<rss version="2.0" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><channel><title>vatican.va</title><link>http://www.vatican.va</link><description>vatican.va</description><language>pt</language><item><title><![CDATA[Audiência Geral de 20 de março de 2019]]></title><pubDate>Wed, 20 Mar 2019 09:30:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2019/documents/papa-francesco_20190320_udienza-generale.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2019/documents/papa-francesco_20190320_udienza-generale.html</guid><description><![CDATA[<!-- Wed, 20 Mar 2019 09:27:34 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300">PAPA FRANCISCO</font></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>AUDI&Ecirc;NCIA GERAL</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Quarta-feira, 20 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/20/udienzagenerale.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><b><i>Locutor: </i></b></p> 
<p>A terceira invoca&ccedil;&atilde;o do Pai-Nosso, “seja feita a Vossa vontade”, nos lembra que a vontade de Deus &eacute; que “todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. De fato, quando rezamos pedindo que se realize em n&oacute;s e no mundo a vontade de Deus, longe de nos predispormos a uma humilhante submiss&atilde;o servil, n&oacute;s fazemos um ato de confian&ccedil;a de que, apesar de todas as dificuldades, obst&aacute;culos e sofrimentos, o nosso Pai do c&eacute;u nunca nos abandonar&aacute;. Desse modo, nos associamos &agrave; ora&ccedil;&atilde;o de Jesus no Gets&ecirc;mani, que quando experimentou a ang&uacute;stia orou: “n&atilde;o seja feita a minha, mas a vossa vontade”! Fazer a vontade de Deus significa tamb&eacute;m estar dispostos a contribuir para evitar tudo aquilo que Deus n&atilde;o quer para o homem e para o mundo, como o &oacute;dio e a guerra, e a promover tudo o que seja o bem, a vida e a salva&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p align="center">* * *</p> 
<p><b>Santo Padre: </b></p> 
<p>Rivolgo un cordiale saluto ai pellegrini di lingua portoghese, in particolare ai fedeli brasiliani di Ribeir&atilde;o Preto. Cari amici, nel tempo della Quaresima, la Chiesa ci raccomanda di accrescere il tempo che dedichiamo alla preghiera. Possano tali momenti di dialogo filiale con Dio aiutarci a riscoprire sempre di pi&ugrave; il suo amore infinito per ciascuno di noi e cos&igrave; diventare strumenti di misericordia e di pace. Dio vi benedica. </p> 
<p align="center">* * *</p> 
<p><b>Locutor: </b></p> 
<p>Dirijo uma sauda&ccedil;&atilde;o cordial aos peregrinos de l&iacute;ngua portuguesa, em particular aos brasileiros de Ribeir&atilde;o Preto. Queridos amigos, no tempo da Quaresma, a Igreja nos recomenda de aumentar o tempo que dedicamos &agrave; ora&ccedil;&atilde;o. Que esses momentos de di&aacute;logo filial com Deus nos ajudem a descobrir sempre mais o seu amor infinito por n&oacute;s e assim nos tornemos instrumentos de miseric&oacute;rdia e paz. Deus vos aben&ccedil;oe! </p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Angelus, 17 de março de 2019, II Domingo da Quaresma]]></title><pubDate>Sun, 17 Mar 2019 12:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2019/documents/papa-francesco_angelus_20190317.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2019/documents/papa-francesco_angelus_20190317.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 21 Mar 2019 12:32:11 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300">PAPA FRANCISCO</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><b><i><font size="4">ANGELUS</font></i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Pra&ccedil;a S&atilde;o Pedro<br />II Domingo de Quaresma, 17 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/17/angelus.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Bom dia, queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Neste segundo domingo de Quaresma, a liturgia faz-nos contemplar o evento da Transfigura&ccedil;&atilde;o, no qual Jesus concede que os disc&iacute;pulos Pedro, Tiago e Jo&atilde;o sintam a gl&oacute;ria da Ressurrei&ccedil;&atilde;o: um peda&ccedil;o de c&eacute;u na terra. O evangelista Lucas (cf. 9, 28-36) mostra-nos Jesus transfigurado no monte, lugar da luz, s&iacute;mbolo fascinante da singular experi&ecirc;ncia reservada aos tr&ecirc;s disc&iacute;pulos. Eles sobem &agrave; montanha com o Mestre, veem-no imergir-se na ora&ccedil;&atilde;o e, a uma certa altura, &laquo;o seu rosto transformou-se&raquo; (v. 29). Habituados a v&ecirc;-lo quotidianamente na simples apar&ecirc;ncia da sua humanidade, diante daquele novo esplendor, que envolve tamb&eacute;m toda a sua pessoa, ficam surpreendidos. E ao lado de Jesus aparecem Mois&eacute;s e Elias, que falam com Ele do seu pr&oacute;ximo “&ecirc;xodo”, ou seja, da sua P&aacute;scoa de morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma antecipa&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa. Ent&atilde;o, Pedro exclama: &laquo;Mestre, &eacute; bom estarmos aqui!&raquo; (v. 33). Ele gostaria que aquele momento de gra&ccedil;a nunca acabasse!</p> 
<p>A Transfigura&ccedil;&atilde;o d&aacute;-se num momento espec&iacute;fico da miss&atilde;o de Cristo, ou seja, depois que Ele confidenciou aos disc&iacute;pulos que devia &laquo;sofrer muito [...] ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar&raquo; (v. 22). Jesus sabe que eles n&atilde;o aceitam esta realidade — a realidade da cruz, a realidade da morte de Jesus — e ent&atilde;o quer prepar&aacute;-los para suportar o esc&acirc;ndalo da paix&atilde;o e da morte de cruz, a fim de que saibam que este &eacute; o caminho pelo qual o Pai celestial far&aacute; chegar &agrave; gl&oacute;ria o seu Filho, ressuscitando-o dentre os mortos. E esta ser&aacute; tamb&eacute;m a senda dos disc&iacute;pulos: ningu&eacute;m alcan&ccedil;a a vida eterna, a n&atilde;o ser seguindo Jesus, carregando a pr&oacute;pria cruz na vida terrena. Cada um de n&oacute;s tem a sua cruz. O Senhor mostra-nos o fim deste percurso, que &eacute; a Ressurrei&ccedil;&atilde;o, a beleza, carregando a pr&oacute;pria cruz.</p> 
<p>Portanto, a Transfigura&ccedil;&atilde;o de Cristo indica-nos a perspetiva crist&atilde; do sofrimento. O sofrimento n&atilde;o &eacute; sadomasoquismo: ele &eacute; uma passagem necess&aacute;ria, mas transit&oacute;ria. O ponto de chegada para o qual somos chamados &eacute; luminoso como o rosto de Cristo transfigurado: n’Ele encontram-se a salva&ccedil;&atilde;o, a bem-aventuran&ccedil;a, a luz, o amor ilimitado de Deus. Mostrando assim a sua gl&oacute;ria, Jesus assegura-nos que a cruz, as prova&ccedil;&otilde;es e as dificuldades com as quais nos debatemos t&ecirc;m a sua solu&ccedil;&atilde;o e supera&ccedil;&atilde;o na P&aacute;scoa. Por isso, nesta Quaresma, subamos tamb&eacute;m n&oacute;s ao monte com Jesus! Mas de que modo? Com a ora&ccedil;&atilde;o. Subamos ao monte com a ora&ccedil;&atilde;o: a prece silenciosa, a ora&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o, a ora&ccedil;&atilde;o, sempre &agrave; procura do Senhor. Permane&ccedil;amos alguns momentos em recolhiment0, um pouquinho todos os dias, fixemos o olhar interior na sua face e deixemos que a sua luz nos invada e se irradie na nossa vida.</p> 
<p>Com efeito, o Evangelista Lucas insiste sobre o facto de que Jesus se transfigurou &laquo;enquanto orava&raquo; (v. 29). Imergiu-se num di&aacute;logo &iacute;ntimo com o Pai, no qual ressoavam tamb&eacute;m a Lei e os Profetas — Mois&eacute;s e Elias — e enquanto aderia com todo o seu ser &agrave; vontade de salva&ccedil;&atilde;o do Pai, inclusive a cruz, a gl&oacute;ria de Deus invadiu-o transparecendo at&eacute; do lado de fora. Irm&atilde;os e irm&atilde;s, &eacute; assim: a ora&ccedil;&atilde;o em Cristo e no Esp&iacute;rito Santo transforma a pessoa a partir de dentro e pode iluminar os outros e o mundo circunstante. Quantas vezes encontramos pessoas que iluminam, que emanam luz dos olhos, que t&ecirc;m um olhar luminoso! Rezam, e a ora&ccedil;&atilde;o faz isto: <i> torna-nos resplandecentes com a luz do Esp&iacute;rito Santo!</i></p> 
<p>Sigamos com alegria o nosso itiner&aacute;rio quaresmal. Demos espa&ccedil;o &agrave; ora&ccedil;&atilde;o e &agrave; Palavra de Deus, que a liturgia nos prop&otilde;e abundantemente nestes dias. A Virgem Maria nos ensine a permanecer com Jesus at&eacute; quando n&atilde;o o entendemos nem o compreendemos. Por isso, somente permanecendo com Ele veremos a sua gl&oacute;ria.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="75%" size="1" /> 
<p><b>Depois do Angelus</b></p> 
<p><i>Estimados irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Nestes dias, &agrave; dor pelas guerras e pelos conflitos que n&atilde;o cessam de afligir a humanidade inteira, juntou-se o sofrimento pelas v&iacute;timas do horr&iacute;vel atentado contra duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zel&acirc;ndia. Rezo pelos defuntos, pelos feridos e pelos seus familiares. Estou pr&oacute;ximo dos nossos irm&atilde;os mu&ccedil;ulmanos e de toda aquela comunidade. Renovo o convite a unir-se com a ora&ccedil;&atilde;o e com gestos de paz, para combater o &oacute;dio e a viol&ecirc;ncia. Oremos juntos, em sil&ecirc;ncio, pelos nossos irm&atilde;os mu&ccedil;ulmanos que foram assassinados.</p> 
<p>Dirijo uma cordial sauda&ccedil;&atilde;o a todos v&oacute;s, aqui presentes: fi&eacute;is de Roma e de muitas partes do mundo. Sa&uacute;do os peregrinos da Pol&oacute;nia; de Val&ecirc;ncia, na Espanha; de Cajazeiras, no Brasil; e de Benguela, em Angola. Quantos angolanos!</p> 
<p>Sa&uacute;do os grupos paroquiais provenientes de Verona, Quarto di Napoli e Castel del Piano, de Perugia; os alunos de Corleone, os ministrantes de Brembo in Dalmine, e a associa&ccedil;&atilde;o “Uno a Cento”, de P&aacute;dua.</p> 
<p>Desejo bom domingo a todos! Por favor, n&atilde;o vos esque&ccedil;ais de rezar por mim. Bom almo&ccedil;o e at&eacute; &agrave; vista!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Palavras do Santo Padre na conclusão dos Exercícios Espirituais (15 de março de 2019)]]></title><pubDate>Fri, 15 Mar 2019 10:30:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190315_conclusione-esercizispirituali.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190315_conclusione-esercizispirituali.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 21 Mar 2019 11:47:29 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300">CONCLUS&Atilde;O DOS EXERC&Iacute;CIOS ESPIRITUAIS<br /> &nbsp;DO SANTO PADRE E DA C&Uacute;RIA ROMANA </font></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>PALAVRAS DO PAPA FRANCISCO<br /> &nbsp;AO PREGADOR DOS EXERC&Iacute;CIOS ESPIRITUAIS</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Casa Divin Maestro (Ariccia)<br /> Sexta-feira, 15 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/15/termine-esercizispirituali.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p>Desejo agradecer-te, irm&atilde;o Bernardo, a tua ajuda nestes dias. Surpreendeu-me o teu trabalho para nos fazer entrar, como fez o Verbo, no humano; e compreender que Deus se faz sempre presente no humano. F&ecirc;-lo pela primeira vez na encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo, total, mas Ele est&aacute; presente tamb&eacute;m nos vest&iacute;gios que deixa no humano. Como a encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo — <i>indivisa et inconfusa</i> — est&aacute; aqui. E o nosso trabalho talvez seja ir em frente...</p> 
<p>Agrade&ccedil;o-te muito por este trabalho. Agrade&ccedil;o-te por nos teres falado sobre a mem&oacute;ria: esta dimens&atilde;o “deuteron&oacute;mica” que esquecemos; por nos teres falado de esperan&ccedil;a, de trabalho, de paci&ecirc;ncia como para nos indicares o caminho para ter “mem&oacute;ria do futuro” que nos leva sempre em frente. Obrigado!</p> 
<p>E fez-me rir quando disseste que algu&eacute;m, lendo os t&iacute;tulos das medita&ccedil;&otilde;es, talvez n&atilde;o tenha entendido o que a C&uacute;ria fez: &eacute; poss&iacute;vel que tenha contrataram uma guia tur&iacute;stica para a levar conhecer Floren&ccedil;a e os seus poetas... E at&eacute; eu na primeira medita&ccedil;&atilde;o fiquei um pouco desorientado, depois entendi a mensagem. Obrigado.</p> 
<p>Pensei muito num documento conciliar — a <i> <a href="http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html"> Gaudium et spes</a></i> — talvez seja o documento que encontrou mais resist&ecirc;ncias, at&eacute; hoje. E nalguns momentos parecias ter a coragem dos Padres conciliares quando assinaram aquele documento. Agrade&ccedil;o-te muito. Reza por n&oacute;s que somos todos pecadores, todos, mas desejamos continuar a ir em frente, servindo o Senhor. Muito obrigado e transmite uma sauda&ccedil;&atilde;o aos monges, da minha e da nossa parte. Obrigado!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Angelus, 10 de março de 2019, I Domingo da Quaresma]]></title><pubDate>Sun, 10 Mar 2019 12:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2019/documents/papa-francesco_angelus_20190310.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2019/documents/papa-francesco_angelus_20190310.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 14 Mar 2019 13:00:45 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300">PAPA FRANCISCO</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><b><i><font size="4">ANGELUS</font></i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Pra&ccedil;a S&atilde;o Pedro<br />I Domingo da Quaresma, 10 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/10/angelus.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> &nbsp;
<p><i>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>O Evangelho deste primeiro domingo de Quaresma (cf. <i>Lc</i> 4, 1-13) narra a experi&ecirc;ncia das tenta&ccedil;&otilde;es de Jesus no deserto. Depois de ter jejuado por quarenta dias, Jesus &eacute; tentado tr&ecirc;s vezes pelo diabo, o qual primeiro o convida a transformar uma pedra em p&atilde;o (v. 3); em seguida mostra-lhe do alto os reinos da terra, sugerindo-lhe que pode tornar-se um messias poderoso e glorioso (vv. 5-6); e por fim o conduz ao ponto mais alto do templo de Jerusal&eacute;m e o exorta a lan&ccedil;ar-se, para manifestar de maneira espetacular o seu poder divino (vv. 9-11). As tr&ecirc;s tenta&ccedil;&otilde;es indicam tr&ecirc;s caminhos que o mundo sempre prop&otilde;e, prometendo grandes sucessos, tr&ecirc;s sendas para nos enganar: a <i>avidez da posse</i> — ter, ter e ter — <i>a gl&oacute;ria humana</i>, e <i>a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o de Deus</i>. S&atilde;o tr&ecirc;s caminhos que nos levar&atilde;o &agrave; ru&iacute;na.</p> 
<p>O primeiro, a <i>avidez da posse</i>. &Eacute; sempre esta a l&oacute;gica insidiosa do diabo. Ele come&ccedil;a pela natural e leg&iacute;tima necessidade de se nutrir, de viver, de se realizar, de ser feliz, para nos impelir a acreditar que tudo isto &eacute; poss&iacute;vel sem Deus, ali&aacute;s, at&eacute; contra Ele. Mas Jesus op&otilde;e-se, dizendo: &laquo;Est&aacute; escrito: “Nem s&oacute; de p&atilde;o vive o homem”&raquo; (v. 4). Recordando o longo caminho do povo eleito atrav&eacute;s do deserto, Jesus afirma que deseja abandonar-se com plena confian&ccedil;a &agrave; provid&ecirc;ncia do Pai, que cuida sempre dos seus filhos.</p> 
<p>A segunda tenta&ccedil;&atilde;o: o caminho da <i>gl&oacute;ria humana</i>. O diabo diz: &laquo;Se te prostrares diante de mim, tudo ser&aacute; teu&raquo; (v. 7). Podemos perder qualquer dignidade pessoal, deixamo-nos corromper pelos &iacute;dolos do dinheiro, do sucesso e do poder, contanto que alcancemos a nossa autoafirma&ccedil;&atilde;o. E saboreamos a emo&ccedil;&atilde;o de uma alegria vazia que esvaece imediatamente. E isto leva-nos at&eacute; a comportarmo-nos como “pav&otilde;es”, a vaidade, mas tudo isto acaba. Por isso Jesus responde: &laquo;Ao Senhor, teu Deus, adorar&aacute;s e s&oacute; a Ele prestar&aacute;s culto&raquo; (v. 8).</p> 
<p>E a terceira tenta&ccedil;&atilde;o: <i>instrumentalizar Deus</i> em pr&oacute;prio benef&iacute;cio. Ao diabo que, citando as Escrituras, o convida a pedir a Deus um milagre extraordin&aacute;rio, Jesus op&otilde;e de novo a firme decis&atilde;o de permanecer humilde e confiante diante do Pai: &laquo;N&atilde;o tentar&aacute;s ao Senhor, teu Deus&raquo; (v. 12). E assim rejeita a tenta&ccedil;&atilde;o talvez mais subtil: de querer “puxar Deus para o nosso lado”, pedindo-lhe gra&ccedil;as que na realidade servem e servir&atilde;o para satisfazer o nosso orgulho.</p> 
<p>Estes s&atilde;o os caminhos que se apresentam diante de n&oacute;s, com a ilus&atilde;o de poder obter o sucesso e a felicidade. Mas, na realidade, eles s&atilde;o totalmente alheios ao modo de agir de Deus: ali&aacute;s, de facto, separam-nos de Deus porque s&atilde;o obra de Satan&aacute;s. Jesus, enfrentando estas prova&ccedil;&otilde;es, vence tr&ecirc;s vezes a tenta&ccedil;&atilde;o para aderir plenamente ao projeto do Pai. E indica-nos os rem&eacute;dios: a vida interior, a f&eacute; em Deus, a certeza do seu amor e de que Deus nos ama, que &eacute; Pai, e com esta certeza venceremos qualquer tenta&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>Contudo h&aacute; um aspeto sobre a qual gostaria de chamar a aten&ccedil;&atilde;o, algo interessante. Jesus ao responder ao tentador <i>n&atilde;o entra em di&aacute;logo</i>, mas responde aos tr&ecirc;s desafios s&oacute; com a Palavra de Deus. Isto ensina-nos que com o diabo n&atilde;o se dialoga, n&atilde;o se deve dialogar, s&oacute; se lhe responde com a Palavra de Deus. </p> 
<p>Por consequente, aproveitemos a Quaresma, como um tempo privilegiado para nos purificar, para experimentar a presen&ccedil;a consoladora de Deus na nossa vida.</p> 
<p>A materna intercess&atilde;o da Virgem Maria, &iacute;cone de fidelidade a Deus, nos ampare no nosso caminho, ajudando-nos a rejeitar sempre o mal e a acolher o bem. </p> 
<p>&nbsp;</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="25%" size="1" align="left" /> 
<p><b>Depois do Angelus</b></p> 
<p><i>Estimados irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Ontem em Oviedo, na Espanha, foram proclamados beatos os seminaristas Angelo Cuartas e oito companheiros m&aacute;rtires, assassinados por &oacute;dio &agrave; f&eacute; num tempo de persegui&ccedil;&atilde;o religiosa. Estes jovens aspirantes ao sacerd&oacute;cio amaram tanto o Senhor que o seguiram no caminho da Cruz. O seu testemunho heroico ajude os seminaristas, os sacerdotes e os bispos a manterem-se l&iacute;mpidos e generosos, para servir fielmente o Senhor e o povo santo de Deus.</p> 
<p>Dirijo uma cordial sauda&ccedil;&atilde;o &agrave;s fam&iacute;lias, aos grupos paroquiais, &agrave;s associa&ccedil;&otilde;es e a todos os peregrinos vindos da It&aacute;lia e de diversos pa&iacute;ses. Sa&uacute;do os estudantes de Castro Urdiales (Espanha) e os fi&eacute;is provenientes de Vars&oacute;via; assim como os de Castellammare di Stabia e Porcia. Sa&uacute;do os Pequenos cantores de Pura (Su&iacute;&ccedil;a), os jovens do decanato de Baggio (Mil&atilde;o), os da profiss&atilde;o de f&eacute; de Samarate, os crismandos de Bondone e de Paullo, os jovens de Verona e os alunos da escola “Emiliani” dos Padres Somascos de G&eacute;nova.</p> 
<p>Desejo a todos que o caminho quaresmal, que acabou de ter in&iacute;cio, seja rico de frutos; e pe&ccedil;o-vos uma recorda&ccedil;&atilde;o na ora&ccedil;&atilde;o por mim e pelos colaboradores da C&uacute;ria Romana, pois hoje iniciaremos a semana de Exerc&iacute;cios Espirituais.</p> 
<p>Feliz domingo! Bom almo&ccedil;o e at&eacute; &agrave; vista!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Aos participantes na Conferência sobre o tema "Religiões e os objetivos de desenvolvimento sustentável" (8 de março de 2019)]]></title><pubDate>Fri, 08 Mar 2019 12:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190308_religioni-svilupposostenibile.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190308_religioni-svilupposostenibile.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 21 Mar 2019 11:58:15 +0100 --> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>DISCURSO DO PAPA FRANCISCO <br /> AOS PARTICIPANTES NA CONFER&Ecirc;NCIA SOBRE O TEMA<br /> &nbsp;&quot;RELIGI&Otilde;ES E OS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENT&Aacute;VEL&quot;</i></b></font></p> 
<i> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b>&nbsp;</b></font><font color="#663300">Sala Clementina<br /> Sexta-feira, 8 de mar&ccedil;o de 2019</font></p> </i> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/8/religioni-svilupposostenibile.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> <i> 
  <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></i></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Emin&ecirc;ncias<br /> Excel&ecirc;ncias<br /> Prezados Respons&aacute;veis das Tradi&ccedil;&otilde;es religiosas mundiais <br /> Representantes das Organiza&ccedil;&otilde;es internacionais <br /> Ilustres Senhores e Senhoras!</i></p> 
<p>Dou as boas-vindas a todos v&oacute;s, aqui reunidos para esta Confer&ecirc;ncia internacional sobre as Religi&otilde;es e os objetivos de desenvolvimento sustent&aacute;vel.</p> 
<p><i>Sustentabilidade e inclus&atilde;o</i></p> 
<p>Quando falamos de sustentabilidade, n&atilde;o podemos descuidar a import&acirc;ncia da inclus&atilde;o e da escuta de todas as vozes, de maneira especial daquelas normalmente marginalizadas por este tipo de debates, como a dos pobres, dos migrantes, dos ind&iacute;genas e dos jovens. Estou feliz por ver uma variedade de participantes nesta Confer&ecirc;ncia, portadores de uma multiplicidade de vozes, de opini&otilde;es e de propostas, que podem contribuir para novos percursos de desenvolvimento construtivo. &Eacute; importante que a atua&ccedil;&atilde;o dos objetivos de desenvolvimento sustent&aacute;vel siga a sua efetiva natureza origin&aacute;ria, a qual deve ser inclusiva e participativa.</p> 
<p><i>A Agenda 2030 e os objetivos de desenvolvimento sustent&aacute;vel</i>, aprovados por mais de 190 na&ccedil;&otilde;es em setembro de 2015, foram um grande passo em frente para o di&aacute;logo global, no sinal de uma necess&aacute;ria &laquo;nova solidariedade universal&raquo; (Enc&iacute;clica <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html"> Laudato si’</a></i>, 14). Diferentes tradi&ccedil;&otilde;es religiosas, inclusive a cat&oacute;lica, aceitaram os objetivos de desenvolvimento sustent&aacute;vel, porque s&atilde;o o resultado de processos participativos globais que, por um lado, refletem os valores das pessoas e, por outro, s&atilde;o sustentados por uma vis&atilde;o integral do desenvolvimento.</p> 
<p><i>Desenvolvimento integral</i></p> 
<p>Todavia, propor um di&aacute;logo sobre um desenvolvimento inclusivo e sustent&aacute;vel requer tamb&eacute;m o reconhecimento de que “desenvolvimento” &eacute; um conceito complexo, muitas vezes instrumentalizado. Quando falamos de desenvolvimento, devemos esclarecer sempre: desenvolvimento do qu&ecirc;? Desenvolvimento para quem? Durante demasiado tempo a ideia convencional de desenvolvimento foi quase completamente limitada ao crescimento econ&oacute;mico. Os indicadores de desenvolvimento nacional baseavam-se nas tabelas do produto interno bruto (<i>PIB</i>). Isto orientou o sistema econ&oacute;mico moderno por um caminho perigoso, que avaliou o progresso unicamente em termos de crescimento material, pelo qual somos quase obrigados a explorar irracionalmente tanto a natureza como os seres humanos.</p> 
<p>Na realidade, como p&ocirc;s em evid&ecirc;ncia o meu predecessor S&atilde;o Paulo VI, falar de desenvolvimento humano significa referir-se a <i>todas </i>as pessoas — n&atilde;o apenas e poucas — e &agrave; <i>inteira</i> pessoa humana — n&atilde;o s&oacute; &agrave; dimens&atilde;o material — (cf. Enc&iacute;clica <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_26031967_populorum.html"> Populorum progressio</a></i>, 14). Portanto, um debate frutuoso sobre o desenvolvimento deveria oferecer modelos vi&aacute;veis de integra&ccedil;&atilde;o social e de convers&atilde;o ecol&oacute;gica, porque n&atilde;o podemos desenvolver-nos como seres humanos, fomentando desigualdades crescentes e a degrada&ccedil;&atilde;o do meio ambiente.(1)</p> 
<p>As den&uacute;ncias de modelos negativos e as propostas de percursos alternativos n&atilde;o s&atilde;o v&aacute;lidos somente para os outros, mas tamb&eacute;m para n&oacute;s. Com efeito, todos n&oacute;s dever&iacute;amos comprometer-nos na promo&ccedil;&atilde;o e na atua&ccedil;&atilde;o dos objetivos de desenvolvimento que s&atilde;o sustentados pelos nossos valores religiosos e &eacute;ticos mais profundos. O desenvolvimento humano n&atilde;o &eacute; apenas uma quest&atilde;o econ&oacute;mica, ou que diz respeito unicamente aos peritos, mas constitui antes de tudo uma voca&ccedil;&atilde;o, uma chamada que exige uma resposta livre e respons&aacute;vel (cf. Bento XVI, Enc&iacute;clica <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate.html"> Caritas in veritate</a></i>, 16-17).</p> 
<p><i>Objetivos (di&aacute;logo e compromissos)</i></p> 
<p>E desejo que desta Confer&ecirc;ncia possam emergir as respostas: respostas concretas ao grito da terra e ao clamor dos pobres. Compromissos concretos para promover um desenvolvimento real, de modo sustent&aacute;vel, atrav&eacute;s de processos abertos &agrave; participa&ccedil;&atilde;o das pessoas. Propostas concretas para facilitar o desenvolvimento de quantos est&atilde;o em necessidade, valendo-se daquela que o Papa Bento XVI reconheceu como &laquo;a possibilidade de uma grande redistribui&ccedil;&atilde;o da riqueza a n&iacute;vel mundial, como nunca tinha acontecido antes&raquo; (<i>ibid.</i>, n. 42). Pol&iacute;ticas econ&oacute;micas concretas que estejam centradas na pessoa e que possam promover um mercado e uma sociedade mais humana (cf. <i>ibid.</i>, nn. 45, 47). Medidas econ&oacute;micas concretas que levem seriamente em considera&ccedil;&atilde;o a nossa casa comum. Compromissos &eacute;ticos, civis e pol&iacute;ticos concretos, para um desenvolvimento <i>ao lado</i> da nossa irm&atilde; terra, e n&atilde;o <i>apesar dela</i>.</p> 
<p><i>Tudo est&aacute; interligado</i></p> 
<p>Apraz-me saber tamb&eacute;m que os participantes nesta Confer&ecirc;ncia est&atilde;o dispostos a ouvir as vozes religiosas, quando debatem sobre a atua&ccedil;&atilde;o dos objetivos de desenvolvimento sustent&aacute;vel. Com efeito, todos os interlocutores deste di&aacute;logo sobre esta quest&atilde;o complexa s&atilde;o chamados de certa maneira a sair da pr&oacute;pria especializa&ccedil;&atilde;o para encontrar respostas comuns ao grito da terra e ao clamor dos pobres. No caso das pessoas religiosas, temos necessidade de abrir os tesouros das nossas melhores tradi&ccedil;&otilde;es, em vista de um di&aacute;logo verdadeiro e respeitador sobre o modo como construir o futuro do nosso planeta. As narra&ccedil;&otilde;es religiosas, n&atilde;o obstante sejam antigas, normalmente s&atilde;o densas de simbolismo e cont&ecirc;m &laquo;a atual convic&ccedil;&atilde;o de que tudo est&aacute; inter-relacionado e o cuidado aut&ecirc;ntico da nossa pr&oacute;pria vida e das nossas rela&ccedil;&otilde;es com a natureza &eacute; insepar&aacute;vel da fraternidade, da justi&ccedil;a e da fidelidade aos outros&raquo; (Carta Enc&iacute;clica <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html"> Laudato si’</a></i>, 70).</p> 
<p>Neste sentido, a Agenda 2030 das Na&ccedil;&otilde;es Unidas prop&otilde;e integrar todos os objetivos atrav&eacute;s de cinco p&ecirc;s: pessoas, planeta, prosperidade, paz e parceria.(2) Sei que tamb&eacute;m esta Confer&ecirc;ncia se articula em volta destes cinco p&ecirc;s.</p> 
<p>Acolho favoravelmente esta abordagem integrada dos objetivos; ela pode servir tamb&eacute;m para preservar contra uma vis&atilde;o da prosperidade fundamentada sobre o mito do crescimento e do consumo ilimitados (cf. Enc&iacute;clica <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html"> Laudato si’</a></i>, 106), para cuja sustentabilidade depender&iacute;amos unicamente do progresso tecnol&oacute;gico. Ainda podemos encontrar algumas pessoas que defendem obstinadamente aquele mito, e afirmam que os problemas sociais e ecol&oacute;gicos se resolvem simplesmente com a aplica&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias e sem considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas nem mudan&ccedil;as de fundo (cf. <i>ibid.</i>, n. 60).</p> 
<p>Uma abordagem integral ensina-nos que isto n&atilde;o &eacute; verdade. Se &eacute; certamente necess&aacute;rio apostar numa s&eacute;rie de objetivos de desenvolvimento, contudo isto n&atilde;o &eacute; suficiente para uma ordem mundial equitativa e sustent&aacute;vel. Os objetivos econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos devem ser corroborados por objetivos &eacute;ticos, que pressup&otilde;em uma mudan&ccedil;a de atitude, a B&iacute;blia diria uma mudan&ccedil;a de cora&ccedil;&atilde;o (cf. <i>ibid</i>., n. 2). J&aacute; S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo ii falou sobre a necessidade de &laquo;estimular e apoiar a <i>convers&atilde;o ecol&oacute;gica&raquo;</i> (<i>Catequese</i>, 17 de janeiro de 2001). Esta express&atilde;o &eacute; forte: <i>convers&atilde;o ecol&oacute;gica</i>. Aqui, as religi&otilde;es t&ecirc;m um papel-chave a desempenhar. Para uma transi&ccedil;&atilde;o correta rumo a um futuro sustent&aacute;vel, &eacute; necess&aacute;rio reconhecer &laquo;os pr&oacute;prios erros, pecados, v&iacute;cios ou neglig&ecirc;ncias&raquo;, &eacute; preciso &laquo;arrepender-se de cora&ccedil;&atilde;o, mudar a partir de dentro&raquo;, a fim de se reconciliar com os outros, com a cria&ccedil;&atilde;o e com o Criador (cf. Enc&iacute;clica <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html"> Laudato si’</a></i>, 218).</p> 
<p>Se quisermos conferir bases s&oacute;lidas ao trabalho da Agenda 2030, temos que rejeitar a tenta&ccedil;&atilde;o de procurar uma resposta simplesmente tecnocr&aacute;tica para os desafios — isto n&atilde;o funciona! — e estar dispostos a enfrentar as causas profundas e as consequ&ecirc;ncias a longo prazo.</p> 
<p><i>Popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas</i></p> 
<p>O princ&iacute;pio fundamental de todas as religi&otilde;es &eacute; o amor pelos nossos semelhantes e o cuidado da cria&ccedil;&atilde;o. Gostaria de evidenciar um grupo especial de pessoas religiosas, o das popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas. N&atilde;o obstante representem apenas 5 por cento da popula&ccedil;&atilde;o mundial, elas cuidam de quase 22 por cento da superf&iacute;cie terrestre. Vivendo em &aacute;reas como a Amaz&oacute;nia e o &Aacute;rtico, ajudam a proteger aproximadamente 80 por cento da biodiversidade do planeta. Segundo a Unesco, &laquo;as popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas s&atilde;o guardi&atilde;s especialistas de culturas e rela&ccedil;&otilde;es singulares com o meio ambiente natural. Representam uma vasta gama de diversidades lingu&iacute;sticas e culturais no &acirc;mago da nossa humanidade comum&raquo;.(3) Eu acrescentaria que, num mundo fortemente secularizado, tais popula&ccedil;&otilde;es recordam a todos a sacralidade da nossa terra. Por estes motivos, a sua voz e as suas preocupa&ccedil;&otilde;es deveriam estar no cerne da atua&ccedil;&atilde;o da Agenda 2030 e no centro da busca de novos caminhos para um futuro sustent&aacute;vel. Debaterei sobre isto inclusive com os meus irm&atilde;os Bispos, no S&iacute;nodo sobre a Regi&atilde;o Pan-Amaz&oacute;nica, no final de outubro do corrente ano.</p> 
<p><i>Conclus&otilde;es</i></p> 
<p>Estimados irm&atilde;os e irm&atilde;s, hoje, tr&ecirc;s anos e meio depois da ado&ccedil;&atilde;o dos objetivos de desenvolvimento sustent&aacute;vel, devemos estar ainda mais claramente conscientes da import&acirc;ncia de acelerar e adaptar as nossas a&ccedil;&otilde;es para responder adequadamente tanto ao grito da terra como ao clamor dos pobres (cf. Enc&iacute;clica <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html"> Laudato si’</a></i>, 49): eles est&atilde;o interligados.</p> 
<p>Os desafios s&atilde;o complexos e t&ecirc;m m&uacute;ltiplas causas; por conseguinte, a resposta n&atilde;o pode deixar de ser, por sua vez, complexa e articulada, respeitadora das diferentes riquezas culturais dos povos. Se estamos verdadeiramente preocupados em desenvolver uma ecologia capaz de reparar o preju&iacute;zo que provocamos, nenhum ramo das ci&ecirc;ncias e nenhuma forma de sabedoria deveriam ser descuidados, e isto inclui as religi&otilde;es e as linguagens que lhes s&atilde;o peculiares (cf. <i>ibid.</i>, n. 63). As religi&otilde;es podem ajudar-nos a percorrer o caminho de um verdadeiro desenvolvimento integral, que representa o novo nome da paz (cf. Paulo VI, Enc&iacute;clica <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_26031967_populorum.html"> Populorum progressio</a></i>, 76-77).</p> 
<p>Exprimo a minha profunda aprecia&ccedil;&atilde;o pelos vossos esfor&ccedil;os no cuidado da nossa casa comum, ao servi&ccedil;o da promo&ccedil;&atilde;o de um futuro sustent&aacute;vel inclusivo. Sei que &agrave;s vezes poderia parecer uma tarefa demasiado &aacute;rdua. E no entanto, os &laquo;seres humanos, capazes de tocar o fundo da degrada&ccedil;&atilde;o, podem tamb&eacute;m superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se&raquo; (Enc&iacute;clica <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html"> Laudato si’</a></i>, 205). Esta &eacute; a mudan&ccedil;a que as circunst&acirc;ncias atuais exigem, porque a injusti&ccedil;a que leva a terra e os pobres a chorar n&atilde;o &eacute; invenc&iacute;vel. </p> 
<p>Obrigado!</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<hr color="#C0C0C0" align="left" width="25%" size="1" /> 
<p>1. Quando, por exemplo, por causa das desigualdades na distribui&ccedil;&atilde;o do poder, o peso de d&iacute;vidas imensas &eacute; descarregado sobre os ombros dos pobres e dos pa&iacute;ses pobres; quando o desemprego &eacute; difundido, n&atilde;o obstante a expans&atilde;o do com&eacute;rcio; ou quando as pessoas s&atilde;o simplesmente tratadas como um meio em vista do crescimento de outros, temos necessidade de p&ocirc;r completamente em quest&atilde;o o modelo de desenvolvimento de refer&ecirc;ncia. Do mesmo modo quando, em nome do progresso, destru&iacute;mos a fonte do desenvolvimento, a nossa casa comum, ent&atilde;o o modelo predominante deve ser posto em causa. Pondo em d&uacute;vida este modelo e revisitando a economia mundial, os interlocutores de um di&aacute;logo sobre o desenvolvimento deveriam ser capazes de encontrar um sistema global econ&oacute;mico e pol&iacute;tico alternativo. No entanto, a fim de que isto aconte&ccedil;a, temos o dever de enfrentar as causas da distor&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento, ou seja, aquilo que na doutrina social cat&oacute;lica recente &eacute; qualificado como “pecados estruturais”. Denunciar estes pecados j&aacute; constitui uma boa contribui&ccedil;&atilde;o que as religi&otilde;es oferecem para o debate sobre o desenvolvimento do mundo. Contudo, al&eacute;m da den&uacute;ncia, devemos tamb&eacute;m propor &agrave;s pessoas e &agrave;s comunidades caminhos de convers&atilde;o vi&aacute;veis.</p> 
<p>2. Cf. United Nations, <i>Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development</i>, 2015.</p> 
<p>3.&nbsp; Unesco, <i>Message from Ms Irina Bokova, Director-General of Unesco, on the occasion of the International Day of the World’s Indigenous Peoples</i>, 9 August 2017.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[A uma delegação do "American Jewish Committee" (8 de março de 2019)]]></title><pubDate>Fri, 08 Mar 2019 11:30:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190308_american-jewish-committee.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190308_american-jewish-committee.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 21 Mar 2019 12:29:18 +0100 --> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>DISCURSO DO PAPA FRANCISCO <br /> A UMA DELEGA&Ccedil;&Atilde;O DO </i></b></font><b><i> <font size="4" color="#663300">“AMERICAN JEWISH COMMITTEE”</font></i></b></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Sala do Consist&oacute;rio<br /> Sexta-feira, 8 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/8/american-jewishcommittee.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> &nbsp;
<p><i>Prezados amigos!</i></p> 
<p>Dou-vos as minhas calorosas boas-vindas ao Vaticano. A vossa organiza&ccedil;&atilde;o manteve estreitos contactos com os sucessores de Pedro, desde o in&iacute;cio do di&aacute;logo oficial entre a Igreja cat&oacute;lica e o juda&iacute;smo. J&aacute; no Conc&iacute;lio Vaticano <span style="font-variant:small-caps">ii</span>, quando teve lugar uma nova orienta&ccedil;&atilde;o nas nossas rela&ccedil;&otilde;es, entre os observadores judeus estava presente o ilustre rabino Abraham J. Heschel do <i> American Jewish Committee</i>. O vosso compromisso a favor do di&aacute;logo judaico-cat&oacute;lico tem tantos anos quanto a Declara&ccedil;&atilde;o <i> Nostra aetate</i>, pedra angular no nosso caminho de redescoberta fraterna. Estou feliz que ao longo do tempo conseguimos manter boas rela&ccedil;&otilde;es e intensific&aacute;-las ainda mais.</p> 
<p>Cultivar boas rela&ccedil;&otilde;es fraternas ao longo do tempo &eacute; uma d&aacute;diva e, ao mesmo tempo, uma chamada de Deus. A tal prop&oacute;sito, gostaria de vos referir um epis&oacute;dio ocorrido precisamente na vossa regi&atilde;o. Um jovem cat&oacute;lico tinha sido enviado para a frente e viveu na primeira linha os horrores da segunda guerra mundial. Quando voltou para os Estados Unidos, constituiu fam&iacute;lia. Depois de muito trabalho, finalmente conseguiu comprar uma casa maior. Adquiriu-a de uma fam&iacute;lia judia. Na porta de entrada havia a <i>mezuz&aacute; </i>e aquele pai n&atilde;o queria que ela fosse removida durante os trabalhos de reestrutura&ccedil;&atilde;o da casa: tinha que permanecer exatamente ali, na entrada. E aos filhos deixou como heran&ccedil;a a import&acirc;ncia daquele sinal. Disse-lhes, um deles &eacute; sacerdote, que deviam olhar para aquele pequeno “ret&acirc;ngulo” sobre a porta cada vez que entrassem e sa&iacute;ssem de casa, porque ele conservava o segredo para tornar s&oacute;lida a fam&iacute;lia e para fazer da humanidade uma fam&iacute;lia. Com efeito, estava escrito aquilo que, de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se deve esquecer: amar o Senhor com todo o cora&ccedil;&atilde;o, com toda a alma e com todas as for&ccedil;as (cf. <i>Dt</i> 6, 4). Estimados amigos, somos chamados a construir juntos uma atmosfera de casa, de fam&iacute;lia, escolhendo com todas as for&ccedil;as o amor divino, que inspira respeito e apre&ccedil;o pela religiosidade dos outros. N&atilde;o &eacute; moralismo, &eacute; o nosso futuro!</p> 
<p>Hoje, 8 de mar&ccedil;o, gostaria de dizer tamb&eacute;m algo sobre a contribui&ccedil;&atilde;o insubstitu&iacute;vel da mulher para a constru&ccedil;&atilde;o de um mundo que seja casa para todos. A mulher &eacute; aquela que embeleza o mundo, que o preserva a mant&eacute;m vivo. Proporciona-lhe a gra&ccedil;a que renova tudo, o abra&ccedil;o que inclui, a coragem de se doar. A paz &eacute; mulher! Nasce e renasce da ternura das m&atilde;es. Por isso, o sonho da paz realiza-se fitando a mulher. N&atilde;o &eacute; por acaso que, na narra&ccedil;&atilde;o do G&eacute;nesis, a mulher &eacute; tirada da costela do homem adormecido (cf. <i>Gn </i>2, 21). Ou seja, a mulher tem a origem perto do cora&ccedil;&atilde;o e no sono, durante os sonhos. &Eacute; por isso que traz ao mundo o sonho do amor. Se tivermos a peito o porvir, se sonharmos um futuro de paz, ser&aacute; necess&aacute;rio dar espa&ccedil;o &agrave; mulher.</p> 
<p>Ao contr&aacute;rio, atualmente &eacute; para mim fonte de grande preocupa&ccedil;&atilde;o o alastramento em muitos lugares de um clima de maldade e de raiva, no qual ganham ra&iacute;zes perversos excessos de &oacute;dio. Penso de modo particular na recrudesc&ecirc;ncia b&aacute;rbara de ataques antissemitas em v&aacute;rios pa&iacute;ses. Tamb&eacute;m hoje gostaria de reiterar que &eacute; necess&aacute;rio estar atento a este fen&oacute;meno: &laquo;A hist&oacute;ria ensina-nos para onde podem conduzir at&eacute; aquelas formas de antissemitismo que inicialmente s&atilde;o apenas impl&iacute;citas: para a trag&eacute;dia humana do <i>shoah, </i>durante o qual foram aniquilados dois ter&ccedil;os dos judeus europeus&raquo; (Comiss&atilde;o para as rela&ccedil;&otilde;es religiosas com o juda&iacute;smo, <i>Porque os dons e a chamada de Deus s&atilde;o irrevog&aacute;veis</i>, n. 47). Reitero que, para o crist&atilde;o, qualquer forma de antissemitismo representa uma nega&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias origens, uma absoluta contradi&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s devemos agir como aquele pai, que tinha visto situa&ccedil;&otilde;es tr&aacute;gicas e n&atilde;o se cansava de transmitir aos filhos os fundamentos do amor e do respeito. E temos o dever de fitar o mundo com o olhar das m&atilde;es, com o olhar da paz.</p> 
<p>Um instrumento importante na luta contra o &oacute;dio e o antissemitismo &eacute; o di&aacute;logo inter-religioso, destinado a promover o compromisso em prol da paz, o respeito rec&iacute;proco, a tutela da vida, a liberdade religiosa e a salvaguarda da cria&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, judeus e crist&atilde;os compartilham um rico patrim&oacute;nio espiritual, que lhes permite realizar juntos muitos gestos positivos. Numa &eacute;poca em que o Ocidente se encontra exposto a um secularismo despersonalizador, os crentes t&ecirc;m o dever de se procurar uns aos outros e de colaborar para tornar mais vis&iacute;vel o amor divino pela humanidade, e para realizar gestos concretos de proximidade, contrastando o crescimento da indiferen&ccedil;a. No G&eacute;nesis, depois de ter assassinado Abel, Caim diz: &laquo;Sou porventura eu o guarda do meu irm&atilde;o?&raquo; (<i>Gn </i>4, 9). Antes do homic&iacute;dio que tira a vida, h&aacute; a indiferen&ccedil;a que cancela a verdade: sim, Caim, eras precisamente tu o guarda do teu irm&atilde;o! Tu, como todos n&oacute;s, por vontade de Deus. Num mundo no qual aumenta todos os dias a dist&acirc;ncia entre as numerosas pessoas que t&ecirc;m pouco, e os poucos que possuem muito, somos chamados a cuidar dos nossos irm&atilde;os mais indefesos: dos pobres, dos fr&aacute;geis, dos doentes, das crian&ccedil;as e dos idosos.</p> 
<p>No servi&ccedil;o &agrave; humanidade, assim como no nosso di&aacute;logo, esperam ser envolvidos de maneira mais intensa os jovens, desejosos de sonhar e abertos &agrave; descoberta de novos ideiais. Por conseguinte, gostaria de ressaltar a import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o das futuras gera&ccedil;&otilde;es no di&aacute;logo judaico-crist&atilde;o. Al&eacute;m disso, o compromisso comum no campo da educa&ccedil;&atilde;o dos jovens constitui um instrumento eficaz para contrastar a viol&ecirc;ncia e abrir renovadas veredas de paz com todos. Estimados amigos, enquanto vos agrade&ccedil;o a visita, desejo-vos todo o bem no vosso engajamento para promover o di&aacute;logo, favorecendo interc&acirc;mbios proveitosos entre religi&otilde;es e culturas, t&atilde;o preciosos para o nosso futuro e para a paz.<i> Shalom!</i></p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Coerência não hipocrisia (8 de março de 2019)]]></title><pubDate>Fri, 08 Mar 2019 07:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2019/documents/papa-francesco-cotidie_20190308_coerencia.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2019/documents/papa-francesco-cotidie_20190308_coerencia.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 21 Mar 2019 15:21:26 +0100 --> <center> 
 <p align="center"> <font color="#663300"> <b>PAPA FRANCISCO</b></font></p> 
 <p align="center"><font color="#663300">MEDITA&Ccedil;&Otilde;ES MATUTINAS&nbsp;NA SANTA MISSA CELEBRADA<br />NA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</font></p> 
 <center> 
  <b><i><font size="4" color="#663300">Coer&ecirc;ncia n&atilde;o hipocrisia</font></i></b>
  <font size="4" color="#663300"><b><i> </i></b></font> 
  <p align="center"> <font color="#663300"><i>Sexta-feira, 8 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
 </center>
</center> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><font color="#663300"><i>Publicado no </i>L'Osservatore Romano<i>, ed. em portugu&ecirc;s, n. 11 de 12 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<p>A hipocrisia dos &laquo;profissionais da religi&atilde;o&raquo; escandaliza, denunciou o Papa Francisco. Na primeira leitura (<i>Is</i> 58, 1-9) o profeta faz-nos compreender a diferen&ccedil;a que existe na nossa vida entre o real e o formal. &Eacute; verdade, o formal &eacute; uma express&atilde;o do real, devem caminhar juntos. Mas quando o formal se separa do real, vivemos s&oacute; de formalidades e apar&ecirc;ncias. &Eacute; isto que Deus condena: viver de apar&ecirc;ncias. Uma vida para aparecer, sem verdade na realidade do cora&ccedil;&atilde;o das pessoas. Ali&aacute;s, o Senhor recomenda que sejamos muito simples nas apar&ecirc;ncias para n&atilde;o nos vangloriarmos das obras boas. E por isso, falando sobre os tr&ecirc;s exerc&iacute;cios da Quaresma, o Senhor diz-nos: Quando jejuares, que n&atilde;o se veja no teu rosto que est&aacute;s a jejuar. Mostra-te alegre: que n&atilde;o se veja, para que as pessoas n&atilde;o digam: “Ah, &eacute; um homem justo, como jejua!”. Quando fizeres penit&ecirc;ncia, quando ofereceres uma esmola, por favor n&atilde;o toques a trombeta: oferece a esmola escondido para que ningu&eacute;m veja. Pratica o bem sem seres visto. E, terceiro, quando rezares n&atilde;o o fa&ccedil;as diante de todos, para que as pessoas digam: “Ah, como reza, este homem, esta mulher!”. F&aacute;-lo em sinceridade diante do Pai”. E Jesus recomenda ainda: “Escondido”.</p> 
<p>E, sobre a ora&ccedil;&atilde;o, Jesus ensina-nos com o exemplo do fariseu e do publicano, o modo como ambos rezavam: o fariseu considerava-se justo, mas n&atilde;o o era, e rezava: “Dou-te gra&ccedil;as, Senhor, porque sou justo, n&atilde;o como os outros, pobrezinhos...”. Traduzo: “Agrade&ccedil;o-te, Senhor, porque sou cat&oacute;lico, perten&ccedil;o a esta associa&ccedil;&atilde;o, &agrave;quela, &agrave;quela outra, vou &agrave; Missa todos os domingos e n&atilde;o sou como aqueles pobres coitados que nada compreendem”. E como rezava, o coitadinho [o publicano]? “Senhor, tem piedade de mim porque sou pecador”.</p> 
<p>Aqueles que buscam as apar&ecirc;ncias, nunca se consideram pecadores; e se tu lhes disseres: “Mas tu tamb&eacute;m &eacute;s pecador!” — “Mas, sim, todos temos pecados...”, relativizam tudo e voltam a tornar-se justos. Procuram mostrar-se com a cara “de santinhos”, s&oacute; apar&ecirc;ncia. E quando h&aacute; a diferen&ccedil;a entre a realidade e a apar&ecirc;ncia o Senhor usa um adjetivo: “hip&oacute;crita”. A hipocrisia. Tamb&eacute;m n&oacute;s podemos come&ccedil;ar esta Quaresma perguntando-nos: qual &eacute; a minha hipocrisia? Onde n&atilde;o sou coerente, falta-me coer&ecirc;ncia entre a realidade e a apar&ecirc;ncia? Quando devo disfar&ccedil;ar-me para esconder a minha realidade? Falta de coer&ecirc;ncia.</p> 
<p>E eis que o profeta d&aacute; alguns exemplos.”O que fazeis, hip&oacute;critas, no dia do vosso jejum? S&oacute; cuidais dos vossos neg&oacute;cios e oprimis todos os vossos empregados. Jejuais entre rixas e disputas, dando bofetadas sem d&oacute; nem piedade”. Por um lado, fingis que jejuais, talvez at&eacute; jejueis, mas entretanto “cuidais” dos vossos neg&oacute;cios, e oprimis todos os vossos empregados, jejuais entre rixas e disputas dando bofetadas sem d&oacute; nem piedade”. Esta &eacute; a hipocrisia. “Sou muito cat&oacute;lico, muito cat&oacute;lica! Vou sempre &agrave; missa...”. Mas depois, o que fazes? &Eacute;s coerente? Ou h&aacute; esta hipocrisia entre a tua realidade e a tua apar&ecirc;ncia? “N&atilde;o jejueis como tendes feito at&eacute; hoje”, diz o Senhor. “Mudai de vida. Sede coerentes”. No &uacute;ltimo S&iacute;nodo sobre os jovens, talvez o ponto acerca do qual os jovens mais insistiram foi a hipocrisia de muitos crist&atilde;os, come&ccedil;ando por n&oacute;s, “profissionais da religi&atilde;o”. Isto desaponta os jovens. Podeis dizer: “Mas eles t&ecirc;m os pr&oacute;prios defeitos!”. Sim. T&ecirc;m os seus defeitos, &eacute; verdade. Mas neste caso t&ecirc;m raz&atilde;o. Parecer e n&atilde;o fazer: isto &eacute; hipocrisia.</p> 
<p>E depois, o profeta explica: “O jejum que me agrada &eacute; este: libertar os que foram presos injustamente, livr&aacute;-los do jugo que levam &agrave;s costas, mandar em liberdade os oprimidos, quebrar toda a esp&eacute;cie de opress&atilde;o, repartir o teu p&atilde;o com os famintos, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e n&atilde;o desprezar o teu irm&atilde;o”. &Eacute; verdade: este &eacute; o jejum, s&atilde;o as obras de miseric&oacute;rdia. &Eacute; o que Deus quer de n&oacute;s. E quando repartires o teu p&atilde;o com o faminto, introduzires em tua casa algu&eacute;m que n&atilde;o tem um teto ou que &eacute; um migrante, quando procurares roupa para algu&eacute;m que n&atilde;o a tem e te ocupares disto, jejuas realmente. Muitos crist&atilde;os, tamb&eacute;m cat&oacute;licos, que se dizem cat&oacute;licos praticantes, exploram as pessoas! Como exploram os empregados! Como os mandam para casa no in&iacute;cio do ver&atilde;o para os assumir no fim, assim n&atilde;o t&ecirc;m direito &agrave; reforma, n&atilde;o t&ecirc;m direito a ir em frente. E muitos destes definem-se cat&oacute;licos: v&atilde;o &agrave; Missa aos domingos, e depois agem deste modo. Isto &eacute; pecado mortal! Quantos humilham os pr&oacute;prios empregados. Nunca me esque&ccedil;o o que vi na casa de um amiguinho — eu era crian&ccedil;a — vi a senhora esbofetear a dom&eacute;stica porque n&atilde;o fez a limpeza como tinha sido indicado. Nunca esqueci aquele gesto! Tal gesto feriu o meu cora&ccedil;&atilde;o. E quantas vezes muitos crist&atilde;os se comportam assim.</p> 
<p>A realidade deve estar unida &agrave; apar&ecirc;ncia. Devo parecer o que sou. Este &eacute; o trabalho da Quaresma. E devemos ir em frente deste modo. “Mas, Padre, n&atilde;o consigo, sou fr&aacute;gil...”. Bem, esta &eacute; a tua verdade, obrigado por a dizeres. Pede ao Senhor a for&ccedil;a e vai humildemente em frente, com o que puderes. Mas n&atilde;o disfarces a alma, porque se disfar&ccedil;ares a alma, o Senhor n&atilde;o te reconhecer&aacute;.</p> 
<p>Pe&ccedil;amos ao Senhor a gra&ccedil;a de sermos coerentes, de n&atilde;o sermos vaidosos, de n&atilde;o parecermos mais dignos do que somos. Pe&ccedil;amos esta gra&ccedil;a, nesta Quaresma: a coer&ecirc;ncia entre o formal e o real, entre a realidade e as apar&ecirc;ncias.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Encontro com o Clero de Roma (7 de março de 2019)]]></title><pubDate>Thu, 07 Mar 2019 11:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190307_liturgiapenitenziale-presbiteriroma.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190307_liturgiapenitenziale-presbiteriroma.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 21 Mar 2019 12:06:36 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300">ENCONTRO COM O CLERO DE ROMA</font></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>MEDITA&Ccedil;&Atilde;O DO PAPA FRANCISCO</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Bas&iacute;lica de S&atilde;o Jo&atilde;o de Latr&atilde;o<br />Quinta-feira, 7 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/7/penitenziale-presbiteriroma.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> &nbsp;
<p><i>Bom dia a todos!</i></p> 
<p>&Eacute; sempre bom reencontrar-se aqui, todos os anos, no in&iacute;cio da Quaresma, para esta liturgia do perd&atilde;o de Deus. Faz-nos bem — faz bem tamb&eacute;m a mim! — e sinto no cora&ccedil;&atilde;o uma grande paz, agora que cada um de n&oacute;s recebeu a miseric&oacute;rdia de Deus e a ofereceu aos demais, seus irm&atilde;os. Vivamos este momento pelo que &eacute; realmente, como uma gra&ccedil;a extraordin&aacute;ria, um milagre permanente da ternura divina, no qual mais uma vez a Reconcilia&ccedil;&atilde;o de Deus, irm&atilde; do Batismo, nos lava com as l&aacute;grimas, nos regenera, nos restitui a beleza origin&aacute;ria.</p> 
<p>Esta paz e esta gratid&atilde;o que se elevam do nosso cora&ccedil;&atilde;o ao Senhor ajudam-nos a compreender como a Igreja inteira e cada um dos seus filhos vive e cresce gra&ccedil;as &agrave; miseric&oacute;rdia de Deus. A Esposa do Cordeiro torna-se &laquo;sem mancha nem ruga&raquo; (<i>Ef</i> 5, 27) por dom de Deus, a sua beleza &eacute; o ponto de chegada de um caminho de purifica&ccedil;&atilde;o e de transfigura&ccedil;&atilde;o, ou seja, de um &ecirc;xodo para o qual o Senhor a convida permanentemente:<i> </i>&laquo;ao deserto a conduzirei, para lhe falar ao cora&ccedil;&atilde;o&raquo; (<i>Os</i> 2, 16). Nunca devemos deixar de nos acautelarmos reciprocamente da tenta&ccedil;&atilde;o da autossufici&ecirc;ncia e da autocomplac&ecirc;ncia, como se f&ocirc;ssemos povo de Deus por nossa iniciativa ou por nosso m&eacute;rito. Este fechamento em n&oacute;s mesmos &eacute; muito negativo e far-nos-&aacute; sempre mal: quer a autossufici&ecirc;ncia no fazer ou o pecado do espelho, a autocomplac&ecirc;ncia: “Como sou lindo! Como sou bom!”. N&atilde;o somos povo de Deus por nossa iniciativa, por nosso m&eacute;rito; claro que n&atilde;o, somos e seremos para sempre o fruto da a&ccedil;&atilde;o misericordiosa do Senhor: um Povo de orgulhosos tornados pequeninos pela humildade de Deus, um Povo de miser&aacute;veis — n&atilde;o tenhamos medo de dizer esta palavra: “sou miser&aacute;vel” — tornados ricos pela pobreza de Deus, um Povo de malditos tornados justos por Aquele que se fez “Maldito” pregado no madeiro da cruz (cf. <i>Gl</i> 3, 13). Nunca o esque&ccedil;amos: &laquo;sem mim nada podereis fazer!&raquo; (15, 5). Repito-o, o Mestre disse-nos: &laquo;sem mim nada podereis fazer!&raquo;. E assim a situa&ccedil;&atilde;o muda, n&atilde;o sou eu diante do espelho que olho para mim, n&atilde;o sou eu o centro da atividade, ou o centro da ora&ccedil;&atilde;o, muitas vezes... N&atilde;o, n&atilde;o, &eacute; Ele o centro. Eu sou a periferia. Ele &eacute; o centro, &eacute; Ele que faz tudo, e isto requer de n&oacute;s uma santa passividade — a que n&atilde;o &eacute; santa &eacute; a pregui&ccedil;a, n&atilde;o &eacute;, essa n&atilde;o — uma santa passividade diante de Deus, sobretudo diante de Jesus, &eacute; Ele quem faz tudo.</p> 
<p>Eis por que este tempo de Quaresma &eacute; deveras uma gra&ccedil;a: permite que nos recoloquemos diante de Deus deixando que ele seja <i>tudo</i>. O seu amor eleva-nos do p&oacute; (<i>recorda-te que</i> sem mim <i>&eacute;s p&oacute;</i>, disse-nos ontem o Senhor), o seu Esp&iacute;rito soprado mais uma vez sobre nas nossas narinas doa-nos a vida dos ressuscitados. A m&atilde;o de Deus, que nos criou &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a do seu mist&eacute;rio trinit&aacute;rio, nos fez m&uacute;ltiplos na unidade, diversos mas insepar&aacute;veis uns dos outros. O perd&atilde;o de Deus, que hoje celebramos, &eacute; uma for&ccedil;a que restabelece a comunh&atilde;o a todos os n&iacute;veis: entre n&oacute;s presb&iacute;teros no &uacute;nico presbit&eacute;rio diocesano; com todos os crist&atilde;os, no &uacute;nico corpo que &eacute; a Igreja; com todos os homens, na unidade da fam&iacute;lia humana. O Senhor apresenta-nos uns aos outros e diz-nos: eis o teu irm&atilde;o, &laquo;osso dos teus ossos, carne da tua carne&raquo; (cf. <i>Gn</i> 2, 23), aquele com o qual &eacute;s chamado a viver a &laquo;caridade que nunca ter&aacute; fim&raquo; (<i>1 Cor</i> 13, 8).</p> 
<p>Para estes sete anos de caminho diocesano de convers&atilde;o pastoral, que nos separam do Jubileu de 2025 (chegamos ao segundo) propus-vos o livro do &ecirc;xodo como paradigma. O Senhor age, naquela &eacute;poca como hoje, e transforma um “n&atilde;o-povo” em Povo de Deus. Este &eacute; o seu desejo e o seu projeto tamb&eacute;m para n&oacute;s.</p> 
<p>Pois bem, o que faz o Senhor quando deve constatar com tristeza que Israel &eacute; um povo &laquo;com cerviz dura&raquo; (<i>&Ecirc;x</i> 32, 9-22); &laquo;inclinado para o mal&raquo; (<i>&Ecirc;x</i> 32, 21) como no epis&oacute;dio do bezerro de ouro? Come&ccedil;a uma obra paciente de reconcilia&ccedil;&atilde;o, uma pedagogia s&aacute;bia, na qual Ele amea&ccedil;a e conforta, faz ganhar consci&ecirc;ncia das consequ&ecirc;ncias do mal realizado e decide esquecer o pecado, pune castigando o povo e cura a ferida que infligiu. Precisamente no texto do &Ecirc;xodo 32-34, que proporeis na Quaresma para medita&ccedil;&atilde;o nas vossas comunidades, o Senhor parece ter tomado uma decis&atilde;o radical: &laquo;Eu n&atilde;o irei convosco&raquo; (<i>&Ecirc;x</i> 33, 3). Quando o Senhor se fecha, afasta-se. N&oacute;s fizemos esta experi&ecirc;ncia nos momentos maus, de desola&ccedil;&atilde;o espiritual. Se algum de v&oacute;s n&atilde;o conhece estes momentos, aconselho-o a ir falar com um bom confessor, com um padre espiritual, pois falta algo na sua vida; n&atilde;o sei o que &eacute; mas n&atilde;o se deve ter desola&ccedil;&atilde;o... n&atilde;o &eacute; normal, diria que n&atilde;o &eacute; crist&atilde;o. N&oacute;s temos estes momentos. N&atilde;o caminharei mais diante de ti; enviarei o meu anjo (cf. <i>&Ecirc;x</i> 32, 34) para te preceder no caminho, mas eu n&atilde;o virei. Quando o Senhor nos deixa sozinhos, sem a sua presen&ccedil;a, e n&oacute;s estamos na par&oacute;quia, estamos a trabalhar e nos sentimos ocupados mas sem a presen&ccedil;a do Senhor, na desola&ccedil;&atilde;o... N&atilde;o s&oacute; no consolo, na desola&ccedil;&atilde;o. Pensai nisto.</p> 
<p>Por outro lado, talvez por impaci&ecirc;ncia ou sentindo-se abandonado (porque Mois&eacute;s tardava a descer do monte), o povo pusera de lado o profeta escolhido por Deus, e pedira a Aar&atilde;o que constru&iacute;sse um &iacute;dolo, imagem emudecida de Deus, que caminhasse diante dele. O povo n&atilde;o tolera a aus&ecirc;ncia de Mois&eacute;s, est&aacute; desolado, n&atilde;o tolera, e procura imediatamente outro Deus para se sentir confort&aacute;vel. &Agrave;s vezes, quando n&atilde;o sentimos desola&ccedil;&atilde;o, pode acontecer que tenhamos &iacute;dolos. “N&atilde;o, estou bem, arranjo-me com o que tenho...”. Nunca chega a tristeza do abandono de Deus. O que faz o Senhor quando n&oacute;s o “exclu&iacute;mos” — com os &iacute;dolos — da vida das nossas comunidades, por estarmos convencidos que nos bastamos a n&oacute;s mesmos? Naquele momento o &iacute;dolo sou eu: “N&atilde;o, desenrasco-me... Obrigado... N&atilde;o te preocupes, desenrasco-me”. E n&atilde;o se sente aquela necessidade do Senhor, n&atilde;o se sente a desola&ccedil;&atilde;o da aus&ecirc;ncia do Senhor.</p> 
<p>Mas o Senhor &eacute; esperto! A reconcilia&ccedil;&atilde;o que Ele pretende oferecer ao povo ser&aacute; uma li&ccedil;&atilde;o que os Israelitas se recordar&atilde;o para sempre. Deus comporta-se como um amante recusado: se n&atilde;o me queres, vou-me embora! E deixa-nos sozinhos. &Eacute; verdade, n&oacute;s podemos arranjar-nos sozinhos, por um pouco de tempo, seis meses, um, dois, tr&ecirc;s anos e at&eacute; mais. A um certo ponto a situa&ccedil;&atilde;o explode, explode esta autossufici&ecirc;ncia, esta autocomplac&ecirc;ncia da solid&atilde;o. . Se formos em frente sozinhos, explode mal, explode o mal. Penso num caso de um bom sacerdote, religioso, conheci-o bem. Era brilhante. Se havia um problema nalguma comunidade, os superiores pensavam nele para resolver o problema: um col&eacute;gio, uma universidade, ele tinha jeito. Mas era devoto ao “santo espelho”: olhava muito para si mesmo. E Deus foi bondoso com ele. Um dia fez-lhe sentir que estava sozinho na vida, que tinha perdido tanto. E n&atilde;o ousou dizer ao Senhor: “Mas eu resolvi esta quest&atilde;o, aquela e aqueloutra...”. N&atilde;o, apercebeu-se imediatamente que estava sozinho. E a maior gra&ccedil;a que o Senhor pode conceder, para mim &eacute; a maior gra&ccedil;a: aquele homem chorou. A gra&ccedil;a do choro. Chorou pelo tempo perdido, chorou porque o santo espelho n&atilde;o lhe dera o que ele esperava de si mesmo. E come&ccedil;ou do in&iacute;cio, humildemente. Quando o Senhor se vai embora, porque n&oacute;s o afastamos, &eacute; preciso pedir o dom das l&aacute;grimas, chorar a aus&ecirc;ncia do Senhor. “Tu n&atilde;o me queres, ent&atilde;o vou embora”, diz o Senhor, e com o tempo acontece o que aconteceu a este sacerdote.</p> 
<p>Voltemos ao &Ecirc;xodo. O efeito &eacute; o esperado: &laquo;O povo ouviu esta triste not&iacute;cia e todos respeitaram o luto: mais ningu&eacute;m vestiu os seus ornamentos&raquo; (<i>&Ecirc;x</i> 33, 4). Aos Israelitas n&atilde;o passou despercebido que puni&ccedil;&atilde;o alguma &eacute; t&atilde;o pesada como esta decis&atilde;o divina que contradiz o seu santo nome: &laquo;Eu sou aquele que sou!&raquo; (<i>&Ecirc;x</i> 3, 14): express&atilde;o que tem um sentido concreto, n&atilde;o abstrato, talvez se possa traduzir por “eu sou aquele que est&aacute; e estar&aacute; aqui, ao teu lado”. Quando te apercebes que Ele foi embora, porque tu o afastaste, sentir isto &eacute; uma gra&ccedil;a. Se n&atilde;o te apercebes, h&aacute; o sofrimento. O anjo n&atilde;o &eacute; uma solu&ccedil;&atilde;o, ali&aacute;s seria a testemunha permanente da aus&ecirc;ncia de Deus. Por isso a rea&ccedil;&atilde;o do povo &eacute; a tristeza. Este &eacute; outro aspeto perigoso, pois h&aacute; uma tristeza boa e uma tristeza m&aacute;. E ent&atilde;o &eacute; preciso discernir, nos momentos de tristeza: como &eacute; a minha tristeza, de onde vem? E por vezes &eacute; boa, vem de Deus, da aus&ecirc;ncia de Deus, como neste caso; outras vezes &eacute; uma autocomplac&ecirc;ncia, tamb&eacute;m ela, n&atilde;o &eacute;?</p> 
<p>O que sentir&iacute;amos n&oacute;s se o Senhor Ressuscitado nos dissesse: continuai as vossas atividades eclesiais e as vossas liturgias, mas eu n&atilde;o vou estar presente e a agir nos vossos sacramentos? Dado que, quando tomais as vossas decis&otilde;es, vos baseais em crit&eacute;rios mundanos e n&atilde;o evang&eacute;licos (<i>tamquan Deus non esset</i>) eu afasto-me totalmente... Tudo seria vazio, privado de sentido, mais n&atilde;o seria do que “p&oacute;”. A amea&ccedil;a de Deus abre a passagem para a intui&ccedil;&atilde;o do que seria a nossa vida sem Ele, se deveras Ele subtra&iacute;sse para sempre a sua Face. &Eacute; a morte, o desespero, o inferno: sem mim nada podereis fazer. O Senhor mostra-nos mais uma vez, na carne viva do desmascaramento da nossa hipocrisia, o que &eacute; realmente a sua miseric&oacute;rdia. Deus revela a Mois&eacute;s no monte a sua Gl&oacute;ria e o seu santo Nome: &laquo;Senhor! Senhor! Deus misericordioso e clemente, lento para a ira, cheio de bondade e de fidelidade&raquo; (<i>&Ecirc;x</i> 34, 6). No “jogo de amor levado em frente por Deus, feito de aus&ecirc;ncia amea&ccedil;ada de presen&ccedil;a novamente concedida — &laquo;Eu mesmo irei diante de ti, e dar-te-ei descanso&raquo; (<i>&Ecirc;x</i> 33, 14) — Deus realiza a reconcilia&ccedil;&atilde;o com o seu Povo. Israel sai desta experi&ecirc;ncia dolorosa, que o marcar&aacute; para sempre, com uma maturidade nova: est&aacute; mais ciente de quem &eacute; Deus que o libertou do Egito, tem mais lucidez para compreender os verdadeiros perigos do caminho (poder&iacute;amos dizer: tem mais medo de si mesmo que das serpentes do deserto!). Isto &eacute; bom: ter um pouco de receio de n&oacute;s mesmos, da nossa omnipot&ecirc;ncia, das nossas manhas, dos nossos escondimentos, das nossas trai&ccedil;&otilde;es... Um pouco de medo. Se for poss&iacute;vel, ter mais receio disto que das serpentes, porque isto &eacute; um verdadeiro veneno. E o povo, assim, est&aacute; mais unido em volta de Mois&eacute;s e da Palavra de Deus que ele anuncia. A experi&ecirc;ncia do pecado e do perd&atilde;o de Deus foi o que permitiu que Israel se tornasse um pouco mais o Povo que pertence a Deus. Fizemos esta liturgia penitencial e tamb&eacute;m a experi&ecirc;ncia dos nossos pecados; e confessar o pecado &eacute; algo que nos abre &agrave; miseric&oacute;rdia de Deus, pois normalmente esconde-se o pecado. N&oacute;s escondemos o pecado n&atilde;o s&oacute; a Deus, n&atilde;o s&oacute; ao pr&oacute;ximo, n&atilde;o s&oacute; ao sacerdote, mas a n&oacute;s mesmos. Nisto a “cosm&eacute;tica” adiantou-se tanto: somos peritos em pintar as situa&ccedil;&otilde;es. “Sim, mas n&atilde;o dura muito, &eacute; claro...”. E um pouco de &aacute;gua para se lavar da cosm&eacute;tica faz bem a todos, para ver que n&atilde;o somos t&atilde;o bonitos: somos feios, feios at&eacute; nas nossas coisas. Mas sem nos desesperarmos, pois Deus, clemente e misericordioso, est&aacute; sempre atr&aacute;s de n&oacute;s. H&aacute; a sua miseric&oacute;rdia que nos acompanha.</p> 
<p>Amados irm&atilde;os, este &eacute; o sentido da Quaresma que viveremos. Nos exerc&iacute;cios espirituais que pregareis &agrave;s pessoas das vossas comunidades, nas liturgias penitenciais que celebrareis, tende a coragem de propor a reconcilia&ccedil;&atilde;o do Senhor, de propor o seu amor apaixonado e cioso.</p> 
<p>O nosso papel &eacute; como o de Mois&eacute;s: um servi&ccedil;o generoso &agrave; obra de reconcilia&ccedil;&atilde;o de Deus, um “alinhar-se” com o seu amor.</p> 
<p>&Eacute; agrad&aacute;vel o modo como Deus envolve Mois&eacute;s, trata-o deveras como seu amigo: prepara-o antes que des&ccedil;a do monte avisando-o acerca da pervers&atilde;o do povo, aceita que ele sirva de intercessor pelos seus filhos, ouve-o e recorda-nos o juramento que Ele, Deus, fez a Abra&atilde;o, Isaque e Jacobe. Podemos imaginar que Deus sorriu quando Mois&eacute;s o convidou a n&atilde;o se distinguir, a n&atilde;o fazer m&aacute; figura aos olhos dos eg&iacute;pcios e a n&atilde;o ficar atr&aacute;s dos deuses deles, a ter respeito pelo seu santo Nome. Provoca-o com a dial&eacute;tica das responsabilidades: “O teu povo, que tu, Mois&eacute;s, fizeste sair do Egito”, para que Mois&eacute;s responda frisando que n&atilde;o, o povo pertence a Deus, foi Ele quem o fez sair do Egito... E este &eacute; um di&aacute;logo maduro, com o Senhor. Quando vemos que o povo que n&oacute;s servimos na par&oacute;quia, ou em toda a parte, se afastou, n&oacute;s temos esta tend&ecirc;ncia a dizer: “&Eacute; a minha gente, &eacute; o meu povo”. Sim, &eacute; o teu povo, mas vigariamente, digamos assim: o povo &eacute; Seu! E ent&atilde;o ir repreend&ecirc;-lo: “Repara no que est&aacute; a fazer o teu povo”. Dialogar assim como Senhor.</p> 
<p>Mas o cora&ccedil;&atilde;o de Deus exultou de alegria quando ouviu as palavras de Mois&eacute;s: &laquo;perdoa-lhes este pecado, ou ent&atilde;o apaga-me do livro que escreveste!&raquo; (<i>&Ecirc;x</i> 32, 32). E isto &eacute; um dos aspetos mais belos do sacerdote, do sacerdote que vai diante do Senhor e se exp&otilde;e pelo seu povo. “&Eacute; o teu povo, n&atilde;o o meu, e tu tens que perdoar” — “N&atilde;o, mas...” — “Eu vou embora! Contigo n&atilde;o falo mais. Elimina-me”. S&atilde;o necess&aacute;rias “cal&ccedil;as”, para falar assim com Deus! Mas n&oacute;s devemos falar assim, como homens n&atilde;o como pusil&acirc;nimes, como homens! Porque isto significa que eu estou ciente do lugar que ocupo na Igreja, que n&atilde;o sou um administrador, colocado l&aacute; para levar em frente metodicamente algo. Significa que eu acredito, que eu tenho f&eacute;. Tentai falar assim com Deus.</p> 
<p>Morrer pelo povo, partilhar o destino do povo aconte&ccedil;a o que acontecer, at&eacute; &agrave; morte. Mois&eacute;s n&atilde;o aceitou a proposta de Deus, n&atilde;o aceitou a corrup&ccedil;&atilde;o. Deus finge que o quer corromper. N&atilde;o aceitou: “N&atilde;o, n&atilde;o alinho nisto. Eu estou com o povo. Com o <i>teu</i> povo”. A proposta de Deus era: &laquo;Deixa que a minha ira se abata contra ele e os devore. Farei de ti uma grande na&ccedil;&atilde;o&raquo; (<i>&Ecirc;x</i> 32, 10) — eis a “corrup&ccedil;&atilde;o”. Mas como? Deus &eacute; o corruptor? Procura ver o cora&ccedil;&atilde;o do seu pastor. Mois&eacute;s n&atilde;o se quer salvar a si mesmo: ele j&aacute; &eacute; um com os seus irm&atilde;os. Quem me dera que cada um de n&oacute;s chegasse a este ponto, quem me dera! &Eacute; mau quando um sacerdote vai ter com o bispo para se lamentar do seu povo: “Ah, n&atilde;o se pode, estas pessoas n&atilde;o compreendem nada, isto e aquilo... desperdi&ccedil;a-se o tempo...”. &Eacute; feio! O que falta &Agrave;quele homem? Faltam muitas coisas &agrave;quele sacerdote! Mois&eacute;s n&atilde;o se comporta assim. N&atilde;o se quer salvar a si mesmo, pois ele &eacute; um s&oacute; com os seus irm&atilde;os. Nele o Pai viu o rosto do Filho. A luz do Esp&iacute;rito de Deus invadiu o rosto de Mois&eacute;s e delineou na sua face as fei&ccedil;&otilde;es do Crucificado Ressuscitado, tornando-o luminoso. E quando n&oacute;s vamos ali lutar com Deus — tamb&eacute;m o nosso pai Abra&atilde;o o fizera, aquela luta com Deus — quando vamos l&aacute; mostramos que nos assemelhamos com Jesus, que d&aacute; a vida pelo seu povo. E o Pai sorri: ver&aacute; em n&oacute;s o olhar de Jesus que se entregou &agrave; morte por n&oacute;s, pelo <i>povo do Pai</i>, n&oacute;s. O cora&ccedil;&atilde;o do amigo de Deus j&aacute; se dilatou totalmente, tornando-se grande — Mois&eacute;s, o amigo de Deus — semelhante ao cora&ccedil;&atilde;o de Deus, muito maior que o cora&ccedil;&atilde;o humano (cf. <i>Jo</i> 3, 18). Mois&eacute;s tornou-se deveras o amigo que fala frente a frente com Deus (cf. <i>&Ecirc;x</i> 33, 11). Frente a frente! Como quando o bispo ou o padre espiritual pergunta a um sacerdote se reza: “Sim, sim, eu... sim, eu arranjo-me com a ‘sogra’ — a ‘sogra’ &eacute; o brevi&aacute;rio — sim, arranjo-me, recito as Laudes, depois...”. N&atilde;o, n&atilde;o. Se tu rezas, o que significa? Se tu te exp&otilde;es pelo teu povo diante de Deus. Se fores lutar com Deus pelo teu povo. Isto &eacute; rezar, para um sacerdote. N&atilde;o &eacute; fazer prescri&ccedil;&otilde;es. “Ah, Padre, mas ent&atilde;o o brevi&aacute;rio j&aacute; n&atilde;o serve?”. N&atilde;o, o brevi&aacute;rio serve, mas com esta atitude. Tu est&aacute;s ali, diante de Deus e o teu povo atr&aacute;s de ti. E Mois&eacute;s &eacute; tamb&eacute;m o guarda da Gl&oacute;ria de Deus, dos segredos de Deus. Contemplou a Gl&oacute;ria de costas, ouviu o seu verdadeiro Nome no monte, compreendeu o seu amor de Pai.</p> 
<p>Amados irm&atilde;os, o nosso &eacute; um grande privil&eacute;gio. Deus conhece a nossa “vergonhosa nudez”. Fiquei muito admirado quando vi o original da [Virgem] Odigitria de Bari: n&atilde;o &eacute; como agora, um pouco coberta com as vestes que os crist&atilde;os orientais colocam nos &iacute;cones. &Eacute; Nossa Senhora com o menino <i>nu</i>. Fiquei feliz quando o Bispo de Bari me enviou uma, ofereceu-me uma, coloquei-a ali, diante da minha porta. E eu gosto — digo isto para partilhar uma experi&ecirc;ncia — de manh&atilde;, quando me levanto e passo em frente dela, gosto de dizer a Nossa Senhora que preserve a minha nudez: “M&atilde;e, conheces a minha nudez”. Isto &eacute; grandioso: pedir ao Senhor — com a minha nudez — pedir que preserve a minha nudez. Ele conhece-a. Deus conhece a nossa “vergonhosa nudez”, e contudo n&atilde;o se cansa de se servir de n&oacute;s para oferecer aos homens a reconcilia&ccedil;&atilde;o. Somos muito pobres, pecadores, e contudo Deus serve-se de n&oacute;s para interceder pelos nossos irm&atilde;os e para distribuir aos homens, atrav&eacute;s das nossas m&atilde;os que n&atilde;o s&atilde;o inocentes, a salva&ccedil;&atilde;o que regenera.</p> 
<p>O pecado deturpa-nos, e dele fazemos com sofrimento a humilhante experi&ecirc;ncia quando n&oacute;s mesmos ou um dos nossos irm&atilde;os sacerdotes ou bispos caem no abismo sem fundo do v&iacute;cio, da corrup&ccedil;&atilde;o ou, pior ainda, do crime que destroi a vida dos outros. Sinto que devo partilhar convosco o sofrimento e a pena insuport&aacute;vel que causam em n&oacute;s e em todo o corpo eclesial a vaga dos esc&acirc;ndalos dos quais os jornais do mundo inteiro est&atilde;o cheios. &Eacute; evidente que o verdadeiro significado do que est&aacute; a acontecer deve ser procurado no esp&iacute;rito do mal, no Inimigo, que age com a pretens&atilde;o de ser o dono do mundo, como disse na liturgia eucar&iacute;stica no final do Encontro sobre a prote&ccedil;&atilde;o dos menores na Igreja (24 de fevereiro de 2019). Contudo, n&atilde;o desanimemos! O Senhor est&aacute; a purificar a sua Esposa e a converter-nos todos a ele. Est&aacute; a fazer-nos experimentar a prova para que compreendamos que sem Ele somos p&oacute;. Est&aacute; a salvar-nos da hipocrisia, da espiritualidade das apar&ecirc;ncias. Ele est&aacute; a soprar o seu Esp&iacute;rito para voltar a dar beleza &agrave; sua Esposa, apanhada em flagrante adult&eacute;rio. Far-nos-&aacute; bem ler hoje o cap&iacute;tulo 16 de Ezequiel. &Eacute; a hist&oacute;ria da Igreja. &Eacute; a minha hist&oacute;ria, pode dizer algum de n&oacute;s. E no final, mas atrav&eacute;s da tua vergonha, continuar&aacute;s a ser o pastor. O nosso arrependimento humilde, que permanece silencioso entre as l&aacute;grimas diante da monstruosidade do pecado e da insond&aacute;vel grandeza do perd&atilde;o de Deus, este, este arrependimento humilde &eacute; o in&iacute;cio da nossa santidade.</p> 
<p>N&atilde;o tenhais medo de arriscar a vida ao servi&ccedil;o da reconcilia&ccedil;&atilde;o entre Deus e os homens: n&atilde;o nos &eacute; concedida nenhuma grandeza secreta a n&atilde;o ser este doar a vida para que os homens possam conhecer o seu amor. A vida de um sacerdote com frequ&ecirc;ncia est&aacute; marcada por incompreens&otilde;es, sofrimentos silenciosos, por vezes persegui&ccedil;&otilde;es. E tamb&eacute;m por pecados que s&oacute; Ele conhece. As dilacera&ccedil;&otilde;es entre irm&atilde;os da nossa comunidade, o n&atilde;o acolhimento da Palavra evang&eacute;lica, o desprezo dos pobres, o ressentimento alimentado por reconcilia&ccedil;&otilde;es que nunca aconteceram, o esc&acirc;ndalo que os comportamentos vergonhosos de alguns irm&atilde;os suscitaram, tudo isto pode tirar-nos o sono e deixar-nos impotentes. Acreditemos, ao contr&aacute;rio, na guia paciente de Deus, que faz as coisas no tempo devido, alarguemos o cora&ccedil;&atilde;o e ponhamo-nos ao servi&ccedil;o da Palavra da reconcilia&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>O que hoje vivemos nesta Catedral propunhamo-lo &agrave;s nossas comunidades. Nas liturgias penitenciais que viveremos nas par&oacute;quias e nas prefeituras, neste tempo de Quaresma, cada um pedir&aacute; perd&atilde;o a Deus e aos irm&atilde;os pelo pecado que minou a comunh&atilde;o eclesial e sufocou o dinamismo mission&aacute;rio. Com humildade — que &eacute; uma caracter&iacute;stica pr&oacute;pria do cora&ccedil;&atilde;o de Deus, e que n&oacute;s temos tanta dificuldade de fazer nossa — confessemos uns aos outros que precisamos que Deus plasme de novo a nossa vida.</p> 
<p>Sede os primeiros a pedir perd&atilde;o aos vossos irm&atilde;os. &laquo;Acusar-se a si pr&oacute;prio &eacute; um in&iacute;cio sapiencial, relacionado com o temor de Deus&raquo; (<i>ibid.</i>). Ser&aacute; um bom sinal se, como fizemos hoje, cada um de v&oacute;s se confessar a um irm&atilde;o tamb&eacute;m nas liturgias penitenciais na par&oacute;quia, diante dos olhos dos fi&eacute;is. Teremos o rosto luminoso, como Mois&eacute;s, se com olhar comovido falarmos aos outros da miseric&oacute;rdia da qual beneficiamos. &Eacute; o caminho, n&atilde;o h&aacute; outro. Deste modo veremos o dem&oacute;nio do orgulho cair como um rel&acirc;mpago do c&eacute;u, se houver o milagre da reconcilia&ccedil;&atilde;o nas nossas comunidades. Sentiremos que somos um pouco mais o Povo que pertence ao Senhor, no meio do qual Deus caminha. Eis a via.</p> 
<p>E desejo-vos boa Quaresma!</p> 
<p><i>Palavras do Papa ao entregar um livrinho sobre a Quaresma</i></p> 
<p>Agora gostaria de acrescentar uma coisa que me pediram para fazer. Um dos modos concretos para viver uma Quaresma de caridade &eacute; contribuir generosamente para a campanha &laquo;na estrada como no c&eacute;u&raquo;, com a qual a nossa C&aacute;ritas diocesana pretende responder a todas as formas de pobreza, acolhendo e apoiando quem precisa. Sei que todos os anos respondeis com generosidade a este apelo, mas hoje pe&ccedil;o-vos um compromisso maior para que a comunidade inteira e todas as comunidades sejam deveras envolvidas em primeira pessoa.</p> 
<p>Preciso disto, preciso da ora&ccedil;&atilde;o. rezai por mim. Uma das coisas que me agrada deste [livrinho] &eacute; a riqueza dos Padres: voltar aos Padres. H&aacute; pouco tempo, numa par&oacute;quia de Roma foi apresentado um livro, “Bisogno di paternit&agrave;”, penso que &eacute; o t&iacute;tulo, s&atilde;o textos dos Padres segundo diversas tem&aacute;ticas. As virtudes, a Igreja... Voltar aos Padres ajuda-nos muito porque &eacute; uma grande riqueza. Obrigado.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Preservar a memória (7 de março de 2019]]></title><pubDate>Thu, 07 Mar 2019 07:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2019/documents/papa-francesco-cotidie_20190307_preservar-memoria.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2019/documents/papa-francesco-cotidie_20190307_preservar-memoria.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 21 Mar 2019 15:20:20 +0100 --> <center> 
 <p align="center"> <font color="#663300"> <b>PAPA FRANCISCO</b></font></p> 
 <p align="center"><font color="#663300">MEDITA&Ccedil;&Otilde;ES MATUTINAS&nbsp;NA SANTA MISSA CELEBRADA<br />NA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</font></p> 
 <center> 
  <b><i><font size="4" color="#663300">Preservar a mem&oacute;ria </font></i></b> 
  <p align="center"> <font color="#663300"><i>Quinta-feira, 7 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
 </center>
</center> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><font color="#663300"><i>Publicado no </i>L'Osservatore Romano<i>, ed. em portugu&ecirc;s, n. 11 de 12 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<p>&laquo;No in&iacute;cio da Quaresma far&aacute; bem a todos n&oacute;s pedir a gra&ccedil;a de preservar a mem&oacute;ria, conservar a mem&oacute;ria de tudo o que o Senhor realizou na minha vida: como me amou&raquo;. Foi a proposta lan&ccedil;ada pelo Papa Francisco, que advertiu contra o cair na idolatria dos &laquo;fogos de artif&iacute;cio&raquo; das escolhas c&oacute;modas e do bem-estar espiritual que faz com que esque&ccedil;amos o Senhor.</p> 
<p>A primeira leitura, observou o Papa, fazendo refer&ecirc;ncia ao trecho tirado do livro do Deuteron&oacute;mio (30, 15-20), &laquo;&eacute; uma parte do discurso que Mois&eacute;s dirige ao povo a fim de o preparar para entrar na terra que o Senhor lhe tinha prometido&raquo;. E &laquo;o livro do Deuteron&oacute;mio, no final, cont&eacute;m esta prepara&ccedil;&atilde;o e hoje p&otilde;e-nos diante de um desafio e tamb&eacute;m de uma escolha. Escolhe: vida ou morte&raquo;.</p> 
<p>&laquo;Somos n&oacute;s, segundo Mois&eacute;s, que devemos escolher&raquo; recordou Francisco. E isto &laquo;&eacute; um apelo &agrave; nossa liberdade; p&otilde;e-nos diante da nossa liberdade: sou livre para escolher a vida ou a morte&raquo;. O texto b&iacute;blico, continuou o Pont&iacute;fice, apresenta &laquo;tr&ecirc;s palavras-chave no in&iacute;cio: “Mas se o teu cora&ccedil;&atilde;o se desviar — primeira palavra — e n&atilde;o escutares — segunda palavra — se te deixares arrastar e adorares deuses estranhos e os servires” — terceira palavra&raquo;.</p> 
<p>Quando, explicou o Papa, &laquo;o cora&ccedil;&atilde;o se desvia, quando empreende um caminho que n&atilde;o &eacute; o certo — quer o desvio quer outra estrada, mas n&atilde;o percorre o caminho certo — perde a orienta&ccedil;&atilde;o, a b&uacute;ssola, com a qual deve ir em frente&raquo;. E &laquo;um cora&ccedil;&atilde;o sem b&uacute;ssola &eacute; um perigo p&uacute;blico: para si mesmo e para os outros&raquo;. De resto, &laquo;um cora&ccedil;&atilde;o empreende este caminho errado quando n&atilde;o ouve, quando se deixa arrastar pelos deuses, quando se torna id&oacute;latra&raquo;.</p> 
<p>&laquo;N&oacute;s — reiterou Francisco — somos capazes de n&atilde;o ouvir. H&aacute; muitos surdos na alma. Tamb&eacute;m n&oacute;s algumas vezes nos tornamos surdos na alma, n&atilde;o ouvimos o Senhor&raquo;. E &laquo;depois h&aacute; os “fogos de artif&iacute;cio” que nos chamam, os falsos deuses que te chamam para uma idolatria, n&atilde;o &eacute; verdade? Este &eacute; o perigo ao longo do caminho rumo &agrave; terra que a todos n&oacute;s foi prometida; a terra do encontro com Cristo ressuscitado&raquo;.</p> 
<p>&laquo;A Quaresma ajuda-nos a percorrer esta estrada&raquo;, recordou o Pont&iacute;fice. Porque &laquo;n&atilde;o ouvir o Senhor, n&atilde;o ouvir as promessas que nos fez, &eacute; perder a mem&oacute;ria&raquo;. E, observou, &laquo;isto &eacute; muito importante, quando n&oacute;s perdemos a mem&oacute;ria das grandes coisas que o Senhor realizou na nossa vida, que fez na sua Igreja, no seu povo, e nos habituamos a ir em frente por nossa conta, com as nossas for&ccedil;as, com a nossa autossufici&ecirc;ncia&raquo;. Por esta raz&atilde;o, sugeriu o Papa, &laquo;&eacute; importante come&ccedil;ar a Quaresma pedindo a gra&ccedil;a da mem&oacute;ria: “Senhor, que eu n&atilde;o perca a mem&oacute;ria, que eu saiba ouvir”&raquo;.</p> 
<p>Recordando as palavras de Mois&eacute;s ao seu povo, um convite a nunca esquecer o caminho que o Senhor fez percorrer, Francisco advertiu contra este &laquo;perigo: quando nos sentimos bem, quando temos tudo ao alcance das m&atilde;os e espiritualmente estamos bem, h&aacute; o perigo de perder a mem&oacute;ria do caminho&raquo;.</p> 
<p>Eis ent&atilde;o o significado das express&otilde;es: &laquo;Olha para tr&aacute;s — n&atilde;o “te desvies”! — o caminho que percorreste”&raquo;. E &laquo;o bem-estar, inclusive o bem-estar espiritual, inclui o perigo de cair numa certa amn&eacute;sia, uma falta de mem&oacute;ria: estou bem assim e esque&ccedil;o-me daquilo que o Senhor fez na minha vida, de todas as gra&ccedil;as que nos concedeu, penso que &eacute; meu m&eacute;rito e vou em frente&raquo;. Este &eacute; precisamente o momento no qual &laquo;o cora&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a a desviar-se, porque n&atilde;o ouve a sua voz: a mem&oacute;ria&raquo;. Eis &laquo;a gra&ccedil;a da mem&oacute;ria&raquo;.</p> 
<p>&laquo;H&aacute; outro excerto, na carta aos Hebreus, que parece seguir o mesmo esquema&raquo; observou o Papa, citando o trecho no qual &laquo;o autor diz aos crist&atilde;os: recordai-vos dos primeiros dias, do fervor dos primeiros dias&raquo;. Porque, afirmou, &laquo;n&oacute;s, quando come&ccedil;amos a percorrer o caminho de Jesus, a estrada do Evangelho, &eacute;ramos sempre alegres&raquo;. Eis o convite a &laquo;recordar, pois perder a mem&oacute;ria &eacute; muito comum&raquo;.</p> 
<p>&laquo;O povo de Israel — continuou Francisco — perdeu a mem&oacute;ria tamb&eacute;m porque neste esquecimento h&aacute; algo de seletivo: recordo o que me conv&eacute;m agora e n&atilde;o recordo algo que me amea&ccedil;a&raquo;. Por exemplo, &laquo;o povo recordava no deserto que Deus o salvou — n&atilde;o o podia esquecer — mas come&ccedil;ou a lamentar-se — n&atilde;o temos &aacute;gua, n&atilde;o temos carne, n&atilde;o temos trigo — e a pensar naquilo que tinham no Egito: l&aacute; t&iacute;nhamos muitas coisas boas, as cebolas, tudo o que com&iacute;amos&raquo;. Mas esta &eacute; uma recorda&ccedil;&atilde;o &laquo;seletiva: esqueciam-se que comiam tudo &agrave; mesa da escravid&atilde;o!&raquo;.</p> 
<p>&laquo;A mem&oacute;ria — insistiu o Pont&iacute;fice — p&otilde;e-nos no caminho certo: recordar para ir em frente; n&atilde;o perder a hist&oacute;ria: a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o, a hist&oacute;ria da minha vida, a hist&oacute;ria de Jesus comigo&raquo;. E assim &laquo;sempre em frente, n&atilde;o parar, n&atilde;o voltar atr&aacute;s, n&atilde;o se deixar arrastar pelos &iacute;dolos&raquo;. Porque, assinalou, &laquo;a idolatria n&atilde;o &eacute; s&oacute; ir a um templo pag&atilde;o e adorar uma est&aacute;tua. N&atilde;o. A idolatria &eacute; uma atitude do cora&ccedil;&atilde;o, quando preferes uma coisa, por ser mais agrad&aacute;vel que o Senhor, porque esqueceste o Senhor&raquo;.</p> 
<p>&laquo;No in&iacute;cio da Quaresma — prop&ocirc;s o Pont&iacute;fice — far&aacute; bem a todos n&oacute;s pedir a gra&ccedil;a de preservar a mem&oacute;ria, conservar a mem&oacute;ria de tudo o que o Senhor realizou na minha vida: como me amou&raquo;; e precisamente &laquo;come&ccedil;ando a partir desta recorda&ccedil;&atilde;o, ir em frente&raquo;. Al&eacute;m disso, prop&ocirc;s o Papa, &laquo;far-nos-&aacute; bem tamb&eacute;m repetir continuamente o conselho de Paulo a Tim&oacute;teo, o seu disc&iacute;pulo amado: “Recorda-te de Jesus Cristo ressuscitado dos mortos”. Repito: “Recorda-te de Jesus Cristo ressuscitado”. Recorda-te de Jesus, Jesus que me acompanhou at&eacute; agora e que me acompanhar&aacute; at&eacute; ao momento no qual terei que comparecer diante d’Ele glorioso&raquo;. Nesta perspetiva, concluiu Francisco, &laquo;o Senhor nos conceda esta gra&ccedil;a de conservar a mem&oacute;ria&raquo;.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Santa Missa, bênção e imposição das Cinzas (6 de março de 2019)]]></title><pubDate>Wed, 06 Mar 2019 17:30:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2019/documents/papa-francesco_20190306_omelia-ceneri.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2019/documents/papa-francesco_20190306_omelia-ceneri.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 07 Mar 2019 12:05:31 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300"> <a href="http://www.vatican.va/news_services/liturgy/libretti/2019/20190306-libretto-mercoledi-ceneri.pdf">SANTA MISSA, B&Ecirc;N&Ccedil;&Atilde;O E IMPOSI&Ccedil;&Atilde;O DAS CINZAS</a></font></p> 
<p align="center"><b><i><font size="4" color="#663300">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO</font></i></b></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Bas&iacute;lica de Santa Sabina<br /> Quarta-feira, 6 de mar&ccedil;o de 2019</i></font> <font color="#663300"></font></p>
<p align="center"><font color="#663300"> [<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/6/ceneri.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</font></p>
<font color="#663300"> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p>&laquo;Tocai a trombeta em Si&atilde;o, ordenai um jejum&raquo; (<i>Jl</i> 2, 15): diz o profeta na primeira Leitura. A Quaresma abre-se com um som estridente: o som duma trombeta que n&atilde;o afaga os ouvidos, mas proclama um jejum. &Eacute; um som intenso, que pretende abrandar o ritmo da nossa vida, sempre dominada pela pressa, mas muitas vezes n&atilde;o sabe bem para onde vai. &Eacute; um apelo a deter-se – um “parar!” para ir ao essencial, a jejuar do sup&eacute;rfluo que distrai. &Eacute; um despertador da alma.</p> 
<p>Ao som deste despertador segue-se a mensagem que o Senhor transmite pela boca do profeta, uma mensagem breve e veemente: &laquo;Voltai para Mim&raquo; (2, 15). Voltar. Se devemos voltar, isso quer dizer que a dire&ccedil;&atilde;o seguida n&atilde;o era justa. A Quaresma &eacute; o tempo para reencontrar <i>a rota da vida</i>. Com efeito, no caminho da vida – como em todos os caminhos –, aquilo que verdadeiramente conta &eacute; n&atilde;o perder de vista a meta. Pelo contr&aacute;rio, quando o que interessa na viagem &eacute; ver a paisagem ou parar a comer, n&atilde;o se vai longe. Cada um de n&oacute;s pode interrogar-se: no caminho da vida, procuro a rota? Ou contento-me de viver o dia a dia, pensando apenas em sentir-me bem, resolver alguns problemas e divertir-me um pouco? Qual &eacute; a rota? Talvez a busca da sa&uacute;de, que hoje muitos dizem vir em primeiro lugar, mas mais cedo ou mais tarde faltar&aacute;? Porventura a riqueza e o bem-estar? Mas n&atilde;o &eacute; para isso que estamos no mundo. <i>Voltai para Mim</i>, diz o Senhor. <i>Para Mim</i>: o Senhor &eacute; a meta da nossa viagem no mundo. A rota deve ser ajustada na dire&ccedil;&atilde;o d’Ele.</p> 
<p>Hoje, para encontrar a rota, &eacute;-nos oferecido um sinal: cinzas na cabe&ccedil;a. &Eacute; um sinal que nos faz pensar naquilo que trazemos na cabe&ccedil;a. Frequentemente, os nossos pensamentos seguem coisas passageiras, coisas que v&atilde;o e v&ecirc;m. Os gr&atilde;os de cinza que receberemos pretendem dizer-nos, com delicadeza e verdade: de tantas coisas que trazes na cabe&ccedil;a, atr&aacute;s das quais corres e te afadigas diariamente, nada restar&aacute;. Por mais que te afadigues, n&atilde;o levar&aacute;s contigo qualquer riqueza da vida. As realidades terrenas dissipam-se como poeira ao vento. Os bens s&atilde;o provis&oacute;rios, o poder passa, o sucesso declina. A <i>cultura da apar&ecirc;ncia</i>, hoje dominante e que induz a viver para as coisas que passam, &eacute; um grande engano. Pois &eacute; como uma fogueira: uma vez apagada, ficam apenas cinzas. A Quaresma &eacute; o tempo para nos libertarmos da ilus&atilde;o de viver correndo atr&aacute;s de p&oacute;. A Quaresma &eacute; descobrir que somos feitos para o fogo que arde sempre, n&atilde;o para a cinza que imediatamente se some; para Deus, n&atilde;o para o mundo; para a eternidade do C&eacute;u, n&atilde;o para o engano da terra; para a liberdade dos filhos, n&atilde;o para a escravid&atilde;o das coisas. Hoje podemos interrogar-nos: De que parte estou? Vivo para o fogo ou para as cinzas?</p> 
<p>Nesta viagem de regresso ao essencial que &eacute; a Quaresma, o Evangelho prop&otilde;e tr&ecirc;s etapas, que o Senhor pede para percorrer sem hipocrisia nem fic&ccedil;&atilde;o: a esmola, a ora&ccedil;&atilde;o, o jejum. Para que servem? A esmola, a ora&ccedil;&atilde;o e o jejum reconduzem-nos &agrave;s &uacute;nicas tr&ecirc;s realidades que n&atilde;o se dissipam. A ora&ccedil;&atilde;o liga-nos a Deus; a caridade, ao pr&oacute;ximo; o jejum, a n&oacute;s mesmos. Deus, os irm&atilde;os, a minha vida: tais s&atilde;o as realidades, que n&atilde;o acabam em nada e sobre as quais &eacute; preciso investir. Eis para onde nos convida a olhar a Quaresma: <i>para o Alto</i>, com a ora&ccedil;&atilde;o, que liberta duma vida horizontal e rastejante, onde se encontra tempo para si pr&oacute;prio, mas se esquece Deus. E depois <i>para o outro</i>, com a caridade, que liberta da nulidade do ter, de pensar que as coisas est&atilde;o bem se para mim correm bem. Por &uacute;ltimo, convida-nos a olhar <i>para dentro</i> de n&oacute;s mesmos, com o jejum, que liberta do apego &agrave;s coisas, do mundanismo que anestesia o cora&ccedil;&atilde;o. Ora&ccedil;&atilde;o, caridade, jejum: tr&ecirc;s investimentos num tesouro que dura.</p> 
<p>Jesus disse: &laquo;Onde estiver o teu tesouro, a&iacute; estar&aacute; tamb&eacute;m o teu cora&ccedil;&atilde;o&raquo; (<i>Mt</i> 6, 21). O nosso cora&ccedil;&atilde;o aponta sempre para uma dire&ccedil;&atilde;o: &eacute; como uma b&uacute;ssola que sempre procura a orienta&ccedil;&atilde;o. Podemos tamb&eacute;m compar&aacute;-lo a um im&atilde;: precisa de se apegar a qualquer coisa. Mas, quando se apega s&oacute; &agrave;s coisas terrenas, mais cedo ou mais tarde torna-se escravo delas: as coisas de que nos servimos passam a coisas &agrave;s quais servimos. O aspeto exterior, o dinheiro, a carreira, os passatempos: se vivermos para eles, tornar-se-&atilde;o &iacute;dolos que nos usam, sereias que nos encantam e, em seguida, nos deixam &agrave; deriva. Ao contr&aacute;rio, se o cora&ccedil;&atilde;o se apega ao que n&atilde;o passa, encontramo-nos a n&oacute;s mesmos e tornamo-nos livres. Quaresma &eacute; o tempo de gra&ccedil;a para libertar o cora&ccedil;&atilde;o das nulidades; &eacute; tempo de cura de depend&ecirc;ncias que nos seduzem; &eacute; tempo de fixar o olhar naquilo que resta.</p> 
<p>Ent&atilde;o onde devemos fixar o olhar ao longo do caminho da Quaresma? &Eacute; simples: no Crucificado. Jesus na cruz &eacute; a b&uacute;ssola da vida, que nos orienta para o C&eacute;u. A pobreza do lenho, o sil&ecirc;ncio do Senhor, a sua nudez por amor mostram-nos a necessidade duma vida mais simples, livre da az&aacute;fama excessiva pelas coisas. Da cruz, Jesus ensina-nos a coragem esfor&ccedil;ada da ren&uacute;ncia. Pois, carregados com pesos embara&ccedil;antes, nunca iremos para diante. Precisamos de nos libertar dos tent&aacute;culos do consumismo e dos la&ccedil;os do ego&iacute;smo, de querer sempre mais, de n&atilde;o nos contentarmos jamais, do cora&ccedil;&atilde;o fechado &agrave;s necessidades do pobre. Jesus, abrasado de amor no lenho cruz, chama-nos a uma vida inflamada por Ele, que n&atilde;o se perde entre as cinzas do mundo; uma vida que arde de caridade, e n&atilde;o se apaga na mediocridade. &Eacute; dif&iacute;cil viver como Ele pede? Sim, &eacute; dif&iacute;cil, mas conduz &agrave; meta. No-lo mostra a Quaresma. Esta come&ccedil;a com as cinzas, mas leva-nos no final ao fogo da noite da Vig&iacute;lia Pascal, a descobrir que, no sepulcro, a carne de Jesus n&atilde;o se torna cinza, mas ressuscita gloriosa. O mesmo vale para n&oacute;s, que somos p&oacute;: se voltarmos ao Senhor com as nossas fragilidades, se tomarmos o caminho do amor, abra&ccedil;aremos a vida que n&atilde;o tem ocaso. E certamente viveremos na alegria.</p> &nbsp;]]></description></item><item><title><![CDATA[Audiência Geral de 6 de março de 2019 - Catequese sobre o Pai Nosso: 9]]></title><pubDate>Wed, 06 Mar 2019 09:30:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2019/documents/papa-francesco_20190306_udienza-generale.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2019/documents/papa-francesco_20190306_udienza-generale.html</guid><description><![CDATA[<!-- Wed, 13 Mar 2019 15:05:28 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300">PAPA FRANCISCO</font></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>AUDI&Ecirc;NCIA GERAL</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Quarta-feira, 6 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/6/udienzagenerale.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> &nbsp;
<p><b>Catequese sobre o Pai-Nosso - 9</b></p> 
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>Quando rezamos o “Pai-Nosso”, a segunda invoca&ccedil;&atilde;o com a qual nos dirigimos a Deus &eacute; &laquo;venha a n&oacute;s o vosso Reino&raquo; (<i>Mt</i> 6, 10). Depois de ter rezado para que o seu nome seja santificado, o crente expressa o desejo de que se apresse a vinda do seu Reino. Este desejo brotou, por assim dizer, do pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o de Cristo, que deu in&iacute;cio &agrave; sua prega&ccedil;&atilde;o na Galileia proclamando: &laquo;Completou-se o tempo e o Reino de Deus est&aacute; pr&oacute;ximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho&raquo; (<i>Mc</i> 1, 15). Estas palavras n&atilde;o s&atilde;o minimamente uma amea&ccedil;a, ao contr&aacute;rio, s&atilde;o um feliz an&uacute;ncio, uma mensagem de alegria. Jesus n&atilde;o quer for&ccedil;ar as pessoas a converter-se semeando o medo do ju&iacute;zo iminente de Deus ou o sentimento de culpa pelo mal cometido. Jesus n&atilde;o faz proselitismo: simplesmente anuncia. Ao contr&aacute;rio, a que Ele traz &eacute; a Boa Nova da salva&ccedil;&atilde;o, e a partir dela chama a converter-se. Cada um &eacute; convidado a acreditar no “evangelho”: o senhorio de Deus tornou-se pr&oacute;ximo dos seus filhos. Este &eacute; o Evangelho: o senhorio de Deus fez-se pr&oacute;ximo dos seus filhos. E Jesus anuncia esta maravilha, esta gra&ccedil;a: Deus, o Pai, ama-nos, est&aacute; pr&oacute;ximo de n&oacute;s e ensina-nos a andar pelo caminho da santidade.</p> 
<p>Os sinais da vinda deste Reino s&atilde;o numerosos e todos positivos. Jesus come&ccedil;a o seu minist&eacute;rio cuidando dos doentes, quer no corpo quer no esp&iacute;rito, de quantos viviam uma exclus&atilde;o social — por exemplo os leprosos — dos pecadores desprezados por todos, at&eacute; por aqueles que eram mais pecadores do que eles mas se fingiam justos. E como os chama Jesus? “Hip&oacute;critas”. O pr&oacute;prio Jesus indica estes sinais, os sinais do Reino de Deus: &laquo;Os cegos v&ecirc;em e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova &eacute; anunciada aos pobres&raquo; (<i>Mt</i> 11, 5).</p> 
<p>“Venha a n&oacute;s o vosso Reino!”, repete com insist&ecirc;ncia o crist&atilde;o quando reza o “Pai-Nosso”. Jesus veio; mas o mundo ainda est&aacute; marcado pelo pecado, povoado por tantas pessoas que sofrem, por pessoas que n&atilde;o se reconciliam nem perdoam, por guerras e muitas formas de explora&ccedil;&atilde;o, pensemos no tr&aacute;fico de crian&ccedil;as, por exemplo. Todas estas realidades s&atilde;o a prova de que a vit&oacute;ria de Cristo ainda n&atilde;o se concretizou totalmente: muitos homens e mulheres ainda vivem com o cora&ccedil;&atilde;o fechado. &Eacute; sobretudo nestas situa&ccedil;&otilde;es que aos l&aacute;bios do crist&atilde;o aflora a segunda invoca&ccedil;&atilde;o do “Pai-Nosso”: “venha a n&oacute;s o vosso Reino!”. Que &eacute; como dizer: “Pai, precisamos de Ti! Jesus, precisamos de ti, temos necessidade de que em toda a parte e para sempre Tu sejas o Senhor no meio de n&oacute;s!”. “Venha a n&oacute;s o vosso Reino, que tu estejas entre n&oacute;s”.</p> 
<p>Por vezes perguntamo-nos: porque este Reino se realiza t&atilde;o lentamente? Jesus gosta de falar da sua vit&oacute;ria com a linguagem das par&aacute;bolas. Por exemplo, diz que o Reino de Deus &eacute; semelhante a um campo no qual crescem juntos o trigo e o joio: o pior erro seria querer intervir imediatamente extirpando do mundo aquelas que nos parecem ervas daninhas. Deus n&atilde;o &eacute; como n&oacute;s, Deus tem paci&ecirc;ncia. N&atilde;o &eacute; com a viol&ecirc;ncia que se instaura o Reino no mundo: o seu estilo de propaga&ccedil;&atilde;o &eacute; a mansid&atilde;o (cf. <i>Mt</i> 13, 24-30).</p> 
<p>O Reino de Deus &eacute; certamente uma grande for&ccedil;a, a maior que existe, mas n&atilde;o segundo os crit&eacute;rios do mundo; por isso parece nunca ter a maioria absoluta. &Eacute; como o fermento que se mistura com a farinha: aparentemente desaparece, mas &eacute; precisamente isso que faz fermentar a massa (cf. <i>Mt</i> 13, 33). Ou ent&atilde;o, &eacute; como um gr&atilde;o de mostarda, que &eacute; t&atilde;o pequenino, quase invis&iacute;vel, mas tem em si a impetuosa for&ccedil;a da natureza, e quando cresce torna-se a maior planta do horto (cf. <i>Mt</i> 13, 31-32). Neste “destino” do Reino de Deus pode-se intuir a trama da vida de Jesus: tamb&eacute;m Ele foi para os seus contempor&acirc;neos um sinal fr&aacute;gil, um evento quase desconhecido pelos historiadores da &eacute;poca. Um &laquo;gr&atilde;o de trigo&raquo;, assim Ele mesmo se definiu, que morre na terra mas s&oacute; assim pode dar &laquo;muito fruto&raquo; (cf. <i>Jo</i> 12, 24). O s&iacute;mbolo da semente &eacute; eloquente: um dia o campon&ecirc;s lan&ccedil;a &agrave; terra (um gesto que parece uma sepultura), e depois &laquo;quer esteja a dormir, quer se levante, de noite e de dia, a semente germina e cresce, sem ele saber como&raquo; (<i>Mc</i> 4, 27). Uma semente que germina &eacute; mais obra de Deus do que do homem que semeou (cf. <i> Mc</i> 4, 27). Deus precede-nos sempre, Deus surpreende-nos sempre. Gra&ccedil;as a Ele depois da noite da Sexta-feira Santa h&aacute; uma alvorada de Ressurrei&ccedil;&atilde;o capaz de iluminar de esperan&ccedil;a o mundo inteiro.</p> 
<p>“Venha a n&oacute;s o Vosso Reino!”. Semeemos esta palavra no meio dos nossos pecados e das nossas faltas. Ofere&ccedil;amo-la &agrave;s pessoas derrotadas e martirizadas pela vida, a quem conheceu mais &oacute;dio do que amor, a quem viveu dias in&uacute;teis sem nunca compreender porqu&ecirc;. Ofere&ccedil;amo-la a quantos lutaram pela justi&ccedil;a, a todos os m&aacute;rtires da hist&oacute;ria, a quem se deu conta que combateu por nada e que neste mundo domina sempre o mal. Ouviremos ent&atilde;o que a prece do “Pai-Nosso” responde. Repetir&aacute; mais uma vez aquelas palavras de esperan&ccedil;a, as mesmas que o Esp&iacute;rito colocou como selo da inteira Sagrada Escritura: “Sim, venho depressa!”: esta &eacute; a resposta do Senhor. “Venho depressa”. Am&eacute;m. E a Igreja do Senhor responde: “Vinde, Senhor Jesus” (cf. <i>Ap</i> 2, 20). “Venha a n&oacute;s o vosso Reino” &eacute; como dizer “Vinde, Senhor Jesus”. E Jesus responde: “Virei depressa”. E Jesus vem, &agrave; sua maneira, mas todos os dias. Tenhamos confian&ccedil;a nisto. E quando rezarmos o “Pai-Nosso” digamos sempre: “Venha a n&oacute;s o vosso Reino”, para sentir no cora&ccedil;&atilde;o: “Sim, sim, venho, e venho depressa”. Obrigado!</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="75%" size="1" /> 
<p><b>Sauda&ccedil;&otilde;es</b></p> 
<p>Sa&uacute;do cordialmente os grupos escolares de Bragan&ccedil;a, Cabeceiras de Basto, Lourinh&atilde;, Oeiras e Viseu e tamb&eacute;m os fi&eacute;is das par&oacute;quias de Moreira e Pouso Alegre. A v&oacute;s e a todos os peregrinos de l&iacute;ngua portuguesa, desejo um frutuoso caminho quaresmal que vos permita encontrar e seguir mais de perto Jesus, at&eacute; poder dizer, com S&atilde;o Paulo, &laquo;j&aacute; n&atilde;o sou eu que vivo, mas &eacute; Cristo que vive em mim&raquo;. Sobre v&oacute;s e vossas fam&iacute;lias, des&ccedil;a a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Aos funcionários do Arquivo Secreto Vaticano (4 de março de 2019)]]></title><pubDate>Mon, 04 Mar 2019 12:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190304_archivio-segretovaticano.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190304_archivio-segretovaticano.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 14 Mar 2019 12:39:15 +0100 --> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>DISCURSO DO PAPA FRANCISCO <br /> AOS FUNCION&Aacute;RIOS DO ARQUIVO SECRETO VATICANO </i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Sala Clementina<br /> Segunda-feira, 4 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/4/archivio-segreto-vaticano.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> &nbsp;
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Dou-vos as boas-vindas, feliz por vos receber. Agrade&ccedil;o a D. Jos&eacute; Tolentino de Mendon&ccedil;a as gentis palavras que me dirigiu em nome de todos v&oacute;s. Sa&uacute;do D. Sergio Pagano, o Prof. Paolo Vian, neo-Vice-Prefeito, e v&oacute;s, arquivistas, escritores, assistentes e funcion&aacute;rios do Arquivo Secreto do Vaticano, assim como os professores da Escola Vaticana de Paleografia, Diplom&aacute;tica e Arquiv&iacute;stica.</p> 
<p>A ocasi&atilde;o desta vossa visita — pouco tempo depois do meu encontro convosco e com a Biblioteca Apost&oacute;lica, no passado dia 4 de dezembro — insere-se no jubiloso anivers&aacute;rio, precisamente anteontem, dos oitenta anos que passaram depois da elei&ccedil;&atilde;o para Sumo Pont&iacute;fice, a 2 de mar&ccedil;o de 1939, do Servo de Deus Pio XII, de venerada mem&oacute;ria.</p> 
<p>A figura daquele Pont&iacute;fice, que teve que guiar a Barca de Pedro num dos momentos mais tristes e obscuros do s&eacute;culo XX, agitado e em muitas partes dilacerado pelo &uacute;ltimo conflito mundial, com o consequente per&iacute;odo de reorganiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es e a reconstru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-b&eacute;lica, esta figura j&aacute; foi averiguada e estudada em muitos dos seus aspetos, por vezes posta em discuss&atilde;o e at&eacute; criticada (dir-se-ia com algum preconceito e exagero). Hoje ela &eacute; oportunamente reavaliada e, ali&aacute;s, colocada na justa luz pelas suas qualidades poli&eacute;dricas: antes de tudo pastorais, mas tamb&eacute;m teol&oacute;gicas, asc&eacute;ticas e diplom&aacute;ticas.</p> 
<p>Por desejo do Papa Bento XVI, v&oacute;s Superiores e Oficiais do Arquivo Secreto do Vaticano, assim como dos Arquivos Hist&oacute;ricos da Santa S&eacute; e do Estado da Cidade do Vaticano, desde 2006 at&eacute; hoje estais a trabalhar num projeto conjunto de inventaria&ccedil;&atilde;o e prepara&ccedil;&atilde;o da vasta documenta&ccedil;&atilde;o produzida durante o Pontificado de Pio XII, parte da qual j&aacute; foi aberta &agrave; consulta pelos meus venerados Predecessores S&atilde;o Paulo VI e S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II.</p> 
<p>Por conseguinte agrade&ccedil;o a v&oacute;s, e atrav&eacute;s de v&oacute;s tamb&eacute;m aos arquivistas vaticanos, o paciente e escrupuloso trabalho que desempenhastes nestes &uacute;ltimos doze anos, e que em parte ainda estais a desenvolver, para concluir a supracitada prepara&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>O vosso &eacute; um trabalho realizado no sil&ecirc;ncio e longe dos clamores, que cultiva a mem&oacute;ria, e num certo sentido parece-me que ele possa ser comparado com a cultiva&ccedil;&atilde;o de uma &aacute;rvore majestosa, cujos ramos apontam para o c&eacute;u, mas cujas ra&iacute;zes est&atilde;o solidamente ancoradas na terra. Se compararmos esta &aacute;rvore com a Igreja, veremos que ela propende para o C&eacute;u, onde est&aacute; a nossa p&aacute;tria e o nosso &uacute;ltimo horizonte; mas as ra&iacute;zes afundam no terreno da mesma Encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo, na hist&oacute;ria, no tempo. V&oacute;s, arquivistas, com a vossa fadiga paciente, trabalhais nestas ra&iacute;zes e contribu&iacute;s para as manter vivas, de tal modo que tamb&eacute;m os ramos mais verdes e mais jovens da &aacute;rvore possam obter linfa boa para o seu crescimento no futuro.</p> 
<p>Este compromisso constante e &aacute;rduo, vosso e dos vossos colegas, permite que eu hoje, em recorda&ccedil;&atilde;o daquela data significativa, <i> anuncie a minha decis&atilde;o de abrir &agrave; consulta dos pesquisadores a documenta&ccedil;&atilde;o arquiv&iacute;stica relativa ao Pontificado de Pio</i> XII, at&eacute; &agrave; sua morte, ocorrida em Castel Gandolfo a 9 de outubro de 1958.</p> 
<p>Decidi que a abertura dos Arquivos do Vaticano no respeitante ao Pontificado de Pio XII acontecer&aacute; a 2 de mar&ccedil;o de 2020, &agrave; dist&acirc;ncia exata de um ano do octog&eacute;simo anivers&aacute;rio da elei&ccedil;&atilde;o para o S&oacute;lio de Pedro de Eug&eacute;nio Pacelli.</p> 
<p>Assumo esta decis&atilde;o depois de ter ouvido o parecer dos meus Colaboradores mais diretos, com o &acirc;nimo sereno e confiante, na certeza de que uma pesquisa hist&oacute;rica s&eacute;ria e objetiva saber&aacute; avaliar na sua justa luz, com cr&iacute;tica apropriada, momentos de exalta&ccedil;&atilde;o daquele Pont&iacute;fice e, sem d&uacute;vida, tamb&eacute;m momentos de grave dificuldade, de decis&otilde;es atormentadas, de prud&ecirc;ncia humana e crist&atilde;, que para alguns puderam parecer hesita&ccedil;&otilde;es, e que ao contr&aacute;rio foram tentativas, humanamente tamb&eacute;m muito dif&iacute;ceis, de manter acesa, nos per&iacute;odos de escurid&atilde;o mais densa e de crueldade, a chama das iniciativas humanit&aacute;rias, da diplomacia escondida mas ativa, da esperan&ccedil;a em poss&iacute;veis boas aberturas dos cora&ccedil;&otilde;es.</p> 
<p>A Igreja n&atilde;o tem medo da hist&oacute;ria, ali&aacute;s, ama-a, e gostaria de a amar mais e melhor, como Deus a ama! Por conseguinte, com a mesma confian&ccedil;a dos meus Predecessores, abro e confio aos pesquisadores este patrim&oacute;nio document&aacute;rio.</p> 
<p>Ao agradecer-vos mais uma vez pelo trabalho realizado, desejo que prossigais no compromisso de assist&ecirc;ncia aos pesquisadores — assist&ecirc;ncia cient&iacute;fica e material — e tamb&eacute;m na publica&ccedil;&atilde;o das fontes de Pacelli que forem consideradas importantes, como de resto j&aacute; estais a fazer desde h&aacute; alguns anos.</p> 
<p>Com estes sentimentos, concedo a todos v&oacute;s de cora&ccedil;&atilde;o a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica e pe&ccedil;o-vos, por favor, que rezeis por mim. Obrigado.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[A um grupo de jovens líderes da América Latina (4 de março de 2019)]]></title><pubDate>Mon, 04 Mar 2019 11:30:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190304_pontcommissione-americalatina.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190304_pontcommissione-americalatina.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 14 Mar 2019 12:55:13 +0100 --> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>DISCURSO DO PAPA FRANCISCO <br /> A UM GRUPO DE JOVENS L&Iacute;DERES DA AM&Eacute;RICA LATINA </i></b> </font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Sala do Consist&oacute;rio<br /> Segunda-feira, 4 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/4/pontcommissione-americalatina.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> &nbsp;
<p><i>Estimados amigos!</i></p> 
<p>Agrade&ccedil;o ao Cardeal Ouellet pelas palavras. Comecei este discurso chamando-vos “estimados amigos”, e n&atilde;o por um mero artif&iacute;cio ret&oacute;rico, mas porque, pensando na iniciativa que empreendestes, penso que &eacute; oportuno recordar um vers&iacute;culo do cap&iacute;tulo 15 do evangelho de S&atilde;o Jo&atilde;o, no qual Jesus diz a todos: &laquo;J&aacute; n&atilde;o vos chamo servos, visto que um servo n&atilde;o est&aacute; ao corrente do que faz o seu senhor; mas a v&oacute;s chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai&raquo; (15, 15).</p> 
<p>E Jesus funda a Igreja com o aspeto de uma amizade, como um ato de amor, um gesto de compaix&atilde;o pela nossa condi&ccedil;&atilde;o fr&aacute;gil e limitada. E encarnando-se, Jesus Cristo abra&ccedil;a a nossa humanidade, o nosso “eu”, &agrave;s vezes ego&iacute;sta, muitas vezes temeroso, para nos doar a sua for&ccedil;a e nos mostrar que n&atilde;o estamos sozinhos no caminho da vida, que temos um amigo que nos acompanha. Gra&ccedil;as a isto, cada vez que dissermos “eu” poderemos dizer “n&oacute;s”, isto &eacute;, somos comunidade com Ele. Temos um “amigo” que nos ampara e convida a propor missionariamente aquela mesma amizade a todos os demais e, assim, alargar a experi&ecirc;ncia de “Igreja”.</p> 
<p>Esta verdade tem muitas implica&ccedil;&otilde;es em diversos &acirc;mbitos, mas &eacute; importante, sobretudo para quantos se descobrem chamados a ser respons&aacute;veis pela promo&ccedil;&atilde;o do bem comum.</p> 
<p>Ser cat&oacute;lico na pol&iacute;tica n&atilde;o significa ser um recruta de um grupo, organiza&ccedil;&atilde;o ou partido qualquer, mas viver dentro de uma amizade, de uma comunidade. Se tu, quando te formas na Doutrina social da Igreja, n&atilde;o descobrires no teu cora&ccedil;&atilde;o a necessidade de pertencer a uma comunidade de discipulado mission&aacute;rio deveras eclesial, na qual viver a experi&ecirc;ncia de ser amado por Deus, podes correr o risco de te lan&ccedil;ares sozinho nos desafios do poder, das estrat&eacute;gias, da a&ccedil;&atilde;o, e acabar no melhor dos casos com um bom cargo pol&iacute;tico, mas sozinho, triste e com a probabilidade de seres manipulado.</p> 
<p>Jesus convida-nos a ser seus amigos. Se nos abrirmos a esta oportunidade, a nossa fragilidade n&atilde;o diminuir&aacute;. As circunst&acirc;ncias nas quais vivemos n&atilde;o mudar&atilde;o imediatamente. Contudo poderemos olhar para a realidade de maneira nova, poderemos viver os desafios na constru&ccedil;&atilde;o do bem comum com paix&atilde;o renovada. N&atilde;o nos esque&ccedil;amos de que entrar em pol&iacute;tica significa apostar na amizade social.</p> 
<p>Na Am&eacute;rica Latina temos um santo que conhecia bem estes aspetos. Ele soube viver a f&eacute; como amizade e o compromisso com o seu povo a ponto de dar a vida por ele. Via muitos leigos desejosos de mudar as coisas mas que muitas vezes se perdiam com falsas respostas de tipo ideol&oacute;gico. Com a mente e o cora&ccedil;&atilde;o postos em Jesus, e guiado pela doutrina social da Igreja, S&atilde;o &Oacute;scar Arnulfo Romero dizia, e cito-o: &laquo;A Igreja n&atilde;o se pode identificar com organiza&ccedil;&atilde;o alguma, nem sequer com as que se definem e se sentem crist&atilde;s. A Igreja n&atilde;o &eacute; a organiza&ccedil;&atilde;o, nem a organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; a Igreja. Se num crist&atilde;o cresceram as dimens&otilde;es da f&eacute; e da voca&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, n&atilde;o se podem s&oacute; identificar as tarefas da f&eacute; e um determinado dever pol&iacute;tico, nem sequer se podem identificar Igreja e organiza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se pode afirmar que apenas no &acirc;mbito de uma determinada organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel desenvolver a exig&ecirc;ncia da f&eacute;. Nem todos os crist&atilde;os t&ecirc;m voca&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, nem o canal pol&iacute;tico &eacute; o &uacute;nico a levar a um dever de justi&ccedil;a. H&aacute; tamb&eacute;m outros modos de traduzir a f&eacute; num trabalho de justi&ccedil;a e bem comum. N&atilde;o podemos exigir que a Igreja e os seus s&iacute;mbolos eclesiais se convertam em mecanismos de atividades pol&iacute;ticas. Para ser um bom pol&iacute;tico n&atilde;o &eacute; preciso ser crist&atilde;o, mas o crist&atilde;o que entra em pol&iacute;tica tem a obriga&ccedil;&atilde;o de professar a pr&oacute;pria f&eacute;. E se fazendo assim nascer um conflito entre a lealdade &agrave; sua f&eacute; e a lealdade &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o, o verdadeiro crist&atilde;o deve preferir a sua f&eacute; e demonstrar que a sua luta pela justi&ccedil;a &eacute; pela justi&ccedil;a do Reino de Deus, e n&atilde;o por outra justi&ccedil;a&raquo;.(1) S&atilde;o palavras de Romero.</p> 
<p>Estas express&otilde;es foram pronunciadas a 6 de agosto de 1978 para que os fi&eacute;is leigos se sentissem livres e n&atilde;o escravos, e a fim de que encontrassem de novo os motivos pelos quais vale a pena fazer pol&iacute;tica, mas a partir do Evangelho, superando as ideologias. A pol&iacute;tica n&atilde;o &eacute; a mera arte de administrar o poder, os recursos nem as crises. A pol&iacute;tica n&atilde;o &eacute; mera busca de efic&aacute;cia, estrat&eacute;gia e a&ccedil;&atilde;o organizada. A pol&iacute;tica &eacute; voca&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o, diaconia laical que promove a amizade social para gerar o bem comum. Deste modo a pol&iacute;tica contribui para fazer com que o povo se torne protagonista da sua hist&oacute;ria e, desta forma, evita-se que as chamadas “classes dirigentes” pensem que s&oacute; elas podem resolver tudo. &Eacute; o famoso conceito liberal exasperado: tudo para o povo mas nada com o povo. A a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica n&atilde;o pode ser reduzida a t&eacute;cnicas, recursos humanos e capacidade de di&aacute;logo e persuas&atilde;o; tudo isto sozinho n&atilde;o serve. O pol&iacute;tico est&aacute; no meio do seu povo e colabora com este meio ou com outros a fim de que o povo que &eacute; soberano seja o protagonista da sua hist&oacute;ria.</p> 
<p>Atualmente, na Am&eacute;rica Latina e no mundo todo, estamos a viver uma verdadeira &laquo;mudan&ccedil;a de &eacute;poca&raquo;(2) — afirma o documento de Aparecida — a qual exige que renovemos as nossas linguagens, s&iacute;mbolos e m&eacute;todos. Se continuarmos a fazer o mesmo que se fazia h&aacute; d&eacute;cadas, incidiremos nos mesmos problemas que devemos superar nos &acirc;mbitos social e pol&iacute;tico. N&atilde;o me refiro aqui simplesmente a melhorar uma estrat&eacute;gia de “marketing”, mas a seguir o m&eacute;todo que o pr&oacute;prio Deus escolheu para se aproximar de n&oacute;s: a Encarna&ccedil;&atilde;o. Assumindo tudo o que &eacute; humano — exceto o pecado — Jesus Cristo anuncia-nos a liberta&ccedil;&atilde;o pela qual o nosso cora&ccedil;&atilde;o e os nossos povos anseiam. Ent&atilde;o, v&oacute;s como jovens cat&oacute;licos que vos dedicais a diversas atividades pol&iacute;ticas estareis em primeira linha no modo de acolher as linguagens, os sinais, as preocupa&ccedil;&otilde;es e as esperan&ccedil;as dos setores mais emblem&aacute;ticos da mudan&ccedil;a de &eacute;poca latino-americana. E cabe a v&oacute;s encontrardes os caminhos do processo pol&iacute;tico mais adequado para ir em frente.</p> 
<p>Quais s&atilde;o os setores mais emblem&aacute;ticos ou significativos na mudan&ccedil;a de &eacute;poca latino-americana? Na minha opini&atilde;o s&atilde;o tr&ecirc;s, ali&aacute;s, penso que j&aacute; ouvistes isto porque Carriquiri est&aacute; aqui e eu, com efeito, copiei dele. No meu parecer s&atilde;o tr&ecirc;s, atrav&eacute;s dos quais &eacute; poss&iacute;vel reativar as energias sociais da nossa regi&atilde;o a fim de que seja fiel &agrave; sua identidade e, ao mesmo tempo, construa um projeto de futuro: as <i>mulheres</i>, os<i> jovens </i>e os <i>mais pobres</i>.</p> 
<p>Em primeiro lugar, as <i>mulheres</i>. A Pontif&iacute;cia Comiss&atilde;o para a Am&eacute;rica Latina no ano passado dedicou uma reuni&atilde;o plen&aacute;ria precisamente &agrave; mulher como pilar na edifica&ccedil;&atilde;o da Igreja e da sociedade.(3) Al&eacute;m disso, em 2017 enviei aos <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2017/september/documents/papa-francesco_20170907_viaggioapostolico-colombia-celam.html"> bispos do Celam em Bogot&aacute; uma mensagem </a>na qual lhes recordava que &laquo;a esperan&ccedil;a na Am&eacute;rica Latina tem um rosto feminino&raquo;.(4) Em segundo lugar, os<i> jovens</i>, porque neles residem o anticonformismo e a rebeli&atilde;o que s&atilde;o necess&aacute;rios para promover mudan&ccedil;as verdadeiras e n&atilde;o meramente cosm&eacute;ticas. Jesus Cristo, eternamente jovem, est&aacute; presente na sensibilidade deles, no seu rosto e nas suas preocupa&ccedil;&otilde;es. Em terceiro lugar, os <i>mais pobres</i> e <i>marginalizados</i>. Porque na op&ccedil;&atilde;o preferencial por eles a Igreja mede a sua fidelidade como esposa de Cristo n&atilde;o menos do que o faz com a vertente da ortodoxia.(5)</p> 
<p>As<i> mulheres</i>, os<i> jovens</i> e os <i>pobres</i>, por diversas raz&otilde;es, s&atilde;o lugares de encontro privilegiado com a nova sensibilidade cultural emergente e com Jesus Cristo. S&atilde;o protagonistas da mudan&ccedil;a de &eacute;poca e sujeitos de aut&ecirc;ntica esperan&ccedil;a. A sua presen&ccedil;a, as suas alegrias e, em particular, os seus sofrimentos s&atilde;o um forte alarme para quantos t&ecirc;m responsabilidade pela vida p&uacute;blica. &Eacute; na resposta &agrave;s suas necessidades e &agrave;s suas exig&ecirc;ncias que se joga em grande parte a verdadeira constru&ccedil;&atilde;o do bem comum. Constituem um lugar de exame da autenticidade do compromisso cat&oacute;lico na pol&iacute;tica. Se n&atilde;o nos quisermos perder num mar de palavras vazias, olhemos sempre para os rostos das mulheres, dos jovens e dos pobres. Olhemos para eles como sujeitos de mudan&ccedil;a e n&atilde;o como meros objetos de assist&ecirc;ncia. O seu olhar que nos interpela ajudar-nos-&aacute; a corrigir a inten&ccedil;&atilde;o e a redescobrir o m&eacute;todo para agir “<i>inculturadamente”, </i>nos nossos diversos contextos. Assumir, e assumir realmente, toda esta problem&aacute;tica significa sermos concretos e em pol&iacute;tica quando algu&eacute;m se desvia do ser concreto desvia-se tamb&eacute;m da guia pol&iacute;tica.</p> 
<p>&Eacute; necess&aacute;ria uma nova presen&ccedil;a de cat&oacute;licos na pol&iacute;tica na Am&eacute;rica Latina. Uma “nova presen&ccedil;a” que implique n&atilde;o s&oacute; novos rostos nas campanhas eleitorais mas tamb&eacute;m e sobretudo novos m&eacute;todos que permitem forjar alternativas que sejam ao mesmo tempo cr&iacute;ticas e construtivas. Alternativas que busquem sempre o bem poss&iacute;vel, mesmo que seja modesto. Alternativas flex&iacute;veis, mas com uma clara identidade social e crist&atilde;. Para tal finalidade &eacute; necess&aacute;rio valorizar de modo novo o nosso povo e os movimentos populares que exprimem a sua vitalidade, a sua hist&oacute;ria e as suas lutas mais aut&ecirc;nticas. Fazer pol&iacute;tica inspirada no evangelho <i>a partir do povo em movimento </i>pode tornar-se um modo poderoso para restaurar as nossas fr&aacute;geis democracias e abrir o espa&ccedil;o para reinventar novas inst&acirc;ncias representativas de origem popular.</p> 
<p>N&oacute;s cat&oacute;licos sabemos bem que &laquo;nas diferentes situa&ccedil;&otilde;es concretas e tendo em conta as solidariedades vividas por cada um, &eacute; necess&aacute;rio reconhecer uma variedade leg&iacute;tima de op&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis. Uma mesma f&eacute; crist&atilde; pode levar a assumir compromissos diferentes&raquo;.(6) Portanto, convido-vos a viver a vossa f&eacute; com<i> grande liberdade</i>. Sem jamais acreditar que existe uma &uacute;nica forma de compromisso pol&iacute;tico para os cat&oacute;licos. Um partido cat&oacute;lico. Talvez tenha sido esta uma primeira intui&ccedil;&atilde;o no despertar da Doutrina social da Igreja que com o passar dos anos se adaptou &agrave;quele que deve ser realmente hoje a voca&ccedil;&atilde;o do pol&iacute;tico na sociedade, digo crist&atilde;o. J&aacute; n&atilde;o serve o partido cat&oacute;lico. Em pol&iacute;tica &eacute; melhor ter uma polifonia inspirada numa mesma f&eacute; e constru&iacute;da com m&uacute;ltiplos sons e instrumentos, do que uma tediosa melodia monoc&oacute;rdia, aparentemente correta mas homogeneizante e neutralizante — gratuita — tranquila. N&atilde;o, assim n&atilde;o est&aacute; bem.</p> 
<p>Estou contente por ter sido criada a Academia dos L&iacute;deres Cat&oacute;licos que se est&aacute; a difundir em diversos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina. Agrada-me que procureis ser ao mesmo tempo fi&eacute;is ao evangelho, plurais em termos partid&aacute;rios e sempre em comunh&atilde;o com os vossos Pastores.</p> 
<p>Daqui a alguns anos, em 2031, celebraremos o v centen&aacute;rio do Evento Guadalupano, e em 2033, o segundo mil&eacute;nio da Reden&ccedil;&atilde;o. Queira Deus que de agora em diante todos v&oacute;s possais trabalhar na difus&atilde;o da Doutrina social da Igreja, para chegar assim &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o destas datas com verdadeiros frutos laicais de discipulado mission&aacute;rio. Gosto de repetir que devemos evitar sempre as coloniza&ccedil;&otilde;es culturais, n&atilde;o, as coloniza&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas, h&aacute; aquelas econ&oacute;micas porque as sociedades t&ecirc;m uma dimens&atilde;o de “<i>coloneidad</i>”; ou seja, de serem abertas a uma coloniza&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o devemos defender-nos de tudo. A tal prop&oacute;sito permito-me revelar uma intui&ccedil;&atilde;o. Caber&aacute; a v&oacute;s regular e corrigir, ou n&atilde;o o fazer, mas &eacute; uma intui&ccedil;&atilde;o que deixo nas vossas m&atilde;os, se n&atilde;o quiserdes errar o caminho da Am&eacute;rica Latina: a palavra &eacute; “mesti&ccedil;agem”. A Am&eacute;rica Latina nasceu mesti&ccedil;a, conservar-se-&aacute; mesti&ccedil;a, crescer&aacute; unicamente mesti&ccedil;a, e este ser&aacute; o seu destino. Foi precisamente S&atilde;o Juan Diego, ind&iacute;gena pobre e exclu&iacute;do, o instrumento pequeno e humilde que Santa Maria de Guadalupe escolheu para uma grande miss&atilde;o que deu origem ao rosto pluriforme da grande na&ccedil;&atilde;o latino-americana. Confiemo-nos &agrave; sua intercess&atilde;o a fim de que, quando nos faltarem as for&ccedil;as na luta pelo nosso povo, recordemos que &eacute; precisamente na fragilidade que a for&ccedil;a de Deus pode manifestar-se plenamente (cf. <i>2 Cor</i> 12, 9). E que a Morenita del Tepeyac nunca se esque&ccedil;a da nossa amada “P&aacute;tria Grande”, isto &eacute; a Am&eacute;rica Latina, uma P&aacute;tria Grande em gesta&ccedil;&atilde;o, que nunca se esque&ccedil;a das nossas fam&iacute;lias e de quantos mais sofrem. E v&oacute;s n&atilde;o vos esque&ccedil;ais de rezar por mim. Obrigado.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="25%" size="1" align="left" /> 
<p>1 S&atilde;o &Oacute;scar Arnulfo Romero,<i> Homilia</i>, 6 de agosto de 1978.</p> 
<p>2 Cf. V Confer&ecirc;ncia Geral do Episcopado Latino-Americano, <i> Aparecida</i>, 44.</p> 
<p>3 Cf. Pontif&iacute;cia Comiss&atilde;o para a Am&eacute;rica Latina, <i>La mujer pilar de la edificaci&oacute;n de la Iglesia e de la sociedad en Am&eacute;rica Latina</i>, Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano, 2018.</p> 
<p>4 Francisco, <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2017/september/documents/papa-francesco_20170907_viaggioapostolico-colombia-celam.html"> Discurso ao Comit&eacute; Diretivo do Celam</a></i>, 7 de setembro de 2017.</p> 
<p>5 Cf. S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II, <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_letters/2001/documents/hf_jp-ii_apl_20010106_novo-millennio-ineunte.html"> Novo millennio ineunte</a></i>, n. 49.</p> 
<p>6 S&atilde;o Paulo VI, <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/apost_letters/documents/hf_p-vi_apl_19710514_octogesima-adveniens.html"> Octagesima adveniens</a></i>, n. 50.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Visita Pastoral à paróquia romana de São Crispim de Viterbo em Labaro (3 de março de 2019)]]></title><pubDate>Sun, 03 Mar 2019 16:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2019/documents/papa-francesco_20190303_omelia-visita-sancrispino.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2019/documents/papa-francesco_20190303_omelia-visita-sancrispino.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 12 Mar 2019 13:23:35 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300">VISITA PASTORAL DO PAPA FRANCISCO<br /> &nbsp;&Agrave; PAR&Oacute;QUIA ROMANA DE S&Atilde;O CRISPIM DE VITERBO EM LABARO</font></p> 
<p align="center"><b><i><font color="#663300" size="4">HOMILIA DO SANTO PADRE</font></i></b></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b>&nbsp;</b></font><i><font color="#663300">Domingo</font></i><font color="#663300"><i>, 3 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"> [<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/3/parrocchia-sancrispino.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> </font> &nbsp;
<p>Ouvimos no Evangelho que Jesus explica ao povo a sabedoria crist&atilde;, com par&aacute;bolas. Por exemplo, um cego n&atilde;o pode guiar outro cego; depois, o disc&iacute;pulo n&atilde;o &eacute; maior do que o Mestre; ainda, n&atilde;o h&aacute; uma &aacute;rvore boa que produza um fruto mau. Assim, com estas par&aacute;bolas, ensina as pessoas.</p> 
<p>Gostaria de analisar apenas uma, que n&atilde;o repeti. Digo-a agora: [l&ecirc;]: &laquo;Porque reparas no argueiro que est&aacute; na vista do teu irm&atilde;o, e n&atilde;o reparas na trave que est&aacute; na tua pr&oacute;pria vista? Como podes dizer ao teu irm&atilde;o: “Irm&atilde;o, deixa-me tirar o argueiro da tua vista”, tu que n&atilde;o v&ecirc;s a trave que est&aacute; na tua? Hip&oacute;crita, tira primeiro a trave da tua vista e, ent&atilde;o, ver&aacute;s para tirar o argueiro da vista do teu irm&atilde;o&raquo;. E com isto, o Senhor quer ensinar-nos a n&atilde;o criticar os outros, a n&atilde;o reparar nos defeitos dos outros: repara primeiro nos teus, nos teus defeitos. “Mas, Padre, eu n&atilde;o os tenho!” — Ah, muito bem! Garanto-te que se n&atilde;o te apercebes de os ter agora, encontr&aacute;-los-&aacute;s no Purgat&oacute;rio! &Eacute; melhor v&ecirc;-los neste mundo.</p> 
<p>Todos temos defeitos, todos. Mas estamos habituados, um pouco por in&eacute;rcia, um pouco pela for&ccedil;a de gravidade do ego&iacute;smo, a reparar nos defeitos alheios: nisto todos somos peritos. Vemos imediatamente os defeitos dos outros. E falamos deles. Pois falar mal dos outros parece bom, agrada-nos. N&atilde;o, nesta par&oacute;quia talvez isso n&atilde;o aconte&ccedil;a [riem], mas noutras partes &eacute; muito comum. Acontece sempre assim: “Ah, como est&aacute;?” — “Bem, muito bem, com este tempo, tudo est&aacute; bem...” — “Mas viu aquele...?” E imediatamente [se cai nisto].</p> 
<p>N&atilde;o sei se ouvistes estas coisas, mas n&atilde;o &eacute; bom. E isto n&atilde;o &eacute; novo: j&aacute; se fazia no tempo de Jesus. &Eacute; uma coisa que, com o pecado original que temos, nos leva a condenar os outros, a condenar. E somos imediatamente especialistas em encontrar os aspectos maus dos outros, sem ver os nossos. E Jesus diz: “Tu condenas este por uma coisa m&iacute;nima, e tu tens tantas faltas maiores, mas n&atilde;o as v&ecirc;s”. Isto &eacute; verdade: a nossa maldade n&atilde;o &eacute; muita, porque estamos habituados a n&atilde;o ver os nossos limites, a n&atilde;o ver os nossos defeitos, mas somos especialistas em ver os defeitos dos demais.</p> 
<p>E Jesus diz-nos uma palavra muito m&aacute;, muito feia: “Se percorrerdes esse caminho, sereis hip&oacute;critas”. &Eacute; desagrad&aacute;vel dizer <i>hip&oacute;crita</i>: Jesus dizia-o aos fariseus, aos doutores da lei, que pregavam uma coisa e faziam outra. Hip&oacute;crita. Hip&oacute;crita significa algu&eacute;m que tem um pensamento duplo, uma opini&atilde;o dupla: um diz isso abertamente e o outro secretamente, com a qual condena os outros. Significa ter uma maneira dupla de pensar, uma maneira dupla de se mostrar. Mostram-se como pessoas boas, perfeitas, e por detr&aacute;s condenam. Por isso Jesus evita esta hipocrisia e aconselha-nos: “&Eacute; melhor que tu repares nos teus defeitos e deixa que os outros vivam em paz. N&atilde;o te intrometas na vida alheia: pensa na tua”.</p> 
<p>E isto &eacute; uma coisa que n&atilde;o acaba ali: o coscuvilheiro n&atilde;o acaba com a coscuvilhice; o mexeriqueiro vai al&eacute;m, semeia disc&oacute;rdia, semeia inimizade, semeia o mal. Ouvi isto, n&atilde;o exagero: com a l&iacute;ngua come&ccedil;am as guerras. Tu, falando mal dos outros, come&ccedil;as uma guerra. Um passo rumo &agrave; guerra, uma destrui&ccedil;&atilde;o. Pois &eacute; o mesmo destruir o outro com a l&iacute;ngua ou com uma bomba at&oacute;mica, &eacute; o mesmo. Tu destr&oacute;is. E a l&iacute;ngua tem o poder de destruir como uma bomba at&oacute;mica. &Eacute; muito potente. E n&atilde;o sou eu que o digo, &eacute; o ap&oacute;stolo Tiago na sua Carta. Pegai na B&iacute;blia e reparai nisto. &Eacute; muito potente! &Eacute; capaz de destruir. E com os insultos, com o falar mal dos outros come&ccedil;am muitas guerras: guerras dom&eacute;sticas — come&ccedil;a-se a gritar — guerra no bairro, no lugar de trabalho, na escola, na par&oacute;quia... Por isso Jesus diz: “Antes de falar mal dos outros, pega num espelho e olha para ti mesmo; repara nos teus defeitos e envergonha-te por os teres. E deste modo ficar&aacute;s mudo sobre os defeitos dos demais”. “N&atilde;o, Padre, &eacute; que muitas vezes h&aacute; pessoas m&aacute;s, com tantos defeitos...”. Mas, est&aacute; bem, s&ecirc; corajoso, s&ecirc; corajosa, e diz-lho na cara: “Tu &eacute;s mau, tu &eacute;s m&aacute;, por estares a fazer isto e aquilo”. Di-lo diretamente, n&atilde;o pelas costas, por tr&aacute;s. Diretamente. “Mas n&atilde;o me quer ouvir”. Ent&atilde;o di-lo a quem pode remediar a situa&ccedil;&atilde;o, a quem a pode corrigir, mas n&atilde;o com o mexerico, pois a bisbilhotice nada resolve, pelo contr&aacute;rio. Agrava a situa&ccedil;&atilde;o e leva-te &agrave; guerra.</p> 
<p>[Daqui a pouco] come&ccedil;aremos a Quaresma: seria t&atilde;o bom que cada um de n&oacute;s, nesta Quaresma, refletisse sobre isto. Como me comporto eu com as pessoas? Como &eacute; o meu cora&ccedil;&atilde;o diante das pessoas? Sou um hip&oacute;crita, que fa&ccedil;o um sorriso e depois pelas costas critico e destruo os outros? Sou um hip&oacute;crita, que sorrio e depois por tr&aacute;s critico e destruo com a minha l&iacute;ngua? E se n&oacute;s, no final da Quaresma, tivermos sido capazes de corrigir um pouco isto, e n&atilde;o criticarmos sempre os demais pelas costas, garanto-vos que a Ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus se ver&aacute; mais bela, maior entre n&oacute;s. “Mas como, Padre, &eacute; muito dif&iacute;cil, porque vem-me espont&acirc;neo criticar os outros” — pode haver quem diga, pois &eacute; um costume que o diabo semeia entre n&oacute;s. &Eacute; verdade, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Mas h&aacute; dois rem&eacute;dios que ajudam muito. Antes de tudo, a ora&ccedil;&atilde;o. Se sentires vontade de “falar mal” do outro, de criticar algu&eacute;m, reza por ele, reza por ela, e pede ao Senhor para resolver esse problema, e a ti, que te feche a boca. Primeiro rem&eacute;dio: a ora&ccedil;&atilde;o. Sem a ora&ccedil;&atilde;o nada podemos fazer. E segundo, h&aacute; outro rem&eacute;dio, tamb&eacute;m ele muito pr&aacute;tico como a prece: quando sentires vontade de falar mal de algu&eacute;m, morde a l&iacute;ngua. Com for&ccedil;a! Pois assim ela incha e n&atilde;o poder&aacute;s falar. [riem] Trata-se de um rem&eacute;dio pr&aacute;tico, muito pr&aacute;tico.</p> 
<p>Pensai a s&eacute;rio no que diz Jesus: “Porque reparas nos defeitos dos outros e n&atilde;o v&ecirc;s os teus, que s&atilde;o maiores?”. Refleti bem. Pensai que este mau h&aacute;bito &eacute; o princ&iacute;pio de tantas desuni&otilde;es, de tantas guerras dom&eacute;sticas, guerras no bairro, guerras no lugar de trabalho, de tantas inimizades. Refleti sobre isto. E rezai ao Senhor. Rezai para que nos conceda a gra&ccedil;a de n&atilde;o falar mal dos outros. E todos os dias conservai a dentadura para que esteja pronta para servir de segundo rem&eacute;dio!</p> 
<p>O Senhor vos aben&ccedil;oe!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Angelus de 3 de março de 2019]]></title><pubDate>Sun, 03 Mar 2019 12:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2019/documents/papa-francesco_angelus_20190303.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2019/documents/papa-francesco_angelus_20190303.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 12 Mar 2019 14:01:01 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300">PAPA FRANCISCO</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><b><i><font size="4">ANGELUS</font></i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Pra&ccedil;a S&atilde;o Pedro<br /> Domingo, 3 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/3/angelus.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>A p&aacute;gina evang&eacute;lica hodierna apresenta breves par&aacute;bolas, com as quais Jesus deseja indicar aos seus disc&iacute;pulos o caminho a percorrer para viver com sabedoria. Com a pergunta: &laquo;Um cego pode guiar outro cego?&raquo; (<i>Lc</i> 6, 39), Ele quer frisar que um guia n&atilde;o pode ser cego, mas deve ver bem, isto &eacute;, deve possuir a sabedoria para guiar com sabedoria, caso contr&aacute;rio corre o risco de causar danos &agrave;s pessoas que a ele se confiam. Assim Jesus chama a aten&ccedil;&atilde;o de quantos t&ecirc;m responsabilidades educativas ou de chefia: os pastores de almas, as autoridades p&uacute;blicas, os legisladores, os mestres, os pais, exortando-os a estar cientes do pr&oacute;prio papel delicado e a discernir sempre o caminho certo pelo qual conduzir as pessoas.</p> 
<p>E Jesus usa uma express&atilde;o sapiencial para indicar a si mesmo como modelo de mestre e guia a ser seguido: &laquo;N&atilde;o est&aacute; o disc&iacute;pulo acima do mestre, mas o disc&iacute;pulo bem formado ser&aacute; como o mestre&raquo; (v. 40). &Eacute; um convite a seguir o seu exemplo e o seu ensinamento para ser guias seguros e s&aacute;bios. E tal ensinamento est&aacute; inserido sobretudo no serm&atilde;o da montanha, que h&aacute; tr&ecirc;s domingos a liturgia nos prop&ocirc;s no Evangelho, indicando a atitude da mansid&atilde;o e da miseric&oacute;rdia para ser pessoas sinceras, humildes e justas. No trecho de hoje encontramos outra frase significativa, que exorta a n&atilde;o ser presun&ccedil;oso nem hip&oacute;crita. Diz assim: &laquo;Porque reparas no argueiro que est&aacute; na vista do teu irm&atilde;o, e n&atilde;o reparas na trave que est&aacute; na tua pr&oacute;pria vista?&raquo; (v. 41). Muitas vezes, todos sabemos, &eacute; mais f&aacute;cil ou c&oacute;modo ver e condenar os defeitos e os pecados alheios, sem conseguir ver os pr&oacute;prios com a mesma lucidez. Escondemos sempre os nossos defeitos, inclusive de n&oacute;s mesmos; mas, &eacute; f&aacute;cil ver os defeitos alheios. A tenta&ccedil;&atilde;o &eacute; sermos indulgentes connosco — benevolente consigo mesmo — e duros com os outros. &Eacute; &uacute;til ajudar o pr&oacute;ximo com conselhos s&aacute;bios, mas quando observamos e corrigimos os defeitos do nosso pr&oacute;ximo, devemos estar cientes que tamb&eacute;m n&oacute;s temos defeitos. Se penso que n&atilde;o os tenho, n&atilde;o posso condenar nem corrigir os outros. Todos temos defeitos: todos. Devemos estar cientes disto e, antes de condenar os outros, devemos olhar para dentro de n&oacute;s mesmos. Assim podemos agir de modo cred&iacute;vel, com humildade, testemunhando a caridade.</p> 
<p>Como podemos entender se o nosso olho est&aacute; livre ou se est&aacute; impedido por uma trave? &Eacute; Jesus que no-lo diz: &laquo;N&atilde;o h&aacute; &aacute;rvore boa que d&ecirc; mau fruto, nem &aacute;rvore m&aacute; que d&ecirc; bom fruto. Cada &aacute;rvore conhece-se pelo seu fruto&raquo; (vv. 43-44). O fruto s&atilde;o as a&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m as palavras. Das palavras conhece-se a qualidade da &aacute;rvore. De facto, quem &eacute; bom extrai do seu cora&ccedil;&atilde;o e da sua boca o bem, quem &eacute; mau extrai o mal, praticando o exerc&iacute;cio mais delet&eacute;rio entre n&oacute;s, a murmura&ccedil;&atilde;o, o mexerico, falar mal dos outros. Isto destr&oacute;i: destr&oacute;i a fam&iacute;lia, a escola, o lugar de trabalho, o bairro. Pela l&iacute;ngua come&ccedil;am as guerras. Pensemos um momento neste ensinamento de Jesus e fa&ccedil;amo-nos uma pergunta: eu falo mal dos outros? Procuro manchar os outros? Para mim &eacute; mais f&aacute;cil ver os defeitos dos outros que os meus? Procuremos corrigir-nos pelo menos um pouco: far-nos-&aacute; bem a todos.</p> 
<p>Invoquemos o amparo e a intercess&atilde;o de Maria para seguir o Senhor neste caminho.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="75%" size="1" /> 
<p><b>Depois do Angelus</b></p> 
<p><i>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Sa&uacute;do todos v&oacute;s, provenientes de Roma, da It&aacute;lia e de diversos pa&iacute;ses, em particular os peregrinos de Vars&oacute;via, Madrid, Ibiza e Formentera.</p> 
<p>Sa&uacute;do a comunidade do Semin&aacute;rio menor da diocese de Otranto em peregrina&ccedil;&atilde;o a Roma com os pais.</p> 
<p>Hoje est&atilde;o presentes muitas par&oacute;quias italianas, tantos jovens da Crisma e alunos das escolas. N&atilde;o me &eacute; poss&iacute;vel nomear cada grupo, mas agrade&ccedil;o-vos a todos a presen&ccedil;a e encorajo-vos a caminhar com alegria e generosidade, testemunhando em toda a parte a bondade e miseric&oacute;rdia do Senhor.</p> 
<p>Desejo a todos feliz domingo! Por favor n&atilde;o vos esque&ccedil;ais de rezar por mim. Bom almo&ccedil;o e at&eacute; &agrave; vista!</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[À Associação Italiana contra as Leucemias-Linfomas e Mieloma (AIL) (2 de março de 2019)]]></title><pubDate>Sat, 02 Mar 2019 12:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190302_ail.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190302_ail.html</guid><description><![CDATA[<!-- Wed, 13 Mar 2019 14:52:06 +0100 --> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>DISCURSO DO PAPA FRANCISCO<br /> &nbsp;&Agrave; ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O ITALIANA CONTRA<br /> &nbsp;AS LEUCEMIAS LINFOIDES E MIELOIDES </i></b></font><i><b> <font size="4" color="#663300">(AIL)</font></b></i></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Sala Paulo VI<br />S&aacute;bado, 2 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/2/ail.html">[Multim&iacute;dia]</a></b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> &nbsp;
<p><i>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>Sinto-me feliz por me encontrar convosco por ocasi&atilde;o do cinquenten&aacute;rio de funda&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o italiana contra Leucemias linfoides e mieloides (AIL). Sa&uacute;do-vos a todos com afeto; em particular sa&uacute;do os doentes aqui presentes, com um pensamento especial aos que n&atilde;o puderam estar aqui. Agrade&ccedil;o ao vosso Presidente, professor Sergio Amadori, as suas palavras, assim como aos m&eacute;dicos, aos funcion&aacute;rios, a quantos est&atilde;o comprometidos na pesquisa, aos volunt&aacute;rios e quantos partilham as finalidades da vossa benem&eacute;rita Associa&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>Na liturgia hodierna, a Igreja convida-nos a ler no livro do Ben Sira (cf. 17, 1-13) acerca dos grandes dons que o Senhor concedeu aos homens. Depois de os ter criado, &laquo;encheu-os de saber e de intelig&ecirc;ncia, e mostrou-lhes o bem e o mal&raquo; (v. 7), e &laquo;concedeu-lhes a ci&ecirc;ncia, e deu-lhes em heran&ccedil;a a lei da vida&raquo; (v. 11). A ci&ecirc;ncia, como j&aacute; tive modo de recordar, &laquo;&eacute; um meio poderoso para compreender melhor tanto a natureza que nos circunda como a sa&uacute;de humana. O nosso conhecimento progride e, juntamente com ele, aumentam os instrumentos e as tecnologias mais requintadas que permitem n&atilde;o apenas averiguar a estrutura mais &iacute;ntima dos organismos vivos, incluindo o homem, mas tamb&eacute;m intervir neles de forma t&atilde;o profunda e espec&iacute;fica a ponto de tornar poss&iacute;vel at&eacute; a modifica&ccedil;&atilde;o do nosso pr&oacute;prio ADN&raquo; (<i>Discurso &agrave; </i>IV<i> Confer&ecirc;ncia internacional promovida pelo Pontif&iacute;cio Conselho para a Cultura sobre a medicina regenerativa,</i>&nbsp;28 de abril de 2018).</p> 
<p>A Igreja elogia e encoraja todos os esfor&ccedil;os de pesquisa e de aplica&ccedil;&atilde;o dirigidos &agrave; cura das pessoas sofredoras. Portanto, estou feliz por expressar o meu apre&ccedil;o por quanto a vossa Associa&ccedil;&atilde;o fez nestas d&eacute;cadas. Mediante a sua preciosa atividade, ela tornou-se uma presen&ccedil;a importante no territ&oacute;rio nacional, pondo-se ao servi&ccedil;o dos doentes e colaborando com os v&aacute;rios Centros especializados. As vossas principais linhas de a&ccedil;&atilde;o resultam ser muito eficazes no respeitante &agrave; <i>pesquisa cient&iacute;fica, assist&ecirc;ncia m&eacute;dica e forma&ccedil;&atilde;o do pessoal</i>. Em particular, nestes tr&ecirc;s &acirc;mbitos desempenhais os pap&eacute;is aos quais o pr&oacute;prio homem &eacute; chamado.</p> 
<p>Com a <i>pesquisa cient&iacute;fica</i> indagais a dimens&atilde;o biol&oacute;gica do homem, para o poder aliviar da doen&ccedil;a, com a&ccedil;&otilde;es dirigidas &agrave; preven&ccedil;&atilde;o e com terapias cada vez mais eficazes. Com a <i> assist&ecirc;ncia m&eacute;dica</i> tornais-vos pr&oacute;ximos dos sofredores, para os acompanhar no tempo do sofrimento, para que ningu&eacute;m jamais se sinta sozinho nem tenha a sensa&ccedil;&atilde;o de ser um “descarte” em rela&ccedil;&atilde;o ao contexto social. Por fim, com a cura e <i>forma&ccedil;&atilde;o do pessoal</i> qualificadas a vossa a&ccedil;&atilde;o favorece uma gest&atilde;o global do doente, a fim de que se realize aquela alian&ccedil;a terap&ecirc;utica necess&aacute;ria ao paciente e tamb&eacute;m ao pessoal m&eacute;dico, que &eacute; chamado a viver todos os dias a experi&ecirc;ncia do sofrimento.</p> 
<p>Nestas tarefas sois acompanhados pelo extraordin&aacute;rio testemunho de um voluntariado generoso, de muitos homens e mulheres que oferecem o pr&oacute;prio tempo para permanecer ao lado dos doentes. Gostaria de vos dizer algo. Uma das coisas que mais me comoveram quando, h&aacute; seis anos, cheguei em Roma, foi o voluntariado italiano. &Eacute; grandioso! Possuis tr&ecirc;s grandes aspetos, que implicam uma organiza&ccedil;&atilde;o entre v&oacute;s: o voluntariado — que &eacute; muito importante — o cooperativismo, que &eacute; outra capacidade que tendes de formar cooperativas para ir em frente, e os orat&oacute;rios nas par&oacute;quias. Tr&ecirc;s atividades importantes. Obrigado por isto. Como Maria, que permaneceu aos p&eacute;s da Cruz de Jesus, tamb&eacute;m os volunt&aacute;rios “est&atilde;o” junto do leito dos sofredores e realizam o acompanhamento que oferece tanta consola&ccedil;&atilde;o: &eacute; presen&ccedil;a de ternura e de conforto, que realiza aquele mandamento ao amor rec&iacute;proco e fraterno que Jesus nos ensinou (cf. <i>Mc</i> 12, 31). Esta atitude de proximidade zelosa &eacute; mais necess&aacute;ria para os doentes hematol&oacute;gicos, cuja situa&ccedil;&atilde;o &eacute; complexa pela pr&oacute;pria perce&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, na sua especificidade. Proximidade, acompanhamento, como Maria aos p&eacute;s da Cruz. E h&aacute; muitas hist&oacute;rias de cruz entre v&oacute;s. Gostaria de citar s&oacute; uma: permiti que eu recorde hoje aqui — uma entre as muitas — Marilena e Silvano Bellato, como exemplo. Sofreram um duplo “golpe” com a morte dos seus filhos Fabio e Sara. Tiveram a coragem de permanecer em p&eacute; apesar do sofrimento, como Maria aos p&eacute;s da Cruz. E daquela dor conseguiram ir em frente pensando na “ressurrei&ccedil;&atilde;o” de muitas crian&ccedil;as com a funda&ccedil;&atilde;o da Sec&ccedil;&atilde;o provincial [da ail]. Muito obrigado a eles e a tantos que s&atilde;o como eles. Obrigado.</p> 
<p>&Agrave;s vezes a perman&ecirc;ncia prolongada nas unidades de isolamento resulta ser deveras dif&iacute;cil de suportar; a pessoa experimenta na pr&oacute;pria carne a impress&atilde;o de se sentir separada do mundo, das rela&ccedil;&otilde;es, da vida di&aacute;ria. O pr&oacute;prio andamento da doen&ccedil;a e das terapias obriga-a a questionar-se sobre o seu futuro. A todos os doentes que vivem esta experi&ecirc;ncia gostaria de garantir que n&atilde;o est&atilde;o sozinhos: o Senhor, que experimentou a dor da cruz, est&aacute; ali ao lado deles. A presen&ccedil;a de tantas pessoas que partilham com eles estes momentos dif&iacute;ceis &eacute; sinal tang&iacute;vel da presen&ccedil;a e da consola&ccedil;&atilde;o de Jesus e da sua m&atilde;e, a Virgem Maria, M&atilde;e de todos os enfermos.</p> 
<p>Penso, em particular, em quantos exprimem a partilha da Igreja &agrave;s pessoas que sofrem destas patologias: os Capel&atilde;es, os Di&aacute;conos, os Ministros extraordin&aacute;rios da comunh&atilde;o. Mediante o seu testemunho espiritual e fraterno, &eacute; toda a comunidade dos crentes que assiste e consola, tornando-se comunidade de cura que concretiza o desejo de Jesus para que todos sejam uma s&oacute; carne, uma s&oacute; pessoa, a partir dos mais d&eacute;beis e vulner&aacute;veis.</p> 
<p>O papel dos m&eacute;dicos, enfermeiros, bi&oacute;logos e t&eacute;cnicos de laborat&oacute;rio &eacute; cada vez mais determinante, n&atilde;o s&oacute; em termos de profissionalismo e forma&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, mas tamb&eacute;m no &acirc;mbito espiritual, onde s&atilde;o chamados &agrave; cura das pessoas na sua totalidade de corpo e esp&iacute;rito. A cura n&atilde;o &eacute; da doen&ccedil;a, de um &oacute;rg&atilde;o ou de c&eacute;lulas; &eacute; a cura das pessoas. A pessoa na sua espiritualidade n&atilde;o se esgota na corporeidade; mas o facto de que o esp&iacute;rito transcende o corpo faz com que isto aconte&ccedil;a no &acirc;mbito de uma vitalidade e dignidade maior, que n&atilde;o &eacute; aquela espec&iacute;fica da biologia, mas da pessoa e do esp&iacute;rito.</p> 
<p>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, a vossa hist&oacute;ria, a vossa obra generosa nestes 50 anos, os resultados alcan&ccedil;ados pela pesquisa e pelo progresso cient&iacute;fico sirvam de est&iacute;mulo para um renovado impulso orientado para curar e melhorar a vida das pessoas enfermas. O vosso louv&aacute;vel compromisso possa sensibilizar cada vez mais todas as pessoas para a cultura do dom e aos cuidados do pr&oacute;ximo, alimento essencial para a experi&ecirc;ncia de cada comunidade humana.</p> 
<p>Invoco sobre o vosso trabalho a assist&ecirc;ncia do Esp&iacute;rito Santo e, enquanto vos pe&ccedil;o que rezeis por mim, de cora&ccedil;&atilde;o vos concedo a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Mensagem vídeo do Santo Padre por ocasião da inauguração do novo ambulatório pediátrico em Bangui, República Centro-Africana (2 de março de 2019)]]></title><pubDate>Sat, 02 Mar 2019 10:30:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2019/documents/papa-francesco_20190302_videomessaggio-centro-medico-bangui.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2019/documents/papa-francesco_20190302_videomessaggio-centro-medico-bangui.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 12 Mar 2019 14:27:46 +0100 --> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>MENSAGEM V&Iacute;DEO DO PAPA FRANCISCO<br /> &nbsp;NA INAUGURA&Ccedil;&Atilde;O DO NOVO AMBULAT&Oacute;RIO PEDI&Aacute;TRICO<br /> &nbsp;DO HOSPITAL BAMBINO GES&Ugrave; <br /> EM BANGUI NA REP&Uacute;BLICA CENTRO-AFRICANA</i></b></font></p> 
<font color="#663300"> <p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/3/2/ospedale-bangui.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /> </font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Queridos amigos do hospital pedi&aacute;trico de Bangui!</i></p> 
<p>Sa&uacute;do todos v&oacute;s com alegria na jubilosa ocasi&atilde;o da inaugura&ccedil;&atilde;o da nova estrutura de sa&uacute;de destinada precisamente &agrave;s crian&ccedil;as da Rep&uacute;blica Centro-Africana. Esta sede nasce com o apoio do Hospital Pedi&aacute;trico “Bambino Ges&ugrave;”, engajado desde a primavera de 2016 na forma&ccedil;&atilde;o do pessoal m&eacute;dico e n&atilde;o s&oacute;. Fa&ccedil;o votos de que se possa tornar um centro de excel&ecirc;ncia, onde as crian&ccedil;as possam encontrar resposta e al&iacute;vio aos seus sofrimentos, com ternura e amor. N&atilde;o esque&ccedil;o! Conservo no cora&ccedil;&atilde;o o olhar de dor de tantas crian&ccedil;as desnutridas com as quais me encontrei na breve visita ao hospital por ocasi&atilde;o da viagem ao vosso pa&iacute;s.</p> 
<p>E recordo ainda as palavras da doutora que estava ao meu lado: &laquo;A maior parte destes morrer&atilde;o, pois est&atilde;o muito doentes de mal&aacute;ria, e est&atilde;o desnutridos&raquo;. Eu ouvi isto. N&atilde;o, isto n&atilde;o pode continuar a acontecer. O grande Dostoevski fazia a pergunta: “Por que sofrem as crian&ccedil;as?”. Muitas vezes eu fa&ccedil;o a mesma pergunta: “Por que sofrem as crian&ccedil;as?”. E n&atilde;o encontro uma explica&ccedil;&atilde;o. Olho simplesmente para o Crucificado e invoco o amor misericordioso do Pai para tanto sofrimento.</p> 
<p>Esta estrutura que hoje &eacute; inaugurada &eacute; um sinal concreto de miseric&oacute;rdia, que tem a sua origem no Ano Santo que eu quis abrir antecipadamente — a 29 de novembro de 2015 — precisamente em Bangui. A primeira porta de uma catedral que se abriu foi a de Bangui, n&atilde;o a de S&atilde;o Pedro. Tratou-se de um gesto que o Senhor inspirou. Entrando pela Porta Santa da Catedral, afirmei: &laquo;Bangui torna-te a capital espiritual da ora&ccedil;&atilde;o pela miseric&oacute;rdia do Pai. Todos n&oacute;s pedimos paz, miseric&oacute;rdia, reconcilia&ccedil;&atilde;o, perd&atilde;o, amor&raquo;. Apraz-me pensar que aquela Porta Santa ainda est&aacute; aberta e que o rio de miseric&oacute;rdia conceda linfa vital a este Hospital Pedi&aacute;trico e a quantos nele trabalharem. Recordai-vos sempre: &laquo;existem muitos sinais concretos de bondade e ternura para com os mais humildes e indefesos, os que vivem mais sozinhos e abandonados. H&aacute; verdadeiros protagonistas da caridade, que n&atilde;o deixam faltar a solidariedade aos mais pobres e infelizes&raquo; (Carta ap. <i> <a href="https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20161120_misericordia-et-misera.html"> Misericordia et Misera</a></i>, 17).</p> 
<p>Por isso encorajo todos v&oacute;s a desempenhar a vossa obra de cuidados &agrave;s crian&ccedil;as, animados pela caridade, pensando sempre no &laquo;bom samaritano&raquo; do Evangelho: estai atentos &agrave;s necessidades dos vossos pequenos pacientes, inclinai-vos com ternura sobre as suas fragilidades, e espero que neles vejais o Senhor. Quem serve os doentes com amor serve Jesus que nos abre o Reino dos c&eacute;us. Este hospital recorda a todos n&oacute;s que o que estamos a viver &laquo;&eacute; o tempo da miseric&oacute;rdia para que quantos se sentem fracos e indefesos, afastados e sozinhos possam individuar a presen&ccedil;a de irm&atilde;os e irm&atilde;s que os sustentam nas suas necessidades&raquo; (<i><a href="https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20161120_misericordia-et-misera.html">ibid</a>.</i>, 21).</p> 
<p>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, no exerc&iacute;cio da vossa profiss&atilde;o m&eacute;dica, sede art&iacute;fices de miseric&oacute;rdia! Dirijo uma deferente sauda&ccedil;&atilde;o ao Senhor Presidente Faustin-Archange Touad&eacute;ra. Sa&uacute;do tamb&eacute;m o N&uacute;ncio Apost&oacute;lico, D. Santiago De Wit Guzm&aacute;n e a Presidente do Hospital “Bambino Ges&ugrave;”, Sr.&ordf; Mariella Enoc, que tanto se dedicou a esta obra. E uma sauda&ccedil;&atilde;o ao Cardeal Konrad [Krajewski], que torna presente no mundo a caridade do Papa. Quem cuida dos pequeninos est&aacute; do lado de Deus. N&atilde;o esque&ccedil;ais: quem cuida dos pequeninos est&aacute; da parte de Deus e vai al&eacute;m da cultura do descarte! Que este novo hospital se torne modelo e ponto de refer&ecirc;ncia para todo o pa&iacute;s. Recordai-vos: no doente est&aacute; Cristo e no amor de quem se inclina sobre as feridas h&aacute; o caminho para o encontrar!</p> 
<p>Aben&ccedil;oo-vos! E, por favor, n&atilde;o vos esque&ccedil;ais de rezar por mim! Obrigado.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Cinco minutos de sabedoria (28 de fevereiro de 2019)]]></title><pubDate>Thu, 28 Feb 2019 07:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2019/documents/papa-francesco-cotidie_20190228_cinco-minutos.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2019/documents/papa-francesco-cotidie_20190228_cinco-minutos.html</guid><description><![CDATA[<!-- Thu, 21 Mar 2019 15:19:37 +0100 --> <center> 
 <p align="center"> <font color="#663300"> <b>PAPA FRANCISCO</b></font></p> 
 <p align="center"><font color="#663300">MEDITA&Ccedil;&Otilde;ES MATUTINAS&nbsp;NA SANTA MISSA CELEBRADA<br />NA CAPELA DA CASA SANTA MARTA</font></p> 
 <center> 
  <b><i><font size="4" color="#663300">Cinco minutos de sabedoria </font> </i></b> 
  <p align="center"> <font color="#663300"><i>Quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019</i></font></p> 
 </center>
</center> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><font color="#663300"><i>Publicado no </i>L'Osservatore Romano<i>, ed. em portugu&ecirc;s, n. 11 de 12 de mar&ccedil;o de 2019</i></font></p> 
<p>No turbilh&atilde;o de uma vida em que o homem tende a confiar &laquo;no poder&raquo;, &laquo;na sa&uacute;de&raquo;, &laquo;nas riquezas&raquo;, ele vai em frente, &laquo;temer&aacute;rio&raquo;, pensando que pode fazer o que quiser. E perde consci&ecirc;ncia da &laquo;relatividade da vida&raquo;. Ao contr&aacute;rio, &eacute; necess&aacute;rio ter a sabedoria de parar, todos dos dias, nem que seja 5 minutos, para fazer um exame de consci&ecirc;ncia que reconstrua uma correta hierarquia de valores e permita recome&ccedil;ar mais &laquo;soberano de si mesmo&raquo;. </p> 
<p>A reflex&atilde;o do Pont&iacute;fice inspirou-se nas leituras do Evangelho do dia (<i>Mc</i> 9, 41-50) no qual se narra o epis&oacute;dio em que Jesus oferece um &laquo;conjunto de conselhos&raquo;. Destes, sublinhou Francisco, &laquo;o &uacute;ltimo &eacute; um bom conselho: &laquo;Tende sal em v&oacute;s mesmos e vivei em paz uns com os outros”&raquo;. Com a express&atilde;o “Tende sal”, explicou o Papa, &laquo;o Senhor tenciona dizer: tende sabedoria, que a vossa vida seja s&aacute;bia&raquo;. Um convite necess&aacute;rio, porque &laquo;a sabedoria n&atilde;o &eacute; &oacute;bvia&raquo;, n&atilde;o est&aacute; garantida, por exemplo, s&oacute; pelo facto de ter &laquo;frequentado a universidade&raquo;. N&atilde;o, &laquo;a sabedoria &eacute; algo de todos os dias&raquo;, que deriva da reflex&atilde;o sobre a vida e da capacidade de &laquo;tirar as consequ&ecirc;ncias da experi&ecirc;ncia de vida&raquo;. </p> 
<p>Trata-se de um aspeto analisado pela primeira leitura (<i>Eclo</i> 5, 1-10). O trecho come&ccedil;a precisamente com a express&atilde;o: &laquo;N&atilde;o confiar...&raquo;. No qu&ecirc;? Questionou-se o Pont&iacute;fice: &laquo;No teu poder, na tua sa&uacute;de, nas tuas riquezas, nas coisas que possuis... Isto &eacute; muito bom, mas n&atilde;o confies nisto, porque s&oacute; estas coisas n&atilde;o te dar&atilde;o o sucesso&raquo;. Recita a Escritura: &laquo;N&atilde;o confies nas tuas riquezas e n&atilde;o digas: “Chego a mim mesmo”&raquo;. &Eacute; como ler, observou o Papa, &laquo;o conselho de um pai ao filho, de uma av&oacute; ao neto&raquo;, trata-se de &laquo;um conselho s&aacute;bio&raquo;, ou seja: &laquo;P&aacute;ra todos os dias um pouco e pensa em como viveste aquele dia. N&atilde;o sigas o teu instinto, a tua for&ccedil;a, cedendo as paix&otilde;es do teu cora&ccedil;&atilde;o&raquo;.</p> 
<p>De facto, disse o Pont&iacute;fice, aprofundando o conceito, &laquo;todos temos paix&otilde;es. Mas cuidado, domina as paix&otilde;es. Pega nelas, as paix&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o coisas ruins, s&atilde;o, por assim dizer, o “sangue” para realizar muitas coisas boas, mas se n&atilde;o fores capaz de dominar as tuas paix&otilde;es, elas te dominar&atilde;o&raquo;.</p> 
<p>Eis ent&atilde;o o apelo fervoroso: &laquo;P&aacute;ra, p&aacute;ra&raquo;. N&atilde;o devemos deixar que a soberba nos domine: &laquo;N&atilde;o devemos dizer: “Quem me dominar&aacute;? Quem conseguir&aacute; submeter-me por aquilo que fiz?”&raquo; porque, acrescentou, &laquo;nunca se sabe o que vai acontecer na vida&raquo;. </p> 
<p>Refletindo sobre a &laquo;relatividade da vida&raquo;, o Papa recordou, parafraseando-os, os vers&iacute;culos de um salmo que o &laquo;impressiona muito&raquo; (37, 35-36): &laquo;Ontem passei e vi um homem; hoje voltei a passar e j&aacute; n&atilde;o estava ali&raquo;. E sugeriu: &laquo;Pensemos nos nossos av&oacute;s. Talvez poucos de n&oacute;s ainda tenham av&oacute;s, mas eles viviam a vida concreta de todos os dias, e hoje j&aacute; n&atilde;o est&atilde;o vivos&raquo;. E ainda: &laquo;Os nossos netinhos dir&atilde;o: “Ah, os nossos av&oacute;s, n&oacute;s. E j&aacute; n&atilde;o estaremos vivos...&raquo;. Acrescentando um conselho para cada homem: &laquo;P&aacute;ra, pensa, n&atilde;o &eacute;s eterno&raquo;, esta &eacute; &laquo;a sabedoria da vida&raquo;. </p> 
<p>O homem n&atilde;o deve deixar-se vencer pela tenta&ccedil;&atilde;o de dizer: &laquo;Mas pode-se fazer um pouco de tudo, porque pequei... e o que me aconteceu?&raquo;, n&atilde;o deve ser &laquo;t&atilde;o temer&aacute;rio, t&atilde;o audaz a ponto de pensar&raquo; que de uma forma ou de outra ele se sair&aacute; bem: &laquo;N&atilde;o se pode contar com o “Ah, desenrasquei-me at&eacute; agora, e vou continuar assim...”. N&atilde;o. Safas-te, sim, mas agora n&atilde;o se sabe... N&atilde;o podes dizer: “A compaix&atilde;o de Deus &eacute; grande, perdoar-me-&aacute; os meus pecados”, e deste modo vou em frente fazendo o que me apetece. N&atilde;o podes dizer assim&raquo;. O que fazer? O conselho &eacute; tirado do trecho do livro do Eclesi&aacute;stico, que o Papa considera como &laquo;o conselho final deste pai, deste “av&ocirc;”: &laquo;N&atilde;o esperes para te converter ao Senhor”, n&atilde;o esperes para te converter, mudar de vida, aperfei&ccedil;oar a tua vida, extirpar de ti aquela erva daninha, todos temos...&raquo;. Uma clara admoesta&ccedil;&atilde;o para o homem contida na Escritura: &laquo;N&atilde;o esperes para te converter ao Senhor e n&atilde;o adies, pois a ira do Senhor explodir&aacute; de repente&raquo;. Assim como se l&ecirc;: Ontem passei e vi um homem; hoje voltei e j&aacute; n&atilde;o estava ali&raquo; e ainda: &laquo;N&atilde;o confies em riquezas injustas, n&atilde;o te ser&atilde;o &uacute;teis no dia da desventura&raquo;. </p> 
<p>Trata-se, sublinhou o Papa, de &laquo;uma palavra positiva, que nos ajudar&aacute; muito: “N&atilde;o esperes para te converter ao Senhor”, n&atilde;o adies a mudan&ccedil;a da tua vida&raquo;. Portanto, &laquo;se tiveres este defeito, antes de ir dormir, p&aacute;ra um minuto; examina a tua consci&ecirc;ncia e pega nas r&eacute;deas, deves comandar&raquo;. Cada homem &eacute; chamada a fazer um exame de consci&ecirc;ncia e a dizer a si mesmo: &laquo;Sim, errei, falhei v&aacute;rias vezes, tive muitos insucessos, mas amanh&atilde; gostaria que isto n&atilde;o acontecesse&raquo;. &Eacute; necess&aacute;rio &laquo;tomar consci&ecirc;ncia das pr&oacute;prias fal&ecirc;ncias. Todos as temos e todos os dias, e muitas. Mas n&atilde;o te assustes, unicamente n&atilde;o penses que s&atilde;o coisas comuns, que s&atilde;o o sal de cada dia, isso n&atilde;o&raquo;.</p> 
<p>Se, acrescentou o Pont&iacute;fice, &laquo;eu tomar as r&eacute;deas desta paix&atilde;o e for o dominado, sarei respons&aacute;vel por estas minhas a&ccedil;&otilde;es&raquo;. S&atilde;o suficientes &laquo;5 minutos, antes de ir dormir&raquo;. Questionar-se: &laquo;O que aconteceu hoje&raquo;? O que aconteceu na minha alma?&raquo; para &laquo;aprender a ser mais “soberano” de mim mesmo, no dia seguinte&raquo;.</p> 
<p>Por fim, Francisco concluiu exortando: &laquo;Fa&ccedil;amos este pequeno exame de consci&ecirc;ncia todos os dias, para nos converter ao Senhor: &laquo;Mas amanh&atilde; vou fazer com que isto n&atilde;o aconte&ccedil;a”. Talvez aconte&ccedil;a, um pouco menos, mas conseguiste governar tu e n&atilde;o ser governado pelas tuas paix&otilde;es, pelas muitas coisas que acontecem, porque nenhum de n&oacute;s sabe por certo como acabar&aacute; a pr&oacute;pria vida e quando acabar&aacute;&raquo;.</p> 
<p>Trata-se apenas de &laquo;5 minutos no final do dia&raquo; que, por&eacute;m, &laquo;nos ajudar&atilde;o muito a pensar e a n&atilde;o adiar a mudan&ccedil;a do cora&ccedil;&atilde;o e a convers&atilde;o ao Senhor. Que o Senhor nos ensine com a sua sabedoria a percorrer este caminho&raquo;.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Audiência Geral de 27 de fevereiro de 2019 - Catequese sobre o Pai Nosso: 8]]></title><pubDate>Wed, 27 Feb 2019 09:30:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2019/documents/papa-francesco_20190227_udienza-generale.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2019/documents/papa-francesco_20190227_udienza-generale.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 12 Mar 2019 14:43:05 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300">PAPA FRANCISCO</font></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>AUDI&Ecirc;NCIA GERAL</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Pra&ccedil;a S&atilde;o Pedro<br /> Quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/2/27/udienzagenerale.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> &nbsp;
<p><b>Catequese sobre o Pai-Nosso - 8</b></p> 
<p><i>Estimados irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>Parece que o inverno est&aacute; a ir embora e por conseguinte voltamos &agrave; pra&ccedil;a. Bem-vindos &agrave; pra&ccedil;a! No nosso percurso de redescoberta da ora&ccedil;&atilde;o do “Pai-Nosso”, hoje aprofundaremos a primeira das suas sete invoca&ccedil;&otilde;es, isto &eacute;, &laquo;santificado seja o vosso nome&raquo;.</p> 
<p>Os pedidos do “Pai-Nosso” s&atilde;o sete, facilmente divis&iacute;veis em dois subgrupos. Os primeiros tr&ecirc;s t&ecirc;m no centro o “V&oacute;s” de Deus Pai; os outros quatro t&ecirc;m no centro o “n&oacute;s” e as nossas necessidades humanas. Na primeira parte Jesus faz-nos entrar nos seus desejos, todos dirigidos ao Pai: &laquo;santificado seja o <i>vosso</i> nome, venha a n&oacute;s o <i>vosso</i> reino, seja feita a <i>vossa</i> vontade&raquo;; na segunda &eacute; Ele que entra em n&oacute;s e se faz int&eacute;rprete das <i>nossas</i> necessidades: o p&atilde;o nosso de cada dia, o perd&atilde;o dos pecados, o amparo na tenta&ccedil;&atilde;o e a liberta&ccedil;&atilde;o do mal.</p> 
<p>Eis a matriz de cada ora&ccedil;&atilde;o crist&atilde; — diria de cada prece humana — que &eacute; sempre recitada, por um lado, como <i>contempla&ccedil;&atilde;o</i> de Deus, do seu mist&eacute;rio, da sua beleza e bondade, e por outro, com sincero e corajoso <i>pedido</i> do que nos serve para viver, e viver bem. Deste modo, na sua simplicidade e essencialidade, o “Pai-Nosso” educa quantos o recitam a n&atilde;o multiplicar palavras v&atilde;s, porque — como diz o pr&oacute;prio Jesus — &laquo;o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de lho pedirdes&raquo; (<i>Mt </i>6, 8).</p> 
<p>Quando falamos com Deus, n&atilde;o o fazemos para revelar a Ele o que temos no cora&ccedil;&atilde;o: Ele conhece-o muito melhor do que n&oacute;s. Se Deus &eacute; um mist&eacute;rio para n&oacute;s, ao contr&aacute;rio, n&oacute;s n&atilde;o somos um enigma aos seus olhos (cf. <i>Sl</i> 139, 1-4). Deus &eacute; como aquelas m&atilde;es &agrave;s quais &eacute; suficiente um olhar para compreender tudo dos filhos: se est&atilde;o contentes ou tristes, se s&atilde;o sinceros ou escondem algo...</p> 
<p>Portanto, o primeiro trecho da ora&ccedil;&atilde;o crist&atilde; &eacute; a entrega de n&oacute;s mesmos a Deus, &agrave; sua provid&ecirc;ncia. &Eacute; como dizer: “Senhor, v&oacute;s sabeis tudo, n&atilde;o h&aacute; necessidade de que eu vos conte a minha dor, pe&ccedil;o-vos s&oacute; que estejais aqui ao meu lado: sois a minha esperan&ccedil;a”. &Eacute; interessante observar que Jesus, no serm&atilde;o da montanha, imediatamente depois de ter transmitido o texto do “Pai-Nosso”, nos exorta a n&atilde;o nos preocupar nem nos aborrecer pelas situa&ccedil;&otilde;es. Parece uma contradi&ccedil;&atilde;o: primeiro ensina-nos a pedir o nosso p&atilde;o de cada dia e depois recorda-nos: &laquo;N&atilde;o vos preocupeis, dizendo: “Que comeremos, que beberemos, ou que vestiremos?”&raquo; (<i>Mt</i> 6, 31). Mas a contradi&ccedil;&atilde;o &eacute; s&oacute; aparente: os pedidos do crist&atilde;o exprimem a confian&ccedil;a no Pai: e &eacute; precisamente esta confian&ccedil;a que faz com que pe&ccedil;amos aquilo de que precisamos sem af&atilde; nem agita&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>Por isso rezamos dizendo:<i> “Santificado seja o vosso nome!”</i>. Neste pedido — o primeiro! <i>“Santificado seja o vosso nome!” </i>— sente-se toda a admira&ccedil;&atilde;o de Jesus pela beleza e grandeza do Pai, e o desejo de que todos o reconhe&ccedil;am e admirem pelo que deveras &eacute;. E ao mesmo tempo h&aacute; a s&uacute;plica para que o seu nome seja santificado em n&oacute;s, na nossa fam&iacute;lia, na nossa comunidade, no mundo inteiro. &Eacute; Deus que santifica, que nos transforma com o seu amor, mas, ao mesmo tempo, somos tamb&eacute;m n&oacute;s que, com o nosso testemunho, manifestamos a santidade de Deus no mundo, tornando presente o seu nome. Deus &eacute; santo mas se n&oacute;s, se a nossa vida n&atilde;o for santa, haver&aacute; uma grande incoer&ecirc;ncia! A santidade de Deus deve refletir-se nas nossas a&ccedil;&otilde;es, na nossa vida. “Sou crist&atilde;o, Deus &eacute; santo, mas fa&ccedil;o muitas coisas negativas”, n&atilde;o, isto n&atilde;o serve. Isto faz at&eacute; mal; escandaliza e n&atilde;o ajuda.</p> 
<p>A santidade de Deus &eacute; uma for&ccedil;a em expans&atilde;o, e n&oacute;s suplicamos a fim de que ela rompa depressa as barreiras do nosso mundo. Quando Jesus come&ccedil;a a pregar, o primeiro a pagar as consequ&ecirc;ncias disto &eacute; precisamente o mal que aflige o mundo. Os esp&iacute;ritos malignos praguejam: &laquo;Que tens a ver connosco, Jesus de Nazar&eacute;? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu &eacute;s: o Santo de Deus!&raquo; (<i>Mc</i> 1, 24). Nunca se tinha visto uma santidade assim: n&atilde;o preocupada consigo mesma mas inclinada para fora. Uma santidade — a de Jesus — que se alarga em c&iacute;rculos conc&ecirc;ntricos, como quando se lan&ccedil;a uma pedra num lago. O mal tem os dias contados — o mal n&atilde;o &eacute; eterno — o mal n&atilde;o nos pode prejudicar: chegou o homem forte que toma posse da sua casa (cf. <i>Mc</i> 3, 23-27). E este homem forte &eacute; Jesus, que d&aacute; tamb&eacute;m a n&oacute;s a for&ccedil;a para tomar posse da nossa casa interior.</p> 
<p>A ora&ccedil;&atilde;o afasta qualquer temor. O Pai ama-nos, o Filho ergue os bra&ccedil;os apoiando-os aos nossos, o Esp&iacute;rito age em segredo pela reden&ccedil;&atilde;o do mundo. E n&oacute;s? N&atilde;o vacilemos na incerteza. Tenhamos uma grande certeza: Deus ama-me; Jesus doou a vida por mim! O Esp&iacute;rito est&aacute; dentro de mim. Esta &eacute; a grande verdade. E o mal? Tem medo. E isto &eacute; bom.</p> 
<p>&nbsp;</p>
<hr color="#C0C0C0" width="75%" size="1" /> 
<p><b>Sauda&ccedil;&otilde;es</b></p> 
<p>Queridos peregrinos de l&iacute;ngua portuguesa: uma sauda&ccedil;&atilde;o cordial a todos, particularmente aos sacerdotes de Set&uacute;bal, aos fi&eacute;is de Santar&eacute;m e Ericeira e aos grupos vindos do Brasil. Fa&ccedil;o votos de que esta peregrina&ccedil;&atilde;o a Roma fortale&ccedil;a em v&oacute;s os bons prop&oacute;sitos para dar testemunho do Evangelho de Jesus, impelidos pela coragem que a ora&ccedil;&atilde;o infunde nos vossos cora&ccedil;&otilde;es. Deus vos aben&ccedil;oe! </p> 
<p>Dirijo um pensamento particular aos jovens, aos idosos, aos doentes e aos rec&eacute;m-casados. </p> 
<p>Desejo a cada um que esta vossa peregrina&ccedil;&atilde;o aos t&uacute;mulos dos Santos Ap&oacute;stolos constitua um encorajamento a difundir com entusiasmo a perene novidade da mensagem salv&iacute;fica anunciada por Cristo a todos os homens, come&ccedil;ando pelos mais distantes e deserdados.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Aos Participantes da Assembleia Plenária da Pontifícia Academia para a Vida (25 de fevereiro de 2019)]]></title><pubDate>Mon, 25 Feb 2019 11:15:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/february/documents/papa-francesco_20190225_plenaria-accademia-vita.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/february/documents/papa-francesco_20190225_plenaria-accademia-vita.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 12 Mar 2019 14:37:24 +0100 --> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>DISCURSO DO PAPA FRANCISCO <br /> AOS PARTICIPANTES NA ASSEMBLEIA PLEN&Aacute;RIA <br /> DA PONTIF&Iacute;CIA ACADEMIA PARA A VIDA </i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Sala Clementina<br /> Segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/it/events/event.dir.html/content/vaticanevents/it/2019/2/25/accademia-vita.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> &nbsp;
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Sa&uacute;do-vos cordialmente por ocasi&atilde;o da vossa Assembleia geral, e agrade&ccedil;o a D. Paglia as suas gentis palavras. Este encontro tem lugar no primeiro jubileu da Academia para a Vida: vinte e cinco anos depois da sua institui&ccedil;&atilde;o. Nesta importante celebra&ccedil;&atilde;o enviei ao Presidente, no m&ecirc;s passado, uma Carta com o t&iacute;tulo <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/letters/2019/documents/papa-francesco_20190106_lettera-accademia-vita.html"> Humana communitas</a></i>. O que me levou a escrever esta mensagem foi antes de tudo o desejo de agradecer a todos os Presidentes que se sucederam na chefia da Academia e a todos os Membros pelo servi&ccedil;o competente e pelo engajamento generoso para tutelar e promover a vida humana nestes 25 anos de atividade.</p> 
<p>Conhecemos as dificuldades com as quais o nosso mundo se debate. O tecido das rela&ccedil;&otilde;es familiares e sociais parece desgastar-se cada vez mais e difunde-se uma tend&ecirc;ncia a fechar-se em si e nos pr&oacute;prios interesses individuais, com graves consequ&ecirc;ncias sobre a &laquo;grande e decisiva quest&atilde;o da unidade da fam&iacute;lia humana e do seu futuro&raquo; (Carta <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/letters/2019/documents/papa-francesco_20190106_lettera-accademia-vita.html"> Humana communitas</a></i>, 2). Delineia-se assim um dram&aacute;tico paradoxo: precisamente quando a humanidade possui as capacidades cient&iacute;ficas e t&eacute;cnicas para obter um bem-estar equitativamente difundido, segundo a recomenda&ccedil;&atilde;o de Deus, observamos ao contr&aacute;rio um exasperar-se dos conflitos e um crescimento das desigualdades. O mito iluminista do progresso declina e o acumular-se das potencialidades que a ci&ecirc;ncia e a t&eacute;cnica nos forneceram nem sempre obt&eacute;m os resultados esperados. Com efeito, por um lado o desenvolvimento tecnol&oacute;gico permitiu-nos resolver problemas at&eacute; h&aacute; poucos anos incontorn&aacute;veis, e por isto somos gratos aos pesquisadores que chegaram a tais resultados; por outro, emergiram dificuldades e amea&ccedil;as por vezes mais insidiosas que as anteriores. O “poder fazer” corre o risco de obscurecer o <i>quem</i> faz e o <i> para quem</i> se faz. O sistema tecnocr&aacute;tico baseado no crit&eacute;rio da efici&ecirc;ncia n&atilde;o responde &agrave;s quest&otilde;es mais profundas que o homem levanta; e se por um lado n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel prescindir dos seus recursos, por outro ele imp&otilde;e a sua l&oacute;gica a quem os usa. No entanto a t&eacute;cnica &eacute; caracter&iacute;stica do ser humano. N&atilde;o deve ser compreendida como uma for&ccedil;a que lhe &eacute; alheia nem hostil, mas como um produto do seu engenho atrav&eacute;s do qual prov&ecirc; &agrave;s exig&ecirc;ncias do viver para si e para os outros. Trata-se, por conseguinte, de uma modalidade especificamente humana de habitar o mundo. Contudo, a atual evolu&ccedil;&atilde;o da capacidade t&eacute;cnica produz um encantamento perigoso: em vez de entregar &agrave; vida humana os instrumentos que melhoram os seus cuidados, arrisca-se entregar a vida &agrave; l&oacute;gica dos dispositivos que decidem o seu valor. Esta invers&atilde;o est&aacute; destinada a produzir &ecirc;xitos nefastos: a m&aacute;quina n&atilde;o se limita a guiar-se sozinha, mas acaba por guiar o homem. A raz&atilde;o humana &eacute; assim reduzida a uma racionalidade alienada dos efeitos, que n&atilde;o pode ser considerada digna do homem.</p> 
<p>Infelizmente, vemos os graves danos causados ao planeta, nossa casa comum, pelo uso indiscriminado dos meios t&eacute;cnicos. Por isso a bio&eacute;tica global &eacute; uma frente importante na qual se comprometer. Ela expressa a consciencializa&ccedil;&atilde;o da profunda incid&ecirc;ncia dos fatores ambientais e sociais sobre a sa&uacute;de e a vida. &Eacute; uma abordagem muito em sintonia com a ecologia integral, descrita e promovida na Enc&iacute;clica <i>Laudato si’</i>. Al&eacute;m disso, no mundo de hoje, marcado por uma estreita intera&ccedil;&atilde;o entre diversas culturas, &eacute; necess&aacute;rio dar a nossa contribui&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de crentes &agrave; pesquisa de crit&eacute;rios concretos universalmente partilh&aacute;veis, que sejam pontos de refer&ecirc;ncia comuns para as escolhas de quem tem a grave responsabilidade das decis&otilde;es a serem tomadas a n&iacute;vel nacional e internacional. Isto significa tamb&eacute;m participar no di&aacute;logo que concerne os direitos humanos, fazendo sobressair claramente os seus respetivos deveres. Com efeito, eles constituem o terreno para a busca comum de uma &eacute;tica universal, sobre a qual encontramos muitas quest&otilde;es que a tradi&ccedil;&atilde;o enfrentou haurindo do patrim&oacute;nio da lei natural.</p> 
<p>A Carta <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/letters/2019/documents/papa-francesco_20190106_lettera-accademia-vita.html"> Humana communitas</a></i> recorda explicitamente o tema das “tecnologias emergentes e convergentes”. A possibilidade de intervir sobre a mat&eacute;ria viva em ordens de grandeza cada vez mais pequenas, de elaborar volumes de informa&ccedil;&atilde;o sempre mais amplos, de monitorizar — e manipular — os processos cerebrais da atividade cognitiva e deliberativa, tem enormes implica&ccedil;&otilde;es: diz respeito ao pr&oacute;prio limiar da especificidade biol&oacute;gica e da diferen&ccedil;a espiritual do humano. Neste sentido afirmei que &laquo;a diferen&ccedil;a da vida humana &eacute; um bem absoluto&raquo; (n. 4).</p> 
<p>&Eacute; importante reafirm&aacute;-lo: &laquo;a intelig&ecirc;ncia artificial, a rob&oacute;tica e outras inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas devem ser empregadas de modo que contribuam para o servi&ccedil;o da humanidade e para a prote&ccedil;&atilde;o da nossa casa comum e n&atilde;o o exato contr&aacute;rio, como infelizmente algumas estimativas preveem&raquo; (<i>Mensagem</i> ao F&oacute;rum Econ&oacute;mico Mundial de Davos, 12 de janeiro de 2018). A inerente dignidade de cada ser humano deve estar tenazmente no centro da nossa reflex&atilde;o e da nossa a&ccedil;&atilde;o.</p> 
<p>A este prop&oacute;sito, conv&eacute;m observar a denomina&ccedil;&atilde;o de “intelig&ecirc;ncia artificial” que, mesmo sendo de impacto, pode correr o risco de ser enganadora. Os termos ocultam o facto de que — apesar da &uacute;til absolvi&ccedil;&atilde;o de tarefas servis (&eacute; o significado origin&aacute;rio do termo robot) — os automatismos funcionais permanecem qualitativamente distantes das prerrogativas humanas do saber e do agir. E por conseguinte, podem tornar-se socialmente perigosos. De resto, j&aacute; &eacute; uma realidade o risco de que o homem possa ser tecnologizado, e n&atilde;o a t&eacute;cnica humanizada: &agrave;s chamadas “m&aacute;quinas inteligentes” s&atilde;o apressadamente atribu&iacute;das capacidades que s&atilde;o propriamente humanas.</p> 
<p>Devemos compreender melhor o que significam, neste contexto, a intelig&ecirc;ncia, a consci&ecirc;ncia, a emotividade, a intencionalidade afetiva e a autonomia do agir moral. Os dispositivos artificiais que simulam capacidades humanas, na realidade, est&atilde;o privados de qualidade humana. &Eacute; preciso ter isto em conta para orientar a regulamenta&ccedil;&atilde;o do seu uso, e a pr&oacute;pria pesquisa, rumo a uma intera&ccedil;&atilde;o construtiva e equitativa entre os seres humanos e as mais recentes vers&otilde;es de m&aacute;quinas. Com efeito, elas difundem-se no nosso mundo e transformam radicalmente o cen&aacute;rio da nossa exist&ecirc;ncia. Se soubermos fazer valer tamb&eacute;m nos factos estas refer&ecirc;ncias, as potencialidades extraordin&aacute;rias das novas inven&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o irradiar os seus benef&iacute;cios sobre todas as pessoas e sobre a humanidade inteira.</p> 
<p>O debate em curso entre os pr&oacute;prios especialistas j&aacute; mostra os graves problemas de governabilidade dos algoritmos que elaboram enormes quantidades de dados. Assim como levantam interroga&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas s&eacute;rias as tecnologias de manipula&ccedil;&atilde;o da constitui&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica e das fun&ccedil;&otilde;es cerebrais. Contudo, a tentativa de explicar o conjunto do pensamento, da sensibilidade, da conforma&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica humana com base na soma funcional das suas partes f&iacute;sicas e org&acirc;nicas, n&atilde;o presta contas da emerg&ecirc;ncia dos fen&oacute;menos da experi&ecirc;ncia e da consci&ecirc;ncia. O fen&oacute;meno humano excede o resultado do conjunto calcul&aacute;vel de cada um dos elementos. Tamb&eacute;m neste &acirc;mbito, assume nova profundidade e preponder&acirc;ncia o axioma segundo o qual o todo &eacute; superior &agrave;s partes (cf. Exort. ap. <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html"> Evangelii gaudium</a></i>, 234-237).</p> 
<p>Por outro lado, precisamente nesta linha da complexidade da sinergia de <i>psique</i> e <i>techne</i>, o que aprendemos sobre a atividade cerebral fornece novos ind&iacute;cios acerca do modo de compreender a consci&ecirc;ncia (de si e do mundo) e o pr&oacute;prio corpo humano: n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel prescindir da interconex&atilde;o de m&uacute;ltiplas rela&ccedil;&otilde;es para uma compreens&atilde;o mais profunda da dimens&atilde;o humana integral.</p> 
<p>Certamente, segundo os dados das ci&ecirc;ncias emp&iacute;ricas n&atilde;o podemos fazer dedu&ccedil;&otilde;es metaf&iacute;sicas. Mas podemos obter indica&ccedil;&otilde;es que instruem a reflex&atilde;o antropol&oacute;gica, tamb&eacute;m em teologia, como de resto sempre aconteceu na sua hist&oacute;ria. Com efeito, seria decididamente contr&aacute;rio &agrave; nossa tradi&ccedil;&atilde;o mais genu&iacute;na fixar-se num sistema conceitual anacronista, incapaz de interagir adequadamente com as transforma&ccedil;&otilde;es do conceito de natureza e de artif&iacute;cio, de condicionamentos e de liberdade, de meios e de fins, induzidas pela nova cultura do agir, pr&oacute;pria da era tecnol&oacute;gica. Somos chamados a pormo-nos no caminho empreendido com firmeza pelo Conc&iacute;lio Vaticano II, que solicita a renova&ccedil;&atilde;o das disciplinas teol&oacute;gicas e uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre f&eacute; crist&atilde; e agir moral (cf. <i> <a href="http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19651028_optatam-totius_po.html"> Optatam totius</a></i>, 16).</p> 
<p>O nosso compromisso — tamb&eacute;m intelectual e especializado — ser&aacute; motivo de honra da nossa participa&ccedil;&atilde;o na alian&ccedil;a &eacute;tica a favor da vida humana. Um projeto que agora, num contexto no qual dispositivos tecnol&oacute;gicos cada vez mais sofisticados envolvem diretamente as qualidades humanas do corpo e da psique, torna-se urgente participar com todos os homens e mulheres comprometidos na investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e no trabalho de cuidados. &Eacute; uma tarefa dif&iacute;cil, sem d&uacute;vida, considerando o ritmo acelerado da inova&ccedil;&atilde;o. O exemplo dos mestres da intelig&ecirc;ncia crente, que entraram com sabedoria e aud&aacute;cia nos processos da sua contemporaneidade, em vista de uma compreens&atilde;o do patrim&oacute;nio da f&eacute; &agrave; altura de uma raz&atilde;o digna do homem, deve encorajar-nos e apoiar-nos.</p> 
<p>Fa&ccedil;o votos de que continueis o estudo e a pesquisa, para que a obra de promo&ccedil;&atilde;o e defesa da vida seja sempre mais eficaz e fecunda. Assista-vos a Virgem M&atilde;e e vos acompanhe a minha b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o. E, por favor, n&atilde;o vos esque&ccedil;ais de rezar por mim. Obrigado.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[À Delegação da "Apostolikì Diakonia" da Igreja da Grécia (25 de fevereiro de 2019)]]></title><pubDate>Mon, 25 Feb 2019 10:45:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/february/documents/papa-francesco_20190225_apostoliki-diakonia.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/february/documents/papa-francesco_20190225_apostoliki-diakonia.html</guid><description><![CDATA[<!-- Tue, 12 Mar 2019 14:33:20 +0100 --> <p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>DISCURSO DO PAPA FRANCISCO<br /> &nbsp;&Agrave; DELEGA&Ccedil;&Atilde;O DA &quot;APOSTOLIK&Igrave; DIAKONIA&quot; <br /> DA IGREJA DA GR&Eacute;CIA&nbsp; </i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Sala dos Papas<br /> Segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/2/25/apostoliki-diakonia.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> &nbsp;
<p><i>Estimados irm&atilde;os e irm&atilde;s em Cristo!</i></p> 
<p>&Eacute; com grande alegria que vos dou as boas-vindas e vos agrade&ccedil;o pela visita; em particular estou grato ao Bispo Agathanghelos. Pe&ccedil;o-vos imediatamente um favor: quando voltardes para Atenas, transmiti as minhas cordiais e fraternas felicita&ccedil;&otilde;es a Sua Beatitude Jer&oacute;nimo II, que recentemente, a 16 de fevereiro, celebrou o d&eacute;cimo primeiro anivers&aacute;rio da sua entroniza&ccedil;&atilde;o. Rezo ao Pai, do qual procede toda a boa d&aacute;diva e todo o dom perfeito (cf. <i>Tg</i> 1, 17), para que lhe conceda sa&uacute;de, serenidade e alegria espiritual. Pe&ccedil;o tamb&eacute;m, por intercess&atilde;o do Ap&oacute;stolo Paulo, que pregou o Evangelho na Gr&eacute;cia e levou ao cumprimento o seu testemunho at&eacute; ao mart&iacute;rio aqui em Roma, para que o amado povo grego seja coberto de gra&ccedil;as.</p> 
<p>A colabora&ccedil;&atilde;o entre a <i>Apostolik&igrave; Diakonia</i> e o Conselho para a promo&ccedil;&atilde;o da Unidade dos Crist&atilde;os j&aacute; conta mais de 15 anos, nos quais se realizaram tantos louv&aacute;veis projetos culturais e formativos. &Eacute; um bonito exemplo de quanto &eacute; frutuoso que cat&oacute;licos e ortodoxos trabalhem juntos. No caminho percorrido, quem organizou as iniciativas e quem beneficiou delas, principalmente jovens estudantes das nossas Igrejas, experimentou como aquilo que temos em comum &eacute; muito mais do que o que nos mant&eacute;m distantes. Trabalhar unidos ajuda a redescobrirmo-nos como irm&atilde;os. Os jovens ensinam-nos a n&atilde;o permanecer prisioneiros das diferen&ccedil;as, mas a acender o desejo de caminhar juntos, sonhando a supera&ccedil;&atilde;o das dificuldades que impedem a plena comunh&atilde;o. Cabe-nos caminhar juntos, trabalhar juntos, para nos redescobrirmos irm&atilde;os. Passo a passo, no que fazemos poderemos entrever com a ajuda de Deus, a sua presen&ccedil;a de amor que nos une numa comunh&atilde;o cada vez mais forte. Ent&atilde;o, gostaria de pedir juntamente convosco a gra&ccedil;a de caminhar assim: n&atilde;o cada um pela sua estrada seguindo as pr&oacute;prias metas como se o outro fosse somente algu&eacute;m que a hist&oacute;ria p&ocirc;s ao meu lado, mas como irm&atilde;os que a Provid&ecirc;ncia fez encontrar e que procedem juntos rumo ao &uacute;nico Senhor, carregando os pesos uns dos outros, alegrando-se uns pelos passos dos outros. Agrade&ccedil;o &agrave; <i>Apostolik&igrave; Diakonia</i> o trajeto percorrido neste caminho e garanto o apoio da Igreja Cat&oacute;lica para prosseguir o percurso.</p> 
<p>A pastoral familiar &eacute; um ulterior e fecundo campo de colabora&ccedil;&atilde;o entre ortodoxos e cat&oacute;licos, um &acirc;mbito que exige ser cultivado com paix&atilde;o e urg&ecirc;ncia. Neste tempo, caraterizado por mudan&ccedil;as muito r&aacute;pidas na sociedade, que se repercutem numa crescente fragilidade interior, as fam&iacute;lias crist&atilde;s, embora pertencendo a &acirc;mbitos geogr&aacute;ficos e culturais diversos, s&atilde;o provocadas por muitos desafios semelhantes. E n&oacute;s somos chamados a estar pr&oacute;ximos delas, a ajudar as fam&iacute;lias a descobrir de novo o dom do matrim&oacute;nio e a beleza de preservar o amor, que se renova todos os dias na partilha paciente e sincera e na for&ccedil;a suave da ora&ccedil;&atilde;o. Somos chamados a estar pr&oacute;ximos tamb&eacute;m onde a vida familiar n&atilde;o decorre segundo a plenitude do ideal evang&eacute;lico e n&atilde;o se desenrola em paz e alegria (cf. Exort. ap. p&oacute;s-sinodal <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html"> Amoris laetitia</a></i>, 5). Unidos, e no respeito das respetivas tradi&ccedil;&otilde;es espirituais, podemos colaborar ativamente para promover, em v&aacute;rios contextos, nacionais e internacionais, atividades e propostas que digam respeito &agrave;s fam&iacute;lias e aos valores familiares.</p> 
<p>Renovo a minha gratid&atilde;o pela vossa visita e pe&ccedil;o ao Senhor que vos encha com as suas b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os. Pe&ccedil;o-vos, por favor, que me dediqueis um momento na vossa ora&ccedil;&atilde;o. Obrigado.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Angelus, 24 de fevereiro de 2019]]></title><pubDate>Sun, 24 Feb 2019 12:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2019/documents/papa-francesco_angelus_20190224.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2019/documents/papa-francesco_angelus_20190224.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 04 Mar 2019 09:06:14 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300">PAPA FRANCISCO</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><b><i><font size="4">ANGELUS</font></i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Pra&ccedil;a S&atilde;o Pedro<br /> Domingo, 24 de fevereiro de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center">[<b><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/2/24/angelus.html">Multim&iacute;dia</a></b>]</p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p><i>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, bom dia!</i></p> 
<p>O Evangelho deste domingo (cf. <i>Lc</i> 6, 27-38) diz respeito a um ponto central e que carateriza a vida crist&atilde;: o amor pelos inimigos. As palavras de Jesus s&atilde;o claras: &laquo;Digo-vos, por&eacute;m, a v&oacute;s que me escutais: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, aben&ccedil;oai os que vos amaldi&ccedil;oam, rezai pelos que vos caluniam&raquo; (vv. 27-28). N&atilde;o &eacute; um<i> optional</i>, &eacute; uma ordem. N&atilde;o &eacute; para todos, mas para os disc&iacute;pulos, aos quais Jesus chama “v&oacute;s que escutais”. Ele sabe muito bem que amar os inimigos vai al&eacute;m das nossas possibilidades, mas foi por esta raz&atilde;o que se fez homem: n&atilde;o para nos deixar tal como somos, mas para nos transformar em homens e mulheres capazes de um amor maior, aquele do seu e do nosso Pai. Este &eacute; o amor que Jesus doa a quem “o escuta”. E ent&atilde;o isso torna-se poss&iacute;vel! Com Ele, gra&ccedil;as ao seu amor, ao seu Esp&iacute;rito, podemos amar tamb&eacute;m aqueles que n&atilde;o nos amam, at&eacute; quantos nos ofendem.</p> 
<p>Deste modo, Jesus quer que em cada cora&ccedil;&atilde;o o amor de Deus triunfe sobre o &oacute;dio e o rancor. A l&oacute;gica do amor, que culmina na Cruz de Cristo, &eacute; o distintivo do crist&atilde;o e incentiva-nos a ir ao encontro de todos com cora&ccedil;&atilde;o de irm&atilde;os. Mas como &eacute; poss&iacute;vel superar o instinto humano e a lei mundana da retalia&ccedil;&atilde;o? A resposta &eacute; dada por Jesus na mesma p&aacute;gina evang&eacute;lica: &laquo;Sede misericordiosos como o vosso Pai &eacute; misericordioso&raquo; (v. 36). Quem escuta Jesus, quem se esfor&ccedil;a para o seguir mesmo se &eacute; dif&iacute;cil, torna-se filho de Deus e come&ccedil;a a assemelhar-se deveras ao Pai que est&aacute; nos c&eacute;us. Tornamo-nos capazes de coisas que nunca ter&iacute;amos imaginado poder dizer ou fazer, e das quais ali&aacute;s nos ter&iacute;amos envergonhado, mas que agora, ao contr&aacute;rio, nos proporcionam alegria e paz. J&aacute; n&atilde;o precisamos de ser violentos, com as palavras e com os gestos; descobrimo-nos capazes de ternura e de bondade; e sentimos que tudo isto n&atilde;o prov&eacute;m de n&oacute;s mas d’Ele!, e portanto n&atilde;o nos vangloriamos por isso, mas s&oacute; lhe estamos gratos.</p> 
<p>N&atilde;o h&aacute; nada de maior e mais fecundo que o amor: ele confere &agrave; pessoa toda a sua dignidade, enquanto o &oacute;dio e a vingan&ccedil;a a desvaloriza, deturpando a beleza da criatura feita &agrave; imagem de Deus.</p> 
<p>Este mandamento, de responder ao insulto e &agrave; ofensa com o amor, gerou no mundo uma nova cultura: a &laquo;cultura da miseric&oacute;rdia — devemos aprender e praticar bem esta cultura da miseric&oacute;rdia — que d&aacute; vida a uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o&raquo; (Carta. ap. <i> <a href="https://w2.vatican.va/content/francesco/it/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20161120_misericordia-et-misera.html"> Misericordia et misera</a></i>, 20). &Eacute; a revolu&ccedil;&atilde;o do amor, em que os protagonistas s&atilde;o os m&aacute;rtires de todos os tempos. E Jesus garante-nos que o nosso comportamento, caraterizado pelo amor em rela&ccedil;&atilde;o a quantos nos ofendem, n&atilde;o ser&aacute; v&atilde;o. Ele diz: &laquo;perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-&aacute; dado […], pois a medida que usardes com os outros ser&aacute; usada convosco&raquo; (vv. 37-38). Isto &eacute; bom. Ser&aacute; algo bom que Deus nos conceder&aacute; se formos generosos e misericordiosos. Devemos perdoar porque Deus nos perdoou e nos perdoa sempre. Se n&atilde;o perdoarmos totalmente, n&atilde;o poderemos pretender ser perdoados totalmente. Ao contr&aacute;rio, se os nossos cora&ccedil;&otilde;es se abrirem &agrave; miseric&oacute;rdia, se o perd&atilde;o for selado com um abra&ccedil;o fraterno e se estreitarmos os la&ccedil;os de comunh&atilde;o, n&oacute;s proclamaremos ao mundo que &eacute; poss&iacute;vel vencer o mal com o bem. &Agrave;s vezes recordamos mais facilmente as injusti&ccedil;as que nos fizeram e os males dos quais fomos v&iacute;timas e n&atilde;o as coisas boas; a ponto que h&aacute; pessoas que t&ecirc;m este h&aacute;bito que se torna uma doen&ccedil;a. S&atilde;o “colecionadores de injusti&ccedil;as”: s&oacute; se recordam das coisas desagrad&aacute;veis que lhes fizeram. E n&atilde;o &eacute; este o caminho. Devemos fazer o contr&aacute;rio, diz Jesus. Recordar as coisas boas e quando algu&eacute;m coscuvilhar e falar mal dos outros &eacute; preciso dizer: “sim, talvez... mas tem isto de bom...”. Inverter a situa&ccedil;&atilde;o. Esta &eacute; a revolu&ccedil;&atilde;o da miseric&oacute;rdia.</p> 
<p>A Virgem Maria nos ajude a deixar-nos tocar o cora&ccedil;&atilde;o por esta palavra santa de Jesus, ardente como o fogo, que nos transforma e nos torna capazes de fazer o bem sem recompensa,<i> fazer o bem sem recompensa</i>, testemunhando em toda parte a vit&oacute;ria do amor.</p> 
<p>&nbsp;</p> 
<hr color="#C0C0C0" width="75%" size="1" /> 
<p><b>Depois do Angelus</b></p> 
<p><i>Caros irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Esta manh&atilde; concluiu-se aqui no Vaticano o Encontro muito importante sobre o tema da Prote&ccedil;&atilde;o dos menores. Foram convocados os Presidentes de todas as Confer&ecirc;ncias Episcopais, os Chefes das Igrejas Orientais Cat&oacute;licas, os Representantes dos Superiores e das Superioras das Congrega&ccedil;&otilde;es religiosas e diversos meus colaboradores na C&uacute;ria Romana.</p> 
<p>Como sabeis, o problema dos abusos sexuais contra menores por parte de membros do clero, suscitou h&aacute; tempos grave esc&acirc;ndalo na Igreja e na opini&atilde;o p&uacute;blica, quer pelos dram&aacute;ticos sofrimentos das v&iacute;timas, quer pela injustific&aacute;vel neglig&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o a elas e pelo encobrimento dos culpados por parte de pessoas respons&aacute;veis &#x200b;&#x200b;na Igreja.</p> 
<p>Dado que &eacute; um problema difundido em todos os Continentes, quis que fosse enfrentado em conjunto, de maneira correspons&aacute;vel e colegial, por n&oacute;s pastores das Comunidades cat&oacute;licas de todo o mundo. Ouvimos a voz das v&iacute;timas, rezamos e pedimos perd&atilde;o a Deus e &agrave;s pessoas ofendidas, tomamos consci&ecirc;ncia das nossas responsabilidades, do nosso dever de fazer justi&ccedil;a, na verdade, de rejeitar radicalmente todas as formas de abuso de poder, de consci&ecirc;ncia e sexual.</p> 
<p>Queremos que todas as atividades e os lugares da Igreja sejam sempre totalmente seguros para os menores; que sejam tomadas todas as medidas poss&iacute;veis para que crimes semelhantes n&atilde;o se repitam; que a Igreja volte a ser absolutamente cred&iacute;vel e confi&aacute;vel na sua miss&atilde;o de servi&ccedil;o e de educa&ccedil;&atilde;o para com os pequeninos, de acordo com o ensinamento de Jesus.</p> 
<p>Deste modo saberemos colaborar com todo o nosso cora&ccedil;&atilde;o e com efic&aacute;cia, juntamente com todas as pessoas de boa vontade e com todas as componentes e for&ccedil;as positivas da sociedade, em todos os pa&iacute;ses e a n&iacute;vel internacional, a fim de que se combata at&eacute; ao fundo, de todas as formas, a grav&iacute;ssima chaga da viol&ecirc;ncia contra milh&otilde;es de menores, meninas e meninos, mo&ccedil;as e rapazes, no mundo inteiro.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Encontro "A Proteção dos Menores na Igreja": Discurso do Santo Padre no final da Concelebração Eucarística (24 de fevereiro de 2019)]]></title><pubDate>Sun, 24 Feb 2019 10:45:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/february/documents/papa-francesco_20190224_incontro-protezioneminori-chiusura.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/february/documents/papa-francesco_20190224_incontro-protezioneminori-chiusura.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 25 Feb 2019 10:09:38 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300">ENCONTRO &quot;A PROTE&Ccedil;&Atilde;O DOS MENORES NA IGREJA&quot;</font><br /> <font color="#663300">[VATICANO, 21-24 DE FEVEREIRO DE 2019]</font><font size="4" color="#663300"><b><i> </i></b></font></p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>DISCURSO DO PAPA FRANCISCO <br /> NO FINAL DA CONCELEBRA&Ccedil;&Atilde;O EUCAR&Iacute;STICA</i></b></font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Sala R&eacute;gia<br />Domingo, 24 de fevereiro de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/2/24/incontro-protezioneminori-chiusura.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp; </p> 
<p><i>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s!</i></p> 
<p>Ao dar gra&ccedil;as ao Senhor que nos acompanhou nestes dias, quero agradecer tamb&eacute;m a todos v&oacute;s pelo esp&iacute;rito eclesial e o empenhamento concreto que manifestastes com tanta generosidade.</p> 
<p>O nosso trabalho levou-nos a reconhecer, uma vez mais, que a gravidade do flagelo dos abusos sexuais contra menores &eacute; um fen&oacute;meno historicamente difuso, infelizmente, em todas as culturas e sociedades. Mas, apenas em tempos relativamente recentes, se tornou objeto de estudos sistem&aacute;ticos, gra&ccedil;as &agrave; mudan&ccedil;a de sensibilidade da opini&atilde;o p&uacute;blica sobre um problema considerado tabu no passado, ou seja, todos sabiam da sua exist&ecirc;ncia, mas ningu&eacute;m falava nele. Isto traz-me &agrave; mente tamb&eacute;m a pr&aacute;tica religiosa cruel, difusa no passado nalgumas culturas, de oferecer seres humanos – frequentemente crian&ccedil;as – como sacrif&iacute;cios nos ritos pag&atilde;os. Todavia, ainda hoje, as estat&iacute;sticas dispon&iacute;veis sobre os abusos sexuais contra menores, compiladas por v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es e organismos nacionais e internacionais (Oms, Unicef, Interpol, Europol e outros), n&atilde;o apresentam a verdadeira extens&atilde;o do fen&oacute;meno, muitas vezes subestimado, principalmente porque muitos casos de abusos sexuais de menores n&atilde;o s&atilde;o denunciados,<a name="_ftnref1" title="" href="#_ftn1">[1]</a> sobretudo os numeros&iacute;ssimos abusos cometidos no interior da fam&iacute;lia.</p> 
<p>De facto, as v&iacute;timas raramente desabafam e buscam ajuda.<a name="_ftnref2" title="" href="#_ftn2">[2]</a> Por tr&aacute;s desta relut&acirc;ncia, pode estar a vergonha, a confus&atilde;o, o medo de retalia&ccedil;&atilde;o, os sentimentos de culpa, a difid&ecirc;ncia nas institui&ccedil;&otilde;es, os condicionalismos culturais e sociais, mas tamb&eacute;m a falta de informa&ccedil;&atilde;o sobre os servi&ccedil;os e as estruturas que podem ajudar. Infelizmente, a ang&uacute;stia leva &agrave; amargura, e mesmo ao suic&iacute;dio, ou por vezes a vingar-se, fazendo o mesmo. A &uacute;nica coisa certa &eacute; que milh&otilde;es de crian&ccedil;as no mundo s&atilde;o v&iacute;timas de explora&ccedil;&atilde;o e de abusos sexuais.</p> 
<p>Seria importante aqui referir os dados gerais – na minha opini&atilde;o, sempre parciais – a n&iacute;vel global<a name="_ftnref3" title="" href="#_ftn3">[3]</a> e sucessivamente a n&iacute;vel da Europa, da &Aacute;sia, das Am&eacute;ricas, da &Aacute;frica e da Oce&acirc;nia, para ter um quadro da gravidade e profundidade deste flagelo nas nossas sociedades.<a name="_ftnref4" title="" href="#_ftn4">[4]</a> Para evitar discuss&otilde;es desnecess&aacute;rias, quero antes de mais nada salientar que a men&ccedil;&atilde;o de alguns pa&iacute;ses tem por &uacute;nico objetivo citar os dados estat&iacute;sticos referidos nos citados Relat&oacute;rios.</p> 
<p>A primeira verdade que resulta dos dados dispon&iacute;veis &eacute; esta: <i>quem comete os abusos</i>, ou seja, as viol&ecirc;ncias (f&iacute;sicas, sexuais ou emotivas) s&atilde;o sobretudo <i>os pais, os parentes, os maridos de esposas-meninas, os treinadores e os educadores</i>. Al&eacute;m disso, segundo os dados Unicef de 2017 relativos a 28 pa&iacute;ses no mundo, em cada 10 meninas-adolescentes que tiveram rela&ccedil;&otilde;es sexuais for&ccedil;adas, 9 revelam que foram v&iacute;timas duma pessoa conhecida ou pr&oacute;xima da fam&iacute;lia.</p> 
<p>De acordo com os dados oficiais do governo americano, nos Estados Unidos mais de 700.000 crian&ccedil;as s&atilde;o, anualmente, v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia e maus tratos. Segundo o Centro Internacional para Crian&ccedil;as Desaparecidas e Exploradas (Icmec), uma em cada 10 crian&ccedil;as sofre abuso sexuais. Na Europa, 18 milh&otilde;es de crian&ccedil;as s&atilde;o v&iacute;timas de abusos sexuais.<a name="_ftnref5" title="" href="#_ftn5">[5]</a></p> 
<p>Se tomarmos o exemplo da <i>It&aacute;lia</i>, o relat&oacute;rio 2016 de &laquo;Telefone Azul&raquo; salienta que 68,9% dos abusos acontece dentro das <i>paredes dom&eacute;sticas</i> do menor.<a name="_ftnref6" title="" href="#_ftn6">[6]</a></p> 
<p>Palco de viol&ecirc;ncias n&atilde;o &eacute; apenas o ambiente dom&eacute;stico, mas tamb&eacute;m o do bairro, da escola, do desporto<a name="_ftnref7" title="" href="#_ftn7">[7]</a> e, infelizmente, tamb&eacute;m o ambiente eclesial.</p> 
<p>Dos estudos realizados, nos &uacute;ltimos anos, sobre o fen&oacute;meno dos abusos sexuais contra menores, resulta tamb&eacute;m que o desenvolvimento da <i>web</i> e dos mass-media contribuiu para aumentar significativamente os casos de abusos e viol&ecirc;ncias perpetrados <i>on-line</i>. A difus&atilde;o da pornografia cresce rapidamente no mundo atrav&eacute;s da internet. O flagelo da pornografia assumiu dimens&otilde;es assustadoras, com efeitos delet&eacute;rios sobre a psique e as rela&ccedil;&otilde;es entre homem e mulher, e entre estes e os filhos. &Eacute; um fen&oacute;meno em crescimento cont&iacute;nuo. Uma parte consider&aacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o pornogr&aacute;fica tem, infelizmente, por objeto os menores, que deste modo ficam gravemente feridos na sua dignidade. Estudos neste campo – &eacute; triste - documentam que isto acontece sob formas cada vez mais horr&iacute;veis e violentas; chega-se ao extremo dos atos de abuso sobre menores comissionados e seguidos ao vivo atrav&eacute;s da internet.<a name="_ftnref8" title="" href="#_ftn8">[8]</a></p> 
<p>Lembro aqui o Congresso internacional realizado em Roma sobre o tema da dignidade da crian&ccedil;a na era digital; bem como o primeiro F&oacute;rum da Alian&ccedil;a Inter-religiosa para Comunidades mais Seguras, que teve lugar, sobre o mesmo tema, no passado m&ecirc;s de novembro, em Abu Dhabi.</p> 
<p>Outro flagelo &eacute; o <i>turismo sexual</i>: anualmente, segundo os dados 2017 da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Turismo, <i>tr&ecirc;s milh&otilde;es</i> de pessoas no mundo viajam para ter rela&ccedil;&otilde;es sexuais com um menor.<a name="_ftnref9" title="" href="#_ftn9">[9]</a> Facto significativo &eacute; que, na maior parte dos casos, os autores de tais crimes n&atilde;o sabem que est&atilde;o a cometer um reato.</p> 
<p>Estamos, pois, diante dum problema universal e transversal que, infelizmente, existe em quase toda a parte. Devemos ser claros: a universalidade de tal flagelo, ao mesmo tempo que confirma a sua gravidade nas nossas sociedades,<a name="_ftnref10" title="" href="#_ftn10">[10]</a> n&atilde;o diminui a sua monstruosidade dentro da Igreja. </p> 
<p>A desumanidade do fen&oacute;meno, a n&iacute;vel mundial, torna-se ainda mais grave e escandalosa na Igreja, porque est&aacute; em contraste com a sua autoridade moral e a sua credibilidade &eacute;tica. O consagrado, escolhido por Deus para guiar as almas &agrave; salva&ccedil;&atilde;o, deixa-se subjugar pela sua fragilidade humana ou pela sua doen&ccedil;a, tornando-se assim um instrumento de satan&aacute;s. Nos abusos, vemos a m&atilde;o do mal que n&atilde;o poupa sequer a inoc&ecirc;ncia das crian&ccedil;as. N&atilde;o h&aacute; explica&ccedil;&otilde;es suficientes para estes abusos contra as crian&ccedil;as. Com humildade e coragem, devemos reconhecer que estamos perante o mist&eacute;rio do mal, que se encarni&ccedil;a contra os mais fr&aacute;geis, porque s&atilde;o imagem de Jesus. &Eacute; por isso que atualmente cresceu na Igreja a consci&ecirc;ncia do dever que tem de procurar n&atilde;o s&oacute; conter os grav&iacute;ssimos abusos com medidas disciplinares e processos civis e can&oacute;nicos, mas tamb&eacute;m enfrentar decididamente o fen&oacute;meno dentro e fora da Igreja. Sente-se chamada a combater este mal que atinge o centro da sua miss&atilde;o: anunciar o Evangelho aos pequeninos e proteg&ecirc;-los dos lobos vorazes.</p> 
<p>Quero repetir aqui claramente: ainda que na Igreja se constatasse um &uacute;nico caso de abuso – o que em si j&aacute; constitui uma monstruosidade –, tratar-se-&aacute; dele com a m&aacute;xima seriedade. Irm&atilde;os e irm&atilde;s: na ira justificada das pessoas, a Igreja v&ecirc; o reflexo da ira de Deus, tra&iacute;do e esbofeteado por estes consagrados desonestos. O eco do grito silencioso dos menores, que, em vez de encontrar neles paternidade e guias espirituais, acharam algozes, far&aacute; abalar os cora&ccedil;&otilde;es anestesiados pela hipocrisia e o poder. Temos o dever de ouvir atentamente este sufocado grito silencioso. </p> 
<p>&Eacute; dif&iacute;cil, por&eacute;m, compreender o fen&oacute;meno dos abusos sexuais contra os menores sem a considera&ccedil;&atilde;o do poder, pois aqueles s&atilde;o sempre a consequ&ecirc;ncia do abuso de poder, a explora&ccedil;&atilde;o duma posi&ccedil;&atilde;o de inferioridade do indefeso abusado que permite a manipula&ccedil;&atilde;o da sua consci&ecirc;ncia e da sua fragilidade psicol&oacute;gica e f&iacute;sica. O abuso de poder est&aacute; presente tamb&eacute;m nas outras formas de abusos de que s&atilde;o v&iacute;timas quase oitenta e cinco milh&otilde;es de crian&ccedil;as, no esquecimento geral: as crian&ccedil;as-soldado, os menores prostitu&iacute;dos, as crian&ccedil;as desnutridas, as crian&ccedil;as raptadas e frequentemente v&iacute;timas do monstruoso com&eacute;rcio de &oacute;rg&atilde;os humanos, ou ent&atilde;o transformadas em escravos, as crian&ccedil;as v&iacute;timas das guerras, as crian&ccedil;as refugiadas, as crian&ccedil;as abortadas, etc.</p> 
<p>Perante tanta crueldade, tanto sacrif&iacute;cio id&oacute;latra das crian&ccedil;as ao deus poder, dinheiro, orgulho, soberba, n&atilde;o s&atilde;o suficientes meras explica&ccedil;&otilde;es emp&iacute;ricas; estas n&atilde;o s&atilde;o capazes de fazer compreender a amplitude e a profundidade deste drama. A hermen&ecirc;utica positivista demonstra, mais uma vez, a sua limita&ccedil;&atilde;o. D&aacute;-nos uma <i>explica&ccedil;&atilde;o</i> verdadeira que nos ajudar&aacute; a tomar as medidas necess&aacute;rias, mas n&atilde;o &eacute; capaz de nos indicar o <i>significado</i>. E hoje precisamos de <i>explica&ccedil;&otilde;es</i> e <i>significados</i>. As explica&ccedil;&otilde;es ajudar-nos-&atilde;o imenso no setor operativo, mas deixar-nos-&atilde;o a meio do caminho.</p> 
<p>Qual seria ent&atilde;o o &laquo;significado&raquo; existencial deste fen&oacute;meno criminoso? Hoje, tendo em conta a sua amplitude e profundidade humana, s&oacute; pode ser a manifesta&ccedil;&atilde;o atual do esp&iacute;rito do mal. Sem ter presente esta dimens&atilde;o, permaneceremos longe da verdade e sem verdadeiras solu&ccedil;&otilde;es. </p> 
<p>Irm&atilde;os e irm&atilde;s, estamos hoje perante uma manifesta&ccedil;&atilde;o do mal, descarada, agressiva e destruidora. Por detr&aacute;s e dentro disto est&aacute; o esp&iacute;rito do mal, que, no seu orgulho e soberba, se sente o dono do mundo<a name="_ftnref11" title="" href="#_ftn11">[11]</a> e pensa que venceu. Isto gostaria de vo-lo dizer com a autoridade de irm&atilde;o e pai (pequeno e pecador, sem d&uacute;vida, mas que &eacute; o pastor da Igreja que preside na caridade): nestes dolorosos casos, vejo a m&atilde;o do mal que n&atilde;o poupa sequer a inoc&ecirc;ncia dos pequeninos. E isto leva-me a pensar no exemplo de Herodes que, impelido pelo medo de perder o seu poder, ordenou massacrar todas as crian&ccedil;as de Bel&eacute;m.<a name="_ftnref12" title="" href="#_ftn12">[12]</a> Por tr&aacute;s disto est&aacute; satan&aacute;s.</p> 
<p>E assim como devemos tomar todas as medidas pr&aacute;ticas que o bom senso, as ci&ecirc;ncias e a sociedade nos oferecem, assim tamb&eacute;m n&atilde;o devemos perder de vista esta realidade e tomar as medidas espirituais que o pr&oacute;prio Senhor nos ensina: humilha&ccedil;&atilde;o, acusa de n&oacute;s mesmos, ora&ccedil;&atilde;o, penit&ecirc;ncia. &Eacute; o &uacute;nico modo de vencer o esp&iacute;rito do mal. Foi assim que Jesus o venceu.<a name="_ftnref13" title="" href="#_ftn13">[13]</a></p> 
<p>Assim, o objetivo da Igreja ser&aacute; ouvir, tutelar, proteger e tratar os menores abusados, explorados e esquecidos, onde quer que estejam. Para alcan&ccedil;ar este objetivo, a Igreja deve elevar-se acima de todas as pol&eacute;micas ideol&oacute;gicas e as pol&iacute;ticas jornal&iacute;sticas que frequentemente instrumentalizam, por v&aacute;rios interesses, os pr&oacute;prios dramas vividos pelos pequeninos.</p> 
<p>Por isso, chegou a hora de colaborarmos, juntos, para erradicar tal brutalidade do corpo da nossa humanidade, adotando todas as medidas necess&aacute;rias j&aacute; em vigor a n&iacute;vel internacional e a n&iacute;vel eclesial. Chegou a hora de encontrar o justo equil&iacute;brio de todos os valores em jogo e dar diretrizes uniformes para a Igreja, evitando os dois extremos: nem <i>judicialismo</i>, provocado pelo sentimento de culpa face aos erros passados e pela press&atilde;o do mundo medi&aacute;tico, nem <i> autodefesa</i> que n&atilde;o enfrenta as causas e as consequ&ecirc;ncias destes graves delitos.</p> 
<p>Desejo, neste contexto, citar as &laquo;<i>Boas Pr&aacute;ticas</i>&raquo; formuladas, sob a guia da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de, por um grupo de dez Ag&ecirc;ncias internacionais<a name="_ftnref14" title="" href="#_ftn14">[14]</a> que desenvolveu e aprovou um pacote de medidas chamado <i>INSPIRE</i>, isto &eacute;, <i>sete estrat&eacute;gias para acabar com a viol&ecirc;ncia contra as crian&ccedil;as</i>.<a name="_ftnref15" title="" href="#_ftn15">[15]</a></p> 
<p>Valendo-se destas diretrizes, a Igreja, no seu percurso legislativo, gra&ccedil;as tamb&eacute;m ao trabalho feito nos &uacute;ltimos anos pela Comiss&atilde;o Pontif&iacute;cia para a Tutela dos Menores e &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o deste nosso Encontro, concentrar-se-&aacute; sobre as seguintes dimens&otilde;es:</p> 
<p>1. <i>A tutela das crian&ccedil;as</i>: o objetivo prim&aacute;rio das v&aacute;rias medidas &eacute; proteger os pequeninos e impedir que caiam v&iacute;timas de qualquer abuso psicol&oacute;gico e f&iacute;sico. Portanto, &eacute; necess&aacute;rio mudar a mentalidade combatendo a atitude defensivo-reativa de salvaguardar a Institui&ccedil;&atilde;o em benef&iacute;cio duma busca sincera e decidida do bem da comunidade, dando prioridade &agrave;s v&iacute;timas de abusos em todos os sentidos. Diante dos nossos olhos, devem estar sempre presentes os rostos inocentes dos pequeninos, recordando as palavras do Mestre: &laquo;Se algu&eacute;m escandalizar um destes pequeninos que creem em Mim, seria prefer&iacute;vel que lhe suspendessem do pesco&ccedil;o a m&oacute; de um moinho e o lan&ccedil;assem nas profundezas do mar. Ai do mundo, por causa dos esc&acirc;ndalos! S&atilde;o inevit&aacute;veis, decerto, os esc&acirc;ndalos, mas ai do homem por quem vem o esc&acirc;ndalo!&raquo; (<i>Mt</i> 18, 6-7).</p> 
<p>2. <i>Seriedade impec&aacute;vel</i>: gostaria de reiterar, aqui, que a Igreja &laquo;n&atilde;o poupar&aacute; esfor&ccedil;os fazendo tudo o que for necess&aacute;rio para entregar &agrave; justi&ccedil;a <i>toda a pessoa</i> que tenha cometido tais delitos. A Igreja n&atilde;o procurar&aacute; jamais dissimular ou subestimar qualquer um destes casos&raquo; (<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2018/december/documents/papa-francesco_20181221_curia-romana.html"><i>Discurso &agrave; C&uacute;ria Romana</i>, 21/XII/2018</a>). &Eacute; sua convic&ccedil;&atilde;o que &laquo;os pecados e crimes das pessoas consagradas matizam-se de cores ainda mais foscas de infidelidade, de vergonha e deformam o rosto da Igreja, minando a sua credibilidade. De facto, a pr&oacute;pria Igreja, juntamente com os seus filhos fi&eacute;is, &eacute; v&iacute;tima destas infidelidades e destes verdadeiros <i>crimes de peculato</i>&raquo; (<i><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2018/december/documents/papa-francesco_20181221_curia-romana.html">Ibidem</a></i>).</p> 
<p>3. <i>Uma verdadeira purifica&ccedil;&atilde;o</i>: apesar das medidas tomadas e os progressos realizados em mat&eacute;ria de preven&ccedil;&atilde;o dos abusos, &eacute; necess&aacute;rio impor um renovado e perene empenho na santidade dos pastores, cuja configura&ccedil;&atilde;o a Cristo Bom Pastor &eacute; um direito do povo de Deus. Reitera-se, pois, &laquo;a firme vontade de prosseguir, com toda a for&ccedil;a, pelo caminho da purifica&ccedil;&atilde;o. A Igreja (…) questionar-se-&aacute; como proteger as crian&ccedil;as; como evitar tais calamidades, como tratar e reintegrar as v&iacute;timas; como refor&ccedil;ar a forma&ccedil;&atilde;o nos semin&aacute;rios. Procurar-se-&aacute; transformar os erros cometidos em oportunidades para erradicar este flagelo n&atilde;o s&oacute; do corpo da Igreja, mas tamb&eacute;m do seio da sociedade&raquo; (<i><a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2018/december/documents/papa-francesco_20181221_curia-romana.html">Ibidem</a></i>). O temor santo de Deus leva a acusar-nos – como pessoa e como institui&ccedil;&atilde;o – e a reparar as nossas falhas. Acusar-se a si pr&oacute;prio: &eacute; um in&iacute;cio sapiencial, associado ao temor santo de Deus. Aprender a acusar-se a si pr&oacute;prio, como pessoa, como institui&ccedil;&atilde;o, como sociedade. Na realidade, n&atilde;o devemos cair na armadilha de acusar os outros, que &eacute; um passo rumo ao &aacute;libi que nos separa da realidade.</p> 
<p>4. <i>A forma&ccedil;&atilde;o</i>: ou seja, as exig&ecirc;ncias da sele&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o dos candidatos ao sacerd&oacute;cio com crit&eacute;rios n&atilde;o s&oacute; negativos, visando principalmente excluir as personalidades problem&aacute;ticas, mas tamb&eacute;m positivos oferecendo um caminho de forma&ccedil;&atilde;o equilibrado para os candidatos id&oacute;neos, tendente &agrave; santidade e englobando a virtude da castidade. Na enc&iacute;clica <i> <a href="http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_24061967_sacerdotalis.html">Sacerdotalis caelibatus</a></i>, S&atilde;o Paulo VI deixou escrito: &laquo;Uma vida t&atilde;o inteira e amavelmente dedicada, no interior e no exterior, como a do sacerdote celibat&aacute;rio, exclui, de facto, candidatos com insuficiente equil&iacute;brio psicof&iacute;sico e moral. N&atilde;o se deve pretender que a gra&ccedil;a supra o que falta &agrave; natureza&raquo; (n.&ordm; 64).</p> 
<p>5. <i>Refor&ccedil;ar e verificar as diretrizes das Confer&ecirc;ncias Episcopais</i>: ou seja, reafirmar a necessidade da unidade dos Bispos na aplica&ccedil;&atilde;o de par&acirc;metros que tenham valor de normas e n&atilde;o apenas de diretrizes. Normas, n&atilde;o somente diretrizes. Nenhum abuso deve jamais ser encoberto (como era habitual no passado) e subestimado, pois a cobertura dos abusos favorece a propaga&ccedil;&atilde;o do mal e eleva o n&iacute;vel do esc&acirc;ndalo. De modo particular, &eacute; preciso desenvolver um novo enquadramento eficaz de preven&ccedil;&atilde;o em toda as institui&ccedil;&otilde;es e ambientes das atividades eclesiais.</p> 
<p>6. <i>Acompanhar as pessoas abusadas</i>: o mal que viveram deixa nelas feridas indel&eacute;veis que se manifestam tamb&eacute;m em rancores e tend&ecirc;ncias &agrave; autodestrui&ccedil;&atilde;o. Por isso, a Igreja tem o dever de oferecer-lhes todo o apoio necess&aacute;rio, valendo-se dos especialistas neste campo. Escutar… eu diria &laquo;perder tempo&raquo; escutando. A escuta cura a pessoa ferida, e cura-nos a n&oacute;s tamb&eacute;m do ego&iacute;smo, da dist&acirc;ncia, do &laquo;n&atilde;o me diz respeito&raquo;, da atitude do sacerdote e do levita na par&aacute;bola do Bom Samaritano.</p> 
<p>7. <i>O mundo digital</i>: a prote&ccedil;&atilde;o dos menores deve ter em conta as novas formas de abuso sexual e de abusos de todo o g&eacute;nero que os amea&ccedil;am nos ambientes onde vivem e atrav&eacute;s dos novos instrumentos que utilizam. Os seminaristas, os sacerdotes, os religiosos, as religiosas, os agentes pastorais e todos os fi&eacute;is devem estar cientes de que o mundo digital e o uso dos seus instrumentos com frequ&ecirc;ncia incidem mais profundamente do que se pensa. Quero aqui encorajar os pa&iacute;ses e as autoridades a aplicarem todas as medidas necess&aacute;rias para limitar os <i>websites</i> que amea&ccedil;am a dignidade do homem, da mulher e, em particular, dos menores. Irm&atilde;os e irm&atilde;s: o reato n&atilde;o goza do direito &agrave; liberdade. &Eacute; absolutamente necess&aacute;rio opor-se com a m&aacute;xima decis&atilde;o a tais abom&iacute;nios, vigiar e lutar para que o desenvolvimento dos pequeninos n&atilde;o seja perturbado nem abalado por um acesso descontrolado &agrave; pornografia, que deixar&aacute; sinais negativos profundos na sua mente e na sua alma. Devemos esfor&ccedil;ar-nos por que as jovens e os jovens, particularmente os seminaristas e o clero, n&atilde;o se tornem escravos de depend&ecirc;ncias baseadas na explora&ccedil;&atilde;o e no abuso criminoso dos inocentes e suas imagens e no desprezo da dignidade da mulher e da pessoa humana. Destacam-se aqui as novas normas &laquo;<i>sobre os delitos mais graves</i>&raquo; aprovadas pelo Papa Bento XVI em 2010, onde fora acrescentado como um novo caso de delito &laquo;a aquisi&ccedil;&atilde;o, a deten&ccedil;&atilde;o ou a divulga&ccedil;&atilde;o&raquo;, realizada por um membro do clero &laquo;de qualquer forma e por qualquer meio, de imagens pornogr&aacute;ficas tendo por objeto menores&raquo;. Falava-se ent&atilde;o de &laquo;menores de 14 anos&raquo;; agora achamos que devemos elevar este limite de idade para ampliar a tutela dos menores e insistir na gravidade destes factos.</p> 
<p>8. <i>O turismo sexual</i>: o comportamento, o olhar, o &iacute;ntimo dos disc&iacute;pulos e servidores de Jesus devem saber reconhecer a imagem de Deus em toda a criatura humana, a come&ccedil;ar pelos mais inocentes. Somente bebendo neste respeito radical da dignidade do outro &eacute; que poderemos defend&ecirc;-lo da for&ccedil;a invasiva da viol&ecirc;ncia, explora&ccedil;&atilde;o, abuso e corrup&ccedil;&atilde;o, e servi-lo de forma cred&iacute;vel no seu crescimento integral, humano e espiritual, no encontro com outros e com Deus. Para combater o turismo sexual, &eacute; necess&aacute;ria a repress&atilde;o judicial, mas tamb&eacute;m apoio e projetos para a reinser&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas desse fen&oacute;meno criminoso. As comunidades eclesiais s&atilde;o chamadas a refor&ccedil;ar o cuidado pastoral das pessoas exploradas pelo turismo sexual. Entre estas, as mais vulner&aacute;veis e necessitadas de ajuda particular s&atilde;o certamente mulheres, menores e crian&ccedil;as; estas &uacute;ltimos, por&eacute;m, precisam de prote&ccedil;&atilde;o e aten&ccedil;&atilde;o especiais. As autoridades governamentais deem prioridade e ajam urgentemente para combater o tr&aacute;fico e a explora&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica das crian&ccedil;as. Para isso, &eacute; importante coordenar os esfor&ccedil;os a todos os n&iacute;veis da sociedade e colaborar estreitamente tamb&eacute;m com as organiza&ccedil;&otilde;es internacionais para realizar um quadro jur&iacute;dico que proteja as crian&ccedil;as da explora&ccedil;&atilde;o sexual no turismo e permita perseguir legalmente os criminosos.<a name="_ftnref16" title="" href="#_ftn16">[16]</a></p> 
<p>Permitam-me agora um sentido agradecimento a todos os sacerdotes e aos consagrados que servem o Senhor com total fidelidade e se sentem desonrados e desacreditados pelos vergonhosos comportamentos dalguns dos seus confrades. Todos – Igreja, consagrados, Povo de Deus e at&eacute; o pr&oacute;prio Deus – carregamos as consequ&ecirc;ncias das suas infidelidades. Agrade&ccedil;o, em nome da Igreja inteira, &agrave; grande maioria dos sacerdotes que n&atilde;o s&oacute; permanecem fi&eacute;is ao seu celibato, mas se gastam num minist&eacute;rio que hoje se tornou ainda mais dif&iacute;cil pelos esc&acirc;ndalos de poucos (mas sempre demasiados) dos seus irm&atilde;os. E obrigado tamb&eacute;m aos fi&eacute;is que conhecem bem os seus bons pastores e continuam a rezar por eles e a apoi&aacute;-los.</p> 
<p>Por fim, gostaria de assinalar a import&acirc;ncia de dever transformar este mal em oportunidade de purifica&ccedil;&atilde;o. Fixemos o olhar na figura de Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz), com a certeza de que, &laquo;na noite mais escura, surgem os maiores profetas e os santos. Todavia a corrente vivificante da vida m&iacute;stica permanece invis&iacute;vel. Certamente, os eventos decisivos da hist&oacute;ria do mundo foram essencialmente influenciados por almas sobre as quais nada se diz nos livros de hist&oacute;ria. E saber quais sejam as almas a quem devemos agradecer os acontecimentos decisivos da nossa vida pessoal, &eacute; algo que s&oacute; conheceremos no dia em que tudo o est&aacute; oculto for revelado&raquo;.<a name="_ftnref17" title="" href="#_ftn17">[17]</a> No seu sil&ecirc;ncio quotidiano, o santo Povo fiel de Deus continua de muitas formas e maneiras a tornar vis&iacute;vel e a atestar com &laquo;obstinada&raquo; esperan&ccedil;a que o Senhor n&atilde;o abandona, que apoia a dedica&ccedil;&atilde;o constante e, em muitas situa&ccedil;&otilde;es, atribulada dos seus filhos. O santo e paciente Povo fiel de Deus, sustentado e vivificado pelo Esp&iacute;rito Santo, que &eacute; o rosto melhor da Igreja prof&eacute;tica que, na sua doa&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria, sabe colocar no centro o seu Senhor. Ser&aacute; precisamente este santo Povo de Deus que nos libertar&aacute; do flagelo do clericalismo, que &eacute; o terreno f&eacute;rtil para todos estes abom&iacute;nios.</p> 
<p>O melhor resultado e a resolu&ccedil;&atilde;o mais eficaz que podemos oferecer &agrave;s v&iacute;timas, ao Povo da Santa M&atilde;e Igreja e ao mundo inteiro s&atilde;o o compromisso em prol duma convers&atilde;o pessoal e coletiva, a humildade de aprender, escutar, assistir e proteger os mais vulner&aacute;veis.</p> 
<p>Fa&ccedil;o um sentido apelo &agrave; luta total contra os abusos de menores, tanto no campo sexual como noutros campos, por parte de todas as autoridades e dos indiv&iacute;duos, porque se trata de crimes abomin&aacute;veis que devem ser cancelados da face da terra: pedem isto mesmo as muitas v&iacute;timas escondidas nas fam&iacute;lias e em v&aacute;rios setores das nossas sociedades.</p> 
<p>&nbsp; </p>
<hr align="left" size="1" width="33%" /> 
<p> <a name="_ftn1" title="" href="#_ftnref1">[1]</a>Cf. Mar&iacute;a Isabel Mart&iacute;nez Perez, <i>Abusos sexuales en ni&ntilde;os y adolescentes</i>, Ed. Criminolog&iacute;a y Justicia, 2012: apenas 2% dos casos s&atilde;o denunciados, especialmente quando os abusos acontecem no &acirc;mbito familiar. Calcula que sejam de 15 a 20% as v&iacute;timas de pedofilia na nossa sociedade. Apenas 50% das crian&ccedil;as revela o abuso sofrido e, destes casos, apenas 15% s&atilde;o efetivamente denunciados. No fim, apenas 5% s&atilde;o processados.</p> 
<p><a name="_ftn2" title="" href="#_ftnref2">[2]</a>Um caso sobre 3 n&atilde;o fala disso com ningu&eacute;m (Dados de 2017, recolhidos pela organiza&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos Thorn).</p> 
<p><a name="_ftn3" title="" href="#_ftnref3">[3]</a><i>N&iacute;vel global</i>: Em 2017, a Oms estimou num milhar de milh&atilde;o os menores com idade entre 2 e 17 anos que sofreram viol&ecirc;ncias ou neglig&ecirc;ncias f&iacute;sicas, emotivas ou sexuais. Os abusos sexuais (desde o apalpar at&eacute; ao estupro), segundo algumas estimativas Unicef de 2014, envolveriam mais de 120 milh&otilde;es de meninas, entre as quais se regista o maior n&uacute;mero de v&iacute;timas. Em 2017, a mesma organiza&ccedil;&atilde;o Onu referiu que, em 38 pa&iacute;ses do mundo de baixo e m&eacute;dio r&eacute;dito per capita, quase 17 milh&otilde;es de mulheres adultas admitiram ter tido uma rela&ccedil;&atilde;o sexual for&ccedil;ada durante a inf&acirc;ncia.</p> 
<p><i>Europa</i>: Em 2013, a Oms estimou mais de 18 milh&otilde;es de abusos. Segundo a Unicef, em 28 pa&iacute;ses europeus, cerca de 2,5 milh&otilde;es de mulheres jovens referiram ter sofrido abusos sexuais, com ou sem contacto f&iacute;sico, antes dos 15 anos (dados divulgados em 2017). Al&eacute;m disso, 44 milh&otilde;es (22,9%) foram v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, enquanto 55 milh&otilde;es (29,6%) foram v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica. Mais ainda: em 2017, o Relat&oacute;rio da Interpol sobre a explora&ccedil;&atilde;o sexual de menores levou &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de 14.289 v&iacute;timas em 54 pa&iacute;ses europeus. No caso da <u>It&aacute;lia</u>: em 2017, o Cesvi estimou que 6 milh&otilde;es de crian&ccedil;as foram maltratadas. Al&eacute;m disso, segundo dados elaborados pelo &laquo;Telefone Azul&raquo;, no per&iacute;odo de 1 de janeiro a 31 de dezembro de 2017, os casos de abuso sexual e pedofilia atendidos pelo Servi&ccedil;o 114 Emerg&ecirc;ncia Inf&acirc;ncia foram 98, que equivalem a cerca de 7,5% do total de casos tratados pelo Servi&ccedil;o. 65% dos menores que pediram ajuda eram v&iacute;timas do sexo feminino, e mais de 40% tinha menos de 11 anos.</p> 
<p><i>&Aacute;sia</i>: Na <u>&Iacute;ndia</u>, na d&eacute;cada 2001-2011, o Centro Asi&aacute;tico de Direitos Humanos registou um total de 48.338 casos de estupros de menores, com um aumento de 336%: de facto, de 2.113 casos em 2001, chegou-se a 7.112 casos em 2011.</p> 
<p><i>Am&eacute;ricas</i>: Nos <u>Estados Unidos</u>, os dados oficiais do governo mostram que, anualmente, mais de 700.000 crian&ccedil;as s&atilde;o v&iacute;timas de viol&ecirc;ncias e maus-tratos. Segundo o Centro Internacional para Crian&ccedil;as Desaparecidas e Exploradas (Icmec), uma em cada dez crian&ccedil;as sofre abusos sexuais.</p> 
<p><i>&Aacute;frica: </i>Na <u>&Aacute;frica do Sul</u>, os resultados duma pesquisa realizada pelo Centro de Justi&ccedil;a e Preven&ccedil;&atilde;o do Crime, da Universidade da Cidade do Cabo, revelaram que, em 2016, um jovem sul-africano em cada tr&ecirc;s, homem ou mulher, est&aacute; sob risco de abusos sexuais antes de completar 17 anos. Segundo o estudo, o primeiro do g&eacute;nero &agrave; escala nacional na &Aacute;frica do Sul, 784.967 jovens entre 15 e 17 anos j&aacute; sofreram abusos sexuais. Neste caso, as v&iacute;timas s&atilde;o predominantemente adolescentes do sexo masculino. Nem um ter&ccedil;o deles denunciou as viol&ecirc;ncias &agrave;s autoridades. Noutros pa&iacute;ses africanos, os abusos sexuais de menores inserem-se no contexto mais amplo das viol&ecirc;ncias relacionadas com os conflitos que ensanguentam o Continente, sendo dif&iacute;ceis de quantificar. O fen&oacute;meno est&aacute; intimamente ligado tamb&eacute;m &agrave; pr&aacute;tica de casamentos precoces generalizada em v&aacute;rias na&ccedil;&otilde;es africanas e n&atilde;o s&oacute;.</p> 
<p><i>Oce&acirc;nia</i>: Na <u>Austr&aacute;lia</u>, segundo os dados divulgados em fevereiro de 2018 pelo Instituto Australiano de Sa&uacute;de e Bem-Estar (Aihw), relativos aos anos 2015-2017, uma em cada 6 mulheres (16% ou seja 1 milh&atilde;o e meio) referiu ter sofrido abusos f&iacute;sicos e/ou sexuais antes dos 15 anos, e um em cada 9 homens (11%, ou seja 992.000) referiu ter sofrido este abuso quando eram menores. Al&eacute;m disso, em 2015-2016, cerca de 450.000 crian&ccedil;as foram objeto de medidas de prote&ccedil;&atilde;o da inf&acirc;ncia e 55.600 menores foram afastados de casa para tratar os abusos sofridos e prevenir outros. Por fim, n&atilde;o se devem esquecer os riscos que correm os menores nativos: sempre segundo a Aihw, em 2015-2016, a probabilidade de as crian&ccedil;as ind&iacute;genas sofrerem abusos ou abandono era sete vezes superior &agrave; dos seus coet&acirc;neos n&atilde;o-ind&iacute;genas (cf.<i>http://www.pbc2019.org/it/protezione-dei-minori/abuso-dei-minori-a-livello-globale</i>).</p> 
<p><a name="_ftn4" title="" href="#_ftnref4">[4]</a>Os dados apresentados referem-se a pa&iacute;ses tomados como amostra pela credibilidade das fontes dispon&iacute;veis. As pesquisas divulgadas pela Unicef sobre 30 pa&iacute;ses confirmam este facto: s&oacute; uma pequena percentagem de v&iacute;timas afirmou ter pedido ajuda.</p> 
<p><a name="_ftn5" title="" href="#_ftnref5">[5]</a>Cf. <i>https: //www.repubblica.it/salute/prevenzione/2016/05/12/news/maltrattamenti_sui_minori_tutti_gli_abusi - 139630223</i>.</p> 
<p><a name="_ftn6" title="" href="#_ftnref6">[6]</a>Especificamente, o presunto respons&aacute;vel pelo agravo sofrido por um menor &eacute;, em 73,7% dos casos, um progenitor (a m&atilde;e em 44,2% e o pai em 29,5%), um parente em 3,3%, um amigo em 3,2%, um conhecido em 3%, um professor em 2,5%. Os dados evidenciam como um estranho adulto seja o respons&aacute;vel numa pequena percentagem dos casos, ou seja, 2,2% (cf. <i>Ibidem</i>).</p> 
<p><a name="_ftn7" title="" href="#_ftnref7">[7]</a>Uma pesquisa inglesa de 2011, realizada pela Sociedade Nacional para a Preven&ccedil;&atilde;o da Crueldade &agrave;s Crian&ccedil;as (Nspcc), verificou que 29% dos sujeitos entrevistados referiu ter sofrido mol&eacute;stias sexuais (f&iacute;sicas e verbais) nos centros onde praticava um desporto.</p> 
<p><a name="_ftn8" title="" href="#_ftnref8">[8]</a>Segundo os dados 2017 da Iwf (Internet Watch Foundation), de 7 em 7 minutos uma p&aacute;gina da <i>web</i> envia imagens de crian&ccedil;as abusadas sexualmente. Em 2017, foram identificados 78.589 URL contendo imagens de abuso sexual, concentrados de forma particular na Holanda, seguida por Estados Unidos, Canad&aacute;, Fran&ccedil;a e R&uacute;ssia. 55% das v&iacute;timas t&ecirc;m menos de 10 anos; 86% com meninas, 7% com meninos, 5% com ambos.</p> 
<p> <a name="_ftn9" title="" href="#_ftnref9">[9]</a>Os destinos mais frequentados s&atilde;o Brasil, Rep&uacute;blica Dominicana, Col&ocirc;mbia, bem como Tail&acirc;ndia e Camboja. Ultimamente, a estes t&ecirc;m-se somado alguns pa&iacute;ses da &Aacute;frica e da Europa de Leste. Entretanto os primeiros seis pa&iacute;ses de proveni&ecirc;ncia das pessoas que cometem os abusos s&atilde;o Fran&ccedil;a, Alemanha, Inglaterra, China, Jap&atilde;o e It&aacute;lia. N&atilde;o transcur&aacute;vel &eacute; tamb&eacute;m o n&uacute;mero crescente de mulheres que viajam at&eacute; pa&iacute;ses em vias de desenvolvimento &agrave; procura de sexo pago com menores: no total, elas representam 10% dos turistas sexuais no mundo. Al&eacute;m disso, segundo um estudo realizado pela <i>Ecpat International</i> (Fim da Prostitui&ccedil;&atilde;o Infantil no Turismo Asi&aacute;tico), comparando 2015 e 2016, 35% dos turistas sexuais ped&oacute;filos eram clientes regulares, enquanto 65% eram clientes ocasionais (cf. <i> https://www.osservatoriodiritti.it/2018/03/27/turismo-sessuale-minorile-nel-mondo-italia-ecpat</i>).</p>
<p> <a name="_ftn10" title="" href="#_ftnref10">[10]</a>&laquo;Com efeito, se esta calamidade grav&iacute;ssima chegou a enredar alguns ministros consagrados, perguntamo-nos qu&atilde;o profunda poder&aacute; ser ela nas nossas sociedades e nas nossas fam&iacute;lias?&raquo; (Francisco, <a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2018/december/documents/papa-francesco_20181221_curia-romana.html"> <i>Discurso &agrave; C&uacute;ria Romana</i>, 21/XII/2018</a>).</p> 
<p><a name="_ftn11" title="" href="#_ftnref11">[11]</a>Cf. R. H. Benson, <i>The Lord of the World</i>, Dodd, Mead and Company, Londres, 1907.</p> 
<p><a name="_ftn12" title="" href="#_ftnref12">[12]</a>&laquo;Que temes, Herodes, ao ouvir dizer que nasceu o Rei? Ele n&atilde;o veio para te destronar, mas para vencer o dem&oacute;nio. Tu, por&eacute;m, n&atilde;o o compreendes; e por isso te perturbas e te enfureces, e, para que n&atilde;o escape aquele &uacute;nico Menino que buscas, te convertes em cruel assassino de tantas crian&ccedil;as. (…) Matas o corpo das crian&ccedil;as, porque o temor te matou o cora&ccedil;&atilde;o&raquo;: S&atilde;o Quodvultdeus, <i>Serm&atilde;o 2 sobre o S&iacute;mbolo</i>: <i>PL</i> 40, 655).</p> 
<p><a name="_ftn13" title="" href="#_ftnref13">[13]</a>&laquo;Assim como o drag&atilde;o infernal, tendo inoculado o seu veneno na &aacute;rvore da ci&ecirc;ncia, havia corrompido a natureza do homem que saboreara o seu fruto, tamb&eacute;m agora, tentando devorar a carne do Senhor, ficou arruinado e destru&iacute;do pela virtude da divindade que nela habitava&raquo;: S&atilde;o M&aacute;ximo Confessor, <i>Centuria</i> 1, 8-13: <i>PG</i> 90, 1182-1186.</p> 
<p><a name="_ftn14" title="" href="#_ftnref14">[14]</a>S&atilde;o elas o Cdc: Centro de Controle e Preven&ccedil;&atilde;o de Doen&ccedil;as dos Estados Unidos; Crc: Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a; Acabar com a viol&ecirc;ncia contra as crian&ccedil;as: a parceria global; Opas: Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da Sa&uacute;de; Pepfar: Programa de Emerg&ecirc;ncia do Presidente para o Al&iacute;vio da AIDS; Tfg: <i>Together for Girls</i>; Unicef: Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia; Unodc: Departamento das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Drogas e Crime; Usaid: Ag&ecirc;ncia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional; Oms: Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de.</p> 
<p><a name="_ftn15" title="" href="#_ftnref15">[15]</a>Cada letra da palavra INSPIRE representa uma das estrat&eacute;gias, tendo a maior parte delas demonstrado efeitos preventivos sobre v&aacute;rios tipos de viol&ecirc;ncia, e tamb&eacute;m benef&iacute;cios em &aacute;reas como a sa&uacute;de mental, a educa&ccedil;&atilde;o e a redu&ccedil;&atilde;o da criminalidade. As sete estrat&eacute;gias s&atilde;o as seguintes. <i>Implementation and enforcement of laws</i>: implementa&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o das leis (por exemplo, proibir disciplinas violentas e limitar o acesso a &aacute;lcool e armas de fogo); <i>Norms and values</i>: normas e valores a mudar (por exemplo, aqueles que perdoam o abuso sexual sobre meninas ou o comportamento agressivo entre os rapazes); <i>Safe environments</i>: ambientes seguros (por exemplo, identificar nos bairros os &laquo;pontos quentes&raquo; para a viol&ecirc;ncia e enfrentar as causas locais atrav&eacute;s duma pol&iacute;tica que resolva problemas e outras interven&ccedil;&otilde;es); <i>Parent and caregiver support</i>: pais e apoio do assistente da fam&iacute;lia (por exemplo, fornecendo forma&ccedil;&atilde;o aos pais sobre os jovens, aos rec&eacute;m-progenitores); <i>Income and economic strengthening</i>: rendimento e refor&ccedil;o econ&oacute;mico (como o microcr&eacute;dito e a forma&ccedil;&atilde;o sobre a equidade de g&eacute;nero); <i>Response and support services</i>: servi&ccedil;os de resposta e apoio (por exemplo, garantir que as crian&ccedil;as expostas &agrave; viol&ecirc;ncia possam ter acesso a cuidados de emerg&ecirc;ncia eficazes e receber apoio psicossocial adequado); <i>Education and life skills</i>: instru&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o para a vida (por exemplo, assegurar que as crian&ccedil;as frequentem a escola e dot&aacute;-las das suas compet&ecirc;ncias sociais).</p> 
<p><a name="_ftn16" title="" href="#_ftnref16">[16]</a>Cf. <i>Documento Final </i>do VI Congresso Mundial sobra a Pastoral do Turismo, 27/VII/2004.</p> 
<p><a name="_ftn17" title="" href="#_ftnref17">[17]</a><i>Vida escondida y epifan&iacute;a</i>: <i>Obras Completas</i>, V, Burgos, 2007, 637.</p> 
<p>&nbsp; </p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Encontro "A proteção dos Menores da Igreja": Palavras do Papa Francisco depois do relatório da Doutora Ghisoni (22 de fevereiro de 2019)]]></title><pubDate>Fri, 22 Feb 2019 17:00:00 +0100</pubDate><link>http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/february/documents/papa-francesco_20190222_incontro-protezioneminori.html</link><guid isPermaLink="true">http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/february/documents/papa-francesco_20190222_incontro-protezioneminori.html</guid><description><![CDATA[<!-- Mon, 04 Mar 2019 08:44:13 +0100 --> <p align="center"><font color="#663300">ENCONTRO &quot;A PROTE&Ccedil;&Atilde;O DOS MENORES NA IGREJA&quot;</font><br /> <font color="#663300">[VATICANO, 21-24 DE FEVEREIRO DE 2019]</font></p> 
<p align="center"><font color="#663300"><i>Sala Nova do S&iacute;nodo<br /> Sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019</i></font></p> 
<font color="#663300"><p align="center"><b>[<a href="http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2019/2/22/incontro-protezioneminori.html">Multim&iacute;dia</a>]</b></p> 
 <hr color="#C0C0C0" width="30%" size="1" /></font> 
<p>&nbsp;</p> 
<p align="center"><font size="4" color="#663300"><b><i>INTERVEN&Ccedil;&Atilde;O DO PAPA FRANCISCO</i></b></font></p> 
<p> &nbsp;</p> 
<p><i>Interve&ccedil;&atilde;o do Papa depois do relat&oacute;rio de Linda Guisoni </i></p> 
<p>Ouvindo a doutora Ghisoni ouvi a Igreja falar de si mesma. Ou seja, todos n&oacute;s falamos sobre a Igreja. Em todos os discursos. Mas desta vez era a pr&oacute;pria Igreja que falava. N&atilde;o &eacute; apenas uma quest&atilde;o de estilo: o g&eacute;nio feminino que se espelha na Igreja, que &eacute; mulher.</p> 
<p>Convidar uma mulher para falar n&atilde;o significa entrar na modalidade de um feminismo eclesi&aacute;stico, porque afinal qualquer feminismo acaba por ser um “machismo” de saias. N&atilde;o. Convidar uma mulher para falar sobre as feridas da Igreja significa convidar a pr&oacute;pria Igreja para falar de si mesma, das suas feridas. E creio que este seja o passo que devemos dar com muita for&ccedil;a. A mulher &eacute; a imagem da Igreja que &eacute; mulher, &eacute; esposa, &eacute; m&atilde;e. Um estilo. Sem este estilo falaremos do povo de Deus, mas como organiza&ccedil;&atilde;o, talvez sindical, mas n&atilde;o como fam&iacute;lia nascida da m&atilde;e Igreja.</p> 
<p>A l&oacute;gica do pensamento da Doutora Ghisoni era precisamente a de uma m&atilde;e, e terminou com a narra&ccedil;&atilde;o do que acontece quando uma mulher d&aacute; &agrave; luz um filho. &Eacute; o mist&eacute;rio feminino da Igreja que &eacute; esposa e m&atilde;e. N&atilde;o se trata de dar mais cargos &agrave; mulher dentro da Igreja — sim, isso &eacute; positivo, mas assim n&atilde;o se resolve o problema — trata-se de integrar a mulher como figura da Igreja no nosso pensamento. E pensar na Igreja com as categorias de uma mulher. Obrigado pelo seu testemunho.</p> 
<p>&nbsp;</p>]]></description></item></channel></rss>