&ccedil;&atilde;o do Senhor &eacute; verdadeira, n&atilde;o engana. N&atilde;o se trata de anestesia, n&atilde;o. Mas ela est&aacute; pr&oacute;xima, &eacute; verdadeira e abre-nos as portas da esperan&ccedil;a.</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>As pessoas que n&atilde;o podem receber a Eucaristia, agora fazem a Comunh&atilde;o espiritual</p> 
<p>Meu Jesus, creio que estais presente no Sant&iacute;ssimo Sacramento. Amo-vos acima de tudo e a minha alma suspira por V&oacute;s. Mas dado que agora n&atilde;o posso receber-vos no Sant&iacute;ssimo Sacramento, vinde, pelo menos espiritualmente, ao meu cora&ccedil;&atilde;o. Abra&ccedil;o-vos come se j&aacute; estiv&eacute;sseis comigo: uno-me inteiramente a V&oacute;s. Ah! N&atilde;o permitais que eu volte a separar-me de V&oacute;s!</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Ser cristão significa pertencer ao povo de Deus (7 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Thu, 07 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200507_consapevoli-diessere-popolodidio.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200507_consapevoli-diessere-popolodidio.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 07 May 2020 13:28:19 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i> </font> </p>
<p align="center"><font color="#663300"><b><font size="4">“Ser crist&atilde;o significa pertencer ao povo de Deus”</font></b> </font></p>
<p align="center"> <font color="#663300"><i>Quinta-feira, 7 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/7/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Ontem recebi uma carta de um grupo de artistas: agradeciam a ora&ccedil;&atilde;o que fizemos por eles. Gostaria de pedir ao Senhor que os aben&ccedil;oe porque os artistas nos fazem compreender o que &eacute; <i>a beleza</i> e sem a beleza o Evangelho n&atilde;o pode ser compreendido. Rezemos mais uma vez pelos artistas.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>Quando Paulo foi convidado para falar na sinagoga em Antioquia [na Pis&iacute;dia] para explicar esta nova doutrina, ou seja, explicar Jesus, proclamar Jesus, ele come&ccedil;a da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o (cf. <i>At</i> 13, 13-21). Paulo levantou-se e falou: &laquo;O Deus deste povo de Israel escolheu a nossos pais, e exaltou o povo, sendo eles estrangeiros na terra do Egito; e com bra&ccedil;o poderoso os tirou dela&raquo; (<i>At</i> 13, 17)... e [relatou] toda a salva&ccedil;&atilde;o, a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o. Est&ecirc;v&atilde;o fez o mesmo antes do mart&iacute;rio (cf. <i>At</i> 7, 1-54), e tamb&eacute;m Paulo, noutro momento. O autor da Carta aos Hebreus faz o mesmo quando conta a hist&oacute;ria de Abra&atilde;o e de &laquo;todos os nossos pais&raquo; (cf. <i>Hb</i> 11, 1-39). N&oacute;s hoje cantamos o&nbsp; mesmo: &laquo;Hei de cantar para sempre o amor do Senhor, e hei de anunciar a Sua lealdade pelas gera&ccedil;&otilde;es&raquo; (<i>Sl</i> 88, 2). Cantamos a hist&oacute;ria de David: &laquo;Encontrei David, meu servo&raquo; (v. 21). Mateus (cf. 1, 1-14) e Lucas (cf. 3, 23-38) fazem o mesmo: quando come&ccedil;am a falar de Jesus, citam a sua genealogia.</p> 
<p>O que est&aacute; por detr&aacute;s de Jesus? H&aacute; uma hist&oacute;ria. Uma hist&oacute;ria de gra&ccedil;a, uma hist&oacute;ria de elei&ccedil;&atilde;o, uma hist&oacute;ria de promessa. O Senhor escolheu Abra&atilde;o e caminhou com o seu povo. No in&iacute;cio da Missa, no canto inicial, dissemos: &laquo;Quando avan&ccedil;astes, Senhor, diante do vosso povo e abristes o caminho e caminhastes ao lado do vosso povo, perto do vosso povo&raquo;. H&aacute; uma hist&oacute;ria de Deus com o seu povo. E &eacute; por isso que quando pediram a Paulo que explicasse o porqu&ecirc; da f&eacute; em Jesus Cristo n&atilde;o come&ccedil;a a partir de Jesus Cristo: come&ccedil;a com a hist&oacute;ria. O cristianismo &eacute; uma doutrina, sim, mas n&atilde;o s&oacute;. N&atilde;o s&atilde;o apenas as coisas em que acreditamos: &eacute; uma hist&oacute;ria que carrega esta doutrina que &eacute; a promessa de Deus, a alian&ccedil;a de Deus, ser eleito por Deus. O cristianismo n&atilde;o &eacute; apenas uma &eacute;tica. Sim, de facto, tem princ&iacute;pios morais, mas n&atilde;o se &eacute; crist&atilde;o apenas com uma vis&atilde;o de &eacute;tica. &Eacute; mais do que isso. O cristianismo n&atilde;o &eacute; uma “elite” de pessoas escolhidas pela verdade. Este sentido elitista que depois vai em frente na Igreja, n&atilde;o &eacute;? Por exemplo, eu perten&ccedil;o a esta institui&ccedil;&atilde;o, perten&ccedil;o a este movimento que &eacute; melhor do que o vosso. Este, aquele. &Eacute; um sentido elitista. N&atilde;o, o Cristianismo n&atilde;o &eacute; isto: o Cristianismo &eacute; <i>perten&ccedil;a</i> a um povo, a um povo escolhido livremente por Deus. Se n&atilde;o tivermos esta consci&ecirc;ncia de perten&ccedil;a a um povo seremos crist&atilde;os ideol&oacute;gicos, com uma pequena doutrina de afirma&ccedil;&atilde;o da verdade, uma &eacute;tica, uma moral - est&aacute; bem - ou uma elite. Sentimo-nos parte de um grupo escolhido por Deus - os crist&atilde;os - os outros ir&atilde;o para o inferno ou se forem salvos &eacute; pela miseric&oacute;rdia de Deus, mas eles s&atilde;o os descartados... E assim por diante. Se n&atilde;o tivermos a consci&ecirc;ncia de perten&ccedil;a a um povo, n&atilde;o somos verdadeiros crist&atilde;os.</p> 
<p>&Eacute; por isso que Paulo explica Jesus desde o in&iacute;cio, come&ccedil;ando pela perten&ccedil;a a um povo. E muitas vezes, muitas, ca&iacute;mos nestas parcialidades, sejam elas dogm&aacute;ticas, morais ou elitistas, n&atilde;o &eacute; verdade? O sentido da elite &eacute; o que nos faz muito mal e perdemos o sentido de pertencer ao&nbsp; santo povo fiel de Deus, que Deus elegeu em Abra&atilde;o e prometeu, a grande promessa, Jesus, e o fez prosseguir com esperan&ccedil;a, fazendo alian&ccedil;a com ele. Consci&ecirc;ncia de povo.</p> 
<p>Impressiona-me sempre o trecho do Deuteron&oacute;mio, acho que &eacute; o cap&iacute;tulo 26, quando diz: &laquo;Uma vez por ano, quando fores apresentar as tuas oferendas ao Senhor, as prim&iacute;cias, e quando o teu filho te perguntar: “Pai, por que fazes isto?”, n&atilde;o lhe deves dizer: “Porque Deus mandou”, n&atilde;o: “&Eacute;ramos um povo, &eacute;ramos assim, e o Senhor nos libertou...”&raquo; (cf. <i>Dt </i>26, 1-11). Contar a hist&oacute;ria, como fez Paulo. Transmitir a hist&oacute;ria da nossa salva&ccedil;&atilde;o. O pr&oacute;prio Senhor no Deuteron&oacute;mio aconselha: &laquo;Quando chegares &agrave; terra que n&atilde;o conquistaste, que eu conquistei, e comeres os frutos que n&atilde;o plantaste, e habitares as casas que n&atilde;o constru&iacute;ste, quando deres a oferta&raquo; (cf. <i>Dt</i> 26, 1),&nbsp; recita - o famoso credo deuteron&oacute;mico -: &laquo;Arameu, prestes a perecer, foi meu pai, e desceu ao Egito&raquo; (<i>Dt </i>26, 5). Permaneceu ali durante 400 anos, depois o Senhor libertou-o, levou-o adiante. Canta a hist&oacute;ria, <i>a mem&oacute;ria de povo</i>, de ser um povo.</p> 
<p>E nesta hist&oacute;ria do povo de Deus, at&eacute; Jesus Cristo, havia santos, pecadores e muitas pessoas comuns e boas, com virtudes e pecados, todos. A famosa “multid&atilde;o” que seguia Jesus, que tinha a <i>intui&ccedil;&atilde;o </i>de pertencer a um povo. Um crist&atilde;o auto-intitulado que n&atilde;o tem esta intui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; um verdadeiro crist&atilde;o; &eacute; um pouco particular e sente-se justificado sem o povo. Pertencer a um povo, ter mem&oacute;ria do povo de Deus. E isto foi&nbsp; ensinado por Paulo, Est&ecirc;v&atilde;o, outra vez Paulo, os Ap&oacute;stolos... E o conselho do autor da Carta aos Hebreus: &laquo;Lembrai-vos dos vossos antepassados&raquo; (cf. <i>Hb</i> 11, 2), isto &eacute;, daqueles que nos precederam neste caminho de salva&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>Se algu&eacute;m me perguntasse: “Na sua opini&atilde;o qual &eacute; o desvio dos crist&atilde;os hoje e sempre? Qual &eacute; o desvio mais perigoso dos crist&atilde;os”, diria sem d&uacute;vida: a falta de mem&oacute;ria de perten&ccedil;a a um povo. Quando falta isto, surgem os dogmatismos, os moralismos, os eticismos, os movimentos elitistas. Falta o povo. Um povo pecador sempre, todos somos, mas que em geral n&atilde;o errado, que tem a intui&ccedil;&atilde;o de ser povo eleito, que caminha atr&aacute;s de uma promessa e que estabeleceu uma alian&ccedil;a que talvez n&atilde;o cumpra, mas tem consci&ecirc;ncia dela.</p> 
<p>Pedir ao Senhor esta consci&ecirc;ncia de povo, que Nossa Senhora cantou t&atilde;o lindamente no seu Magnificat (cf. <i>Lc</i> 1, 46-56), que Zacarias cantou t&atilde;o bem no seu <i>Benedictus</i> (cf. vv. 67-79), c&acirc;nticos que rezamos todos os dias, de manh&atilde; e &agrave; noite. Consci&ecirc;ncia de povo: n&oacute;s somos o povo santo e fiel de Deus que, na sua maioria, como diz o Conc&iacute;lio Vaticano I, e depois o II, tem a intui&ccedil;&atilde;o da f&eacute; e &eacute; infal&iacute;vel nesta forma de acreditar.</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>&Oacute; meu Jesus, prostro-me aos vossos p&eacute;s e ofere&ccedil;o-vos o arrependimento do meu cora&ccedil;&atilde;o contrito que mergulha no vosso cora&ccedil;&atilde;o e na vossa santa presen&ccedil;a. Adoro-vos no Sacramento do vosso amor, a inef&aacute;vel Eucaristia. Desejo receber-vos na pobre morada que o meu cora&ccedil;&atilde;o vos oferece. &Agrave; espera da felicidade da Comunh&atilde;o sacramental, quero possuir-vos em esp&iacute;rito. Vinde a mim, &oacute; meu Jesus, e que eu venha a V&oacute;s. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, na vida e na morte. Creio em V&oacute;s, espero em V&oacute;s, amo-vos.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Audiência Geral de 6 de maio de 2020]]></title><pubDate>Wed, 06 May 2020 09:30:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2020/documents/papa-francesco_20200506_udienza-generale.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2020/documents/papa-francesco_20200506_udienza-generale.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 12 May 2020 13:13:02 +0200 --> <font color="#663300"><p align="center">PAPA FRANCISCO</p> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>AUDI&Ecirc;NCIA GERAL</i></b></font></p> </font>
<p align="center"><font color="#663300"><i>Biblioteca do Pal&aacute;cio Apost&oacute;lico<br /> Quarta-feira, 6 de maio de 2020</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/6/udienzagenerale.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>Hoje iniciamos um novo ciclo de catequeses sobre o tema da <i> ora&ccedil;&atilde;o</i>. A ora&ccedil;&atilde;o &eacute; o respiro da f&eacute;, &eacute; a sua express&atilde;o mais adequada. Como <i>um grito</i> que sai do cora&ccedil;&atilde;o de quem cr&ecirc; e se confia a Deus. </p> 
<p>Pensemos na hist&oacute;ria de Bartimeu, um personagem do Evangelho (cf. <i>Mc</i> 10, 46-52 e par.) e, confesso-vos, para mim &eacute; o mais simp&aacute;tico de todos. Era cego, estava sentado a mendigar &agrave; beira da estrada, na periferia da sua cidade, Jeric&oacute;. N&atilde;o se trata de um personagem an&oacute;nimo, tem um rosto, um nome: Bartimeu, ou seja, “filho de Timeu”. Um dia ouve dizer que Jesus passaria por ali. Com efeito, Jeric&oacute; era uma encruzilhada de povos, continuamente atravessada por peregrinos e mercadores. Ent&atilde;o Bartimeu p&otilde;e-se &agrave; espreita: faria todo o poss&iacute;vel para encontrar Jesus. Muitas pessoas faziam o mesmo: recordemos Zaqueu, que subiu &agrave; &aacute;rvore. Muitos queriam ver Jesus, ele tamb&eacute;m.</p> 
<p>Assim este homem entra nos Evangelhos como uma voz que grita a plenos pulm&otilde;es. Ele n&atilde;o v&ecirc;; n&atilde;o sabe se Jesus est&aacute; perto ou longe, mas ouve-o, devido ao barulho da multid&atilde;o, que num dado momento aumenta e se aproxima... Mas ele est&aacute; completamente s&oacute;, e ningu&eacute;m se importa com isto. E o que faz Bartimeu? Grita. Grita e continua a bradar. Usa a &uacute;nica arma que possui: a voz. Come&ccedil;a a gritar: &laquo;Filho de David, Jesus, tem compaix&atilde;o de mim!&raquo; (v. 47). E assim continua a bradar.</p> 
<p>Os seus repetidos gritos incomodam, n&atilde;o parecem educados, e muitos repreendem-no, dizendo-lhe para se calar: “S&ecirc; educado, n&atilde;o fa&ccedil;as assim!”. Mas Bartimeu n&atilde;o se cala, pelo contr&aacute;rio, grita ainda mais alto: &laquo;Filho de David, Jesus, tem compaix&atilde;o de mim!&raquo; (v. 47). Aquela teimosia t&atilde;o boa daqueles que procuram uma gra&ccedil;a e batem, batem &agrave; porta do cora&ccedil;&atilde;o de Deus. Ele grita, bate &agrave; porta. A express&atilde;o “Filho de David” &eacute; muito importante; significa “Messias” — confessa o Messias — &eacute; uma profiss&atilde;o de f&eacute; que sai dos l&aacute;bios daquele homem desprezado por todos. </p> 
<p>E Jesus ouve o seu grito. O pedido de Bartimeu toca o seu cora&ccedil;&atilde;o, o cora&ccedil;&atilde;o de Deus, e para ele abrem-se as portas da salva&ccedil;&atilde;o. Jesus manda cham&aacute;-lo. Ele d&aacute; um salto e aqueles que antes lhe diziam para se calar, agora conduzem-no ao Mestre. Jesus fala com ele, pede-lhe que manifeste o seu desejo — isto &eacute; importante — e ent&atilde;o o grito torna-se um pedido: &laquo;Que eu volte a ver, Senhor!&raquo; (cf. v. 51). </p> 
<p>Jesus diz-lhe: &laquo;Vai, <i>a tua f&eacute; te salvou&raquo;</i> (v. 52). Reconhece &agrave;quele homem pobre, indefeso e desprezado todo o poder da sua f&eacute;, que atrai a miseric&oacute;rdia e o poder de Deus. F&eacute; significa ter duas m&atilde;os levantadas, uma voz que grita para implorar o dom da salva&ccedil;&atilde;o. O Catecismo afirma que &laquo;a humildade &eacute; o fundamento da ora&ccedil;&atilde;o&raquo; (<i><a href="http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4-intr_2558-2565_po.html">Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica</a></i>, n. 2.559). A ora&ccedil;&atilde;o nasce da terra, do<i> h&uacute;mus</i> — do qual deriva “humilde”, “humildade” — vem da nossa condi&ccedil;&atilde;o de precariedade, da nossa sede constante de Deus (cf.<i> <a href="http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4-intr_2558-2565_po.html">ibid</a></i>., nn. 2.560-2.561).</p> 
<p>A f&eacute;, vimo-lo em Bartimeu, &eacute; grito; a n&atilde;o-f&eacute; &eacute; sufocar aquele grito. Aquela atitude que as pessoas tinham, ao silenci&aacute;-lo: n&atilde;o eram pessoas de f&eacute;, mas ele sim. Sufocar aquele grito &eacute; uma esp&eacute;cie de “cumplicidade t&aacute;cita”. A f&eacute; &eacute; protesto contra uma condi&ccedil;&atilde;o penosa da qual n&atilde;o compreendemos o motivo; a n&atilde;o-f&eacute; &eacute; limitar-se a padecer uma situa&ccedil;&atilde;o &agrave; qual nos adaptamos. A f&eacute; &eacute; esperan&ccedil;a de ser salvo; a n&atilde;o-f&eacute; &eacute; acostumar-nos com o mal que nos oprime e continuar assim. </p> 
<p>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, comecemos esta s&eacute;rie de catequeses com o grito de Bartimeu, porque talvez numa figura como a sua j&aacute; esteja tudo escrito. Bartimeu &eacute; um homem perseverante. Ao seu redor havia pessoas que explicavam que implorar era in&uacute;til, que era um vozear sem resposta, que era barulho que incomodava e nada mais, que por favor deixasse de gritar: mas ele n&atilde;o se calou. E, no final, conseguiu o que queria. </p> 
<p>Mais forte do que qualquer argumenta&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria, no cora&ccedil;&atilde;o do homem h&aacute; uma voz que invoca. Todos n&oacute;s temos esta voz interior. Uma voz que sai espontaneamente, sem que ningu&eacute;m a governe, uma voz que se interroga sobre o sentido do nosso caminho aqui na terra, especialmente quando nos encontramos na escurid&atilde;o: “Jesus, tem compaix&atilde;o de mim! Jesus, tem compaix&atilde;o de mim!”. &Eacute; uma bonita ora&ccedil;&atilde;o!</p> 
<p>Mas n&atilde;o est&atilde;o estas palavras esculpidas em toda a cria&ccedil;&atilde;o? Tudo invoca e suplica para que o mist&eacute;rio da miseric&oacute;rdia encontre o seu cumprimento definitivo. N&atilde;o rezam s&oacute; os crist&atilde;os: eles compartilham o clamor de ora&ccedil;&atilde;o com todos os homens e mulheres. Mas o horizonte ainda pode ser ampliado: Paulo afirma que toda a cria&ccedil;&atilde;o &laquo;geme e sofre as dores de parto&raquo; (<i>Rm</i> 8, 22). Com frequ&ecirc;ncia, os artistas fazem-se int&eacute;rpretes deste grito silencioso da cria&ccedil;&atilde;o, que pressiona em cada criatura e emerge sobretudo no cora&ccedil;&atilde;o do homem, pois o homem &eacute; um &laquo;mendigo de Deus&raquo; (cf. cic, n. 2.559). Bonita defini&ccedil;&atilde;o do homem: “mendigo de Deus”. Obrigado!</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<hr width="75%" size="1" /> 
<p><b>Sauda&ccedil;&otilde;es</b></p> 
<p>Sa&uacute;do cordialmente os fi&eacute;is de l&iacute;ngua portuguesa. Queridos amigos, a ora&ccedil;&atilde;o abre a porta da nossa vida a Deus e nos ajuda a sair de n&oacute;s mesmos para ser solid&aacute;rios com os outros que vivem na prova&ccedil;&atilde;o. Assim, sobretudo neste momento de pandemia, poderemos levar-lhes consola&ccedil;&atilde;o, luz e esperan&ccedil;a. Sobre v&oacute;s e vossas fam&iacute;lias, des&ccedil;a a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o do Senhor.</p> 
<hr width="35%" size="1" /> 
<p align="center"><b>APELO</b></p> 
<p>Por ocasi&atilde;o do 1&ordm; de maio, recebi v&aacute;rias mensagens sobre o mundo do trabalho e seus problemas. Fiquei particularmente impressionado com aquele dos trabalhadores agr&iacute;colas, entre eles muitos migrantes, que trabalham nas regi&otilde;es rurais de It&aacute;lia. Infelizmente, muitos s&atilde;o extremamente explorados. &Eacute; verdade que a atual crise afeta a todos, mas a dignidade das pessoas deve sempre ser respeitada. &Eacute; por isso que acrescento a minha voz ao apelo desses trabalhadores e de todos os trabalhadores explorados. Que esta crise nos d&ecirc; a oportunidade de tornar a dignidade da pessoa e a dignidade do trabalho o centro da nossa preocupa&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Ter a coragem de ver as nossas trevas, para que a luz do Senhor entre e nos salve (6 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Wed, 06 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200506_dalletenebreinteriori-allalucedicristo.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200506_dalletenebreinteriori-allalucedicristo.html</guid><description><![CDATA[<!-- Wed, 06 May 2020 16:02:29 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i>&nbsp; </font> </p>
<p align="center"><b><font color="#663300" size="4">“Ter a coragem de ver as nossas trevas,<br /> para que a luz do Senhor entre e nos salve”</font></b></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Quarta-feira, 6 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/6/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Rezemos hoje pelos homens e mulheres que trabalham nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social. Nesta &eacute;poca de pandemia, arriscam tanto e o trabalho &eacute; muito. Que o Senhor os ajude nesta obra de transmitir, sempre, a verdade.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>Este excerto do Evangelho de Jo&atilde;o (cf. <i>Jo</i> 12, 44-50) mostra-nos a intimidade de Jesus com o Pai. Jesus fazia o que o Pai lhe disse. E por isso afirma: &laquo;Quem cr&ecirc; em mim, cr&ecirc;, n&atilde;o em mim, mas naquele que me enviou&raquo; (v. 44). Depois especifica a sua miss&atilde;o: &laquo;Eu sou a luz que veio ao mundo, para que todo aquele que cr&ecirc; em mim n&atilde;o permane&ccedil;a nas trevas&raquo; (v. 46). Apresenta-se como <i> luz</i>. A miss&atilde;o de Jesus &eacute; iluminar: a luz. Ele pr&oacute;prio disse: &laquo;Eu sou a luz do mundo&raquo; (<i>Jo</i> 8, 12). O profeta Isa&iacute;as tinha profetizado esta luz: &laquo;O povo que andava nas trevas viu uma grande luz&raquo; (<i>Mt </i>4, 16; cf. <i>Is</i> 9, 1). A promessa da luz que iluminar&aacute; o povo. E a miss&atilde;o dos ap&oacute;stolos tamb&eacute;m &eacute; levar a luz. Paulo disse isto ao rei Agripa: &laquo;Fui escolhido para iluminar, para levar a luz - que n&atilde;o &eacute; minha, &eacute; de outrem - mas para levar a luz&raquo; (cf. <i>At </i>26, 18). &Eacute; a miss&atilde;o de Jesus: levar a luz. E a miss&atilde;o dos ap&oacute;stolos &eacute; levar a luz de Jesus. <i>Iluminar</i>. Porque o mundo estava nas trevas.</p> 
<p>Mas o drama,&nbsp; &eacute; que a luz de Jesus foi rejeitada. J&aacute; no in&iacute;cio do Evangelho, Jo&atilde;o o diz claramente: &laquo;Veio para o que era seu, e os seus n&atilde;o o receberam. Eles amavam mais as trevas do que a luz&raquo; (cf. <i>Jo</i> 1, 9-11). Habituar-se &agrave;s trevas, viver na escurid&atilde;o: n&atilde;o sabem aceitar a luz, n&atilde;o podem; s&atilde;o escravos das trevas. E esta ser&aacute; a luta de Jesus, que continua: iluminar, levar a luz que nos mostra tudo como &eacute;, como est&aacute;; mostra-nos a liberdade, a verdade, o caminho por onde ir, com a luz de Jesus.</p> 
<p>Paulo viveu esta experi&ecirc;ncia da passagem das trevas para a luz, quando o Senhor o encontrou no caminho de Damasco. Ficou cego. Cegou. A luz do Senhor cegou-o. E ent&atilde;o, alguns dias depois, com o batismo, ele recuperou a luz (cf. <i>At</i> 9, 1-19). Ele teve esta experi&ecirc;ncia da passagem da escurid&atilde;o em que estava, para a luz. &Eacute; tamb&eacute;m a nossa passagem, que sacramentalmente recebemos no batismo: por isso o batismo foi chamado, nos primeiros s&eacute;culos, <i>Ilumina&ccedil;&atilde;o</i> (cf. S&atilde;o Justino, <i>Apologia</i>, 1, 61, 12), porque oferecia a luz,&nbsp; “fazia entrar”. Por isso na cerim&oacute;nia de batismo damos uma vela acesa, um c&iacute;rio aceso ao pai e &agrave; m&atilde;e, para que o menino, a menina, seja iluminado, iluminada. </p> 
<p>Jesus traz a luz. Mas o povo, as pessoas, o seu povo n&atilde;o o recebeu. Est&aacute; t&atilde;o habituado &agrave;s trevas que a luz o ofusca, n&atilde;o sabe como caminhar (cf. <i>Jo</i> 1, 10-11). E este &eacute; o drama do nosso pecado: o pecado cega-nos e n&oacute;s n&atilde;o conseguimos tolerar a luz. Os nossos olhos est&atilde;o doentes. E Jesus diz claramente, no Evangelho de Mateus: &laquo;Se, por&eacute;m, os teus olhos forem maus, o teu corpo ser&aacute; tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti h&aacute; s&atilde;o trevas, qu&atilde;o grandes ser&atilde;o tais trevas!&raquo; (cf. <i>Mt</i> 6, 22-23). As trevas... E a convers&atilde;o &eacute; passar das trevas para a luz. </p> 
<p>Mas quais s&atilde;o as coisas que adoecem os olhos, os olhos da f&eacute;? Os nossos olhos est&atilde;o doentes: quais s&atilde;o as coisas que “os fazem adoecer”, que os cegam? Os <i>v&iacute;cios</i>, o <i> esp&iacute;rito mundano</i>, a <i>soberba</i>. Os v&iacute;cios que “te derrubam” e tamb&eacute;m, estas tr&ecirc;s atitudes - os v&iacute;cios, a soberba, o esp&iacute;rito mundano - levam-te a asociar-te com os outros para permaneceres seguro nas trevas. Falamos frequentemente das m&aacute;fias; &eacute; isto. Mas h&aacute; “m&aacute;fias espirituais”, h&aacute; “m&aacute;fias dom&eacute;sticas”, sempre &agrave; procura de outra pessoa para se proteger e permanecer na escurid&atilde;o. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil viver na luz. A luz faz-nos ver tantas coisas negativas dentro de n&oacute;s que n&atilde;o queremos ver: v&iacute;cios, pecados... Pensemos nos nossos v&iacute;cios, na nossa soberba, no nosso esp&iacute;rito mundano: estas coisas cegam-nos, afastam-nos da luz de Jesus. </p> 
<p>Mas se come&ccedil;armos a pensar nestas atitudes, n&atilde;o&nbsp; encontraremos uma parede, n&atilde;o: encontraremos uma sa&iacute;da, porque o pr&oacute;prio Jesus diz que Ele &eacute; a luz: &laquo;Vim, n&atilde;o para condenar o mundo, mas para o salvar&raquo; (cf. <i>Jo</i> 12, 46-47). Jesus, a luz, diz: &laquo;Tende coragem: deixai-vos iluminar, deixai-vos ver pelo que tendes dentro, porque sou eu quem vos conduz para a frente, quem vos salva. N&atilde;o&nbsp; condeno. Eu&nbsp; salvo-vos&raquo; (cf. v. 47). O Senhor salva-nos da escurid&atilde;o que temos dentro, das trevas da vida quotidiana, da vida social, da vida pol&iacute;tica, da vida nacional e internacional... h&aacute; muitas trevas dentro de n&oacute;s. E o Senhor salva-nos. Mas pede-nos que <i>as vejamos </i>primeiro; que tenhamos a coragem de ver as nossas trevas, para que a luz do Senhor&nbsp; entre e nos salve.</p> 
<p>N&atilde;o tenhamos medo do Senhor: &eacute; muito bom, &eacute; manso, est&aacute; pr&oacute;ximo de n&oacute;s. Ele veio para nos salvar. N&atilde;o tenhamos medo da luz de Jesus.</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>As pessoas que n&atilde;o podem receber a Eucaristia, agora fazem a Comunh&atilde;o espiritual</p> 
<p>Meu Jesus, creio que estais presente no Sant&iacute;ssimo Sacramento. Amo-vos acima de tudo e a minha alma suspira por V&oacute;s. Mas dado que agora n&atilde;o posso receber-vos no Sant&iacute;ssimo Sacramento, vinde, pelo menos espiritualmente, ao meu cora&ccedil;&atilde;o. Abra&ccedil;o-vos come se j&aacute; estiv&eacute;sseis comigo: uno-me inteiramente a V&oacute;s. Ah! N&atilde;o permitais que eu volte a separar-me de V&oacute;s!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Atitudes que impedem de conhecer Cristo (5 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Tue, 05 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200505_perentrare-nelgregge-dicristo.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200505_perentrare-nelgregge-dicristo.html</guid><description><![CDATA[<!-- Wed, 06 May 2020 16:05:46 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i> </font> </p>
<p align="center"><b><font color="#663300" size="4">“Atitudes que impedem de conhecer Cristo”</font></b></p>
<p align="center"> <font color="#663300"><i>Ter&ccedil;a-feira, 5 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/5/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Rezemos hoje pelas pessoas que morreram devido &agrave; pandemia. Faleceram sozinhas, sem a car&iacute;cia dos seus entes queridos, e muitas nem sequer tiveram o funeral. Que o Senhor as receba na gl&oacute;ria.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>Jesus estava no templo e aproximava-se a festa da Dedica&ccedil;&atilde;o (cf. <i>Jo </i>10, 22-30). Tamb&eacute;m os judeus o rodearam e disseram: &laquo;At&eacute; quando nos deixar&aacute;s na incerteza? Se Tu &eacute;s Cristo, di-lo abertamente&raquo; (v. 24). Faziam perder a paci&ecirc;ncia, mas Jesus respondeu-lhes com muita mansid&atilde;o: &laquo;J&aacute; vo-lo disse, mas n&atilde;o credes&raquo; (v. 25). Acrescentaram: “&Eacute;s tu? &Eacute;s tu?” - “Sim, disse-o, mas n&atilde;o credes!”. &laquo;Mas n&atilde;o credes porque n&atilde;o sois das minhas ovelhas&raquo; (v. 26). E isto talvez levante uma d&uacute;vida: creio e fa&ccedil;o parte das ovelhas de Jesus. Mas se Jesus nos dissesse: “N&atilde;o podeis crer, pois n&atilde;o fazeis parte”: existe uma f&eacute; pr&eacute;via no encontro com Jesus? No que consiste este <i>fazer parte </i>da f&eacute; de Jesus? O que me det&eacute;m &agrave; frente da porta que &eacute; Jesus?</p> 
<p>H&aacute; atitudes que precedem a confiss&atilde;o de Jesus. Tamb&eacute;m para n&oacute;s, que fazemos parte do rebanho de Jesus. S&atilde;o como “antipatias pr&eacute;vias”, que n&atilde;o nos deixam ir em frente no conhecimento do Senhor. A primeira de todas s&atilde;o <i>as riquezas</i>. Muitos de n&oacute;s, que entramos pela porta do Senhor, paramos e n&atilde;o continuamos porque vivemos presos nas riquezas. O Senhor era severo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s riquezas: foi muito duro, deveras severo. A ponto de dizer que era mais f&aacute;cil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos C&eacute;us (cf. <i> Mt </i>19, 24). Isto &eacute; duro! A riqueza &eacute; um impedimento para ir em frente. Mas ser&aacute; necess&aacute;rio cair no pauperismo? N&atilde;o! Mas n&atilde;o sejamos escravos da riqueza, n&atilde;o vivamos para a riqueza, pois a riqueza &eacute; um senhor, &eacute; o senhor deste mundo e n&atilde;o podemos servir a dois senhores (cf. <i>Lc </i>16, 13). As riquezas aprisionam-nos!</p> 
<p>Outra atitude que nos impede de ir em frente no conhecimento de Jesus, na perten&ccedil;a de Jesus, &eacute; a <i>rigidez:</i> a rigidez do cora&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m a rigidez na interpreta&ccedil;&atilde;o da Lei. Jesus repreende os fariseus, os doutores da Lei, por causa desta rigidez (cf. <i>Mt </i>23, 1-36). Isto n&atilde;o &eacute; fidelidade: a fidelidade &eacute; sempre um dom a Deus; a rigidez &eacute; uma seguran&ccedil;a para mim. Lembro-me que, certa vez, entrei na par&oacute;quia e uma senhora - uma senhora bondosa - aproximou-se de mim e disse: “Padre, um conselho...” - “Diga-me...” - “Na semana passada, s&aacute;bado, n&atilde;o ontem, no s&aacute;bado passado, fomos a um casamento de fam&iacute;lia: celebrado com uma missa. Era s&aacute;bado &agrave; tarde, e pensamos que com aquela missa t&iacute;nhamos cumprido o preceito do domingo. Mas depois, a caminho de casa, pensei que as leituras para aquela missa n&atilde;o eram as de domingo. E assim percebi que estou em pecado mortal, porque no domingo n&atilde;o fui &agrave; missa, dado tinha ido no s&aacute;bado, mas a uma missa <i>que n&atilde;o era verdadeira</i>, porque as leituras n&atilde;o eram <i> verdadeiras</i>”. Esta rigidez... E aquela senhora pertencia a um movimento eclesial... Rigidez. Isto afasta-nos da sabedoria de Jesus, da sabedoria de Jesus; tira a liberdade. Muitos pastores fazem crescer esta rigidez na alma dos fi&eacute;is, e esta rigidez n&atilde;o nos deixa entrar pela porta de Jesus (cf. <i>Jo </i> 10, 7). Ser&aacute; mais importante observar a lei tal como est&aacute; escrita, ou como eu a interpreto, que &eacute; a liberdade de ir em frente seguindo Jesus?</p> 
<p>Outra atitude que n&atilde;o nos deixa ir em frente no conhecimento de Jesus &eacute; a <i> pregui&ccedil;a</i>. Aquele cansa&ccedil;o... pensemos naquele homem na piscina: 38 anos ali (cf. <i>Jo </i>5, 1-9). Pregui&ccedil;a. Tira-nos a vontade de continuar e tudo se resume em “sim, mas... n&atilde;o, agora n&atilde;o, mas...”, isto leva-nos &agrave; tibieza, torna-nos t&iacute;bios. A pregui&ccedil;a... &eacute; outra atitude que nos impede de continuar.</p> 
<p>Outra atitude que j&aacute; &eacute; suficientemente negativa &eacute; a <i>clericalista</i>. O clericalismo coloca-se no lugar de Jesus, dizendo: “N&atilde;o, isto deve ser assim e assado...” - “Mas, o Mestre...” - “Deixa o Mestre em paz. Isto &eacute; assim e assado, se n&atilde;o fizeres isto assim, n&atilde;o podes entrar”. Um clericalismo que tira a liberdade de f&eacute; dos crentes. &Eacute; uma doen&ccedil;a terr&iacute;vel na Igreja: a atitude clericalista.</p> 
<p>Depois, outra atitude que nos impede de ir em frente, de entrar para conhecer Jesus e confessar Jesus, &eacute; o <i>esp&iacute;rito mundano</i>. Quando a observ&acirc;ncia da f&eacute;, a pr&aacute;tica da f&eacute; acaba na mundanidade. E tudo &eacute; mundano. Pensemos na celebra&ccedil;&atilde;o de alguns sacramentos em certas par&oacute;quias: quanta mundanidade existe! E a gra&ccedil;a da presen&ccedil;a de Jesus n&atilde;o &eacute; bem compreendida.</p> 
<p>Estas s&atilde;o as causas que nos impedem de fazer parte das ovelhas de Jesus. Somos “ovelhas” [no seguimento] de todas estas atitudes: das riquezas, da pregui&ccedil;a, da rigidez, da mundanidade, do clericalismo, das modalidades, das ideologias, das formas de vida. N&atilde;o h&aacute; liberdade. E n&atilde;o se pode seguir Jesus sem liberdade. “Mas &agrave;s vezes a liberdade vai al&eacute;m e algu&eacute;m escorrega”: sim, &eacute; verdade. &Eacute; verdade! Podemos escorregar, caminhando com liberdade. Mas o pior &eacute; escorregar <i>antes </i>de partir, com estas atitudes que impedem de come&ccedil;ar a caminhar.</p> 
<p>Que o Senhor nos ilumine para ver dentro de n&oacute;s se existe a liberdade de passar pela porta, que &eacute; Jesus, e de ir al&eacute;m de Jesus para ser rebanho, para ser ovelhas do seu rebanho.</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>As pessoas que n&atilde;o podem receber a Eucaristia, agora fazem a Comunh&atilde;o espiritual</p> 
<p>Meu Jesus, creio que estais presente no Sant&iacute;ssimo Sacramento. Amo-vos acima de tudo e a minha alma suspira por V&oacute;s. Mas dado que agora n&atilde;o posso receber-vos no Sant&iacute;ssimo Sacramento, vinde, pelo menos espiritualmente, ao meu cora&ccedil;&atilde;o. Abra&ccedil;o-vos come se j&aacute; estiv&eacute;sseis comigo: uno-me inteiramente a V&oacute;s. Ah! N&atilde;o permitais que eu volte a separar-me de V&oacute;s!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Todos nós temos um único Pastor: Jesus (4 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Mon, 04 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200504_cristo-unicopastore.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200504_cristo-unicopastore.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 04 May 2020 18:58:31 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i></font></p>
<p align="center"><b> <font color="#663300" size="4">“Todos n&oacute;s temos um &uacute;nico Pastor: Jesus”</font></b></p>
<p align="center"> <font color="#663300"><i>Segunda-feira, 4 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/4/santamarta.html">Multimidia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Rezemos hoje pelas fam&iacute;lias. Neste tempo de quarentena, a fam&iacute;lia, fechada em casa, procura fazer muitas coisas novas, ter tanta criatividade com as crian&ccedil;as, com todos, para seguir em frente. E &agrave;s vezes existe tamb&eacute;m outra situa&ccedil;&atilde;o: a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. Rezemos pelas fam&iacute;lias, para que continuem em paz, com criatividade e paci&ecirc;ncia, nesta quarentena.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>Quando Pedro subiu a Jerusal&eacute;m, os fi&eacute;is repreenderam-no (cf. <i>At </i>11, 1-8). Eles reprovaram-no porque entrou na casa de homens n&atilde;o circuncidados e comeu com eles, com os gentios: isto n&atilde;o se podia fazer, era um pecado. A pureza da lei n&atilde;o o permitia. Mas Pedro f&ecirc;-lo porque o Esp&iacute;rito o conduziu ali. Na Igreja h&aacute; sempre - e muito na Igreja primitiva, porque isto ainda n&atilde;o era claro - o esp&iacute;rito do “n&oacute;s somos justos, os outros s&atilde;o pecadores”. Este “n&oacute;s e os outros”, “n&oacute;s e os outros”, as divis&otilde;es: “Assumimos a posi&ccedil;&atilde;o correta perante Deus”. Mas, h&aacute; “os outros”; diz-se tamb&eacute;m: “Eles s&atilde;o os j&aacute; condenados”. E esta &eacute; uma <i>doen&ccedil;a </i>da Igreja, uma enfermidade que deriva de ideologias ou de partidos religiosos... Pensemos que na &eacute;poca de Jesus havia pelo menos quatro partidos religiosos: o partido dos fariseus, dos saduceus, dos zelotas e dos ess&eacute;nios, e cada um interpretava a lei de acordo com “a ideia” que tinha. E esta ideia &eacute; uma escola “fora da lei”, quando &eacute; uma forma de pensar, de sentir, mundana que se faz int&eacute;rprete da lei. Tamb&eacute;m criticaram Jesus por entrar na casa dos publicanos - que, segundo eles, eram pecadores - e por comer com eles, com pecadores, porque a pureza da lei n&atilde;o o permitia (cf. <i>Mt </i>9, 10-11); Ele n&atilde;o lavou as m&atilde;os antes do almo&ccedil;o (cf. <i>Mt </i>15, 2.20). &Eacute; esta repreens&atilde;o que causa sempre a divis&atilde;o: este &eacute; o aspeto importante que eu gostaria de enfatizar.</p> 
<p>H&aacute; ideias, posi&ccedil;&otilde;es que provocam divis&atilde;o, a ponto de a divis&atilde;o ser mais importante do que a unidade. A minha ideia &eacute; mais importante do que o Esp&iacute;rito Santo que nos guia. H&aacute; um cardeal “em&eacute;rito” que vive aqui no Vaticano, um pastor bom, que dizia aos seus fi&eacute;is: “Sabeis que a Igreja &eacute; como um rio? Alguns est&atilde;o mais deste lado, outros do outro, mas o importante &eacute; que todos estejam dentro do rio”. Tal &eacute; a unidade da Igreja. Ningu&eacute;m fora, todos dentro. Depois, com as peculiaridades: isto n&atilde;o divide, n&atilde;o &eacute; ideologia, &eacute; l&iacute;cito. Mas por que a Igreja tem esta amplid&atilde;o de rio? Porque o Senhor assim o quer.</p> 
<p>No Evangelho, o Senhor diz-nos: &laquo;Ainda tenho outras ovelhas, que n&atilde;o s&atilde;o deste aprisco; tamb&eacute;m as devo conduzir, e elas ouvir&atilde;o a minha voz, e haver&aacute; um s&oacute; rebanho e um s&oacute; pastor&raquo; (<i>Jo </i>10, 16). O Senhor diz: “Tenho ovelhas por toda a parte e sou o pastor de todas”. Em Jesus, este <i>todas </i>&eacute; muito importante. Pensemos na par&aacute;bola da festa de casamento (cf. <i>Mt </i>22, 1-10), quando os convidados n&atilde;o queriam participar: um porque tinha comprado um campo, outro porque se casara... todos deram uma raz&atilde;o para n&atilde;o ir. E o senhor zangou-se e disse: &laquo;Ide, pois, &agrave;s encruzilhadas e convidai para as bodas todos os que encontrardes&raquo; (v. 9). Todos. Grandes e pequenos, ricos e pobres, bons e maus. Todos. Este “todos” &eacute; um pouco a vis&atilde;o do Senhor que veio para todos e morreu por todos. “Mas ser&aacute; que Ele tamb&eacute;m morreu por aquele miser&aacute;vel que me tornou a vida imposs&iacute;vel?”. Morreu tamb&eacute;m por ele. “E por aquele bandido?”. Morreu por ele. Por todos. E tamb&eacute;m pelas pessoas que n&atilde;o acreditam nele ou s&atilde;o de outra religi&atilde;o: morreu por todos. Isto n&atilde;o significa que devemos fazer proselitismo: n&atilde;o. Mas Ele morreu por todos, justificou todos.</p> 
<p>Aqui em Roma havia uma senhora, uma mulher bondosa, a professora [Maria Grazia] Mara, que quando estava em dificuldade por muitos motivos, e quando havia divis&otilde;es, dizia: “Cristo morreu por todos: vamos em frente!”. A capacidade construtiva. Temos apenas um Redentor, s&oacute; uma unidade: Cristo morreu por todos. Ao contr&aacute;rio, a tenta&ccedil;&atilde;o... Paulo tamb&eacute;m a sofreu: “Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou deste, eu sou do outro...” (cf. <i>1 Cor </i>3, 1-9). E pensemos em n&oacute;s, h&aacute; cinquenta anos, no p&oacute;s-Conc&iacute;lio: as divis&otilde;es que a Igreja sofreu. “Eu sou deste lado, penso assim, tu pensas de outro modo...”. Sim, &eacute; leg&iacute;timo pensar assim, mas <i>na unidade da Igreja, </i>sob o Pastor Jesus.</p> 
<p>Duas considera&ccedil;&otilde;es. A repreens&atilde;o dos ap&oacute;stolos a Pedro, porque entrou na casa de pag&atilde;os e Jesus que diz: “Eu sou pastor de todos”. Eu sou pastor de todos. E que diz: &laquo;Ainda tenho outras ovelhas que n&atilde;o s&atilde;o deste aprisco; tamb&eacute;m as devo conduzir, e elas ouvir&atilde;o a minha voz, e haver&aacute; um s&oacute; rebanho&raquo; (cf. <i>Jo </i>10, 16). &Eacute; a ora&ccedil;&atilde;o pela unidade de todos os homens, porque <i>todos</i>, homens e mulheres, todos n&oacute;s temos um s&oacute; Pastor: Jesus.</p> 
<p>Que o Senhor nos livre daquela psicologia da divis&atilde;o, da separa&ccedil;&atilde;o, e nos ajude a ver isto em Jesus, este grande aspeto de Jesus, pois nele somos todos irm&atilde;os e Ele &eacute; o pastor de <i>todos</i>. Que hoje, esta palavra: <i>todos, todos, </i>nos acompanhe ao longo do dia.</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>As pessoas que n&atilde;o podem receber a Eucaristia, agora fazem a Comunh&atilde;o espiritual</p> 
<p>&Oacute; meu Jesus, prostro-me aos vossos p&eacute;s e ofere&ccedil;o-vos o arrependimento do meu cora&ccedil;&atilde;o contrito que mergulha no vosso cora&ccedil;&atilde;o e na vossa santa presen&ccedil;a. Adoro-vos no Sacramento do vosso amor, a inef&aacute;vel Eucaristia. Desejo receber-vos na pobre morada que o meu cora&ccedil;&atilde;o vos oferece. &Agrave; espera da felicidade da Comunh&atilde;o sacramental, quero possuir-vos em esp&iacute;rito. Vinde a mim, &oacute; meu Jesus, e que eu venha a V&oacute;s. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, na vida e na morte. Creio em V&oacute;s, espero em V&oacute;s, amo-vos!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Regina Caeli, 3 de maio de 2020]]></title><pubDate>Sun, 03 May 2020 12:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2020/documents/papa-francesco_regina-coeli_20200503.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2020/documents/papa-francesco_regina-coeli_20200503.html</guid><description><![CDATA[<!-- Fri, 22 May 2020 12:13:17 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">PAPA FRANCISCO</font></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>REGINA CAELI</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Biblioteca do Pal&aacute;cio Apost&oacute;lico<br /> Domingo, 3 de maio de 2020</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/3/regina-coeli.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Estimados irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>O quarto domingo de P&aacute;scoa, que hoje celebramos, &eacute; dedicado a Jesus, Bom Pastor. O Evangelho diz: &laquo;As ovelhas <i>ouvem a sua voz</i>: e chama pelo nome as suas ovelha&raquo; (<i>Jo</i> 10, 3). O Senhor chama-nos pelo nome, chama-nos porque nos ama. Mas, diz novamente o Evangelho, h&aacute; <i>outras vozes</i>, que n&atilde;o se devem seguir: as de estranhos, ladr&otilde;es e assaltantes que querem o mal das ovelhas.</p> 
<p>Estas diferentes vozes ressoam dentro de n&oacute;s. H&aacute; a voz de Deus, que fala amavelmente &agrave; consci&ecirc;ncia, e h&aacute; a voz tentadora que induz ao mal. Como podemos reconhecer a voz do bom pastor e a do ladr&atilde;o, como podemos distinguir a inspira&ccedil;&atilde;o de Deus da sugest&atilde;o do maligno? Podemos aprender a discernir estas duas vozes: elas falam duas l&iacute;nguas diferentes, ou seja, t&ecirc;m formas opostas de bater ao nosso cora&ccedil;&atilde;o. Falam l&iacute;nguas diferentes. Tal como sabemos distinguir uma l&iacute;ngua da outra, tamb&eacute;m sabemos distinguir a voz de Deus da voz do Maligno.<b> </b>A voz de Deus nunca obriga: Deus <i>prop&otilde;e-se</i>, Ele n&atilde;o se <i>imp&otilde;e</i>. Ao contr&aacute;rio, a voz maligna seduz, agride, for&ccedil;a: suscita ilus&otilde;es deslumbrantes, emo&ccedil;&otilde;es tentadoras, mas transit&oacute;rias. No in&iacute;cio lisonjeia-nos, faz-nos acreditar que somos omnipotentes, mas depois deixa-nos vazios por dentro e acusa-nos: “Tu n&atilde;o vales nada”. A voz de Deus, pelo contr&aacute;rio, corrige-nos, com muita paci&ecirc;ncia, mas encoraja-nos sempre, consola-nos: alimenta-nos sempre de esperan&ccedil;a. A voz de Deus &eacute; uma voz que tem um horizonte, enquanto que, a voz do maligno leva-te a um muro, p&otilde;e-te de lado.</p> 
<p>Outra diferen&ccedil;a. A voz do inimigo distrai-nos do presente e quer que nos concentremos nos receios do futuro ou nas tristezas do passado<b> - </b>o inimigo n&atilde;o quer o presente -: faz ressurgir as amarguras, as recorda&ccedil;&otilde;es das injusti&ccedil;as sofridas, daqueles que nos magoaram..., muitas recorda&ccedil;&otilde;es negativas.<b> </b>Mas, a voz de Deus fala ao presente: “Agora podes fazer o bem, agora podes exercer a criatividade do amor, agora podes renunciar aos arrependimentos e remorsos que mant&ecirc;m o teu cora&ccedil;&atilde;o prisioneiro”. Anima-nos, faz-nos ir em frente, mas fala no presente: agora.</p> 
<p>Mais uma vez: as duas vozes levantam em n&oacute;s quest&otilde;es diferentes. A que vem de Deus ser&aacute;: “O que &eacute; bom para mim?”. Ao contr&aacute;rio, o tentador insistir&aacute; noutra quest&atilde;o: “O que me apetece fazer”. O que me apetece: a voz maligna gira sempre em torno do ego, dos seus impulsos, das suas necessidades, de <i>tudo e j&aacute;</i>. &Eacute; como os caprichos das crian&ccedil;as: tudo e agora.<b> </b>A voz de Deus, pelo contr&aacute;rio, nunca promete alegria a um pre&ccedil;o baixo: convida-nos a ir al&eacute;m do nosso ego para encontrar o verdadeiro bem, a paz. Lembremo-nos: o mal nunca nos d&aacute; paz, ao contr&aacute;rio provoca inquieta&ccedil;&atilde;o e depois deixa amargura. Este &eacute; o estilo do mal.</p> 
<p>Por fim, a voz de Deus e a do tentador falam em diferentes “ambientes”: o inimigo prefere a escurid&atilde;o, a falsidade, os mexericos; o Senhor ama a luz do sol, a verdade, a transpar&ecirc;ncia sincera. O inimigo dir-nos-&aacute;: “Fecha-te em ti, porque ningu&eacute;m te entende nem te ouve, n&atilde;o confies!”. Ao contr&aacute;rio, o bem convida-nos a abrir-nos, a ser claros e a confiar em Deus e nos outros. Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, neste momento, tantos pensamentos e preocupa&ccedil;&otilde;es nos levam a reentrar em n&oacute;s mesmos. Prestemos aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s vozes que chegam aos nossos cora&ccedil;&otilde;es. Perguntemo-nos de onde v&ecirc;m. Pe&ccedil;amos a gra&ccedil;a de reconhecer e seguir a voz do bom Pastor, que nos faz sair do espa&ccedil;o do ego&iacute;smo e nos conduz aos pastos da verdadeira liberdade. Que Nossa Senhora, M&atilde;e do Bom Conselho, guie e acompanhe o nosso discernimento.</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="75%" size="1" /> 
<p><b>Depois do Regina Caeli</b></p> 
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Celebramos hoje o <i>Dia Mundial de Ora&ccedil;&atilde;o pelas Voca&ccedil;&otilde;es</i>. A exist&ecirc;ncia crist&atilde; &eacute; sempre uma resposta &agrave; chamada de Deus, em qualquer estado de vida. Este dia recorda-nos o que Jesus disse certa vez, que a messe do Reino de Deus requer muito trabalho, e devemos rezar ao Pai para que envie trabalhadores para a sua messe (cf. <i>Mt</i> 9, 37-38). O sacerd&oacute;cio e a vida consagrada exigem coragem e perseveran&ccedil;a; e sem ora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o continuaremos por este caminho. Convido todos a invocar do Senhor o dom de bons trabalhadores para o seu Reino, com o cora&ccedil;&atilde;o e as m&atilde;os abertas ao seu amor.</p> 
<p>Mais uma vez, gostaria de expressar a minha solidariedade com os doentes da Covid-19, com aqueles que se dedicam aos seus cuidados, com quantos, de alguma forma, sofrem com a pandemia. Ao mesmo tempo, gostaria de apoiar e encorajar a colabora&ccedil;&atilde;o internacional que est&aacute; a ter lugar com v&aacute;rias iniciativas, a fim de responder de forma adequada e eficaz &agrave; grave crise que estamos a atravessar. Com efeito, &eacute; importante unir as capacidades cient&iacute;ficas, de forma transparente e desinteressada, para encontrar vacinas e tratamentos e garantir o acesso universal a tecnologias essenciais que permitam que as pessoas contagiadas, em todas as partes do mundo, recebam os cuidados de sa&uacute;de necess&aacute;rios.</p> 
<p>Dirijo um pensamento especial &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o “Meter”, promotora do Dia Nacional das crian&ccedil;as v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia, explora&ccedil;&atilde;o e indiferen&ccedil;a. Encorajo os respons&aacute;veis e os operadores a prosseguirem a sua a&ccedil;&atilde;o de preven&ccedil;&atilde;o e de sensibiliza&ccedil;&atilde;o ao lado das diversas ag&ecirc;ncias educativas. E agrade&ccedil;o &agrave;s crian&ccedil;as da Associa&ccedil;&atilde;o que me enviaram uma <i>colagem</i> com centenas de margaridas por elas coloridas. Obrigado!</p> 
<p>Acabou de iniciar maio, o m&ecirc;s mariano por excel&ecirc;ncia, durante o qual os fi&eacute;is gostam de visitar os Santu&aacute;rios dedicados a Nossa Senhora. Este ano, devido &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, dirijamo-nos espiritualmente a estes lugares de f&eacute; e devo&ccedil;&atilde;o, para colocar no cora&ccedil;&atilde;o da Sant&iacute;ssima Virgem as nossas preocupa&ccedil;&otilde;es, expectativas e planos para o futuro. </p> 
<p>E porque a ora&ccedil;&atilde;o &eacute; um valor universal, aceitei a proposta do Alto Comit&eacute; para a Fraternidade Humana a fim de que, no pr&oacute;ximo dia 14 de maio, os crentes de todas as religi&otilde;es se unam espiritualmente num dia de ora&ccedil;&atilde;o, jejum<b> </b>e obras de caridade, para implorar a Deus que ajude a humanidade a superar a pandemia do coronav&iacute;rus. Lembrai-vos: a 14 de maio, todos os crentes juntos, crentes de diferentes tradi&ccedil;&otilde;es, para orar, jejuar e fazer obras de caridade.</p> 
<p>Desejo-vos a todos bom domingo. Por favor, n&atilde;o vos esque&ccedil;ais de rezar por mim. Bom almo&ccedil;o e at&eacute; &agrave; vista.</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[A mansidão e ternura do Bom Pastor (3 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Sun, 03 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200503_mitezza-tenerezza-buon-pastore.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200503_mitezza-tenerezza-buon-pastore.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 04 May 2020 15:40:41 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i></font></p>
<p align="center"><b> <font size="4" color="#663300">“A mansid&atilde;o e ternura do Bom Pastor”</font></b></p>
<p align="center"><font color="#663300"><i>Domingo, 3 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/3/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Tr&ecirc;s semanas ap&oacute;s a Ressurrei&ccedil;&atilde;o do Senhor, a Igreja celebra hoje, no quarto domingo de P&aacute;scoa, o domingo do Bom Pastor, Jesus Bom Pastor. Isto faz-me pensar em tantos pastores no mundo que d&atilde;o a vida pelos fi&eacute;is, tamb&eacute;m nesta pandemia, muitos, aqui em It&aacute;lia j&aacute; morreram mais de 100. E penso tamb&eacute;m noutros pastores que se preocupam com o bem do povo: os m&eacute;dicos. Falamos de m&eacute;dicos, daquilo que fazem, mas devemos saber que, s&oacute; na It&aacute;lia, faleceram 154 m&eacute;dicos durante o servi&ccedil;o. Que o exemplo destes pastores sacerdotes e “pastores m&eacute;dicos” nos ajude a cuidar do santo povo fiel de Deus.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>A Primeira Carta do Ap&oacute;stolo Pedro, que ouvimos, &eacute; um excerto de serenidade (cf. 2, 20-25). Fala de Jesus. Ele diz: &laquo;Assumindo ele mesmo no seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pud&eacute;ssemos viver para a justi&ccedil;a; e pelas suas feridas fostes sarados. Porque &eacute;reis como ovelhas desgarradas; mas agora fostes reconduzidos ao pastor e guardi&atilde;o das vossas almas&raquo; (vv. 24-25).</p> 
<p>Jesus &eacute; o pastor - assim o v&ecirc; Pedro - que vem para salvar, para salvar as ovelhas errantes: &eacute;ramos n&oacute;s. E no salmo 22 que lemos depois desta leitura, repetimos: &laquo;O Senhor &eacute; meu pastor: nada me faltar&aacute;&raquo; (v. 1). A presen&ccedil;a do Senhor como pastor, como pastor do rebanho. E Jesus, no cap&iacute;tulo 10 de Jo&atilde;o, que lemos, apresenta-se como pastor. De facto, n&atilde;o s&oacute; o pastor, mas a “porta” por onde se entra no rebanho (cf. v. 8). Todos aqueles que vieram e n&atilde;o entraram por aquela porta eram ladr&otilde;es e assaltante ou queriam aproveitar-se do rebanho: os falsos pastores. E na hist&oacute;ria da Igreja tem havido muitos destes que exploraram o rebanho. Eles n&atilde;o estavam interessados no rebanho, mas apenas em fazer carreira, ou pol&iacute;tica ou dinheiro. Mas o rebanho conhecia-os, sempre os conheceu e ia &agrave; procura de Deus pelo seu caminho.</p> 
<p>Mas quando h&aacute; um bom pastor que leva em frente, h&aacute; o rebanho que vai em frente. O bom pastor ouve o rebanho, guia o rebanho, cura o rebanho. E o rebanho sabe distinguir os pastores, n&atilde;o erra: o rebanho confia no bom pastor, confia em Jesus. S&oacute; o pastor que se assemelha a Jesus d&aacute; confian&ccedil;a ao rebanho, porque Ele &eacute; <i>a porta</i>. O estilo de Jesus deve ser o estilo do pastor, n&atilde;o h&aacute; outro. Mas at&eacute; Jesus, o bom pastor, como diz Pedro na primeira leitura, &laquo;pois tamb&eacute;m Cristo padeceu por n&oacute;s, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas: o qual n&atilde;o cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano; o qual, quando o injuriavam, n&atilde;o injuriava, e quando padecia n&atilde;o amea&ccedil;ava&raquo; (<i>1 Pd</i> 2, 21-23). Ele era manso. Um dos sinais do bom Pastor &eacute; <i>a mansid&atilde;o</i>. O bom pastor &eacute; manso. Um pastor que n&atilde;o &eacute; manso n&atilde;o &eacute; um bom pastor. Ele tem algo escondido, porque a mansid&atilde;o se mostra como &eacute;, sem se defender. Pelo contr&aacute;rio, o pastor &eacute; terno, tem essa <i>ternura da proximidade</i>, conhece todas as ovelhas pelo nome e cuida de cada uma como se fosse a &uacute;nica, a ponto que, ao chegar a casa depois de um dia de trabalho, cansado, percebe que lhe falta uma, sai para trabalhar outra vez para a procurar e [encontr&aacute;-la] leva-a consigo, carrega-a sobre os ombros (cf. <i>Lc</i> 15, 4-5). Este &eacute; o bom pastor, este &eacute; Jesus, que nos acompanha a todos no caminho da vida. E esta ideia do pastor, esta ideia do rebanho e das ovelhas, &eacute; uma ideia pascal. A Igreja, na primeira semana da P&aacute;scoa, canta aquele lindo hino para os rec&eacute;m-batizados: “Estes s&atilde;o os novos cordeiros”, o hino que ouvimos no in&iacute;cio da Missa. &Eacute; uma ideia de comunidade, de ternura, de bondade, de mansid&atilde;o. &Eacute; a Igreja que Jesus quer, e Ele salvaguarda esta Igreja.</p> 
<p>Este &eacute; um domingo bonito, &eacute; um domingo de paz, &eacute; um domingo de ternura, de mansid&atilde;o, porque o nosso Pastor cuida de n&oacute;s. &laquo;O Senhor &eacute; meu pastor, nada me faltar&aacute;&raquo;. (<i>Sl </i>22, 1).</p> 
<p><b>Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>Meu Jesus, creio que estais presente no Sant&iacute;ssimo Sacramento. Amo-vos acima de tudo e a minha alma suspira por V&oacute;s. Mas dado que agora n&atilde;o posso receber-vos no Sant&iacute;ssimo Sacramento, vinde, pelo menos espiritualmente, ao meu cora&ccedil;&atilde;o. Abra&ccedil;o-vos come se j&aacute; estiv&eacute;sseis comigo: uno-me inteiramente a V&oacute;s. Ah! N&atilde;o permitais que eu volte a separar-me de V&oacute;s!</p> 
<p><b>Palavras no final da missa</b></p> 
<p>Gostaria de agradecer &agrave; associa&ccedil;&atilde;o ACLI [Associazioni Cristiane Lavoratori Italiani] que nos concedeu por estes dias esta linda imagem de S&atilde;o Jos&eacute; para que nos acompanhasse na festividade de S&atilde;o Jos&eacute; oper&aacute;rio.</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Aprender a viver os momentos de crise (2 de maio de 2020)]]></title><pubDate>Sat, 02 May 2020 07:00:00 +0200</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200502_lecrisi-occasioni-diconversione.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200502_lecrisi-occasioni-diconversione.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 04 May 2020 12:24:06 +0200 --> <p align="center"><font color="#663300">CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO <br /> DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i><b><font size="4">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></b></i></font></p>
<p align="center"> <b> <font color="#663300" size="4">&nbsp;“Aprender a viver os momentos de crise”</font></b></p>
<p align="center"><font color="#663300"><i>S&aacute;bado, 2 de maio de 2020</i></font></p> 
<p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2020/5/2/santamarta.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 
<p>Rezemos hoje pelos governantes que t&ecirc;m a responsabilidade de cuidar dos seus povos nestes tempos de crise: chefes de Estado, presidentes de governo, legisladores, presidentes de c&acirc;maras municipais, presidentes de regi&atilde;o... Para que o Senhor os ajude e lhes d&ecirc; for&ccedil;a, pois o seu trabalho n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. E que, quando existirem diferen&ccedil;as entre eles, compreendam que nos momentos de crise devem estar muito unidos para o bem do povo, pois a unidade &eacute; superior ao conflito.</p> 
<p>Hoje, s&aacute;bado 2 de maio, 300 grupos de ora&ccedil;&atilde;o unem-se a n&oacute;s em prece. Trata-se dos chamados <i>“madrugadores”: </i>aqueles que se levantam cedo para rezar, que se levantam de madrugada precisamente para a ora&ccedil;&atilde;o. Hoje, neste momento, eles unem-se a n&oacute;s.</p> 
<p><b>Homilia</b></p> 
<p>A primeira Leitura come&ccedil;a assim: &laquo;Naqueles dias a Igreja estava em paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria. Fortalecia-se caminhando no temor do Senhor e, com a consola&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, crescia em n&uacute;mero&raquo; (<i>At</i> 9, 31). Tempo de paz. E a Igreja cresce. A Igreja est&aacute; tranquila, tem o conforto do Esp&iacute;rito Santo, est&aacute; em consola&ccedil;&atilde;o. Bons tempos... Segue-se a cura de Eneias, depois Pedro ressuscita Gazela, Tabita... coisas que se fazem em paz. </p> 
<p>Mas na Igreja primitiva nem sempre &eacute; tempo de paz: h&aacute; tempos de persegui&ccedil;&atilde;o, tempos dif&iacute;ceis, tempos que colocam os crentes em crise. Tempos de crise. E um tempo de crise &eacute; o que nos narra hoje o Evangelho de Jo&atilde;o (cf. 6, 60-69). Esta passagem do Evangelho &eacute; o fim de toda uma s&eacute;rie, que come&ccedil;ou com a multiplica&ccedil;&atilde;o dos p&atilde;es, quando queriam fazer Jesus rei, Jesus retira-se para rezar, no dia seguinte n&atilde;o o encontram, v&atilde;o &agrave; sua procura, e Jesus repreende-os porque o procuram para que lhes d&ecirc; de comer, e n&atilde;o pelas palavras de vida eterna... E toda aquela hist&oacute;ria termina aqui. Dizem: “Dai-nos deste p&atilde;o”, e Jesus explica que o p&atilde;o que dar&aacute; &eacute; o seu corpo e o seu sangue.</p> 
<p>&laquo;Naquele tempo, muitos dos disc&iacute;pulos de Jesus, ouvindo-o, disseram: “Isto &eacute; muito dif&iacute;cil! Quem o pode seguir?”&raquo; (v. 60). Jesus disse que quem n&atilde;o tivesse comido o seu corpo e sangue, n&atilde;o teria a vida eterna. Jesus disse tamb&eacute;m: &laquo;Se comerdes o meu corpo e beberdes o meu sangue, ressuscitareis no &uacute;ltimo dia&raquo; (cf<i>. </i>v.<i> </i>54), disse Jesus. &laquo;Isto &eacute; muito dif&iacute;cil!&raquo; (v. 60)<b> </b>[os disc&iacute;pulos pensam].<b> </b>“&Eacute; demasiado dif&iacute;cil. Algo aqui n&atilde;o funciona. Este homem foi longe demais”. E este &eacute; um momento de crise. Houve momentos de paz e momentos de crise. Jesus sabia que os disc&iacute;pulos murmuravam. Aqui h&aacute; uma distin&ccedil;&atilde;o entre os disc&iacute;pulos e os ap&oacute;stolos: os disc&iacute;pulos eram aqueles setenta e dois ou mais, os ap&oacute;stolos eram os Doze. &laquo;Porque desde o princ&iacute;pio Jesus sabia quais eram os que n&atilde;o acreditavam e quem o havia de trair&raquo; (v. 64). E perante esta crise, recorda-lhes: &laquo;Foi por isso que vos disse: “Ningu&eacute;m pode vir a mim, se o meu Pai n&atilde;o lho conceder”&raquo; (v. 65). E recome&ccedil;a a falar do que significa ser atra&iacute;do pelo Pai: o Pai atrai-nos a Jesus. &Eacute; assim que se resolve a crise.</p> 
<p>E <b>&laquo;</b>a partir daquele momento, muitos dos seus disc&iacute;pulos se retiraram e j&aacute; n&atilde;o andavam com Ele&raquo; (v. 66). Distanciaram-se. “Este homem &eacute; um pouco perigoso, um pouco... Mas estas doutrinas... Sim, ele &eacute; um homem bom, prega e cura, mas quando come&ccedil;a com estas coisas estranhas... Por favor, vamos embora” (cf. v. 66). Assim fizeram os disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s, na manh&atilde; da Ressurrei&ccedil;&atilde;o: “Bem, sim, uma coisa estranha: as mulheres que dizem que o t&uacute;mulo... Mas isto cheira mal, diziam, vamos embora depressa, porque os soldados vir&atilde;o e nos crucificar&atilde;o”&nbsp; (cf. <i>Lc</i> 24, 22-24). Os soldados que guardavam o t&uacute;mulo fizeram o mesmo: tinham visto a verdade, mas depois preferiram vender o seu segredo: “Tenhamos cuidado: n&atilde;o entremos nestas hist&oacute;rias, pois s&atilde;o perigosas” (cf. <i>Mt </i>28, 11-15). </p> 
<p>Um momento de crise &eacute; um momento de escolha, que nos coloca &agrave; frente das decis&otilde;es que temos de tomar. Todos na vida tivemos e teremos momentos de crise: crise familiar, crise matrimonial, crise social, crise laboral, muitas crises... Esta pandemia &eacute; tamb&eacute;m um momento de crise social.</p> 
<p>Como reagir neste momento de crise? &laquo;A partir daquele momento, muitos dos seus disc&iacute;pulos se retiraram e j&aacute; n&atilde;o andavam com Ele&raquo; (v. 66). Jesus tomou a decis&atilde;o de interrogar os ap&oacute;stolos: &laquo;Ent&atilde;o, Jesus perguntou aos Doze: “Quereis v&oacute;s tamb&eacute;m retirar-vos?”&raquo; (v. 67). Tomai uma decis&atilde;o. E Pedro faz a segunda confiss&atilde;o: &laquo;Sim&atilde;o Pedro respondeu-lhe: “Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna. E n&oacute;s acreditamos e sabemos que Tu &eacute;s o Santo de Deus!”&raquo; (vv. 68-69). Pedro confessa, em nome dos Doze, que Jesus &eacute; o Santo de Deus, o Filho de Deus. A primeira confiss&atilde;o - &laquo;Tu &eacute;s Cristo, o Filho do Deus vivo&raquo; - e logo depois, quando Jesus come&ccedil;ou a explicar a paix&atilde;o que viria, impediu-o: “N&atilde;o, n&atilde;o, Senhor, isto n&atilde;o”, e Jesus repreendeu-o (cf. <i>Mt</i> 16, 16-23). Mas Pedro amadureceu um pouco e aqui n&atilde;o censura. N&atilde;o entende o que Jesus diz, “comer a carne, beber o sangue” (cf. 6, 54-56), n&atilde;o entende, mas confia no Mestre. Confia. E faz esta segunda confiss&atilde;o: “Mas a quem iremos? Por favor, Tu tens palavras de vida eterna” (cf. v. 68).</p> 
<p>Isto ajuda-nos todos a viver a crise. Na minha terra h&aacute; um ditado que diz: “Quando vais a cavalo e deves atravessar um rio, por favor n&atilde;o troques o cavalo no meio do rio”. Em tempos de crise, sejamos deveras firmes na convic&ccedil;&atilde;o da f&eacute;. Aqueles que foram embora, que “trocaram o cavalo”, procuraram outro mestre que n&atilde;o fosse t&atilde;o “duro”, como lhe diziam. Nos momentos de crise deve haver perseveran&ccedil;a, sil&ecirc;ncio; fiquemos onde estamos, im&oacute;veis. Este n&atilde;o &eacute; o momento de fazer altera&ccedil;&otilde;es. &Eacute; o momento da fidelidade, da fidelidade a Deus, da fidelidade &agrave;s coisas [decis&otilde;es] que tomamos antes. &Eacute; tamb&eacute;m o momento da convers&atilde;o, pois esta fidelidade ir&aacute; inspirar-nos a fazer algumas mudan&ccedil;as para o bem, n&atilde;o a distanciar-nos do bem.</p> 
<p>Momentos de paz e momentos de crise. N&oacute;s, crist&atilde;os, temos de aprender a enfrentar ambos. Ambos. Alguns padres espirituais dizem que o momento de crise &eacute; como atravessar o fogo para se tornar forte. Que o Senhor nos envie o Esp&iacute;rito Santo para sabermos resistir &agrave;s tenta&ccedil;&otilde;es nos momentos de crise, para sabermos ser fi&eacute;is &agrave;s primeiras palavras, com a esperan&ccedil;a de viver depois os momentos de paz. Pensemos nas nossas crises: crises familiares, crises de vizinhan&ccedil;a, crises de trabalho, crises sociais do mundo, do pa&iacute;s... Muitas crises, tantas crises.</p> 
<p>Que o Senhor nos d&ecirc; a for&ccedil;a - em tempos de crise - para n&atilde;o vendermos a f&eacute;.</p> 
<p><b>Ora&ccedil;&atilde;o para fazer a Comunh&atilde;o espiritual</b></p> 
<p>As pessoas que n&atilde;o podem receber a Eucaristia, agora fazem a Comunh&atilde;o espiritual</p> 
<p>Meu Jesus, creio que estais presente no Sant&iacute;ssimo Sacramento. Amo-vos acima de tudo e a minha alma suspira por V&oacute;s. Mas dado que agora n&atilde;o posso receber-vos no Sant&iacute;ssimo Sacramento, vinde, pelo menos espiritualmente, ao meu cora&ccedil;&atilde;o. Abra&ccedil;o-vos come se j&aacute; estiv&eacute;sseis comigo: uno-me inteiramente a V&oacute;s. Ah! N&atilde;o permitais que eu volte a separar-me de V&oacute;s!</p>]]></description></item></channel></rss>